Para que possamos distinguir as palavras preciosistas e os arcaísmos léxicos nos textos
que analisamos, elas foram submetidos a um corpus formado por textos jornalísticos. Tal
artifício tem como objetivo comprovar que as unidades lexicais que elencamos em nossos
corpora são raras, ou seja, apresentam baixa freqüência de uso no padrão corrente, aquele
situado junto aos amplos contingentes sociais, da Língua Portuguesa do Brasil no estágio
sincrônico contemporâneo.
A escolha do vocabulário jornalístico como instrumento de apreciação do corpus de
nossa pesquisa se deve ao fato de que
O jornalista e o publicitário experientes optam por uma variante que se
adapta a seu público-alvo; em geral, utilizam o nível comum tenso, ou seja, não
redigem textos em linguagem só compreensível pelos doutores, nem escrevem
textos utilizando uma variante lingüística em que sejam freqüentes agressões ao
padrão culto da linguagem, ou erros gramaticais. (MEDEIROS; TOMASI, 2004, p.
33)
O corpus jornalístico, a que vamos submeter o resultado de nossa pesquisa, é
constituído por:
1. um conjunto de textos de reportagens extraídas da revista Veja. Esse corpus faz
parte da base textual do Laboratório de Lexicografia da Faculdade de Ciências e
Letras da UNESP/Araraquara e contém os exemplares correspondentes da revista
ao seguinte período, de 03 de junho de 1992 a 30 de agosto de 1995. A esse corpus
chamaremos CJ-V. Podemos utilizar um recurso estatístico para prevermos a
quantidade de palavras contidas em tal corpus. Vejamos:
Tal base textual informatizada ocupa 37MB em disco. Utilizando a seguinte
fórmula: 1MB = 1.000.000 bytes = mais ou menos 166.000 palavras, chegamos à
conclusão de que nosso corpus CJ-V possui cerca de 6.142.000 palavras.
2. uma base textual constituída de 1.458.174 palavras do domínio jornalístico que
também faz parte do acervo do mesmo Laboratório de Lexicologia, no qual está
identificado como CP (Literatura Jornalística). Denominamos esse conjunto de
textos como CJ-CP.
Tal corpus, segundo Biderman (1998, p. 166):
[...] compreende qualquer tipo de texto jornalístico (noticiario em geral e editorial)
dos principais jornais brasileiros, bem como de semanários de grande circulação no
Brasil. Por exemplo: O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil,
O Globo, Correio Brasiliense, Zero Hora. Algumas revistas de grande circulação
que integram esse corpus: Veja, Isto É, Visão, Exame, Placar. Um volume
considerável de matérias da revista Veja constam nesse acervo.
O resultado quantitativo da pesquisa das unidades lexicais que nos interessam,
submetidas ao CJ-CP, poderá ser observado mais adiante.
Com tal procedimento, esperamos ter satisfeito a curiosidade acerca dos termos que
são raros em nossa língua. No entanto, esse método só nos satisfaz acerca dos termos
preciosistas, os quais são considerados simplesmente raros. Ele não atende os itens lexicais
arcaicos os quais, para além de raros, encontram-se em nítido desuso por nossa comunidade
lingüística.
Nossa pesquisa pretende separar os vocábulos arcaicos daqueles que estão “em vias de
arcaização”, os quais consideramos como sendo preciosismos.
Na bibliografia pesquisada, não pudemos identificar nenhum critério para detectar os
arcaísmos léxicos. Para que a unidade lexical encontrada no corpus possa ser considerada um
arcaísmo léxico, optamos por utilizar um critério para a avaliação. Idealizamos, desse modo, o
método que descrevemos a seguir.
Por meio do processo escolhido, vamos submeter a palavra considerada arcaica ao
Dicionário de usos do Português do Brasil (2002), de Francisco de S. Borba e colaboradores.
A escolha desse dicionário deve-se ao fato de que esta é uma obra lexicográfica
sincronicamente atual, a qual procura retratar os usos lingüísticos da contemporaneidade já
que, para sua feitura, foi utilizado especificamente um corpus da língua escrita no Brasil na
segunda metade do século XX. Tal fato é importante por evidenciar um uso lingüístico restrito
a uma forma, um período e um local bastante precisos, os quais coincidem com as mesmas
características de nosso corpus formado por petições jurídicas recentes.
Entretanto, acreditamos que o simples fato de não constar em um dicionário da
atualidade não torna a palavra estudada um arcaísmo. Sua omissão pode dever-se ao fato de a
palavra em questão ser um neologismo. Para dirimir essa dificuldade, a palavra foi submetida
a um dicionário mais antigo.
O Diccionario da lingua portuguesa, de Antonio Morais Silva, publicado fac-
similarmente a partir da 2ª edição de 1813 e publicado em 1922, foi o escolhido para a tarefa
de solucionar o impasse ao procurarmos nele coincidências entre o vocabulário do Direito
atual e o usado por escritos jurídicos mais antigos. Nele, fizemos a checagem de termos que,
quando encontrados, foram por nós considerados arcaísmos léxicos. Afinal, segundo a teoria,
se o termo é considerado hoje um arcaísmo léxico é porque já foi parte da linguagem corrente
e tal fato só poderia ser checado ao se consultar um dicionário antigo.
O Diccionario da lingua portuguesa, elaborado por Antônio Moraes Silva, é
considerado a primeira obra lexicológica de relevância da língua portuguesa. Morais, para
fazer este dicionário, baseou-se em um corpus como fonte de referência, composto por textos
datados dos séculos XVI a XVIII. De acordo com Biderman (s.d.): “Podemos considerar o
Morais como um dicionário de língua, registrando o vocabulário mais usual da língua escrita
e oral do seu tempo.”
Tendo, enfim, delimitado as categorias expressivas que vamos buscar em nossa
pesquisa, resta-nos demonstrar quais foram os textos a que as submetemos para realizar o
intuito de nossa análise.
Belgede
Davutoğlu dönemi Türk dış politikası(2009-2014)
(sayfa 56-60)