1815 a 1828
A Ilha de Moçambique torna-se oficialmente a capital da Província.
– Ascensão e queda do Imperador Mutetua, Chaca Zulo, provocando limpezas étnicas em Manica, Gaza e parte de Inhambane.
1817
Pelo Artigo 2º da Convenção de 28 de Julho de 1817, anexa ao tratado de 1815, a Inglaterra reconheceu como limites dos domínios portugueses na África Oriental o Cabo Delgado, a norte e a baía de Lourenço Marques, a sul. Portugal compromete-se a proibir o tráfico de escravos a norte do Equador.
1818 Moçambique é elevada a cidade.
1820 Declaração de independência do Brasil.
1822
A Constituição Política da Monarquia portuguesa, de 1822, refere, «na costa oriental, Moçambique, Rios de Senna, Sofalla, Inhambane, Quelimane, as Ilhas de Cabo Delgado», sem autonomizar ou referir
Lourenço Marques e sem atribuir qualquer unidade ao conjunto, embora no Título II mencione «Moçambique e suas dependências».
1822-23
O Capitão da Marinha de Guerra Ingles realiza várias viagens à Baía de Lourenço Marques, para «reconhecimento hidrográfico» da Baía e rios adjacentes, dando-lhes nomes ingleses (rebaptiza os Rios do Espírito
Santo e Manhiça com o nome de English River e de King’s George River).
Entretanto, faz acordos com vários régulos, que lhe cedem terras na região.
1826
A extensão ao Ultramar do conceito de Província, tende a criar um efeito de unificação das possessões listadas em cada área geográfica
(Carta Constitucional de D. Pedro) 1826
É fundada a Companhia Comercial da Baía de Lourenço Marques,
dependente da Capitania Geral de Moçambique, com a obrigação de fundar uma feitoria armada com uma guarnição de 100 praças, em troca do exclusivo do comério do marfim por 14 anos.
1834
O Decreto de 31 de Maio (conhecido como o Decreto Mata-Frades) extingue as ordens religiosas na Metrópole e em todo o Ultramar. Dez anos depois é promulgada a Lei que manda vender os bens então confiscados. As relações com o Vaticano são interrompidas entre 1834 e 1841.
1835
O liberal Peres da Silva, natural de Goa é nomeado «Prefeito» do Estado da Índia, mas é deposto por uma revolta militar. Apela para o auxílio britânico, contra o governo militar de Goa, apoio que não obtém, e fica apenas a governar Damão e Diu. A bicefalia cessa com a chegada do novo governante.
1836 Repetidamente atacados, os Portugueses abandonam o posto do Zumbo,
no interior de Moçambique.
1836-1837
Primeira tentativa de abolição oficial do tráfico de escravos a sul do Equador, com algumas excepções. Não era proibida nem a escravidão
nem a situação de ser escravo. O Decreto de Sá da Bandeira que proíbe a exportação e importação de escravos foi particularmente mal recebido em Moçambique. A reacção local foi tal que levou à suspensão do Decreto em Novembro de 1837.
1836-1839 Colonos Boer fogem dos Ingleses e chegam a Lourenço Marques, regressando depois à Cidade do Cabo.
1838
A Constituição de 1838 prevê que «as Províncias Ultramarinas poderão ser governadas por leis especiais segundo exigir a conveniência de cada uma dellas».
1839
A Companhia Inglesa das Índias Orientais oferece 500 mil libras
esterlinas pela compra do Estado da Índia, com o pretexto de que o Governo português deveria pesada indemnização por ter protegido revoltosos locais refugiados em Goa.
- o goês Bernardo Peres da Silva, eleito uma vez mais deputado (depois de o ter sido em 1822 e 1827 e de ter sido nomeado Prefeito do Estado da Índia, em 1834), toma finalmente assento na Câmara dos Deputados.
1842
É fundada a Escola Médico-Cirúrgica de Goa, que inicia o ano lectivo com 4 lentes e oito alunos. [as Escolas de Cabo-Verde, Angola e
Moçambique, igualmente fundadas no papel, nunca chegarão a abrir].
1842
É assinado em Lisboa um Tratado Luso-Britânico que visa promover a completa abolição do tráfico de escravos. Ambas as marinhas recebem poderes mútuos para actuar em casos suspeitos e são criadas Comissões mistas encarregues do julgamento de navios negreiros apresados.
– Quelimane, capital do Distrito da Zambézia, é elevada a cidade.
1843 Os ingleses anexam o Estado Boer do Natal.
1843 Pangim é elevada a cidade, com o estatuto de capital do Estado da Índia.
1843 É criada a Repartição de Moçambique na Secretaria de Estado dos
Negócios da Marinha e Ultramar.
1844-47
Sai legislação que reorganiza os serviços de saúde (1844), o ensino médico (1845), a instrução primária (1846) e que cria uma Comissão para informar o Governo sobre o comércio, em todas as províncias ultramarinas.
1846
João Albasini, acompanhado por alguns nativos e por alguns comerciantes Goeses, parte de Lourenço Marques para o interior, onde se fixa.
1850
Charles Vogel, na sua obra Le Portugal et ses Colonies, calcula em 300 mil pessoas a população da província. Destes, apenas cerca de dois mil seriam «brancos», mouros e «indianos» (sem distinguir os goeses
cristãos dos Divecha e Gujerates hindus). Incluindo europeus e tropa local, a força armada acercava-se do milhar.
1851 É criada a Companhia Comercial de Goa.
1854-56
Com apoios portugueses, David Livingstone atravessa África, partindo de Luanda para Quelimane.
1854-92 Manuel António de Sousa, natural de Goa, torna-se Capitão-mor de
Manica e Quiteve.
1857 Concordata com a Santa Sé sobre o Padroado do Oriente, põe fim ao conflito iniciado em 1834.
1857-59
Na Índia, os sipais massacram quantos ingleses encontram pela frente. Foi preciso um exército de 180 mil homens para travar a revolta. Na sequência, é extinta a Companhia Inglesa das Índias Orientais.
1858
No dia do seu casamento, D. Pedro V assina o decreto apresentado por Sá da Bandeira, que fixa o termo da escravidão para daí a vinte anos, data em que os seus possuidores seriam indemnizados e aqueles seriam libertos.
1858
Sá da Bandeira reúne sob o nome de «Zambézia» todo o vale do Zambeze, de Quelimane a Tete e ao Zumbo.
CONFRONTOS INTERNACIONAIS PELA DEFINIÇÃO DE