2- BOYA İŞLEMİNDE SAÇ YIKAMA
2.1. Boyalı Saçlar İçin Şampuan
É sabido que três são os regimes penitenciários para cumprimento da pena: fechado, semiaberto e aberto.
Em razão dos objetivos propostos para este trabalho, concentrar-nos-emos, de forma especial, em analisar as questões do regime fechado.
Como o afirmamos anteriormente, há uma espécie de gradação na qualidade da reclusão do Sentenciado, podendo este ficar mais ou menos preso, dependendo do regime sob cuja égide estiver submetido – o denominado Regime Disciplinar Diferenciado – RDD ou o Regime Disciplinar Especial – RDE.
O Regime Disciplinar Diferenciado está disciplinado no artigo 52124 da Lei de Execução Penal. O Sentenciado fica encarcerado por vinte e duas ou vinte e três horas diárias,
123 Disponível em: http://www.lfg.com.br/conteudos/artigos/direito-criminal/artigo-prof-luiz-flavio-gomes- populacao-carceraria-e-trabalho-nas-penitenciarias, Acesso em 25 de maio de 2013.
124 Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasione subversão da ordem ou disciplina internas, sujeita o preso provisório, ou condenado, sem prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes características:
I - duração máxima de trezentos e sessenta dias, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie, até o limite de um sexto da pena aplicada;
sendo que o tempo para o banho de sol não ultrapassa duas horas. Sob tal regime, o preso não é autorizado a receber jornais, revistas e, tampouco, a assistir à televisão. Ele fica restrito ao seu mundo de, no máximo, seis metros quadrados.
Esse regime pode perdurar por 360 dias, não podendo ultrapassar 1/6 da pena a cumprir.
Há um conflito, a nosso ver, na Lei de Execução Penal: como é possível ressocializar se não existe possibilidade alguma dentro do contexto do Regime Disciplinar Diferenciado?
O Sentenciado permanece vinte e duas ou vinte e três horas encarcerado, dentro da sua cela, sem nenhum incentivo para se ressocializar. O convívio familiar é interrompido bruscamente; o convívio com outras pessoas, igualmente. E, se isso não fosse suficiente, retira-se do problemático Sentenciado a possibilidade de se ressocializar.
O RDD, sem embargo de entendimento em contrário, afronta as Regras Mínimas para Tratamento de Reclusos, que, como vimos e aqui o reiteramos, estabelece:
60. 1) O regime do estabelecimento deve procurar reduzir as diferenças que podem existir entre a vida na prisão e a vida em liberdade na medida em que essas diferenças tendam a esbater o sentido de responsabilidade do detido ou o respeito pela dignidade da sua pessoa.
No mesmo sentido, há violação expressa do inciso XLVV, artigo 5º, da Constituição Federal, que preconiza a não existência de penas cruéis. Se a falta de contato físico com os familiares no dia de visita não for tratamento cruel; se a sua permanência em um quadrado fechado, sem quaisquer informações e privado de um televisor, rádio ou revistas, não se considerar cruel, o que, então, o será?
Se a segregação total do Sentenciado do seu meio já limitado (prisão), dos familiares, entre tantas outras questões que envolvem este regime tão rígido, recuperasse e ressocializasse alguém, provavelmente não haveria reincidentes, uma vez que estes, tendo passado pela dura experiência de estarem custodiados num tal regime, evitariam ao máximo para lá retornar.
II - recolhimento em cela individual;
III - visitas semanais de duas pessoas, sem contar as crianças, com duração de duas horas; IV - o preso terá direito à saída da cela por 2 horas diárias para banho de sol.
§ 1o O regime disciplinar diferenciado também poderá abrigar presos provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros, que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade. § 2o Estará igualmente sujeito ao regime disciplinar diferenciado o preso provisório ou o condenado sob o qual recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação, a qualquer título, em organizações criminosas, quadrilha ou bando.
Vale destacar o depoimento de Abílio Fidelis Dias Junior:
Já fiquei no RDD quando era na Penitenciária de Avaré. É um lugar de total isolamento, onde a depressão e a tortura psicológica convivem com a gente. Lá não se pode nem dar um abraço num familiar num dia de visita. [...] Tanto aqui quanto no RDD não existe nenhuma chance de reintegração digna com a família, principalmente com os filhos pequenos.
Pior situação, a nosso ver e em que pesem opiniões divergentes, ocorre no denominado Regime Disciplinar Especial – RDE.
A pessoa que está custodiada numa penitenciária sujeita ao RDE está completamente fora da égide do Estado, uma vez que não existe sequer previsão legal para este regime de cumprimento de pena.
No Estado de São Paulo, este regime é adotado, por exemplo, na Penitenciária "Maurício Henrique Guimarães Pereira", na cidade de Presidente Venceslau, e na Penitenciária "Dr. Paulo Luciano Campos", na cidade de Avaré, muito embora a Secretaria de Segurança Penitenciária informe que nestas casas se pratique o regime normal de cumprimento de pena, omitindo-se quanto ao caos do sistema penintenciário.
Destaque-se que o próprio site125 da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo126 informa ser a Penitenciária "Dr. Paulo Luciano Campos", localizada na cidade de Avaré, dotada de um regime assim designado: RDD/Regime Comum, o que suscita, pelo inusitado da situação, não poucas indagações. Qual é o regime comum? O Regime Disciplinar Diferenciado? Obviamente que não. Não se pode adotar o regime mais gravoso como sendo o de cumprimento de pena normal.
Quanto às unidades prisionais de Presidente Venceslau, talvez por inexistir até mesmo previsão legal, não se colocam em seu site quaisquer informações.
No entanto, na prática, o que se tem é um regime de cumprimento de pena totalmente inconstitucional e incapaz de ressocializar qualquer ser humano.
As diferenças entre o RDD e o RDE são mínimas: no RDD, a visita é de duas horas; preso e família não mantêm contato físico – conversam pelo parlatório. Já no RDE, a duração
125 Disponível: http://www.sap.sp.gov.br/common/unidades.html, Acesso em 02 de abril de 2012. 126 Disponível em:
http://www.sap.sp.gov.br/common/unidprisionais/crn/pen_avare_dr_paulo_luciano_campos_I.html, Acesso em 11 de março de 2013.
da visita é de quatro horas, com contato físico, no entanto o Grupo de Intervenção Rápida é que permanece para condução das visitas, e, além disso, as visitas são trancadas juntas com os sentenciados nas respectivas celas. No RDD, a cela é individual; no RDE, a cela é coletiva. No RDD, o banho de sol tem a duração de duas horas; no RDE, o banho de sol é de três horas. Como se constata, as diferenças são mínimas, sem a intervenção do Poder Judiciário ou da própria Secretaria de Administração Penitenciária.
Como ressocializar, se o Sentenciado assim percebe tais circunstâncias? Observemos os seguintes depoimentos:
Me encontro preso na Penitenciária II de Presidente Venceslau que, segundo as autoridades do Estado dizem, é uma unidade prisional de regime comum. Mas como uma penitenciária dessa pode ser comum, sendo que nossas visitas, ao adentrarem no presídio e entrarem para as celas, para verem seus filhos, maridos e irmãos, são trancadas dentro das celas juntamente com outras visitas e outros presos durante 4 horas, não podendo sair [antes do término desse período]? A justificativa para tal abuso de poder é, segundo eles alegam, por motivos de segurança. Isto que eles fazem com os nossos familiares é inaceitável, um crime, pois se caracteriza como cárcere privado. De visitantes, os nossos familiares se tornam prisioneiros. E todo este abuso é de conhecimento do Estado, que nada faz para cumprirmos a nossa pena dignamente. (Luciano Silva).
Cumpro pena atualmente no presídio de Segurança Máxima de Presidente Venceslau, onde estou sendo rotulado por algo que não sou. Classifico como excesso as 21 horas que permanecemos trancados sem direito à escola, trabalhos ou cursos. Acho que nenhum ser humano deve ser submetido a ficar 21 horas trancado e também acho que tanta ditadura no sistema carcerário não regenera o ser humano. 50 ou 60 policiais fortemente armados entram, todos os dias, nos pavilhões para [nos fazer] voltar para a cela, após 3 horas de sol, e todos com toucas ninja no rosto. No dia de visita, fora os constrangimentos que os nossos familiares passam, ao adentrar na unidade nossas visitas são mantidas em cárcere privado juntamente conosco, pois permanecem 4 horas trancadas no horário da visita. (Alex Leandro Bispo dos Santos).
Se violência transformasse o caráter das pessoas, possivelmente a população carcerária teria sofrido uma sensível redução. É o que atestam as palavras de Jacques-Auguste de Thou, em sua Epístola Dedicatória ao rei Henrique IV: “a experiência nos ensina que a violência é mais capaz de irritar do que de curar qualquer mal que esteja enraizado no espírito.”127
No Regime Disciplinar Diferenciado, como não há acesso a televisores, jornais ou rádio, os Sentenciados que sabem ler se apoderam da leitura. Mas, obviamente, tudo o que é feito exaustivamente desmotiva e torna-se outro castigo. E nem por isso – pela prática da
127 VOLTAIRE. Tratado sobre a intolerância: por ocasião da morte de Jean Calas. Tradução de William Lagos. Porto Alegre: L&PM, 2010, p. 88.
leitura – recebem algum tipo de recompensa do Estado, a remição pelo estudo, por exemplo, amplamente possível nessa situação.
Na maioria dos casos, após a punição imposta pelo Regime Disciplinar Diferenciado, o Sentenciado é encaminhado a uma penitenciária com características semelhantes à anterior em alguns aspectos: trata-se do Regime Disciplinar Especial. Não existe nenhuma lei ou regulamento que o contemple como regime.
Tanto quanto ocorre no Regime Disciplinar Diferenciado, no Regime Disciplinar Especial não há nenhum esforço por parte do Estado na ressocialização. Além de não haver trabalho ou estudo, o Sentenciado permanece por mais um período neste estado de “armazenagem”, devendo ser um autodidata e acumular os conhecimentos necessários a sua reintegração/reinserção social.
Mas isso não é tudo. Para obter algum benefício, em muitos casos será submetido a testes psicológicos rápidos (com duração aproximada de, no máximo, quinze minutos) por profissionais nomeados e remunerados pelo Estado, avaliações mediante cujos resultados a reprovação é quase que invariavelmente certa. Merece, ainda, um destaque, em virtude do caráter questionável de seus resultados, as semelhanças entre os exames criminológicos, que acabam despertando suspeitas quanto à existência da generalização de um único diagnóstico a todos os examinados, com vistas à facilitação do trabalho, pouco importanto o sujeito de direitos que está sendo analisado para o restante da sua vida.
É oportuno, neste ponto, lançar mão das palavras de Michel Foucault:
O psiquiatra intervém para dizer qual será a forma de pena; portanto, ele tem um papel judicial no próprio interior do desenvolver da justiça. E o mal-estar dos advogados está ligado a isso, pois ele tem de se haver com dois juízes, um dos quais é esse pseudojuiz que vai modular a pena. E quanto mais o papel de modulador da pena torna-se grande na psiquiatria penal, menos os conceitos utilizados por esses psiquiatras são médicos.128
Diante dessas circunstâncias, o Sentenciado tem de se valer de assistentes técnicos. Apenas por meio da contratação dos assistentes técnicos, surge, ainda que de maneira incipiente, uma esperança de se ver realizado um exame em conformidade com os parâmetros ditados: seriedade e comprometimento com o trabalho desenvolvido. O que se busca, por
128 FOUCAULT, Michel. Problematização do sujeito: psicologia, psiquiatria, psicanálise. Tradução Vera Lucia Avellar Ribeiro. 3ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011, p. 302.
meio da nomeação dos assistentes técnicos, nada mais é do que a imparcialidade dos profissionais nomeados pelo Estado, então “coagidos”, por se encontrarem diante de “testemunhas”, a se atentarem aos detalhes que cada situação requer.
Ainda assim, por vezes e na maioria dos casos, a nomeação dos assistentes técnicos não é obtida de forma pacífica no Poder Judiciário. Faz-se necessário um recurso, por meio do agravo, para que o Tribunal possa se manifestar favoravelmente.
Ora, tanto o RDD quanto o RDE são contrários à ideia de ressocialização do Sentenciado.
Carmen Silvia de Moraes Barros destaca o posicionamento de Hilde Kaufmann, no sentido de que a “prisionalização consiste na compenetração tão profunda do preso na cultura carcerária que mais tarde será incapaz de viver em liberdade com outros indivíduos. [...] isso rege sobretudo para os presos que têm penas longas.”129
Até mesmo para o contexto de inexistência total de previsão legal, o nosso Poder Judiciário se mantém inerte aos abusos que ocorrem nas unidades prisionais, fazendo crescer a certeza de injustiça e de violação dos direitos daqueles que estão submetidos à custódia do Estado.
Questiona-se: o artigo 38 do Código Penal ainda é válido?
Dizer que “o preso conserva todos os direitos não atingidos pela sentença, impondo-se a todas as autoridades o respeito a sua integridade física e moral” significa conceber que os abusos deveriam ser coibidos, minimamente, pelo Poder Judiciário o que, na prática, sequer ocorre.
Melina Duarte propõe a seguinte reflexão, reportando-se ao artigo 38 do Código Penal:
Será que as pessoas o desconhecem? Será que ele foi um artigo imposto para satisfazer a pressão de associações nacionais e internacionais de proteção dos direitos humanos e não reflete o verdadeiro espírito do povo? Na sua Filosofia do Direito, Hegel tem uma frase que cabe muito bem nesta ocasião: “Não se importa uma Constituição”. E ele diz isso porque a Constituição, para que seja efetiva, ou seja, válida na teoria e aplicada na prática, tem que ser coerente, tem que refletir e manifestar o espírito do povo. De nada adianta redigir uma constituição muito avançada para um povo que ainda não é capaz de compreendê-la. Mitchel P. Roth
129 BARROS, Carmen Silvia de Moraes. A individualização da pena na execução penal. São Paulo: Revista dos
diz que “a maneira com que uma sociedade trata seus prisioneiros diz muito sobre a sua cultura”. Assim, a situação lastimável dos presídios brasileiros é resultado de nossa cultura.130
Como concordar que o endurecimento dos regimes, sem quaisquer amparos com o fim de ressocializar, pode ser adotado e amplamente aceito para a sociedade que, dia após dia, receberá de volta os seus Sentenciados?
Se houvesse, ao menos, junto com o endurecimento dos regimes, uma dinâmica capaz de recuperar os Sentenciados, então se poderiam aceitar os regimes disciplinar diferenciado e especial, que sequer têm amparo legal, como meios de ressocialização das pessoas.
Mas ao contrário, o que se tem por meio da adoção desses regimes é o endurecimento, inclusive, das pessoas que a eles estão submetidas, a quem não resta senão a alternativa do aumento da reincidência. Para tempo de ócio mais direitos violados o resultado é único: não ressocialização.
A sugestão para ressocialização, ainda mais nesses regimes, é a inclusão de todos os Sentenciados em formação educacional e, para aqueles que já a possuem, formação profissional.
Nas unidades prisionais que adotam o RDD131 ou o RDE132, espaço não é preocupação, haja vista que a população carcerária sempre é menor do que a capacidade oferecida.
Embora a Defensoria tente afastar do sistema prisional as mazelas, seria imprescindível a atuação de todo o Poder Judiciário para, por exemplo, declarar a inconstitucionalidade da Resolução 93/04, que dispõe sobre o Regime Disciplinar Especial.
Além disso, é imperioso determinar, por meio do artigo 66, incisos VI e VII133 da Lei de Execução Penal, a inspeção das unidades prisionais que, em face da apuração de faltas dos
130 DUARTE, Melina. Punição ou vingança? Revista Filosofia – ciência & vida, ano VII nº 79 – fevereiro de 2013, p. 70.
131 Disponível em: http://www.sap.sp.gov.br/, 18 de maio de 2013. Penit. I "Dr. Paulo Luciano Campos" de Avaré. População prisional - atualizada em 16/05/13. Capacidade: 520 População: 494.
132 Disponível em: http://www.sap.sp.gov.br/, 18 de maio de 2013. Penit. II "Maurício Henrique Guimarães Pereira" de Presidente Venceslau. População prisional - atualizada em 16/05/13. Capacidade: 1248 População: 801.
133“Art. 66. Compete ao Juiz da execução: [...]
VI - zelar pelo correto cumprimento da pena e da medida de segurança;
VII - inspecionar, mensalmente, os estabelecimentos penais, tomando providências para o adequado funcionamento e promovendo, quando for o caso, a apuração de responsabilidade; [...]”.
custodiados, acabam por “castigá-los” e, consequentemente, cometem abusos, o que acarretaria, nos termos da lei, apuração de responsabilidades, sindicância que, na prática, não costuma ocorrer.
Por que afirmamos categoricamente a inconstitucionalidade do Regime Disciplinar Especial?
Analisando a Constituição Federal, a Lei de Execução Penal e até mesmo o Regimento Interno Padrão das Unidades Prisionais do Estado de São Paulo, fácil é constatar que inexiste o Regime Disciplinar Especial.
Se inexiste, não poderia ser criado por mera resolução, o que afronta, cabalmente, os dispositivos constitucionais, até porque é meio de cumprimento de pena mais gravoso ao custodiado, diferenciando-se do RDD, como dissemos alhures, em pouquíssimas situações. Agrava, assim, ainda mais, a situação do Sentenciado que pretende outra forma de sobreviver, fora do crime.
A autoridade administrativa nunca foi critério ideal para determinar a lista de nomes que deverão ser incluídos no Regime Disciplinar Especial, haja vista que, em muitos casos, os custodiados são transferidos para o Regime Disciplinar Especial apenas para manter ocultos os abusos que são cometidos contra eles nas unidades prisionais.
Convém repetir o depoimento de Anderson Souza Roza, que ratifica o que se expõe:
Quero também, através deste histórico, relatar uma vivência que eu passei no RDD de Presidente Bernardes. As características do regime de RDD são as piores que eu vivi na cadeia desde quando cheguei, em 12/10/94. Quero iniciar deixando bem claro como o Estado faz para te internar neste regime. Estava preso no CDP SP onde veio acontecer uma situação, no pavilhão onde eu estava: fui espancado, fiquei quase morto de tanto espancamento e fui levado para uma cadeia que é desconhecida de qual é o regime [cujo regime é desconhecido], em Presidente Venceslau PI. Chegando lá, fui espancado novamente e fiquei sem poder andar por vários dias. Fiquei trancado por 60 dias, sem assistência médica e nenhuma outra assistência. Estava muito machucado e, assim mesmo, fui torturado e espancado por vários funcionários lá da PI de Presidente Venceslau. Foi feito o pedido de minha internação no RDD pelo Diretor do CDP, com várias acusações falsas, e o juiz ou a juíza concedeu minha internação com [base nessas] várias acusações falsas, por 1 ano. O RDD é um inferno para o preso: ficamos 22 horas trancados, [temos] 2 horas de sol, 2 horas de visita no parlatório, podemos receber sedex 1 vez por mês, [ficamos] sem televisão, sem rádio; [existem] vários funcionários opressores; fui espancado na chegada por funcionários e durante este 1 ano que fiquei lá, sofri perseguição por vários funcionários. Devido estar sendo acusado de agressões a funcionários da SAP, fiquei 1 ano neste lugar, e esta falta disciplinar virou um processo. Quando fui desinternado [deixei o regime] do RDD, depois de algum
tempo, fui ao fórum sumariar, e todos os funcionários da SAP declararam que em momento algum eu participei de nada e não agredi nenhum funcionário. O juiz me absolveu. Agora eu pergunto para o Estado: eu fiquei 1 ano sem dever nada no RDD, quase perdi minha vida pelas torturas e os espancamentos que sofri devido a estas falsas acusações (quero que a sentença e meu alvará sejam colocados como prova deste meu depoimento e histórico que faço) e, além disso, agora sou obrigado a ficar preso numa cadeia de regime diferenciado como [esta] onde estou aqui em Presidente Venceslau PII. Devido ao RDD, quando vence o período de castigo, somente mandam para este presídio. Qual será a resposta do Estado para mim que até hoje estou no silêncio, sofrendo e pagando por toda esta injustiça que fizeram comigo? Peço resposta!
Salvo melhor juízo e com todo respeito que há pelas opiniões em contrário, é difícil aceitar que mera resolução tenha o condão de revogar a Lei de Execução Penal, o que, na prática, é o que se verifica.
O que mais é impactante, quando se observam os termos da Resolução, é o fato de ela sequer exigir o cometimento de falta grave para a transferência do custodiado ao Regime Disciplinar Especial.
O enquadramento em qualquer regime mais gravoso não se dá sem que a Lei de Execução Penal tenha o cuidado de promover, por meio de sindicâncias, a devida apuração de faltas. Mas para o Regime Disciplinar Especial, muito ao contrário, sequer se faz necessário o