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Şekil 9 KRAS geninin kromozom 12 üzerindeki lokalizasyonu (126).

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A política governamental de acesso às tecnologias reprodutivas na rede pública de saúde (SUS) é consectária do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM), lançado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM). Em 2004, dentre os objetivos traçados para o planejamento familiar, há a ampliação de ofertas de metódos anticoncepcionais (reversíveis ou não) e de tratamentos para a infertilidade como a reprodução assistida pelo SUS, como parte de políticas públicas para a ampliação da autonomia das mulheres e da cidadania147.

Diga-se que além de inconstitucional, a hipótese alinhada de exclusão decorrente de violência doméstica (“Violência doméstica, que, caso identificada, constitui-se em critério de exclusão”), vai de encontro às políticas de igualdade para as mulheres, pois ao restringir seus direitos reprodutivos em 1H .& 75 3 > / * 3 F A / ( = K 3 0 3 ! * ( 7 L O 00J % ) 3 ,* 3 =D31DH<0H / /<<CCC3 3 &3 < <*F74-< < 00H<=D1DHU 00H3 23 1JF + Y - -7 4-7 ? = H 3 J 3 ,' / /<<= 3 D 3J3K< < < U 3 23

situação de violência,configurado-se em dupla violência: pública e doméstica, como uma restrição que se dá, no plano do acesso aos direitos reprodutivos e ao livre planejamento familiar, fundada em violência preexistente no campo doméstico.

Ademais, a preponderância desta visão desigual é manifesta em outras limitações para a mulher, tal como a da idade, sem igual disposição para o homem, evidenciando o essencialismo ligado ao corpo da mulher e a incapacidade física gestacional, mesmo diante das possibilidades biotecnológicas de superar a natureza, mediante o controle de gametas e embriões (diagnóstico pré-implantatório dos embriões), a utilização de gametas de doador/doadora, bem como a sub-rogação de útero.

A liberdade sobre a sexualidade, o corpo da mulher e a maternidade, dissociando a sexualidade da reprodução, têm, com as tecnologias reprodutivas, um ruptura inimaginável ao mudar a exclusividade do modelo reprodutivo pautado na concepção natural/uterina, sistematizado pelo direito, na medida em que permite a separação entre a sexualidade e concepção, pais jurídicos/sociais e doadores de gametas, ou ainda, a combinação doadores, receptora (“barriga de aluguel”) e pais jurídicos/sociais.

Ao desligar sexualidade e reprodução, a liberdade sobre a sexualidade, o corpo e a maternidade, as tecnologias reprodutivas permitem à mulher o direito de escolha (autodeterminação) do tempo da maternidade, dentro ou fora do período reprodutivo, mesmo que isso corresponda às pressões de mercado para o ajustamento das necessidades de envolvimento profissional em equilíbrio ao binômio trabalho/família, e, ainda, aos riscos de submeter-se ao

rigor das técnicas reprodutivas invasivas do corpo da mulher, instrumentalizado e medicalizado.

À liberdade sexual e à contracepção, defendidas pelas feministas desde a década de 60148, contrapõe-se o discurso da fecundidade, da procriação natural e do determinismo biologizante enquanto formas de opressão da mulher149, reduzida e limitada socialmente ao seu papel reprodutor150. Neste contexto, a esterilização feminina é muito disseminada no Brasil como um método definitivo e seguro para as mulheres usuárias dessas tecnologias, correspondendo, na década de 90, a 48% dos métodos utilizados por mulheres em idade entre 30 a 44 anos151. A eficácia desses métodos restou, dentre

outros fatores, por reduzir a taxa de fecundidade da mulher brasileira de 6,2 filhos, na década de 40, para 2,3 filhos por mulher152, em 2000.

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As tecnologias contraceptivas permitem romper o “corpo socializado”153,

segmentando sexo e reprodução, que, paradoxalmente, abrangidas no campo das políticas públicas, despolitizam-se e tornam-se instrumentos de políticas demográficas de ampla aplicação em mulheres com baixa escolaridade e em regiões pobres do Brasil, atendendo aos interesses do Fundo Monetário Nacional para a redução do crescimento demográfico brasileiro, sem uma discussão de fundo sobre os efeitos desses métodos no âmbito da saúde reprodutiva da mulher154.

Atualmente, há o apoio governamental, a partir de 2005 e no âmbito da Política Nacional de Direitos Sociais e Reprodutivos, ao acesso ampliado à esterilização cirúrgica voluntária na rede pública de saúde, condicionando-o às mulheres maiores de 25 anos ou que tenham pelo menos 2 filhos, realizada mediante consentimento informado prestado “após a informação a respeito dos riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de sua reversão e opções de contracepção reversíveis existentes” (§ 1º, inciso II, artigo 10, da Lei de Planejamento Familiar).

A falta de menção, no consentimento informado, sobre a vedação dessas mulheres ao acesso nos serviços públicos das tecnologias reprodutivas, como acima especificado, fato que compromete a validade da livre manifestação de vontade, da reversibilidade e do arrependimento. Simbolicamente, a mulher pobre esterilizada, que já deu prole ao seu cônjuge (descendentes/herdeiros), não tem direito à escolha (autodeterminação) de KD? -3 $ , 3 K 3 K1 4 6 3 ' 9 &8 3 : : 3 ( * 8 4 3 4 - / B :4- = 1 3 K0 HH) HJ3

restabelecer sua capacidade procriativa num momento ulterior, sendo-lhe possível, contudo, nas clínicas de reprodução humana particulares. Em contrapartida, a que estabelece uma nova família, poderá concretizar seu projeto parental, dando prole ao novo consorte.

A exclusão da mulher esterilizada dá-se na linha da pobreza. As políticas públicas para essa categoria de mulheres (esterilizadas e com prole do atual cônjuge), que compõem uma grande margem da população feminina brasileira, encobre questões de gênero ao condicionar economicamente a vontade da mulher, quase que punição pela escolha da não-maternidade.

Igualmente, numa sociedade industrializada onde a mulher prorroga cada vez mais a maternidade por força de necessidades profissionais e da liberdade de escolha pessoal155, a mulher acima de 50 anos que queira exercer

seus direitos reprodutivos conceptivos e se vê adstrita à ordem pública, torna- se vítima de uma violência simbólica pública que estigmatiza o corpo da mulher já não-reprodutora, infértil em decorrência da idade, resultado da objetivação simbólica do corpo da mulher156 enquanto um tempo da procriação social e

cientificamente construído, em contrapartida do à eternização, pela técnica, da virilidade masculina.

Articulada com essas normas, a Lei da Biossegurança (Lei n. 11.105, de 24 de março de 2005) permite pesquisas genéticas em embriões criopreservados remanescentes das técnicas de reprodução assistida utilizada KK - ! % 8 & ! &8 3 ,@ 6 3 B - ! P/ ( M 3 ) D, 2/ = H 3) 3<= K23 KH? % 73 # # 6 * 3 03

na rede pública e privada. Oriunda de projeto de lei proposto pelo Executivo (PL 2401/2003), dispõe sobre questões de alta tecnologia biológica, organismos geneticamente modificados, engenharia genética e pesquisa em embriões, objetivando o “estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e vegetal, e a observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente” (artigo 1º).

Após célere processo legislativo, fato incomum que denota o entrelaçamento de fortes interesses políticos e econômicos sobre os temas tratados, a lei aborda a legalização da pesquisa e terapia sobre “células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro” (artigo 5º), não utilizadas no procedimento, nas hipóteses de inviabilidade do embrião e de criopreservação há pelo menos 3 anos a contar da data de congelamento.

A fim de propiciar condições procedimentais a essa lei, o governo brasileiro, cria, mediante a Portaria 2.526/2005, o banco de dados informatizados (SisEmbrio) para a identificação numérica de cada embrião criopreservado nos centros de reprodução assistida, públicos e particulares, como cadastro de embriões congelados existentes nos bancos de células e tecidos germinativos (BCTG). Permite competência fiscalizatória e controladora dos procedimentos gerais de funcionamento dos BCTG à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)157, após consulta pública aberta em julho de 2006 (Consulta Pública n. 41).

O código nacional do embrião deverá acompanhar o embrião por um período de 20 anos após a sua utilização, pesquisa ou implantação, contendo a sigla da unidade da federação do BCTG de origem, os algarismos do registro do centro de reprodução junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos da Saúde (CNES) e o código de identificação.

E, conquanto a legislação brasileira vede a remuneração para a doação de tecidos, células, gametas ou embriões (artigo 199, § 4º, da Constituição Federal de 1988; artigo 5º, inciso II, § 3º, da Lei de Biossegurança e Lei n. 9.434/1997), preconizando a gratuitade intrínseca ao ato de doar, há de se ressaltar que nada impede que procedimentos de reprodução assistida158,

como processamento dos gametas, a aplicação das técnicas de reprodução assistida, bem como os produtos da pesquisa sobre as células-tronco embrionárias desenvolvidos nos centros, sejam monetarizados.

Nesse contexto, a coisificação159 do embrião dada pela Lei de

Biossegurança, permite a orquestração de uma rede biotecnológica de

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transferência e deslocamento de embriões remanescentes da reprodução assistida para outros centros de reprodução ou para seu destino científico, enquanto políticas públicas de apoio aos direitos reprodutivos e ao avanço das biotecnologias no país.

Dada a insuficiência do Código Civil ao categorizar a questão das biotecnologias reprodutivas, inserida exclusivamente no quadro geral da filiação matrimonial frente à complexidade e diversidade de possibilidades, evidencia a inadequação deste modelo codificado e enseja efervescência de projetos de lei com o intuito disciplinar a questão dos limites legais para uma nova tipologia de filiação.

Benzer Belgeler