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2.3. Düzgün İş Ölçümü

2.3.4. Bonnet ve Diğerlerinin Hazırladığı Düzgün İş Göstergeleri

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Essa diversidade de comportamento ou modo de organização do miniconto apontada pelo autor remete-nos aos minicontos de JGN, pois nem sempre conseguimos identificar o fato narrado, a ação propriamente dita; às vezes, não há um incidente que, necessariamente, desequilibra a situação inicial da narrativa, e o desfecho também não se configura como a resolução de conflitos. Logo, nos textos de JGN, percebemos estruturas tradicionais do gênero narrativo e da forma narrativa conto que estão fora da moldura do relato.

Para Koch (2000), “todas las minificciones son minicuentos o micro- relatos”, portanto, há diferenças entre o miniconto e o microrrelato para a autora. No miniconto, os fatos narrados, mais ou menos realistas, chegam a uma situação que se resolve por meio de uma ação concreta e precisa, ao passo que, no microrrelato, o verdadeiro desenlace não se resolve por meio de uma ação, mas sim através de uma ideia ou até mesmo de um pensamento. Se levarmos em conta essa perspectiva da autora, então, os textos de JGN seriam microrrelatos, tendo em vista as lacunas tanto da forma de conteúdo como do conteúdo, e não minicontos, já que não há especificamente conflito a ser resolvido, tampouco choque entre personagens. Como veremos nas análises dos textos, essas estruturas se realizam de modo distinto do que estamos acostumados, gerando a quebra de expectativas.

Ainda conforme Koch (2000), “el desenlace de un minicuento depende de algo que ocurre en el mundo narrativo, mientras que en el micro-relato el desenlace depende de algo que se le ocurre al autor”; “el desenlace descansa en una idea explicita o sobreentendida: una meditación, una paradoja, una desproporción, un golpe de ingenio, o una epifanía, para usar el concepto de James Joyce, o una entelequia, si nos apropiamos uno de Miguel de Unamuno”. Esta difícil distinção é até mesmo apontada pela própria autora.

Para Lagmanovich (2006), contudo, miniconto e microrrelato são duas denominações que se referem ao mesmo tipo de texto. Conforme o autor, a forma narrativa conto possui formas diferentes de relatar os vários tipos de acontecimentos; seriam os maravilhosos, os fantásticos, os neofantásticos, os realistas, os realistas mágicos, os estranhos, os policiais, etc.: todos são contos. Nesse sentido, estamos de acordo com o posicionamento de Lagmanovich (2006), pois o miniconto seria um tipo de mini ficção, e a mini ficção estaria incluída no microtexto, que podem ser literários ou não.

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hay elementos de géneros diversos, a veces simbióticamente relacionados, en el amplio conjunto de los microtextos que una sociedad produce; […] un microrrelato puede estructurarse según el modelo de diálogo, o parodiar el lenguaje de los medios de comunicación de masas, como también lo han hecho el cuento y la novela contemporáneos (p. 31-31).

O que percebemos nesses posicionamentos é que tanto o conto como o miniconto possuem maneiras diversas de narrar um acontecimento. Não há um esquema estrutural rígido que possamos seguir à risca; haverá, na maioria das vezes, um procedimento narrativo que irá contrariar a rigidez do esquema. Contudo, é por meio dessa lacuna, desse intervalo que se torna possível a reflexão sobre os recursos operatórios do texto literário e em que medida ele é correspondente aos dos objetos de forma de conteúdo distintas.

De acordo com Tatiana da Silva Capaverde (2004), em sua dissertação de mestrado intitulada Intersecções possíveis: o miniconto e a série fotográfica, a observação das inter-relações possíveis entre diferentes gêneros que o miniconto proporciona, sem a preocupação de uma determinação entre fronteiras, é o mais importante, já que esta forma ocupa o espaço de cruzamento entre os gêneros, um hibridismo. A autora considera o miniconto uma modalidade de conto que está, em sua identidade, marginal ao conto, pois o miniconto estaria na margem da forma e inauguraria um diálogo com as linguagens multimídia e hipertextual.

De qualquer forma, o miniconto possui, no que diz respeito ao conteúdo, temas mais subjetivos que se aproximam da poesia, como os MMCs, ou mais reflexivos, que se aproximam do ensaio; ou, enfim, os que, “pela descrição concisa e apurada, com o foco agudo no ponto principal do enredo” (CAPAVERDE, 2004, p. 33), dialogam com as artes plásticas.

Por estas razões, é comum a dificuldade de a crítica classificar e mesmo definir estas formas dentro dos gêneros consagrados, pois isso é somente possível quando se toma uma característica dominante para fazer aproximações, “tornando evidente a natureza híbrida destes textos e seu pertencimento a diferentes gêneros ao mesmo tempo” (CAPAVERDE, 2004, p. 33).

Portanto, o miniconto pertence às novas manifestações literárias da escrita contemporânea, nas quais a nova ordem, ou melhor, o novo operacionalizar é minificar todas as formas de comunicação, congregando, por meio da condensação, o textual e o visual, o instantâneo e o narrativo, abordando o tempo e o espaço sob dois ou mais

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2.2 MINICONTO: ALGUMAS OBRAS

O conto “O dinossauro” de Augusto Monterroso é o “microconto” mais famoso do mundo (FREIRE, 2004, p. VI). Em Obras completas (y otros cuentos), de 1959, encontra-se o texto unifrásico que, na versão em espanhol, tem apenas 43 letras: “Cuando despertó, el dinosaurio estaba allí”. (MONTERROSO, 2005, p. 90).

Lagmanovich (2006) chama atenção para o fato de que, apesar da presença de textos de extensões curtas como os de Monterroso, não há uma tendência geral de textos sobremaneira curtos na obra dos cultivadores desse tipo de relato. Gabriel Jiménez Emán, por exemplo, em sua obra Los 1.001 cuentos de una línea, apesar do título, não insere narrativas de uma linha apenas, mas oscila com outros textos de um parágrafo, uma página ou página e meia no máximo. Não há, nos MMCs, contos de tão extremas extensões como os de Monterroso, mas JGN escreveu o miniconto “Aeroporto”, para a coletânea organizada por Marcelino Freire:

Banheiro na chamada de voo. Cálculo renal salta. Ele guarda. (FREIRE, 2004, p. 40).

Marcelo Spalding (2008), em sua dissertação intitulada Os cem menores contos brasileiros de século e a reinvenção do miniconto na literatura brasileira contemporânea, aponta que o conjunto de narrações deste livro é influenciado pela trajetória política do escritor hondurenho, “que se vale do humor de maneira crítica para ressaltar situações de injustiça social e discriminação” (2008, p. 24).

Em La oveja negra y demás fábulas, de 1969, Monterroso relata quarenta pequenas narrativas com feitio fabular paródico e humorístico para denunciar a sociedade. A obra ganhou edição no Brasil em 1983, traduzida por Millôr Fernandes e ilustrada por Jaguar. Dentre os textos, Spalding (2008) destaca “O raio que caiu duas vezes no mesmo lugar”, por ser o menor da edição com 28 palavras. O miniconto narra a história de um raio que caiu duas vezes no mesmo lugar, mas ficou muito deprimido porque achou que, na primeira vez, já tinha feito estrago suficiente. Nos anos seguintes, textos com esta feição foram publicados, como “Cuento de horror”, de Juan José Arreola, e “Amor 77”, de Julio Cortázar, ambos dos anos setenta.

A carência de estudos acadêmicos sobre minicontos no Brasil, bem como a falta de antologias específicas como há nos Estados Unidos e na América Latina, não

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significa que a concisão do conto não tenha também se dado nos países de língua portuguesa em meados do século XX.

Em 1963, Herberto Helder lança seu primeiro livro em prosa que reúne 23 contos curtos por um mínimo de enredo e de referências objetivas: Os passos em volta. Nessa obra, um narrador de poucas palavras relata a vida do mundo e a sua própria relação com a vida: uma cena num bar, um copo com cerveja belga, a lembrança de um interrogatório, o hotel barato de um viajante, o sono interrompido por um barulho etc. Heide Strecker (2009, On line) aponta que alguns contos têm um tom fabular, como a do cão que possui um marinheiro com saudade do mar, “Cães marinheiros”, ou a do homem que narra, em tempo real, seu coração sendo arrancado por condenação de el-rei D. Pedro, o Cruel, “Teorema”. Em Os passos em volta, contos mais concisos misturam-se com outros um pouco mais distendidos.

Nos anos 70, o livro Contos do Gin-Tonic de Mario-Henrique Leiria fez muito sucesso. Leiria nasceu em Carcavelos, frequentou, por pouco tempo, a Escola de Belas Artes; exerceu várias profissões: na marinha mercante, na construção civil, foi caixeiro de praça, operário metalúrgico e pintor. Entre 1949 e 1951, participou de atividades no movimento surrealista em Portugal. Foi coautor do manifesto “A fixação proibida”. Em 1961, veio à América Latina onde desenvolveu várias atividades, tais como a de encenador de teatro e diretor literário de uma editora. Após nove anos, retornou a Lisboa, tendo colaborado em várias revistas e jornais.

Além de Contos do Gin-Tonic de 1973, destacam-se Imagem devolvida (1974), Novos Contos de Gin (1978) e Lisboa ao voo do pássaro (1979). Seus textos possuem uma riqueza de síntese típica dos “minis” e sutileza irônica bem próxima do “estilo monterroso”:

Benzer Belgeler