3.3. Şematik Çizim Metodu Kullanılarak Tasarıma Giriş
3.3.1. Blok düzenleyici
Situado a 170 quilômetros da capital do Estado, São Paulo, Araras é um município relativamente jovem, com 136 anos de emancipação política. Fundado por Barões do Café16 às margens do Ribeirão das Furnas, tem o nome derivado do grande número de araras que utilizavam o local como moradia.
As primeiras ocupações nessa região estão relacionadas ao trajeto que muitos homens percorriam naquele período, em direção a Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, em busca de ouro e pedras preciosas. Movidos pelo impulso de alcançar a região das minas,
alguns aventureiros se juntavam a escravos e índios, todos componentes dessas marchas, e faziam desse trecho do Estado de São Paulo, que mais tarde ficaria conhecido como Oeste Paulista, um ponto de paragem (CRESSONI, 2007, p.125). Os pontos de pouso serviam para
abastecimento das necessidades dos tropeiros, originando os primeiros povoamentos e futuros municípios, como Araras, Limeira, Rio Claro dentre outros.
No decorrer do século XVIII, com as cartas de sesmarias (MATHIESEN, 1994), grandes lotes foram doados pelo governo a quem conseguisse desbravar a terra. No período de 1799 a 1821 foi encontrada uma relação de nove cartas de sesmarias concedidas nesta região. Começaram a surgir trilhas, caminhos, sítios, fazendas e vilas, muitos das quais se transformaram em cidades (MATHIESEN, 2003). As primeiras referências a Araras datam do princípio do século XVIII, quando foi iniciada nessa região a divisão em fazendas. Até o final do século XVIII o interior de São Paulo era despovoado, denominado bordas das matas, alusão às demarcações dos rios explorados pelos bandeirantes. Posteriormente a região tornou-se conhecida como caminho dos bandeirantes.
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Segundo Mathiesen (1994), o Vice-Rei, Governador da Província, concedia terras através de cartas de sesmarias. As sesmarias eram porções de terras doadas para pessoas com recursos para desenvolver uma determinada região.
Dessa maneira, os povoamentos surgiram com os pontos de paragem e os primeiros sesmeiros, que dariam a origem à ocupação das terras. Manoel de Miranda Freire é apontado por Cressoni (2007) como um dos primeiros sesmeiros e morador dessa cidade. Segundo o mesmo autor, Freire desempenhou várias funções: era ex-presidiário, foi tropeiro e escrivão da correição da Comarca de São Paulo. Foi como tropeiro que Freire teria conhecido
uns campos pelo Rio Mogi, abaixo da povoação, entre o Ribeirão Itabuca e o Ribeirão das Araras, em os quais queria meter gados e fazer roças e plantas (MATHIESEN, 1994, p.5).
Em 1727, Freire teve concedida, nessa região, uma carta de sesmaria de légua e meia em quadra, aproximadamente 4.500 alqueires (MATHIESEN, 1994; CRESSONI, 2007).
A atividade pretendida por Freire se constituía, durante a fase do Brasil colonial, uma das poucas formas de se agregar valor econômico rentável a uma atividade comercial. Nessa época, além da mineração e das áreas de lavouras, esse empreendimento despertava interesse dos criadores, que preenchiam a necessidade da população agrícola e mineradora. Dessa maneira, a produção pecuária poderia atender as áreas agrícolas ao redor da capitania de São Paulo, como para as áreas de extração de minérios (CRESSONI, 2007).
Em 1768, outra concessão de sesmaria na região do Ribeirão das Araras foi solicitada por Manoel Ruiz de Belém, sargento-mor, também para criação de gados e áreas de cultivo. Em 1806 foram concedidas ao tenente Antonio da Cunha Lobos e ao alferes José da Cunha Lobo áreas do Ribeirão das Araras, que mais tarde seriam fazendas produtoras de café em Nossa Senhora do Patrocínio de Araras. Em 1818 três sesmeiros foram beneficiados com terras na região que atualmente abrange o município de Araras. Eram eles Francisco de Góes Maciel, Vicente Pires de Andrade e Manoel da Rosa Maciel. Parte dessas terras foi negociada em 1836 com Alexandre Góes Maciel, que, vindo a falecer em 1854, deixou grandes dívidas. No pagamento das contas, seus herdeiros entregaram a principal área, o Sítio Bom Sucesso, para o latifundiário produtor de cana-de-açúcar e café, Joaquim Franco de Camargo (sogro dos Barões de Araras). Este já era proprietário de outros dois grandes sítios na região do Ribeirão das Araras, além de possuir propriedades extensas na Vila de Limeira. Sua fortuna foi construída entre 1806 a 1820, com a atividade de formação de tropas negociadas na feira de Sorocaba (CRESSONI, 2007).
Joaquim Franco de Camargo e outros proprietários rurais, além de imigrantes, teriam se beneficiado da instabilidade jurídica instalada no Brasil entre 1822 e 1850, para
adquirir e ocupar vastas porções de terras, promovendo a construção de engenhos de cana-de- açúcar, aumentando seu capital pela venda desse produto (CRESSONI, 2007).
O povoamento dessa região passará realmente por um processo de desenvolvimento a partir do século XIX. Nesse período, no Brasil, era cultivada a cana-de- açúcar. Governantes e autoridades da época entenderam que a atividade tornaria a Província de São Paulo uma região produtora de alguma riqueza. Assim, a produção açucareira foi bastante importante e o escoamento da safra canavieira era feito em lombo de mulas. A viagem, que demorava de 15 a 20 dias, partia de locais próximos a Campinas e terminava no porto de Santos, de onde o produto seguia para exportação.
Nessa época os tropeiros eram o elo de ligação entre a economia do interior e os centros urbanos. Alguns deles constituíram a antiga aristocracia a cavalo, tanto que muitos conquistaram títulos de nobreza e autonomia no Império. Assim como os grandes proprietários de terras, pessoas que detinham poder, prestígio e muito dinheiro recebiam os títulos. É o caso dos irmãos Bento e José Lacerda Guimarães, que receberam o título de Barões de Araras – os Barões do Café, das mãos do Imperador Dom Pedro II. Esta titulação também aconteceu com aristocracia do açúcar com seus barões, condes e viscondes.
Enquanto a cana-de-açúcar alastrava-se para os Estados de Minas Gerais e Mato Grosso, adentrava a Região Sudeste a monocultura do café, um novo ciclo econômico, a partir de meados do XIX. Criou-se um sistema que relacionava produção, comercialização e exportação, além de orientar a distribuição geográfica com a expansão da produção cafeeira.
[...] o pequeno núcleo se moldava a partir da metade do século XIX. Este pequeno povoado que começa aparecer e ganhar significado a partir de 1862, já era detentor de uma estrutura comercial, carecendo, portanto, de uma “manifestação espiritual, simbolizada pela capela. Com este sentido, o início da formação da cidade pode ser tomado a partir de 19 de maio de 1865, quando foi doado um terreno por Bento Lacerda Guimarães (posteriormente Barão de Araras) e D. Manoela Assis de Cássia Franco de Camargo, para o patrimônio da Igreja Nossa Senhora do Patrocínio, padroeira da cidade. Dessa maneira, a essência do motivo de que teria movido os Lacerda a doarem esse espaço, possuía uma lógica. Esta atitude não pode ser entendida como natural, mas como adoção dos novos paradigmas da modernidade, a vista das grandes transformações que o mundo moderno vinha sofrendo, uma conseqüência de desdobramentos sociais e econômicos anteriores (CRESSONI, 2007, p.125).
Vale frisar que Bento era filho de lavradores, irmão de José Lacerda Guimarães, que também se tornou seu cunhado, em razão do casamento realizado com Clara Miquelina, irmã de D. Manoela. As esposas eram filhas de alferes fazendeiros influentes no interior paulista e proprietários do Sítio das Araras (antigo Bom Sucesso), entre outras terras.
Com a morte do sogro de Bento e José (Joaquim Franco de Camargo, alferes Limeirense) em 1861, as propriedades foram divididas. Com a partilha, José herdou os sítios Montevidéu e do Rumo, e Bento, por sua vez, ficou com 600 alqueires do Sítio das Araras.
Visando unir mais as famílias e fortalecer os negócios agrícolas, os irmãos Lacerda tornaram-se sócios, juntaram as heranças e fundaram a Fazenda São Joaquim. Em 1865, doaram um pedaço de terra para construção da Capela Nova, cuja Santa protetora seria Nossa Senhora do Patrocínio, para constituição da futura vila. Segundo Cressoni (2007, p.125), a iniciativa visava lograr o rápido desenvolvimento da povoação em torno da capela. Passados alguns anos a localidade se constituiu em freguesia, de acordo com Lei Provincial de julho de 1869. Entretanto, é necessário lembrar que a palavra freguesia tinha o significado de pertencente ou relativo à Igreja. Em 1871 aquela capela foi demolida e teve início a construção da atual Igreja Matriz de Araras. Aquela doação, portanto, deu origem a um povoado, elevado à categoria de município no dia 24 de março de 1871. Assim surgiu Araras.
Em 1873, Bento mudou-se para Santos para ser um dos acionistas dos Bancos União da Capital, Comércio e Indústria e Ítalo Brasileiro, além de inaugurar a Companhia Mecânica e Importadora de São Paulo. Retornando a Araras em 1877, foi eleito vereador, cargo que ocupou até 1880. Recebeu o título de Barão de Araras pelas mãos do Imperador, quando o mesmo esteve em visita oficial à cidade.
A primeira eleição para vereadores realizou-se em 7 de setembro de 1872 e seus representantes tomaram posse em 7 de janeiro de 1873, ficando nesta data instalado o município. A primeira eleição municipal no regime republicano realizou-se em 30 de agosto de 1892.
No ano de 1883, o Barão de Araras mandou construir um prédio para abrigar a Santa Casa de Misericórdia; posteriormente desistiu da idéia doando o imóvel para as Irmãs Salesianas, para que fizessem o Instituto Nossa Senhora Auxiliadora. Dessa forma, a primeira escola da cidade, o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, foi inaugurado em 02 de fevereiro de 1895, pelo próprio Barão.
Antes mesmo da promulgação da Lei Áurea, Araras festejava a libertação do último escravo do município, em 8 de Abril de 1888. Com a abolição da escravatura iniciou- se a corrente migratória italiana, movimento que duplicou a população entre 1890 e 1900. Outro fato marcante e do qual os munícipes até hoje se orgulham é que, no dia 1º de fevereiro de 1902, foi criado o Bosque Municipal. Para a conservação desse bosque, foi instituída, pela Lei nº 25, de 02 de junho de 1902, a Festa das Árvores, primeira realizada no Brasil.
No mesmo ano foi criada, pela Lei nº 24, de 2 de junho de 1902, a Escola de Trabalhadores Rurais, instituição mantida pelo município e subvencionada pelo Estado. O autor de seu projeto foi o agrônomo João Pedro Cardoso. Os alunos assistiam aulas teóricas e práticas e recebiam um pequeno salário pelos serviços prestados. Nas aulas teóricas aprendiam noções de agronomia, física, química agrícola, botânica, aritmética, zootecnia etc. O curso completo tinha duração de dois anos. Na seção prática os estudantes conheciam métodos de preparação do solo, adubação, plantio etc. Havia na escola grande cultura de maçãs e abacates.
Dentro das propostas educacionais da Primeira República, Araras também teve seu Grupo Escolar, cujo prédio foi construído em 1902, com criação e instalação em 1903. Atualmente a instituição é denominada Escola Estadual Cel. Justiniano Whitaker de Oliveira, e faz parte do campo de estudo desta pesquisa. Ainda na mesma proposta educacional foi criada, pela Lei n° 18 de 23 de abril de 1948, a Biblioteca Municipal Martinico Prado. Essas propostas viriam atender a burguesia ascendente da cidade, uma paridade da realidade brasileira da época.
A historiografia oficial ararense, assim como a das demais cidades da região, relata a trajetória de Barões, Condes, Viscondes etc., como protagonistas que detinham o poder. Entretanto, sabe-se que com eles havia muitos escravos, seguidos depois pelos imigrantes e por muitos personagens que não eram sesmeiros, nem nada, apenas trabalhadores. Não houve, porém, ou há muito pouco registro desses homens, mulheres e crianças, verdadeiros protagonistas da produção da riqueza na formação das fazendas e do desenvolvimento das cidades e do país.