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4. TARİHİ YARIMADA BÖLGESİ İÇERİSİNDE BULUNAN HANLAR BÖLGESİ’NİN KONUMU VE TARİHSEL GELİŞİMİ

4.1. Tarihi Yarımada İçerisinde Bulunan Hanlar Bölgesi'nin Konumu

4.2.1. Bizans İmparatorluğu döneminde Hanlar Bölges

O evangelho de Tomé tem suas origens na época do cristianismo primitivo. É composto por uma coleção de ditos de Jesus, de vários tipos: parábolas, profecias, provérbios e preceitos para a comunidade.123

Este evangelho já era conhecido em sua forma grega, antes das descobertas de Nag Hammadí. Sabia-se da existência deste, pelos escritos de alguns Pais da Igreja como Santo Hipólito de Roma, São Cirilo de Jerusalém e Santo Irineu. Em 1945, foi descoberto o texto

121

CAMERY-HOGGAT, Jerry. Images of Mary Magdalene in Christian Tradition: A Case of Prostituted

Identit. In Priscilla Papers. Vol. 18, Nº 4. California, 2004. p. 21.

122 SEBASTIANI, Lilia. Maria Madalena – de personagem do evangelho a mito de pecadora redimida.

Petrópolis: Vozes, 1995. p. 216.

em copta que já era uma tradução do grego. O autor se apresenta como Judas Tomé, cognominado Dídimo (gêmeo).124 O evangelho não contém uma história de Jesus, nem narrativas sobre milagres mas, 114 ditos atribuídos ao Mestre, o Vivente.

Eis alguns textos dos Pais da Igreja que fazem alusão a Tomé:

Santo Hipólito de Roma (+ 235)

Dizem os naassenos que suas teorias relativas à natureza ditosa – oculta e ao mesmo tempo manifesta – dos que foram, dos que são e dos que serão, se confirmam não só nos mistérios dos assírios, como também nos dos frígios. Dizem que esta natureza é o reino dos céus, que se busca dentro do homem e da qual se fala expressamente no evangelho que tem o título de “segundo Tomé”, com estas palavras: “Quem me procura me encontrará entre os meninos a partir de sete anos, pois ali me manifesto oculto no décimo quarto eon”.125

São Cirilo de Jerusalém (+386)

São somente quatro os evangelhos do Novo Testamento. Os outros são apócrifos e perniciosos. Também os niqueus escreveram um evangelho “segundo Tomé” que, colorido com o aroma da denominação evangélica, corrompe as almas dos mais simples. Nunca leias os evangelhos “segundo Tomé”, pois não é um dos doze apóstolos, mas de um dos três pérfidos discípulos de Manes.126

124 KUNTZMANN, Raymond; DUBOIS, Jean-Daniel. Nag hammadi – o evangelho de Tomé. São Paulo: Ed.

Paulinas, 1990. p. 45. RAMOS, Lincon. (Org.). Fragmentos dos evangelhos apócrifos. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 63.

125 RAMOS, Lincon. (Org.). Fragmentos dos evangelhos apócrifos. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 66. 126 RAMOS, Lincon. (Org.). Fragmentos dos evangelhos apócrifos. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 66-67.

Santo Irineu (+202)

Acrescentam também a isto os marcosianos aquela falsa invenção de que, tendo o mestre dito a Jesus, como é de costume: “dize alfa”, ele respondeu: “alfa”. Tendo o mestre, em seguida, mandado que dissesse o

beta, respondeu o Senhor: “Dize-me, tu, primeiro, o que é o alfa e então

te direi o que é o beta”. Explicam esta passagem no sentido de que ele era o único que conhecia o desconhecido, como deu a entender com o símbolo do alfa.127

Apesar de Santo Irineu estar citando Tomé, não encontramos esta passagem no texto do evangelho de Tomé.

A descoberta de Nag Hammadí nos dá a possibilidade de termos acesso aos textos originais completos; antes disso só sabíamos desses evangelhos por causa dos escritos dos Pais da Igreja refutando-os. O evangelho foi escrito originalmente em grego e posteriormente traduzido para o copta. Existem fragmentos da versão original em grego no Papiro Oxirhynque, documento descoberto no século XX, que foi identificado como parte do evangelho de Tomé somente depois das descobertas de Nag Hammadí, em 1945. Há diferenças entre a redação do manuscrito grego e o copta, dando a entender que existia mais de uma cópia do manuscrito em grego, no Egito. Ele provavelmente teria sido escrito na Síria.128

Existem semelhanças entre o evangelho de Tomé e os evangelhos canônicos, especialmente com o evangelho de João; provavelmente o evangelho de João fosse conhecido do círculo gnóstico egípcio. A sua composição na língua grega deu-se provavelmente no meio do século II. E a tradução para a língua copta deve datar do século

127 RAMOS, Lincon. (Org.). Fragmentos dos evangelhos apócrifos. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 67.

128 ROBINSON, James M. A biblioteca de nag hammadí. São Paulo: Madras, 2006. p. 114-115. LAYTON,

IV129. O gênero literário do evangelho de Tomé é idêntico a uma das fontes dos evangelhos canônicos, a fonte “Q”, que foi usada por Mateus e Lucas.

3.1.1 Maria Madalena no Evangelho de Tomé

No final do evangelho, Pedro declara que Maria Madalena devia afastar-se dos discípulos.

Simão Pedro disse a eles, “Maria deveria deixar-nos, pois as mulheres não são dignas da vida”.

Jesus disse: “Eu a guiarei para fazer dela homem, de modo que também ela possa tornar-se um espírito vivo semelhante a vocês homens. Toda mulher que se torna homem entrará no reino do céu”. (114).130

Percebemos como a figura de Pedro é apresentada de forma misógina, ao afirmar que “as mulheres não são dignas da vida”. Nesse texto, para Pedro, Maria Madalena não podia interpretar as palavras de Jesus, nem sequer ser incluída no grupo dos discípulos. Isso pressupõe uma imposição masculina sobre a feminina, pelo fato de se sentirem privilegiados - homens - cuja masculinidade lhes garantia a dignidade da vida, e que por isso só eles podiam transmitir os ensinamentos de Jesus. Tornar a mulher um homem é “transformar tudo aquilo que é terrestre, perecível, sensitivo e passivo no que é celeste, imperecível, ativo e racional. O que está ligado com a terra Mãe deve ser transformado no que está ligado com o céu Pai”131.

129 RAMOS, Lincon. (Org.). Fragmentos dos evangelhos apócrifos. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 64.

130 MEYER, Marvin. O evangelho de Tomé – as sentenças ocultas de Jesus. Rio de Janeiro: Imago, 1993. p.

75.

131 MEYER, Marvin. O evangelho de Tomé – as sentenças ocultas de Jesus. Rio de Janeiro: Imago, 1993. p.

Acocella132 levanta a suspeita de que na comunidade gnóstica também existiam conflitos de gênero. A declaração de Jesus que vai transformar Maria em homem, pode decepcionar alguns admiradores do gnosticismo. Pois para uma parcela do gnosticismo as mulheres simbolizavam as questões humanas, enquanto os homens estavam mais em contato com o divino. “Jesus está dizendo que suas discípulas, apesar do seu sexo, tornar- se-ão espirituais”. A não concordância de Pedro com Maria Madalena é um sinal de que a autoridade das mulheres gerava conflitos entre os gnósticos.

Esse texto reflete um dualismo profundo na essência da fé gnóstica. O princípio feminino é a carne. Só renunciando a ela pode-se voltar para o mundo perfeito, ou seja, o espiritual que consiste no masculino primigênio. Quando Jesus diz que fará de Maria Madalena um homem quer dizer que vai torná-la “espiritual”. Segundo Chilton, “ser um homem significa viver no reino do Espírito, apesar da ameaça do perigo existente no mundo da carne”133.

Na literatura gnóstica, Pedro é apresentado como antagonista de Maria Madalena. Isso nos permite perceber um forte conflito ou disputa que se inscreve em um embrião de uma futura igreja androcêntrica em oposição ao cristianismo gnóstico que mantém a memória de Maria como liderança entre os discípulos. Pedro e Maria, tanto nesses escritos como no evangelho de João, aparecem em um combate pela liderança nas comunidades.134 No cristianismo que se tornará religião oficial a figura de Pedro sairá vencedora. Porém, no período em que estamos estudando, essas duas vertentes estão disputando espaço.

A pergunta que se faz é: em que momento da história do cristianismo primitivo localizamos esse conflito? Embora alguns autores prefiram localizá-lo entre o século II e o

aspecto imperfeito da criação. Esse aspecto necessita ser superado para poder ter uma união perfeita com o divino. SEBASTIANI, Lilia. Maria Madalena – de personagem do evangelho a mito de pecadora redimida. Petrópolis: Vozes, 1995. p. 59.

132 ACOCELLA, Joan. A pecadora santa: os dois mil anos de obsessão por Maria Madalena. In: BURSTEIN,

Dan & KEIJZER, Arne J. de. A verdadeira história de Maria Madalena. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006. p. 63.

133 CHILTON, Bruce. Maria Madalena – biografia. Lisboa: Editorial Estampa, 2006. p. 144. 134CHILTON, Bruce. Maria Madalena – biografia. Lisboa: Editorial Estampa, 2006. p. 153.

século IV135 nós, a partir da hipótese que direciona este trabalho, entendemos que Jo 20 na redação que chegou até nós com a interrupção do relato da aparição de Jesus a Maria Madalena, com a inserção da ida de Pedro e do Discípulo Amado ao túmulo, se constitui em fonte para identificar o início desse conflito no século I.