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2. YEŞİL KİMYA

2.11 Biyolojik Aktivite Çalışmaları

Ciranda de Tarituba - Caranguejo - Tradição Oral.85

Extraído do site: http://www.jangadabrasil.com.br - (acesso em 25 de janeiro de 2011) 86

Fig. 33. Partitura extraída do site: http//www.jangadabrasil.com.br

85 Um exemplo musical encontra-se na faixa 10 do CD anexo com algumas variações melódicas e no texto. 86O site Jangada Brasil apresenta um campo intitulado de Realejo que dispõe na internet, aproximadamente, 250

Caranguejo Caranguejo não é peixe

Caranguejo peixe é Caranguejo anda de banda Na vazante da maré. (olha só)

(Refrão 1)

Pé, pé, pé: olha a mão, a mão, a mão Veja como é bonito Caranguejo no salão. (olha só)

Caranguejo não é peixe Caranguejo não tem sangue

Caranguejo anda no brejo Comendo folha de mangue. (olha só)

(Refrão2)

Pé, pé, pé: olha a mão, a mão, a mão Veja como é gostoso Caranguejo com limão. (olha só)

Caranguejo de chinelo Guaiamum de chinelão

Coitadinho do siri Anda com seu pé no chão. (olha só)

(Refrão 1)

Pé, pé, pé: olha a mão, a mão, a mão Veja como é bonito Caranguejo no salão. (olha só)

Escorrego mais não caio É o jeito que o corpo dá Deu na popa do navio Deu no balanço do mar. (olha só)

(Refrão2)

Pé, pé, pé: olha a mão, a mão, a mão Veja como é gostoso Caranguejo com limão. (olha só)

Não deixo essa viola Nem que eu morra de fome

A viola é que mata E o pandeiro me consome. (olha só)

(Refrão 1)

Pé, pé, pé: olha a mão, a mão, a mão Veja como é bonito Caranguejo no salão. (olha só)

Eu vou dar a despedida Que’eu não posso mais cantar

É uso na minha terra Na despedida parar. (olha só)

(Refrão2)

Pé, pé, pé: olha a mão, a mão, a mão Veja como é gostoso Caranguejo com limão. (olha só)

A Ciranda chamada de Caranguejo pertence ao grupo da Cirandas de Tarituba, não sendo possível nomear uma autoria definida. É de tradição oral. Faz parte das canções chamadas de miudezas, um quase-samba, quase valsa, passando pela quadrilha junina. É um baile composto de diversas danças, até mesmo uma Ciranda em fila.

Os instrumentos utilizados são violão de seis cordas, viola de dez, dois pandeiros artesanais e o mancado, caixa de madeira batida com dois tamancos calçados nas mãos. As figuras rítmicas são semínimas, mínima, colcheias, síncopas, semicolcheias, ligaduras, pausas de semínima, colcheias e mínimas.

Esta Ciranda está na tonalidade de Fá Maior. Compasso binário 2/4. Nas estrofes, sua harmonia fica em torno do I e V graus. No refrão 1 e 2 modula para Dó maior e retorna à tonalidade de origem.

A letra constitui-se de duas partes: A (corpo) e B (refrão). A primeira parte contém 11 compassos e a segunda parte traz 10 compassos, sendo que o 11º compasso da parte A é dado por uma sinalização verbal idêntica ao fim de todas as seis estrofes para a entrada do refrão.

Refrão 1

Pé, pé, pé: olha a mão, a mão, a mão Veja como é bonito

Caranguejo no salão. (olha só) Refrão2

Pé, pé, pé: olha a mão, a mão, a mão Veja como é gostoso Caranguejo com limão. (olha só)

Na parte do mestre as três primeiras falas centram-se na figura do caranguejo, indicativa de uma profunda relação com o mar. Simbolicamente, a imagem do caranguejo, dependendo dos contextos culturais, está ligada a elementos naturais como sol, chuva, lua, seca87.

Caranguejo não é peixe Caranguejo peixe é Caranguejo anda de banda Na vazante da maré. (olha só)

Caranguejo não é peixe Caranguejo não tem sangue

Caranguejo anda no brejo

Comendo folha de mangue. (olha só) Caranguejo de chinelo Guaiamum de chinelão

Coitadinho do siri

Anda com seu pé no chão. (olha só) E as três últimas na figura do próprio mestre.

Escorrego mais não caio É o jeito que o corpo dá Deu na popa do navio Deu no balanço do mar. (olha só)

Não deixo essa viola Nem que eu morra de fome

A viola é que mata

E o pandeiro me consome. (olha só)

Sendo que, na última estrofe, fica caracterizada a sua função de líder da movimentação e fim da Ciranda.

Eu vou dar a despedida Que’eu não posso mais cantar

É uso na minha terra Na despedida parar. (olha só)

Relacionando música- coreografia - desenho, a consonância entre os participantes e mestre fica manifesta com a sujeição dos cirandeiros ao receber as ordens do mestre tocador. Podemos traçar o desenho da animação e da comunicação entre mestre e cirandeiros, em uma circulação entre refrão 1, refrão 2 e estrofes que é praticada em um movimento de autoridade do mestre num vai e vem, trazendo a ideia de círculo, mesmo estando em pares e/ou fila.

No que concerne à explicitação do eixo e do círculo ou espiral, o movimento de alternância entre A e B pode configurar a parte A (o canto do mestre) como um eixo, ao qual sempre se remete o refrão (parte B). Consideramos o canto do mestre como o eixo porque tanto ele quanto o refrão se repetem.

A partir da análise dessas duas Cirandas, constatamos que nas Cirandas tradicionais a figura e o canto do mestre cirandeiro têm a função de eixo da Ciranda. É ele quem comanda as evoluções, cria improvisações; ele é um guardião da tradição, responsabilizando-se, também, por aspectos não vinculados diretamente ao momento de realização da Ciranda, como busca locais para a arrecadação de verbas etc.

Já na Ciranda da música popular permanece o canto com refrão, há o retorno ao início (movimento circular) e o eixo concentra-se na figura do cantor (numa ação individualizada).

Na Ciranda de Almeida Prado, perdeu-se um pouco da transcendência, ou seja, o balanço e movimentos repetidos do corpo, executando um ritmo combinado às marcações. Ela pode preservar o aspecto formal na presença de um eixo e retorno e perder a condição de ser convite a uma escuta musical corporal que, segundo J. Jota de Moraes (2001), é uma escuta que mobiliza o corpo, a energia, com o dar as mãos etc. Ela não necessita expressar sentimentos, mas permite uma escuta intelectual; a música é entendida como uma linguagem e, por ser linguagem, não necessariamente precisa expressar algo que esteja fora dela (p. 67).

Esta só pode ser percebida não com o ouvido do corpo nem com o ouvido do coração, mas com o ouvido do intelecto... (p. 68).

Sintetizando, temos a presença do eixo e do círculo nas quatro Cirandas analisadas. Consideramos que estes são os indicativos para responder o que é uma Ciranda.

Dentro das transformações ocorridas, seja no tempo físico e/ou nos estilos musicais, há transformações e, dentro delas, há permanências. Assim, dentro de um processo de transformação musical é claramente percebida a repetição, a circularidade e a presença de um eixo.

Por que há transformações e permanência? Para entendermos, valemo-nos do conceito de Circularidade Cultural, pelo qual os elementos das manifestações culturais foram absorvidos pelas culturas com que estavam se relacionando (de tradição popular à cultura erudita). Essa comunicabilidade entre as culturas pode ser vista sem que elas deixem de ter suas autênticas identidades.

Benzer Belgeler