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Frequentemente, as pesquisas que abordam o uso das planilhas eletrônicas na educação buscam verificar sua contribuição para a qualidade do ensino e a aprendizagem de conteúdos que envolvem conceitos matemáticos (OLIVEIRA, 2007), pois com essa ferramenta é possível observar vários conteúdos da matemática que, eventualmente, o professor teria dificuldade de demonstrar em aulas tradicionais na sala de aula (OLIVEIRA, 1997). Nessas pesquisas, o objetivo é a investigação do uso de planilhas em conteúdos como funções do 1º e 2º Grau, visando ao desenvolvimento do raciocínio lógico e da criatividade dos alunos (MIQUELETTI et. al, 2007) ou ainda, a investigação de planilhas no ensino de relações, generalizações e representação gráfica em álgebra (COX, 2003). Evidentemente, é compreensível que as disciplinas que abordam conteúdos algébricos sejam as que mais oferecem subsídios para ter uma planilha eletrônica como apoio pedagógico, uma vez que foi exatamente para esse objetivo que elas foram criadas. A planilha de cálculo eletrônica foi desenvolvida por dois alunos de um curso de Licenciatura em Contabilidade para apoiar as operações de contabilidade em seus cursos. O objetivo era eliminar a tarefa de recalcular valores quando um único valor fosse alterado. Desse modo, a ferramenta desenvolvida pelos estudantes, chamada VisiCalc, recalcularia automaticamente todas as operações, que utilizassem valores que fossem modificados pelo usuário (JONASSEN, 2000).

No entanto, as planilhas atuais são bastante flexíveis e possibilitam seu uso para apoiar disciplinas que, aparentemente, teriam pouca integração com esse tipo de ferramenta computacional. Na disciplina de Língua Portuguesa, por exemplo, a planilha eletrônica pode ser usada para descrever o conhecimento sobre a conjugação de verbos regulares. Assim, o uso para essa finalidade é possível, porque a conjugação de verbos utiliza regras que, no caso do verbo cantar, concatena um radical (cant) com várias terminações (o, as, a, amos, ais, am) de acordo com os pronomes (MENEZES; VALLI, 1997). Desse modo, conteúdos curriculares apoiados em regras, mesmo em disciplinas que não envolvam especificamente cálculos, podem ser apoiados por planilhas eletrônicas.

É importante destacar que uma planilha eletrônica é uma matriz de células (intersecção entre linhas e colunas), com colunas identificadas por letras e linhas identificadas por

números. Ela possui três funções primárias: guardar, calcular e apresentar informações nas células. A informação armazenada nas células pode ser números ou texto. Da mesma forma, a célula também pode armazenar fórmulas lógicas ou matemáticas que, por ventura, manipulem o conteúdo de outras células (JONASSEN, 2000). As planilhas eletrônicas proporcionam também recursos, que possibilitam o desenvolvimento de variados tipos de gráficos, a partir dos dados armazenados nas células, facilitando a análise dos resultados obtidos. Para Oliveira (1997, p. 128) o diferencial das planilhas eletrônicas está no seu potencial de visualização gráfica das informações,

Talvez seja no aproveitamento de sua parte gráfica que a planilha pode ter sua melhor contribuição no ensino, não só de matemática, mas de outras disciplinas como ciências, física, química, geografia, etc. Pois, por intermédio da visualização gráfica de um conjunto de informações, torna-se muito mais fácil para o aluno compreender estas informações.

Todavia, no que concerne ao aspecto cognitivo do uso das planilhas, sua criação e uso implicam uma série de processos mentais, que requerem da parte dos alunos a utilização de regras10 existentes ou a criação de novas regras para descrever relações e organizar a informação. Tais ações criam uma relação muito mais interativa entre o aluno e a ferramenta tecnológica e possibilitam ir além da interpretação dos resultados gráficos. Dessa maneira, o destaque na criação de planilhas eletrônicas está em fazer com que o aluno estabeleça relações e as descreva em termos de regras de ordem superior, ou seja, o aluno pensa de forma mais profunda para descrever as relações de causalidade, mediante o uso de uma fórmula lógica ou matemática (JONASSEN, 2000).

Fica claro, portanto, por que as folhas de cálculo eletrônicas são muito bem empregadas para apoiar análises de “e se...”. Por exemplo: “Em quanto tempo um veículo chegará a seu destino, SE sua aceleração aumentar 7% em vez de 5%?” ou “Qual o nível de pH de um elemento, SE em uma experiência a cor da reação química entre os elementos for vermelho em vez de azul”. O que torna as planilhas eletrônicas eficientes é sua capacidade para visualizar as relações de diferentes formas (JONASSEN, 2000).

Desse modo, a formalização do conhecimento origina-se sempre de informações. No entanto, o conhecimento não deve ser confundido com dados informativos. Por mais primária

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A descrição de uma regra é realizada por meio de um critério que implica necessariamente uma condição. Desse modo, em uma regra de sentença lógica, há sempre três elementos: o critério, a descrição da opção, caso o critério seja satisfeito, e ainda a descrição da opção nos casos em que o critério não é satisfeito. A regra seria descrita pela seguinte fórmula: SE(<critério>; <descrição 1>; <descrição 2>) (MENEZES; VALLI, 1997). Por exemplo, em uma relação de maioridade etária, a regra é definida pela seguinte fórmula lógica: SE(AnoAtual- AnoNascimento >= 18; “Maior de Idade”; “Menor de Idade”). Cumpre assinalar que os valores de AnoAtual e de AnoNascimento estão armazenados dentro de células, por exemplo, A1 e B1, respectivamente. Nesse caso, a fórmula seria escrita assim: SE(A1-B1 >= 18; “Maior de Idade”; “Menor de Idade”).

que seja a aprendizagem, sempre envolverá o desafio de elevar dados isolados para algo mais significativo para o sujeito cognitivo (PAIS, 2005). Nessa perspectiva, as planilhas eletrônicas são ferramentas que requerem de seus utilizadores a criação de regras. Para isso, é fundamental identificar relações e padrões no domínio que se pretende representar. Por conseguinte, os alunos transferem para o computador seu esforço cognitivo e empenham-se para a compreensão das relações existentes no domínio em que buscam representar e calcular (JONASSEN, 2000).

Embora as planilhas eletrônicas sejam flexíveis e capazes de representar vários tipos de dados, elas revelam-se mais eficazes na resolução de problemas quantitativos. Por esse motivo, são mais úteis em Ciências Exatas que em Ciências Sociais, embora haja nas humanidades análises que possam ser quantificadas (JONASSEN, 2000).

Benzer Belgeler