2. MASALIN MUHTEVASI VE YAPISAL UNSURLARI
2.3.5. Bitiş Formelleri
O gênero de discurso capa de revista, enquanto ação de linguagem, trata-se de um texto complexo que permite a interação social entre o veículo de comunicação – a revista – e os seus possíveis leitores. Nesse sentido, a revista assume o papel de locutor ao construir enunciados que passam a circular midiaticamente nos mais diversos ambientes sociais, alcançado os mais distintos alocutários29, ou melhor, entre a revista e seus leitores. Com isso, passa-se a existir um diálogo para o qual convergem as mais diferentes ideologias imbricadas no enunciado.
No nosso corpus, figura fortemente três formações discursivas que se coadunam para alcançar o objetivo desejado pela revista, a saber, a formação discursiva midiática, a formação discursiva jornalística e a formação discursiva política. A primeira por seu caráter de divulgação e de projeção de informações para o grande público. A segunda por seu caráter
29 Alocutário e leitor, em nossa tese, serão tomados de forma sinonímica para representar aqueles para quem o enunciado é produzido.
informativo e especulativo da realidade e que, em parceria com a primeira, faz chegar a grande massa o conhecimento do que está acontecendo no mundo. A terceira, por sua vez mais específica, diz respeito aos assuntos que são tratados jornalisticamente pelos meios de comunicação.
No gênero capa de revista, em se tratando do nosso material de análise, a formação discursiva política30, governada por uma posição ideológica, é o que poderíamos chamar de “mote” para a produção, divulgação e circulação das revistas. É a partir dela que as revistas buscam evidenciar temas atuais e polêmicos que chamem a atenção do leitor, a fim de que esse assunto possa mobilizá-lo a adquirir a revista e, consequentemente, tomar ciência do que se é tratado no interior do veículo de informação, por meio do texto. Por esse motivo, dizemos que a capa de revista, enquanto enunciado concreto e único é um texto que se configura como uma enunciação, na qual a própria revista é o locutor dos dizeres que linguística e discursivamente são materializados nesse gênero de discurso.
Desse modo, as capas de revistas, por meio dos enunciados que as compõem, possibilitam compreendermos como os temas que se nos apresentam são discursivamente representados sob a ótica da própria revista. Para isso, faz-se necessário que os interlocutores (revista e leitores) compartilhem de pré-construídos e da finalidade com que se instaura a situação de interlocução, pois, somente a partir disso é que os sentidos do texto poderão ser construídos pela revista e, consequentemente, reconstruídos pelos leitores.
Embora o locutor – a revista – e os alocutários – os leitores – estejam em lugares diferentes, o que os une para a produção e recepção dos dizeres do texto é justamente o trabalho que o locutor empreende ao construir um discurso que possa chamar a atenção do leitor. Logo, o discurso que se apresenta em uma capa de revista é construído pelo locutor com vistas a despertar nos alocutários o interesse pelo que ali é dito. Especificamente no caso das revistas que produzem suas matérias a partir de assuntos que em algum momento tiveram repercussão, a produção dos enunciados faz vir à tona os pré-construídos que o leitor possui sobre o assunto em cheque. Por conseguinte, o que diferencia o discurso de revista é o enfoque que é dado ao tema, projetando no alocutário uma curiosidade mais específica sobre como a revista vê e trata o assunto.
Diante disso, são as formações discursivas subjacentes aos interlocutores que possibilitam a compreensão do discurso que circula midiaticamente nas capas de revista. São
30 Outras formações discursivas como a religiosa, familiar, educacional, entre outras são também dadas em destaque a depender da edição da revista. Em nosso caso, como tratamos das Rds de Lula, as capas de revista que compõem o nosso corpus evidenciam fortemente o aparecimento da formação discursiva politica como principal intenção discursiva do texto.
elas também que nos permitem dizer, por exemplo, que além do discurso político, marcadamente em nosso corpus, outros discursos se cruzam para a construção das Rds de Lula. Evidenciamos esses entrecruzamentos de discursos, ou interdiscurso, em casos como o da capa de revista a seguir:
Figura 1 – Interdiscurso na capa de revista
Fonte: Revista Época, edição 284.
Com base na figura 1, podemos verificar as informações que discutimos anteriormente, uma vez que, com essa capa, a revista, na condição de locutor, projeta um discurso político e relaciona duas formações discursivas para construir o sentido desejado para a capa dessa edição. Aqui, a formação discursiva política entra em relação com a formação discursiva familiar, constituindo um interdiscurso para afirmar que o Lula é um presidente que representa a família brasileira, que ele é um brasileiro de raiz se considerarmos seu sobrenome “Silva”, dentre outras interpretações possíveis. Todavia, qualquer interpretação que venha a ser realizada por meio desse texto só será possível se considerado o entorno discursivo que subjaz a produção do texto, isto é, para se compreender a relação familiar, vigente pelo uso de imagens e subtítulos, bem como a ideia de política presente no
texto, temos de recorrer a conhecimentos como o de que o sobrenome Silva é comumente utilizado em países como Portugal (de onde o sobrenome foi trazido) e no Brasil, sendo este um dos países em que o sobrenome é um dos mais utilizado em território nacional.
Esse conjunto de informações é percebido através da relação que o texto, material empírico, possibilita ao leitor através dos conhecimentos que são partilhados entre ele e a revista, os quais são materializados pelo socioleto que é variante linguística culta utilizada pela revista para codificar os enunciados verbais. Somente ao chegar a uma interpretação do material linguístico em consonância com as imagens é que o leitor/interpretante fará valer a ação de linguagem visada pela revista.
É, pois, com a concretização de sentidos permitida pela interpretação do discurso que vigora na capa de revista que passamos do discurso para o texto, haja vista serem todas essas questões fundamentais para compreendermos o gênero que se nos apresenta como elemento de análise em nossa tese. Isto porque, o gênero de discurso capa de revista é o resultado da ação de linguagem que se constitui na interação social entre revista e leitor (Nível 1), o qual tem como objetivo levar o leitor a consumidor o produto oferecido pela mídia – a revista.
Além disso, para que haja essa interação social e o objetivo da ação de linguagem seja alcançado, a revista dispõe de condições de produção que permitem ao leitor entender o sentido do texto, tais como: o conhecimento sobre a história de Lula, a importância histórico- social do sobrenome “Silva”, o papel da revista enquanto veículo de informação semanal, bem como a forma como a revista trata o assunto apresentado em capa. Desse modo, é o conjunto de formações discursivas associadas às condições de produção do gênero capa de revista (Nível 2) que vão permitir ao alocutário reconstruir os sentidos permitidos pelos enunciados.
Ademais, cabe ao leitor a responsabilidade de compreender os discursos que se entrecruzam na constituição do enunciado, este materializado linguisticamente pela variante culta da Língua Portuguesa (Nível 3) na capa de revista, pois, somente com o domínio dos discursos presentes e da língua em uso é que o enunciado toma forma de gênero e materializa a ação social de linguagem em forma de texto.
Nesse quadro, a passagem do discurso para o texto se dá pelo gênero de discurso que é uma atividade de linguagem social, histórica e culturalmente reconhecida pelos interlocutores no processo de produção, circulação e recepção de textos. A capa de revista, nesse sentido, é o gênero que permite ao locutor/revista divulgar seu discurso, bem como se promover mercadologicamente, levando o alocutário/leitor a adquirir a tiragem da semana, principalmente pelo caráter convidativo que o texto verbovisual e o assunto da revista têm a oferecer.
Sendo assim, o discurso midiático jornalístico que está na fonte da produção do gênero de discurso capa de revista alcança seu objetivo quando o leitor é convidado pela capa a comprar o exemplar da revista. Desse modo, no âmbito do discurso, o ciclo discursivo se fecha quando o gênero cumpre o seu papel social de vender ao leitor um tema instigante e, por conseguinte, a revista.
Feitas as devidas considerações sobre o nível da Análise de Discurso que subjaz a produção, circulação e recepção do gênero de discurso capa de revista, passemos ao nível do texto, observando o plano de texto do gênero em análise.