ÜÇÜNCÜ KESİM: EKONOMİK, SİYASAL VE DİPLOMATİK YÖNLERİYLE BİRLEŞMİŞ MİLLETLERİN ÇÖZÜMLENMESİ
5. EKONOMİK, SİYASAL VE DİPLOMATİK YÖNLERİYLE BİRLEŞMİŞ MİLLETLERİN ÖRGÜT YAPISI VE İŞLEVLERİYLE İLGİLİ SORUNLAR
5.4. Birleşmiş Milletlerin Kalkınma Faaliyetler
5.4.2. Birleşmiş Milletlerin Kalkınma Çabaları
Uma crítica pós-keynesiana ao argumento de que a especulação contribui para estabilizar a economia pode ser encontrada em Dow e Earl (1982). Na visão monetarista, a atividade especulativa se assemelha à dos intermediários agrícolas que procuram comprar os produtos em tempo de colheita para revendê-los na entressafra quando teoricamente os preços se encontrariam mais elevados. Assim, eles mantêm estoques reguladores que contribuem para reduzir as oscilações de preços.
Pressupõe-se, entretanto, que nesse ambiente somente participem especuladores profissionais que conhecem profundamente o comportamento temporal típico dos movimentos de preços. Esse raciocínio também abstrai a descontinuidade como, por exemplo, de uma quebra de safra ou outros eventos imprevistos que venham estabelecer uma nova realidade até então desconhecida por eles. Na falta de experiência para lidar com a nova situação, a política de estoques reguladores utilizadas recorrentemente poderá não ser suficiente para realizar o ajustamento necessário entre a demanda e a oferta. Nesse caso, os preços tenderão a sair da faixa de campo de flutuação habitual. Essa maior flutuação de preços atrai especuladores não especialistas que não conhecem o mecanismo de funcionamento do mercado, cuja entrada pode se dar num momento em que os preços estiverem em pleno movimento de alta. Nessas circunstâncias, a atividade especulativa tende a amplificar a instabilidade.
A teoria de investimento utilizada é uma simplificação do esquema teórico colocado por Minsky, em que o aumento da capacidade de produção depende da confiança dos empresários no comportamento futuro da economia. Quanto maior for a expectativa com relação ao retorno dos projetos, maior deverá ser o aumento dos investimentos em geral. Até certo volume de
investimentos, eles são financiados com recursos próprios. A partir desse ponto, passam a ser financiados externamente.
Enquanto intermediários financeiros, os bancos captam do público em determinada taxa de juros e emprestam para os empresários a uma taxa maior de juros. De um lado, a curva de captação de recursos dos bancos é crescente com relação à taxa de juros, de outro, a curva da demanda por finance é decrescente com relação à taxa de juros; os investimentos máximos realizados na economia ocorrem no encontro dessas duas curvas. Quanto mais os investimentos se aproximam desse ponto, indicando uma posição de crescente confiança dos empresários em seus negócios, maior tende a ser a fragilidade financeira dos bancos em face de uma redução dos spreads bancários.
A maior confiança dos empresários em relação ao comportamento da economia pode ser fortemente afetada por um choque positivo que gere um efeito multiplicador. Assim sendo, o setor beneficiado pelo respectivo choque pode espalhar seus efeitos por outros setores que passariam igualmente a se beneficiar desse evento. Nessas circunstâncias, a expansão dos investimentos implicaria grande aumento da demanda por finance, que passariam a ser atendidas pelos bancos de segunda linha. Esses obteriam fundos provenientes de outros bancos ou pelo público, e estes últimos exigiriam taxas de juros mais altas.
Na medida em que se verifica um boom da economia, com amplos setores participando desse movimento, torna-se inevitável a ocorrência de gargalos nos fatores de produção, que ocorrerão de forma mais rápida, a depender da capacidade ociosa das empresas. Nessas condições, isso implicaria o surgimento do aumento de preços, o que amplia consideravelmente os movimentos especulativos em diversos segmentos da economia, notadamente em bens imóveis, commodities e no mercado cambial. Não somente os especuladores profissionais, mas, também, diversos outros agentes econômicos não-especialistas passam a participar desse processo, todos com a intenção de se proteger do processo inflacionário em curso.
Diversos fatores que podem contribuir para o interrompimento do boom da economia são citados, entre os quais se destacam: de um lado, o fato de que a própria especulação pode estar ocorrendo à parte dos setores beneficiados inicialmente pelo choque, e, de outro, o aumento de preços
oriundos dos mercados em que estão ocorrendo mais intensamente os movimentos especulativos; em determinado momento podem sofrer um processo de redução de preços.
Neste último caso, à semelhança do caso do mercado agrícola, em que a entrada de especuladores não-especializados acaba contribuindo para que os profissionais do ramo sejam obrigados a especular conforme discutido em Keynes, a redução de preços pode ser proveniente da venda dos bens objetos de especulação, quando eles julgam que sua valorização não deve continuar.
A redução dos preços decorrentes dos movimentos da especulação pode contaminar toda a economia, gerando a reversão dos preços em geral e da demanda por investimentos. Quando isso ocorre, dificilmente esse processo se interrompe. O resultado é que a oferta de finance se reduz exatamente quando existe uma confiança quase generalizada por parte do empresariado, com relação ao andamento de seus negócios. Além disso, verifica-se, por um lado, um descompasso entre as receitas e os custos financeiros das empresas, uma vez que elas devem sofrer um processo de declínio, em função da queda dos preços, enquanto que a carga da dívida não deve sofrer nenhuma alteração substancial, por força de contratos financeiros assumidos pelas empresas; de outro, a queda de preços dos bens imóveis pode dificultar o refinanciamento com os bancos, dado que eles fazem parte das garantias (colaterais) exigidas nos empréstimos.
Nesse ambiente, as políticas governamentais tornam-se oportunas: a política monetária através da ação do Banco Central, enquanto emprestador de última instância (lender of last resort), e a política fiscal para mitigar problemas tanto dos setores real quanto financeiro da economia.
Dessa forma, ao contrário da visão neoclássica, segundo a qual a especulação atua no sentido de aplainar as flutuações dos preços, para os keynesianos, ela pode contribuir para desestabilizar ainda mais a economia. Embora haja inúmeros fatores que atuam para evitar uma situação de extrema instabilidade, não se considera que eles sejam suficientes.
A abordagem de Minsky tinha por mira o cenário das décadas de 70 e início dos anos 80, quando os bancos ainda constituíam a principal forma de intermediação financeira. Isso, entretanto, não invalida a sua aplicação ao atual contexto de globalização financeira e de maior diversidade institucional. Ao
contrário, para os pós-keynesianos, o potencial de instabilidade pode ter aumentado, uma vez que os espaços de movimentação do capital tornaram-se mais amplos e desimpedidos.