• Sonuç bulunamadı

ÜÇÜNCÜ BÖLÜM

3. KADEME Sosyal İhtiyaçlar

3.2. İŞ DOYUMUNUN TANIM

3.2.1. İş Doyumunu Etkileyen Faktörler

3.2.1.1. Bireysel Faktörler

Inicialmente, enviou-se à Diretoria Geral do Hospital uma cópia do Projeto de Pesquisa explicitando a natureza do estudo e solicitação de permissão para o desenvolvimento do trabalho através da assinatura da Carta de Anuência, garantindo, portanto, o consentimento de utilização formal do nome da instituição no relatório final de investigação e trabalhos científicos oriundos da pesquisa (APENDICE B).

O projeto de pesquisa foi submetido no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UNIVERSIDADE FERDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN), respeitando a Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), por se tratar de estudo que envolve seres humanos (BRASIL, 2013). Após a aprovação (CAAE 27971114.9.0000.5537, PARECER 617.593), deu-se início a primeira etapa da coleta de dados nos três turnos (manhã, tarde e noite), conforme a escala de serviços dos profissionais – 01 enfermeiro distribuído por turno nos setores.

A princípio, abordava-se o profissional no início do seu turno, e nesse primeiro contato descrevia-se para este, os propósitos do estudo, a sua importância e justificativa em realizá-lo, ressaltando-se a sua participação. Após resposta positiva, apresentava-se os termos de consentimento, tanto para o de aceite para ser observado, quanto o de ser entrevistado, e acordava-se um horário apropriado para a entrevista, reforçando a necessidade da assinatura ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) após a leitura cuidadosa.

Reiterou-se sobre a participação voluntária e a possibilidade de desistir a qualquer momento ou abster-se da entrevista e da observação, caso sentisse-se constrangido. Ressaltou-se, ainda, utilização de numeração arábica sequencial nos instrumentos para garantir anonimato, exemplo: ENFERMEIRO 1 (APENDICE C).

A entrevista ocorreu na Sala dos Enfermeiros do setor, por ser um local reservado e contribuir com a disponibilidade de cada Enfermeiro. Quanto à observação, sucedeu no próprio setor do Politrauma, aonde se dava o atendimento prestado pelo enfermeiro, de forma não participante para não interferir na dinâmica do setor.

Com a finalidade de avaliar a aplicabilidade dos instrumentos e possíveis alterações, cumpriu-se um pré-teste. Este método permite a verificação no instrumento da sua validade (os dados colhidos são indispensáveis à pesquisa em questão) e operatividade (linguagem acessível) empregando 10% dos enfermeiros pesquisados. Após esta avaliação, prelúdio essencial do processo de coleta de dados, deu-se início propriamente dito a pesquisa. (MARCONI, LAKATOS, 2010).

Dessa forma, a primeira entrevista realizada com o enfermeiro serviu de teste (aprimoramento dos instrumentos) e, por isso, estes dados não foram computados como resultados restando sete enfermeiros para disposição de informações sobre o tema

Tanto as entrevistas quanto a observação, foram aplicadas pela mestranda; a primeira técnica de coleta de dados apresentou uma duração média entre 15 a 25

minutos, mas a permanência da pesquisadora (1 mês de coleta de dados) permitiu que dúvidas surgidas posteriormente fossem esclarecidas pelos entrevistados.

Tanto as entrevistas quanto a observação, foram aplicadas pela mestranda; a primeira técnica de coleta de dados apresentou uma duração média entre 15 a 25 minutos, mas a permanência da pesquisadora (1 mês de coleta de dados) permitiu que dúvidas surgidas posteriormente fossem esclarecidas pelos entrevistados.

A observação era consecutiva à entrevista, apesar disso, acredita-se que algumas mudanças de atitudes dos profissionais ocorreram, pelo fato de estarem sendo observados (Efeito Hawthorne) o que, não significa a sua invalidação (GALANTE et. al., 2003).

Por sua vez, a empatia estabelecida entre a equipe do setor e a mestranda, bem como o discernimento dos profissionais que a intenção do estudo era de melhorar a qualidade do processo de trabalho destes e a assistência prestada ao paciente corroboraram para aquisição de dados condizentes com a realidade do setor e as impressões dos entrevistados sobre o tema.

Outro fato sobre a observação, é que a mestranda (pesquisadora) permanecia um turno (manhã ou tarde), o que viabilizou observar o mesmo profissional mais de uma vez.

Uma situação que desfavoreceu a coleta de dados se pauta no descompromisso de alguns profissionais que faltaram ao trabalho, trocaram ou venderam o plantão. Em muitas ocasiões, estava o mesmo profissional, como se fosse o único enfermeiro escalado para o setor, prolongando a coleta de dados. Tentou-se coletar dados à noite, mas o enfermeiro desse horário é responsável por dois setores. Este recebe o plantão (informações sobre o setor do Politrauma), mas atua noutro setor.

4.7 PROCESSAMENTO DE ORGANIZAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

Os dados receberam tratamento da técnica de análise de conteúdo bastante utilizada em pesquisas qualitativas. A análise de conteúdo (AC) constitui um conjunto de técnicas de análise das comunicações e trata das informações fornecidas pelos sujeitos, buscando a sua codificação em unidades de compreensão, e trabalhando com a frequência das informações (BARDIN, 2011).

Destacam-se quatro fases na AC proposta por Bardin (2011), que os pesquisadores necessitam seguir para analisar os dados: 1ª fase – pré-análise; 2ª

fase – exploração ou codificação do material; 3ª fase – categorização; 4ª fase – tratamento dos resultados obtidos e interpretação ou inferência.

A análise dos dados inicia-se (pré-análise) pela leitura do material de forma exaustiva, familiarizando o pesquisador com as informações obtidas e logo após, os dados colocados em categoria, sendo agrupados pelos significados observados (análise). Na categorização (3ª fase), foram criadas categorias para melhor demonstrar as variações do atendimento dos enfermeiros aos acidentados de trânsito terrestre (BARDIN, 2011).

A seguir, para a triangulação dos dados, utiliza-se o cotejo da informação obtida com as fontes da pesquisa (diário de campo, roteiro de observação e roteiro de entrevista semiestruturada), a fim de ratificar os resultados da pesquisa, intentando ampliar a compreensão dos dados coletados, explorando a variedade dos pontos de vistas relativos ao tema.

Identificam-se os padrões em meio à diversidade de ideias e comportamentos manifestados, se algo pode ser definido como comum a todos ou à maioria e, mediante a comparação entre modelo e realidade observada será possível definir os padrões. Essa etapa constitui a fase derradeira na qual ocorrerá o tratamento e interpretação dos resultados, a análise do conteúdo propriamente dita (BARDIN, 2011).

Com relação aos dados de caracterização das variáveis socioeconômicas (sexo, idade, tempo de formação, tipo de vínculo insitucional, tempo de vínculo institucuional, existência de outro vínculo empregatício, cursos adicionais a graduação em especial capacitação para abordagem no trauma e ano e realização deste) foram categorizados e processados eletronicamente, através do programa para base de dados Microsoft-Excel 2007-XP, e, por meio de tabelas, recurso pertinente para a melhor elucidação didática do resultado do estudo – relatou-se as frequências relativas e absolutas.

__Resultados e Discussão

Não é a força, mas a constância dos bons resultados que conduz os homens à felicidade (Friedrich Nietzsche).

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com a utilização do método ―Análise de Conteúdo‖ proposta por Bardin (2011), o tratamento das entrevistas semiestruturadas dos enfermeiros, da observação não-participante e das anotações oriundas do diário de campo, proporcionaram a estruturação de duas categorias centrais e duas subcategorias em consonância, bem como a construção de um quadro sinótico permitindo a comparação entre o padrão recomendado e os procedimentos realizados, sendo inseridos os comentários para complementação do contexto, o que possibilitou a avaliação do atendimento dos enfermeiros às vítimas de trauma por acidentes de trânsito terrestre, em hospital público de referência urgencial e emergencial no município Natal-RN.

Inicialmente, apresentam-se as variáveis etárias, sociais, culturais formativas de forma a identificar a relação das mesmas com o atendimento dado pelo profissional enfermeiro, nesse contexto.

CARACTERIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES

TABELA 01 – Distribuição frequência dos enfermeiros com relação à variável sexo no setor Politrauma do HMWG, Natal – RN, maio de 2014.

SEXO

Masculino Feminino Total

N % N % N % 1 14,29% 6 85,71 7 100 Fonte: Própria pesquisa, 2014.

Conforme os dados apresentados na Tabela-1, com relação ao sexo dos enfermeiros entrevistados, vê-se a predominância do sexo feminino. Lopes e Leal (2005), explicam que tal preponderância na profissão de enfermagem pode ser explicada devido ao fato dos afazeres domésticos, o cuidado às crianças, aos doentes e aos velhos desde os primórdios da civilização está associado à figura da mulher-mãe, curandeira e detentora de um saber informal das práticas de saúde. Os valores simbólicos e vocacionais foram introduzidos no recrutamento de trabalhadoras como reflexo da institucionalização capitalista do trabalho na saúde.

Mesmo a identidade do trabalho variando no tempo e no espaço, as práticas masculinas no cuidado hospitalar até então existentes o trabalho na saúde à seletividade de um tipo ideal de cuidadora tendo em vista das qualidades de sexo, além dessa seletividade sexual os valores ideológicos religiosos contribuíram para o exercício institucional da enfermagem exclusivo e ou majoritariamente feminino e caritativo (LOPES, LEAL, 2005).

TABELA 02 – Distribuição absoluta e média, de acordo com a variável idade dos enfermeiros, no setor Politrauma do HMWG, Natal – RN, maio de 2014.

IDADE

ENF 1 ENF 2 ENF 3 ENF 4 ENF 5 ENF 6 ENF 7

51 anos 53 anos 51 anos 27 anos 26 anos 27 anos 30 anos

Média = 37 anos Fonte: Própria pesquisa, 2014.

Os dados da Tabela 2, apresenta que a amplitude das idades, variou entre 26 a 53 anos; dessa forma, a heterogeneidade das idades remete a concepção de que o cuidado também deve variar conforme idade o profissional.

Na vida adulta jovem, adulto, meia-idade e velhice as pressões sociais influenciam em mudanças de comportamento. O gênero, o estado civil e a profissão também refletem nessa adaptação (RESENDE et. al., 2006).

O trabalho tanto possibilita crescimento, reconhecimento e independência pessoal, como também, as constantes mudanças impostas aos indivíduos, podem gerar problemas como insatisfação, desinteresse e irritação.

A maioria dos profissionais que atua no cenário de urgência e emergência cuja rotina é lidar com o inesperado, trabalho fragmentado, excessiva responsabilidade, rotatividade de turnos e cobrança por constante ampliação de conhecimentos, estes fatores de estresse, quando somados ao tempo podem provocar desgaste físico, emocional e adoecimento nos profissionais (BEZERRA, SILVA, RAMOS, 2012).

TABELA 03 – Distribuição absoluta e média, segundo a variável tempo de formação acadêmica dos enfermeiros, no setor Politrauma do HMWG, Natal – RN, maio de 2014.

TEMPO DE FORMAÇÃO ACADÊMICA

ENF 1 ENF 2 ENF 3 ENF 4 ENF 5 ENF 6 ENF 7

28 anos 30 anos 28 anos 4 anos 5 anos 4 anos 6 anos

Média = 15 anos Fonte: Própria pesquisa, 2014.

Segundo os dados da Tabela 3, a variável tempo de formação acadêmica, ficou entre 4 e 30 anos, uma média de 15 anos. Há de se considerar que em 30 anos, muitas das práticas em saúde mudaram e, é imprescindível se renovar o conhecimento obtido a data tão longínqua.

A atualização de conhecimentos, pelos profissionais deve ser contemplada para atender as demandas atuais de forma a acompanhar as inovações tecnológicas oriundas da evolução das ciências da saúde, o que exige do enfermeiro essa busca permanente por mais saber (MARTINS et. al., 2006).

TABELA 04 – Distribuição absoluta e média, do vínculo institucional dos enfermeiros do setor Politrauma do HMWG, Natal – RN, maio de 2014.

TIPO DE VÍNCULO

Servidor Contratado Total

N % N % N % 7 100 0 0 7 100 Fonte: Própria pesquisa, 2014.

Segundo os dados da Tabela 4, todos os entrevistados são servidores públicos, característica que contribui para a qualidade do atendimento do enfermeiro ao acidentado e transito terrestre, pois a estabilidade no emprego favorece a uma rotina mais regular dos funcionários. Ao contrário, dos serviços privados, cujas características são os vínculos com contratos temporários, de prestação de serviços e baixos salários que acarretam a insegurança e insatisfação profissional, refletindo negativamente na assistência à saúde (FERNANDES et. al., 2012).

Segundo, Fernandes (2012), a estabilidade profissional no serviço proporciona maior segurança e condições mais dignas de trabalho para o enfermeiro

no exercício pleno de suas atribuições garantindo continuidade na assistência. No entanto, para estabelecerem um atendimento satisfatório não basta estabilidade profissional e financeira, esses trabalhadores também necessitam dispor de condições básicas tanto materiais como humanas para desenvolver as suas atividades de forma digna e justa.

TABELA 05 – Distribuição absoluta e média do tempo de serviço dos enfermeiros do setor Politrauma do HMWG, Natal – RN, maio de 2014.

TEMPO DE SERVIÇO

ENF 1 ENF 2 ENF 3 ENF 4 ENF 5 ENF 6 ENF 7

27 anos 29 anos 13 anos 0,08 anos

(1 mês) 4 anos 3 anos 0,17 anos (2 meses) Média = 10 anos Fonte: Própria pesquisa, 2014.

De acordo com tempo de serviço dos enfermeiros, observa-se grande variação entre 1 mês a 29 anos de experiência com média de 10 anos. A realidade leva a reflexão que a pouca vivência é um entrave à qualidade do atendimento visto que esta não confere habilidade necessária para atendimento de urgência e emergência.

Ademais, como explicitado anteriormente, apesar do tempo conferir experiência e maturidade estimulam também um atendimento afadigado, insatisfeito, desesperançoso em virtude da rotina estressante (MARTINS et. al., 2006).

Há de ressaltar o perfil destes enfermeiros mais experientes possuem perfil que mesmo diante os obstáculos e dificuldades diárias do setor resistem continuar na urgência e emergência do hospital.

TABELA 06 – Distribuição absoluta e percentual da existência de outros vínculos empregatícios dos enfermeiros do setor Politrauma do HMWG, Natal – RN, maio de 2014.

OUTORS VÍNCULOS EMPREGATÍCIOS

N % N % N % 1 14,29% 6 85,71 7 100 Fonte: Própria pesquisa, 2014.

Quanto à existência de outros vínculos institucionais apenas, 14,29% (1 entrevistado), possui outro emprego. A situação pode estar relacionada com a remuneração não satisfatória, a opção por outro trabalho que proporcione satisfação profissional, um trabalho que ofereça melhores condições para o desenvolvimento das atividades, afinidade com determinada área da enfermagem (FERNANDES et. al., 2012; MARTINS et. al., 2006).

TABELA 07 – Distribuição absoluta e percentual do curso de capacitação na abordagem ao trauma dos enfermeiros do setor Politrauma do HMWG, Natal – RN, maio de 2014.

CAPACITAÇÃO NA ABORDAGEM DO TRAUMA Capacitados na abordagem ao trauma Não receberam capacitação na abordagem ao trauma Total N % N % N % 1 14,29% 6 85,71 7 100 Fonte: Própria pesquisa, 2014.

As exigências atuais do campo da saúde culminaram na implementação de novas diretrizes institucionais inserindo o Serviço de Educação Continuada (SEC) promovendo investimentos na capacitação dos recursos humanos para desenvolvimento de competências profissionais, realizar um trabalho integrado e multidisciplinar com intuito de melhor assistir os pacientes (MARTINS et. al., 2006).

Os entrevistados possuem cursos adicionais à graduação o que revela a procura pelo aperfeiçoamento profissional no atendimento prestado por parte do trabalhador e pela instituição que oferece minicursos como também custeia cursos de capacitação.

Dos sete enfermeiros, quatro possuem o ACLS cujo protocolo de atendimento em urgência cardiológica (paciente apresentando parada cardiorrespiratória) sobressai quanto sua importância no atendimento ao trauma. Contudo, apenas um

enfermeiro (14,29%) possui o curso de capacitação na abordagem ao trauma, Manobras Avançadas de Suporte ao Trauma (MAST), realizado em 1997.

Questiona-se como um hospital de referência em traumatologia não promove qualifica sua mão de obra para atender esta clientela quando se verifica a alta demanda de politraumatizado em decorrência ao aumento da incidência dos AT. Ademais, a conduta no trauma requer de cuidados específicos que se não forem realizados de forma correta e em tempo hábil pode levar a sequela ou óbito do paciente (ATLS, 2009).

A seguir discorrem-se as categorias codificadas através da entrevista semiestrutura:

CATEGORIA 1 – Caracterização do atendimento do enfermeiro às vítimas de acidentes de trânsito terrestres – descrição de como são realizados os cuidados do enfermeiro no atendimento às vítimas de acidentes trânsito de terrestres.

Subcategoria 1: Atuação do Médico no atendimento do trauma por acidente de trânsito:

[...] O cirurgião geral recebe o paciente, encaminha para o setor de imagem para realizar tomografia, ultrassonografia, raio-x, e, caso necessário, solicita avaliação dos especialistas da neurocirurgia, ortopedia, vascular e o buco [...] (ENFERMEIRO 1).

[...] O paciente é recebido pelo cirurgião geral que avalia a necessidade geral e solicita parecer dos especialistas e exames para reconhecer algo que passou despercebido. Solicita, ainda, os cuidados de enfermagem [...] (ENFERMEIRO 2).

[...] O SAMU traz o paciente, raramente vem em carro particular, e, é recebido pelo cirurgião geral que define o tratamento definitivo. Caso não apresente trauma de abdome, solicita o neuro para avaliação do TCE, o Buco em caso de corte em face, ortopedia em caso de fratura, cirurgião plástico para as queimaduras por abrasão e convoca a enfermagem [...] (ENFERMEIRO 3).

[...] O médico cirurgião geral indica o tratamento e solicita os cuidados enfermagem [...] (ENFERMEIRO 4).

[...] O atendimento incial é dado pelo médico que define o tratamento [...] (ENFERMEIRO 5).

[...] O médico indica o tratamento, mas faço as coisas que considero necessárias [...] (ENFERMEIRO 6).

Subcategoria 2: Atuação do Enfermeiro no atendimento do trauma por acidente de trânsito:

[...] O enfermeiro muitas vezes não participa do atendimento inicial por vários motivos [...] Na prática quando o paciente chega é puncionado AVP e inicia HV (Soro fisiológico ou Ringer Lactato). Instala máscara de venturi ou realiza intubação, se necessário. Colhe o sangue para HTO [...] (ENFERMEIRO 1).

[...] Os cuidados de enfermeiro são realizados de acordo com a necessidade do paciente [...] (ENFERMEIRO 2).

[...] O enfermeirorealiza a punção, chama o banco de sangue e laboratório [...] (ENFERMEIRO 3).

[...] Os pacientes intubados detém a atenção e por muitas vezes acabo não me aproximando do acidentado de trânsito [...] (ENFERMEIRO 4).

[...] O doente chega, o SAMU geralmente avisa antes, o que podemos adiantar é só o carrinho de urgência7 e a montagem do ventilador mecânico8

[...] (ENFERMEIRO 5).

[...] O cuidado do enfermeiro é de acordo com a necessidade do paciente, mesmo se o médico não identificou um bexigoma no paciente, por exemplo, eu passo a sonda vesical e depois comunico ao médico [...] (ENFERMEIRO 6).

[...] O cuidado é de acordo com a necessidade para o momento: exames, passagem de sonda vesical, reanimação, auxiliar na intubação [...] (ENFERMEIRO 7).

As respostas as questões sobre como são realizados os cuidados dos enfermeiros surgiram nas falas dos entrevistados às categorias da atuação do médico na abordagem ao trauma e de forma secundária a atuação do enfermeiro na mesma ocasião.

Com relação a primeira subcategoria, evidencia-se que ocorre umatendimento do enfermeiro que dependente da prática profissional médico; no entanto, observa- se que a ocasião demanda de um posicionamento oposto visto à urgência clínica do paciente. Acrescenta-se que a atuação do enfermeiro relatada nas falas está intrinsicamente influenciada pelas dificuldades que a inviabilizam de realizá-la em sua plenitude. Dessa forma, este atendimento dependente do médico, será discutido na próxima categoria bem como outros elementos que possam estar relacionados com este aspecto.

7Ventilador mecânico é um equipamento que viabiliza as trocas gasosas do paciente de forma artificial do indivíduo que será submetido a procedimento cirúrgico ou por motivo de doença não consegue respirar sozinho

8Carrinho de urgência é armário onde são armazenados medicações e equipamentos indispensáveis ao atendimento de urgência e emergência de um determinado setor hospitalar.

CATEGORIA 2 - Dificuldades apresentadas pelos enfermeiros durante o atendimento às vítimas de acidentes de trânsito terrestres – relato dos fatores que refletem positivamente ou negativamente na aplicabilidade do conhecimento técnico- científico (aplicabilidade do protocolo ATLS ou algum protocolo institucional voltado ao atendimento específico ao trauma):

Dentre as dificuldades observadas em campo e apontadas na entrevista, destacam-se:

[...] Não existe educação continuada, faltam enfermeiro e técnico qualificados [...] Em 1997, fiz o MAST9, porque na época o ATLS era só para médicos. Em 2012, fiz o ACLS [...] (ENFERMEIRO 1).

[...] Eu nem conheço a equipe que trabalho [...] Fui convocada para assumir o concurso e disseram que iriam me apresentar o setor, mas simplesmente fui jogada aqui [...] O hospital ainda não ofereceu nenhuma capacitação, estou fazendo especilaização em UTI por conta própria [...] (ENFERMEIRO 4).

[...] O hospital promove uns minicursos, mas queria ter mais conhecimento sobre a temática, o único cuidado específico ao trauma que conheço é a imobilização cervical [...] (ENFERMEIRO 5).

[...] Recentemente a FIFA, pela primeira vez, fez uma avaliação séria do atendimento do hospital. Porque o RESGATE faz simulações, mas eles mesmos levam na brincadeira. Na avaliação da FIFA o hospital teve um bom desempenho, a gravidade foi divida em cores. Só a observação 1 (cor amarela) não se saiu bem, porque a enfermeira tinha saído na hora da simulação [...] (ENFERMEIRO 1).

A falta de capacitação para o atendimento ao trauma destaca-se como um dos desafios da equipe. Apesar da realização de minicursos pela Instituição, os enfermeiros relatam falta de educação continuada por esta não ser efetiva10

e estes demonstram o desejo/necessidade de obtenção de conhecimento sobre o atendimento no trauma. Além das fragilidades da formação profissional, falta uma educação permanente para os profissionais promovida pela Instituição, haja vista a inaptidão de alguns funcionários mais antigos ao recepcionar novos admitidos.

As Diretrizes Curriculares do Ministério da Educação (MEC), aprovada em 07 de agosto de 2001, não preconizou na formação do enfermeiro o preparo e a capacitação para este tipo de atendimento, forçando os profissionais à especialização na área, após a formação acadêmica e os serviços de saúde,

9MAST significa Manobras Avançadas de Suporte ao Trauma e é um curso desenvolvido para capacitação de enfermeiros no atendimento ao trauma.

abarcarem a capacitação destes (BRASIL, 2001).

Sousa (2009) relata em seu estudo da relevância do treinamento especifico e aperfeiçoamento técnico-científico dos profissionais de enfermagem que atuam em unidade de emergência. Para a autora, a falta de formação específica dos profissionais e ausência de programas de treinamento no serviço repercute negativamente no prognóstico da vítima e compõe uma das dificuldades atreladas à estrutura e funcionamento das unidades de emergência (SOUSA et. al., 2009).

O processo de treinamento deve iniciar no ingresso do servidor na instituição (treinamento adimensional), estender-se pela a adaptação na unidade (treinamento setorial) e permanecer durante toda sua prática do dia-a-dia (treinamento