6. DESTEK VEKTÖR MAKİNELERİ
6.2.2. Bir miktar hata ile doğrusal ayrılabilme durumu (soft margin)
O desenvolvimento da ciência e, conseqüentemente, de uma atitude racionalista, no século XVII, possibilitou, de acordo com Fernandez (2006), uma mudança de postura do homem perante o mundo e a natureza, passando esta a ser usada, controlada e colocada a serviço do homem. Isso, agregado ao conceito
57 “A lógica social apossa-se novamente tanto da abundância como dos prejuízos. A influência do
meio urbano e industrial faz aparecer novas raridades: o espaço e o tempo, a verdade, a água, o silêncio [...] Determinados bens, outrora gratuitos e disponíveis em profusão, tornam-se bens de luxo acessíveis apenas aos privilegiados, ao passo que os bens manufacturados ou os serviços são oferecidos em massa” (BAUDRILLARD, 1995, p. 56).
emergente de “progresso”, fez Bacon inaugurar uma nova ética que sanciona a exploração da natureza, em busca de benefícios e incrementos da condição humana como um todo, uma promessa para libertação das suas condições adversas baseada no seu progresso material. Deve-se enfatizar que Bacon vivia em uma era onde se imaginava que as pessoas envolvidas com a ciência partilhavam um senso de responsabilidade ética que as fariam desenvolver instituições sociais mais justas.
Esse posicionamento, o de que a espécie humana deveria dispor de poder sobre a natureza, prossegue o autor, só faz sentido se entendido sob um pano de fundo judaico-cristão, pois, concebido como um a priori religioso por Bacon, ao ser secularizado, perde sua harmonia interna e externa e, em um contexto não- religioso o domínio é, em princípio, ilimitado. É preciso se observar, também, que a idéia de “homem” enquanto gênero humano encobre grandes conflitos de interesses que dividem as sociedades, classes e setores sociais.
White (1994) afirma que o cristianismo dessacralizou a natureza, encorajando sua exploração e promovendo uma visão de mundo antropocêntrica, onde os humanos são superiores ao resto da natureza. O cristianismo, em contraste absoluto com o paganismo e as religiões asiáticas, não somente estabelece o dualismo do homem e da natureza como também insiste que Deus deu ao homem a natureza para que seja explorada para os seus próprios fins. Já em 1948, Aldous Huxley58 alertava a humanidade para a relação agressiva do homem com o meio natural que era originada na sua visão antropocêntrica do mundo.
O propósito humano de controlar a natureza e de submetê-la ao seu arbítrio, para Maturana e Verden-Zöller (2004), tornou o homem insensível diante dela e da sua compreensão do mundo natural, o que está redundando no desastre ecológico que compromete a sua própria existência. De acordo com Ferry (1994, p. 95) não existe ética quando se trata da terra e dos animais e das plantas que nela crescem. “A terra, exatamente como as moças escravas da Odisséia, é 58 Mungall apud Penna (1999, p.23).
sempre considerada uma propriedade. A relação com a terra é ainda estritamente econômica: compreende privilégios, mas nenhuma obrigação”. O autor conclui que, “após termos sabido rejeitar a instituição da escravatura, cumpre-nos dar um passo suplementar, levar finalmente a natureza a sério e considerá-la dotada de um valor intrínseco que força o respeito”.
Entretanto, a apropriação da natureza, como aponta Brüzeke (1996), foi um elemento importante no processo de revolução industrial na Europa e gerou disputas sangrentas pelos recursos naturais da África, Ásia e América Latina, mas foi menosprezada na sua significação para a expansão da sociedade industrial. A vastidão dos mares e das áreas asiáticas e a impenetrabilidade das florestas tropicais davam uma idéia de inesgotabilidade da natureza e ela era vista como algo a ser domesticado e vencido.
Marcuse (1967) mostra que a racionalidade científica moderna é intrinsecamente instrumental. A “neutralidade” científica estaria a serviço de algo bem específico – a dominação da natureza, sendo também responsável, via tecnologia, pela dominação política. “O ponto que estou tentando mostrar é que a ciência, em virtude de seu próprio método e de seus conceitos, projetou e promoveu um universo no qual a dominação da natureza permaneceu ligada à dominação do homem – uma ligação que tende a ser fatal para esse universo como um todo.” (MARCUSE, 1967, p. 160).
A Declaração Universal dos Direitos do Homem, segundo Ferry (1994), também é responsável pela degradação ambiental. Pelo menos o é enquanto não forem reconhecidos os direitos da natureza e o seu valor intrínseco. O autor argumenta que, ao definir a liberdade como um fato que não pode ser restringido e que garante ao homem o direito de fazer qualquer coisa, desde que não interfira nos direitos de outrem, garante ao homem o direito de explorar o mundo natural. Assim, também, ocorre com o liberalismo, que tem suas crenças e postulados pautados na liberdade. Isso dá origem ao princípio normativo que está na origem da destruição maciça do meio ambiente que vem ocorrendo por toda a parte onde a cultura ocidental faz sentir sua influência.
Ferry (1994) denuncia, por ordem de aparecimento na história, a tradição judaico-cristã, já citada, por colocar o espírito e a sua lei acima da natureza; o dualismo platônico, por razão idêntica; a concepção tecnicista da ciência, também já referenciada, que se impõe na Europa com Bacon e Descartes a partir do século XVII, por reduzir o universo a um estoque de objetos a serem usados pelo homem; e o mundo industrial moderno, também comentado, por conferir à economia um primado sobre toda e qualquer outra consideração. Esses seriam os principais fatores que levam ao atual estado do planeta.
Há os que relacionam os limites do planeta ao crescimento da população. Para Naess (1995a) e Lovelock (2006), o número de humanos no planeta Terra já é muito superior ao que ele pode suportar. Em 1798, Thomas Malthus publicou “Ensaio Sobre os Princípios de População que Afetam o Desenvolvimento da Sociedade”, onde manifestava preocupação com o crescimento da população. Diamond (2005) resume bem sua teoria, como segue.
Problemas populacionais como os da África Oriental freqüentemente são chamados de “malthusianos”, porque em 1798 o economista e demógrafo Thomas Malthus publicou um livro famoso no qual argumentava que o crescimento populacional humano tendia a superar o crescimento da produção de alimentos. Isso porque (no raciocínio de Malthus) o crescimento populacional é exponencial, enquanto o da produção de alimentos é apenas aritmético. Por exemplo, se o tempo que leva para uma população dobrar de tamanho é 35 anos, então se continuar a crescer na mesma proporção, uma população de 100 pessoas no ano 2000 terá dobrado no ano 2035 para 200 pessoas, que por sua vez dobrarão para 400 em 2070, que dobrarão para 800 no ano 2105, e assim por diante. Mas o aumento na produção de alimentos soma em vez de multiplicar: tal descoberta aumentou a produção de trigo em 25%. Aquela outra aumentou a produção em mais de 20%, etc. Ou seja, há uma diferença básica entre como a população cresce e como cresce a produção de alimentos. Quando a população cresce, as pessoas acrescentadas à população inicial também se reproduzem – como com juros compostos, quando o próprio juro rende juros. Isso permite o crescimento exponencial. Em contraste, um aumento na produção de comida não gera mais aumento. Em vez disso leva apenas a um crescimento aritmético na produção de comida. Portanto, a população tende a se expandir e a consumir toda a comida disponível sem nunca deixar um excedente, a não ser que o crescimento populacional seja interrompido por fome, guerra, doença, ou por pessoas que fizeram a escolha da prevenção. A noção, ainda difundida hoje em dia, de que podemos promover a felicidade humana simplesmente aumentando a produção de comida, sem um simultâneo controle do crescimento
populacional, será frustrada – ou assim disse Malthus (DIAMOND, 2005, p. 378).
Para Anderson e Leal (1992, p. 2), a tese de Malthus falha ao deixar de levar em conta que os seres humanos possuem capacidade para reagir aos problemas de escassez, seja pela redução do consumo, por encontrar substitutos, ou por melhorar a produtividade, ou seja, pela evolução tecnológica. “O economista Julian Simon fez notar que o recurso último é a mente humana que nos tem permitido desviar dos ciclos malthusianos”. Sen (2000) acredita que, com freqüência, se superestima a magnitude do problema da população, mas, pondera, há boas razões para se procurar alternativas para reduzir os índices de natalidade na maioria dos países em desenvolvimento. O impacto total do aumento populacional no ambiente mundial poderá ser grave se, como ilustra Diamond (2005), uma população imensa como a da China, alcançar o objetivo de adquirir padrões de vida de Primeiro Mundo59 já que, em média, os cidadãos da Europa, dos EUA e do Japão consomem 32 vezes mais recursos e geram 32 vezes mais rejeitos do que os habitantes de Terceiro Mundo.
Alguns números, levantados por Penna (1999), ajudam a clarear as questões referentes ao crescimento populacional. Em 1994, habitavam o planeta 5,5 bilhões de humanos dos quais 78% ou 4,3 bilhões viviam em países em desenvolvimento. Estima-se que em 2025, esses países abrigarão 84% da população mundial e, entre os países ricos, os Estados Unidos serão responsáveis pela maior parte do aumento populacional. Na América Latina, no final do século XX, 77% da população vivia nas cidades60, assim como, na África, 41% e na Ásia, 37%. Mantidas as atuais tendências, acredita-se em uma população de 10 bilhões de pessoas na metade do século XXI. O autor questiona, então, se o mundo pode sustentar uma população desse tamanho sem sofrer danos irreversíveis ao meio ambiente e sem comprometer o futuro das gerações seguintes. A resposta possivelmente é “não”. Até porque a sobrevivência de uma
59 Pois os 5,6% da população mundial que habitam os Estados Unidos requerem algo da ordem de 40% dos recursos primários do mundo para continuar e viver [...] (SCHUMACHER, 1977, p. 103).
população não está ligada apenas à disponibilidade de alimentos, supondo-se que isso não seja um problema. Está relacionada também ao que o autor chama de “espaço vital” e já atualmente existe uma grande quantidade de pessoas que carece de água potável, moradia, educação, assistência médica e empregos. E, historicamente, elevados índices de reprodução humana estão correlacionados à miséria, às altas taxas de mortalidade infantil, às baixas condições sociais e educacionais da mulher, às deficiências nos serviços de assistência à reprodução e à baixa disponibilidade e aceitação de contraceptivos. Gera-se, assim, um círculo vicioso onde mais pobreza e menos acesso à informação e métodos de controle geram um crescimento mais acelerado da população e causam o aumento da degradação ambiental. A maior parte dos governos tem tentado combatê-lo apenas com o crescimento da economia.
Slater (2002, p. 18) pontua que a cultura do consumo tem sido a principal responsável pelo avanço da empresa ocidental (e hoje, também oriental), dos mercados ocidentais e do modo de vida ocidental. “Como um aspecto do projeto universalizante da modernidade ocidental, a cultura do consumo tem pretensões e alcance globais”.
Dentro desta perspectiva, é interessante considerar o pensamento de Fromm (1987) sobre a análise da propriedade. O apego à propriedade, surgido no século XIX diminuiu desde o fim da I Guerra Mundial e é pouco evidente hoje. Ao invés de comprar para preservar, compra-se para descartar. Assim, a aquisição leva à posse e ao uso transitórios, seguido do descarte, seguido de uma nova aquisição, constituindo um círculo vicioso comprador-consumidor, o que acentua o consumo, a não-manutenção e, por conseqüência, o esbanjamento.
Com base nas questões até aqui apresentadas, pode-se perceber que há amplas discussões sobre até que ponto o planeta continuará com condições de habitação para a espécie humana e, para não ficar na visão antropocêntrica somente, como será possível manter a fauna e a flora, ou seja, a biodiversidade do planeta? Por que, aparentemente, as respostas estão sendo dadas de forma tão relutante, tão displicente?
60 Sen (2000) se preocupa com os problemas decorrentes da superpopulação urbana.
Diamond (2005) aponta como um dos principais problemas para a percepção dos problemas decorrentes das agressões ao ambiente natural, a sua lentidão61, ou seja, as mudanças no ambiente natural são processadas em forma de uma tendência e, na maioria das vezes, as pessoas acabam adotando soluções que são brilhantemente bem-sucedidas no curto prazo, mas que falham ou criam problemas fatais no longo prazo. As pessoas atribuem um peso maior ao curto prazo, como coloca Schumacher (1977). Ele escreve isso citando a brutalidade jovial de Keynes quando disse que, no longo prazo, todos estarão mortos.
Freqüentemente, me pergunto: “O que os insulares de Páscoa que cortaram a última palmeira disseram enquanto faziam aquilo? Será que, assim como os modernos madeireiros, terão gritado “Trabalho sim, árvores não!” ? Ou: “A tecnologia resolverá nossos problemas, não tema, vamos encontrar um substituto para a madeira” ? Ou: “Não temos provas de que não há mais palmeiras em algum outro lugar de Páscoa, precisamos mais pesquisas, a proposta de proibição da atividade madeireira é prematura e movida por sentimentos alarmistas” ? Tais questões são levantadas por todas as sociedades que inadvertidamente danificaram seu ambiente (DIAMOND, 2005, p. 147).
Beck (1991, p. 27) observou que “o que prejudica a saúde e destrói a natureza não é reconhecível ao sentido do tato ou da vista”. Os efeitos “escapam inteiramente às capacidades humanas de percepção direta. Focalizam-se cada vez mais perigos que nem são visíveis nem perceptíveis às vítimas; perigos que em alguns casos sequer podem ter efeitos no período de vida dos que são afetados, mas só no de seus filhos”. Ferry (1994) ressalta que a indescritível complexidade do universo torna impossível na maior parte do tempo auferir os resultados das decisões tecnológicas, econômicas e políticas. Bauman (1997) salienta que os perigos estão ausentes no cálculo que precede a ação, dos seus motivos e das suas intenções. Assim, efeitos danosos das ações humanas são não-intencionais, o que dificulta enxergar como as pessoas poderiam evitá-los e
até mesmo como podem ser objeto de uma avaliação moral posterior, que se atribui a ações motivadas.
Os crentes nos efeitos politicamente unificantes de riscos adequadamente propagados, assim como a maioria de seus objetores concordam quanto ao ponto de vista de que se pode em princípio tornar inofensiva a organização moderna da vida sem perder nenhum de seus benefícios mais acarinhados; que há, por assim dizer, uma maneira de comer o bolo e tê-lo ao mesmo tempo – uma maneira ainda a ser encontrada, mas que com certeza se encontrará, se o esforço e a boa vontade persistirem e estiverem à altura da enormidade da tarefa. Segundo esse ponto de vista, os resultados notavelmente magros dos esforços até o momento têm sido os resultados da miopia egoísta, de políticas erradas, ou de resolução bastante morna; por numerosos que tinham sido os esforços fracassados e as esperanças apagadas, não indicam a impossibilidade de trabalhar a intenção, e, nem se fale, provam a não-praticabilidade do propósito (BAUMAN, 1997, p. 23862).
É interessante lembrar, todavia, que a espécie humana, como aponta Eagleton (2005, p. 242), “divide-se entre aqueles que vêem o mundo como contendo bolsões de miséria num oceano de crescente bem-estar e os que o vêem como contendo bolsões de bem-estar num oceano de miséria crescente”. Prossegue o autor: “Divide-se também entre os que concordam com Schopenhauer em que, ao longo da história, é provável que tivesse sido melhor para muita gente nunca ter nascido e aqueles que vêem nisso uma sinistra hipérbole esquerdista”.
Pessimistas ou otimistas, os homens estão acordando, embora lentamente, aos problemas que estão colocados pela sociedade que, neste trabalho, denomina-se sociedade de consumo. De uma forma resumida, como colocada por Demajorovic (2003), as instituições sociais, os sistemas de informação e comunicação e os valores adotados pela sociedade são as causas básicas das atividades ecologicamente predatórias. Rifkin, em seu famoso artigo “Entropie: Ein neues Weltbild” de 1982, chama a atenção, como lembra Brüzeke (1996), para o fato de que a existência humana depende da transferência de energia e matéria
do ambiente natural para sua economia e, no processo histórico da produção da entropia pelas atividades humanas, é possível distinguir três fases principais: (1) num primeiro momento, o extrativismo é a atividade econômica mais relevante, porém esporádico e pontual o que permite que a natureza rapidamente compense o aumento da entropia, bem como os seres humanos - na sua maior parte caçadores e coletores - tem seu lugar no ecossistema e não possuem a capacidade técnica e organizacional de causar grandes danos ao meio ambiente; (2) na seqüência, com o desenvolvimento da economia agropecuária, há um aumento considerável na produção de entropia, notadamente pelo uso da madeira, a transformação das matas em pastagens, o uso excessivo do solo e a aceleração dos processos erosivos; (3) na última fase, o homem sistematiza o uso dos recursos não-renováveis (petróleo, carvão, minérios), o que acelera ainda mais o processo de entropia.
De acordo com Brüzeke (1996), o aproveitamento dos recursos renováveis, entretanto, não leva necessariamente a um processo de entropia porque a terra não é um sistema fechado (recebe constantemente energia solar, por exemplo) e porque a natureza viva tem capacidade de se reconstituir de suas perdas, capacidade esta que depende da quantidade e qualidade do uso pelo homem. Assim, é relevante pensar que é preciso se estabelecer limites, pois o ritmo acelerado e o uso excessivo dos recursos renováveis há muito ultrapassou a capacidade de recuperação do planeta, o que é válido tanto para os países industrializados como os países em processo de industrialização. O estímulo a uma participação mais ativa da sociedade no debate dos seus destinos é necessário, de maneira a estabelecer um conjunto socialmente identificado de problemas, objetivos e soluções.