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Bir Düğün Gecesi’nde “Karılan Harca” Karışanlar

A. Tarihselliği Sorgulayan Anlatı Zamanı

2. Bir Düğün Gecesi’nde “Karılan Harca” Karışanlar

Como relatado anteriormente, o convívio com as gestantes durante o trabalho como enfermeira obstetra e o conhecimento e a experiência adquiridos na docência, através de pesquisas, estudos e reflexões sobre o ciclo grávido-puerperal não foram suficientes para compreender o que significa a gravidez para a mulher que vivencia uma situação de alto risco.

A gravidez de alto risco é ainda um fenômeno desconhecido para mim, o que me instiga buscar a compreensão de alguns de seus aspectos, uma vez que se trata de uma experiência singular e concreta, vivenciada pela mulher no seu mundo vida. A gestante, como sujeito- consciente-no-mundo, experiencia essa situação e atribui a ela significados, aos quais me proponho desvelar. Acredito que enquanto pesquisadora, ao conhecer estes significados poderia contribuir de certa forma para o processo de sistematização da assistência de enfermagem obstétrica à gestante, que vivencia uma situação de alto risco.

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O estudo foi realizado na Unidade de Obstetrícia da Policlínica Municipal de Divinópolis,

MG. Esta escolha se deve ao fato de as gestantes, que realizam a consulta de pré-natal na Rede Básica de Saúde do município, serem referenciadas para esta unidade, quando classificadas como pertencentes ao grupo de alto risco.

Antes de dar início à coleta dos dados, foi encaminhada uma carta à Secretaria Municipal de Saúde do município de Divinópolis, solicitando autorização do Secretário de Saúde, para a realização da pesquisa. Nesse documento constavam as etapas do projeto, os critérios estabelecidos, o objetivo firmado, o compromisso ético com a instituição, bem como aspectos éticos e legais envolvidos em pesquisas realizadas com pessoas. Sendo a coleta de dados iniciada somente após aprovação da instituição (Anexo II).

A Policlínica é uma instituição pública, de atenção secundária, isto é, presta serviços demandados após atendimento nos centros de saúde. Os usuários que procuram atendimento, encaminhados dos hospitais, possuem cotas de livre demanda para algumas especialidades, entre outros, sob a gerência da Secretaria Municipal de Saúde (SEMUSA), sendo esta responsável pela coordenação e execução dos programas do SUS/Divinópolis.

A organização do serviço de pré-natal na Policlínica se dá de forma sistematizada, sendo a equipe de saúde composta por enfermeiro, nutricionista, psicólogo, assistente social, médico e auxiliar de enfermagem.

Os fatores de risco gestacional, para a realização do pré-natal de alto risco, são os descritos no Manual Viva Vida, da Prefeitura de Belo Horizonte/SMSA, referente ao ano de 2003. As consultas de pré-natal são realizadas às segundas, terças e sextas-feiras.

Os sujeitos deste estudo são as gestantes avaliadas em situação de alto risco e que, segundo classificação do Ministério da Saúde, apresentam alguma intercorrência clínica, como hipertensão arterial, cardiopatia, pneumopatia, nefropatia, endocrinopatia, eplepsia, doenças infecciosas, doenças auto-imunes e ginecopatias.

O Ministério da Saúde categoriza os fatores de risco em quatro grupos, ficando o grupo de escolha de gestantes pertencentes à categoria das Intercorrências Clínicas, conforme descrito

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acima, e, sob os cuidados do Pré-natal de Alto Risco (PNAR) da Policlínica Municipal de

Divinópolis, referência para o município e região centro-oeste do Estado de Minas Gerais.

A faixa etária determinada compreende mulheres com idade gestacional igual ou maior que 20 semanas. Lembrando que na abordagem fenomenológica não se determina a priori o número de sujeitos.

Conforme Lincoln & Guba (1985, apud Alves-Mazzotti e Gewandsnajder, 2000), na pesquisa qualitativa nem sempre é possível indicar no projeto quantos e quais serão os sujeitos envolvidos. A coleta de dados será encerrada, a partir do momento em que se observa que as informações já obtidas estão suficientemente confirmadas e que o surgimento de novos dados vai ficando cada vez mais raro, até que se atinge um ponto de redundância, a partir do qual não se justifica a inclusão de novos elementos.

Como o sujeito tem uma participação direta e consciente no fornecimento do material de estudo, além de querer participar da pesquisa, é necessário que ele compreenda a importância do estudo e de sua colaboração na mesma, e sinta segurança para poder se soltar ao fluir de sua vivência e para se dispor a relatá-la. E cabe ao pesquisador proporcionar ao sujeito condições para que isto aconteça, sendo este o principal critério de inclusão.

Em atendimento aos aspectos éticos e legais, contemplados na Resolução 196/96 (BRASIL, 1996), do Conselho Nacional de Pesquisa, que trata de pesquisa envolvendo seres humanos, foi fornecido aos sujeitos da pesquisa o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Neste termo constava o objetivo da pesquisa e informações acerca da participação das gestantes, deixando claro que sua participação era voluntária, que seu nome não seria revelado e que as informações dadas seriam utilizadas apenas para a produção deste trabalho, podendo deixar de participar da pesquisa no momento que desejassem (Anexo I). Após aceite dos sujeitos, mediante assinatura do termo de consentimento, dei início ao processo de coleta dos dados, por meio de realização de entrevista aberta norteada pela questão: “O que é, para você, gerar um filho na sua condição de gravidez de alto risco?”.

As entrevistas foram gravadas, com a permissão das depoentes e transcritas logo em seguida, visando não perder nenhum detalhe que identificasse a situação vivenciada pelas gestantes de alto risco.

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Segundo Corrêa (1997), o momento da entrevista não pode ser visualizado como um

procedimento mecânico, mas como um encontro social. Uma relação pesquisador-pesquisado caracterizada pela empatia, intuição e imaginação. O entrevistador na abordagem fenomenológica faz uma escuta no sentido pleno do termo. A presença do pesquisador é a de uma presença humana, que escuta, considerando que é impossível para a comunicação transpor certos limiares. No ponto em que a linguagem termina é o comportamento que continua a falar.

Com a pesquisa qualitativa o pesquisador entra em contato com o vivido, com as experiências e o falar humano, ou seja, com os discursos dos sujeitos da pesquisa. Isso coloca o pesquisador não em uma posição de neutralidade com relação ao seu objeto de estudo e sim um en-volver, um compartilhar, a partir da imersão nos relatos dos sujeitos, buscando apreender deles os significados, conforme a perspectiva do pesquisador (PACHECO, 2001).