A percepção dos entrevistados é que a maioria absoluta das operadoras em Belo Horizonte não possui práticas na área de promoção da saúde e prevenção de agravos, quando existe algum movimento por parte de alguma operadora esse movimento ainda é "embrionário" e limitado a algumas ações específicas. Muitas vezes, essas ações possuem um interesse voltado mais a economizar custos do que realmente beneficiar o usuário, como se depreende das falas a seguir:
Não, não vejo. [...] Eles não promovem. Eles não estão fazendo muito pra promover isso não. Isso é o que estou vendo no dia a dia. (M2)
Eu acho que não existe nada. Pelo menos no IPSEMG eu não conheço nada relacionado a isso não, eu acho que é nulo. Em relação talvez se me permite a falar da Unimed já existe algum movimento nesse sentido porque eles estão começando a ver que prevenir é economicamente muito mais viável do que tratar porque o plano de saúde na verdade é uma empresa o que eles querem ao meu ver é lucrar então na verdade quanto mais usuários eles puderem ter aumentando o aporte e gastar menos é o objetivo do plano de saúde. [...] Unimed em termo de grupo, tem o de hipertenso, de diabético, continuando com a orientação nas diversas áreas para a prevenção. Eu acho que é uma coisa ainda embrionária, mas que está começando e eu acho que futuramente vai dar resultado. Nos outros convênios especificamente no que a gente está falando dele eu não conheço nenhum tipo de ação nesse sentido, não. (M1)
Ela, na verdade essa ação ainda é muito incipiente, [...] Esse tipo de serviço tem que ser com um pedido, então a gente tem que fazer, o médico é a figura central, não é um self service não. O médico pede, faz uma guia esse usuário vai lá e marca. (M8)
As práticas de saúde da atualidade estão em transformações; com isso o Programa de Qualificação no setor da saúde suplementar, lançado pela ANS em 2005, pretende investir na produção em saúde e incentivar a melhoria e a ampliação da atenção à saúde prestada pelos planos, que passam a se ocupar com a promoção e prevenção, além da recuperação da saúde (SCHEFFER; BAHIA, 2005).
Porém essas práticas vêm encontrando limitações para responder efetivamente às complexas necessidades de saúde dos indivíduos. A proposta de integralidade do cuidado, na visão do prestador, caminhou de alguma forma para a promoção da saúde devido a exigências regulamentadas pela ANS e não por opção própria. É o que se pode perceber na fala do médico que se segue:
Bom, não existe, eu acredito que devam existir grupos, grupos de orientação. Centros que vão orientar os pacientes, atualmente, hoje começou o atendimento de nutricionista, de nutrição no plano de saúde por determinação da ANS, quer dizer não foi uma atitude da operadora, não foi uma atitude do plano dela. Foi uma atitude do governo, que a ANS determinou que seria dessa forma, que seria obrigado a ter a nutrição, a nutricionista e psicólogo. E depois a orientação foi seguida com base na determinação do governo, então assim, quando o governo determinou que nutricionista teria um atendimento de nutrição a cada dois meses, então implantou o atendimento a cada dois meses. Depois que a ANS passou o atendimento a cada mês, então foi obrigado a implantar o atendimento de nutrição por mês. E nutrição é fundamental, é essencial. Esses procedimentos só foram implantados por determinação do governo. Quer dizer não foi uma iniciativa própria, não foi. Acredito que a maioria dos planos de saúde, aí é a opinião própria, só implanta o atendimento, ou o cuidado ao paciente, nesse momento, por determinação do governo. São poucas os planos de saúde que eu sei .. a Unimed está fazendo isso, a Amil está fazendo isso, por que eles sabem também que tem uma influência econômica, que reduz os custos lá pra frente. O cuidado terciário cai muito se você investe no cuidado primário. Mais, pelo que estou acompanhando a maioria das operadoras só introduz isso por determinação da ANS e com determinação da ANS. (M5)
Segundo Ferreira (1986), o termo prevenir tem o significado de preparar; chegar antes de; dispor de maneira que se evite (dano, mal); impedir que se realize. Já a prevenção em saúde, de acordo com Leavell e Clark (1976), exige uma ação antecipada, baseada no conhecimento da história natural a fim de tornar difícil o progresso futuro da doença. As ações preventivas definem-se como intervenções orientadas para evitar o surgimento de doenças específicas, reduzindo sua incidência e prevalência. A base do discurso preventivo é o conhecimento epidemiológico moderno; os objetivos da prevenção são o controle da transmissão de doenças infecciosas e a redução do risco de doenças degenerativas ou outros agravos específicos. De
acordo com Czeresnia e Freitas (2003), os projetos de prevenção e de educação em saúde estruturaram-se mediante a divulgação de informação científica e de recomendações normativas de mudanças de hábitos.
Para Czeresnia (2003), duas perspectivas apresentadas no discurso da promoção da saúde e prevenção de doenças, que são a melhoria das condições de saúde e da qualidade de vida e a consequente redução dos gastos com assistência médica de alto custo, são um estimulo ao desenvolvimento de programas com este enfoque, que convergem em benefícios de interesse público e do mercado. Nesse sentido, os programas de promoção da saúde, na saúde suplementar, visam preencher uma lacuna existente neste setor e propõem uma abordagem em que a prevenção, o tratamento das doenças e a mudança de comportamento proporcionem a melhoria da qualidade de vida e a conseqüente redução de custos para as operadoras de planos, seguindo uma tendência mundial de promoção da saúde e prevenção de doenças.