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BÖLÜM 1: KURAMSAL AÇIKLAMALAR

1.6. İlgili Araştırmalar

1.6.1. Bilinçli Tüketicilikle İlgili Araştırmalar

Nesta seção são analisadas as Formas de Gestão da Qualidade no contexto das cadeias de suprimentos das montadoras de motores A e B.

Conforme indicado anteriormente, as cadeias de suprimentos das Montadoras A e B são diferentes em alguns aspectos de suas estruturas e de suas políticas de suprimentos.

A Montadora A é mais terceirizada do que a Montadora B, possui um número maior de fornecedores e diferente política de fornecimento (dois ou três fornecedores por item terceirizado). Esta política de duplo (ou múltiplo) fornecimento faz com que haja competição entre os fornecedores, aumentando o poder de negociação da montadora, que busca menor preço, e depois qualidade e capacidade tecnológica em sua estratégia.

Além disso, a Montadora A possui em sua cadeia um número maior de fornecedores de pequeno porte, com capacidades tecnológicas limitadas, quando comparado ao número de fornecedores da Montadora B. No início da produção da fábrica de motores, a Montadora A desenvolveu um conjunto de empresas pequenas, capacitando-as para o fornecimento de componentes conforme suas especificações e normas da qualidade (ISO 9001 e VDA).

Desse modo, a Montadora A, com maior número de fornecedores de menor porte e de capacidade tecnológica limitada, deve despender esforço maior para desenvolvê-los e garantir um desempenho adequado dos mesmos. Devido a esta maior participação da montadora na qualificação dos fornecedores, é estabelecida um relacionamento mais estreito e de maior influência com os fornecedores, como ocorre nos casos das Empresas 1 e 2.

Já a Montadora B, com um número de fornecedores menor, concentrando o fornecimento de cada componente em um único fornecedor, estabelecendo relações de longo prazo, possuindo uma proporção maior de fornecedores de grande porte e mais capacitados tecnologicamente, preferencialmente empresas multinacionais e certificadas em normas da qualidade (ISO/TS 16949), deve despender esforços relativamente maiores nas negociações (das transações) com fornecedores, mas seu esforço para desenvolvê-los é muito menor.

Geralmente os fornecedores são dependentes das estratégias das montadoras, aceitando exigências quanto às especificações e qualidade dos produtos, preços e prazos de entrega. No caso de fornecedores desenvolvidos pelas montadoras esta dependência é ainda maior.

Atualmente, o desenvolvimento de fornecedores não é de interesse das montadoras. Geralmente procuram fornecedores já qualificados ou em condições, com Sistemas de Gestão da Qualidade desenvolvidos dentro das normas exigidas, de serem capacitados tecnologicamente para desenvolverem os produtos e processos, e, acima de tudo, dispostos a atender as exigências das montadoras, as quais dão suporte apenas por meio de auditorias, através das quais colocam sugestões de ações para melhorias. O suporte só ocorre de maneira mais intensa quando o desenvolvimento de um fornecedor, por alguma razão, é necessário para as operações da montadora.

As montadoras A e B não possuem fornecedores exclusivos. Há apenas fornecedores que destinam quase toda sua produção à determinada montadora, a qual, neste caso, tem maior influência sobre estes fornecedores.

Na seleção dos fornecedores, em geral, os critérios utilizados pelas montadoras A e B são preço, qualidade e capacidade tecnológica, sendo que para a Montadora A o preço é prioridade. Isto pode ser verificado pelo fato da Montadora A preferir trabalhar com mais de um fornecedor, gerando uma concorrência entre eles, aumentando seu poder de negociação; optar por fornecedores de pequeno porte, muitas vezes dando suporte ao seu desenvolvimento, aumentando também sua influência; colocar a qualidade em segundo lugar, preocupando-se principalmente em atender os critérios da VDA.

Ambas as montadoras avaliam os fornecedores através de auditorias de produtos e de processos, com base em normas específicas da Qualidade, classificando-os conforme o desempenho em relação ao cumprimento dos itens exigidos. Quando ocorrem problemas recorrentes nos produtos e/ou processos de produção dos fornecedores, estes recebem das montadoras um prazo para corrigi-los, dentro do qual uma nova auditoria é realizada.

Alguns dos fornecedores de primeiro nível estudados utilizam esses mesmos critérios de seleção e avaliação dos seus fornecedores (fornecedores de segundo nível), muitas vezes por exigência das montadoras.

De forma geral, a política de suprimentos dos fornecedores contempla a redução do número de fornecedores por item adquirido, podendo variar de um a três fornecedores conforme o tipo de componentes, o incremento das parcerias com clientes e fornecedores, cooperando para melhorias dos processos e garantia da qualidade dos produtos.

As montadoras A e B mantêm relações apenas com clientes e fornecedores imediatos, atendendo as exigências das montadoras de automóveis e, para isto, exigindo e

controlando a qualidade dos seus fornecedores de primeiro nível. Alguma forma de atuação em outro nível da cadeia ocorre esporadicamente, para solucionar problemas relacionados à qualidade do produto, prazo de entrega ou preço.

Os fornecedores estudados relacionam-se também apenas com clientes e fornecedores diretos, correspondendo às exigências das montadoras de motores e garantindo a qualidade dos seus fornecedores de segundo nível. Há também relações (intercâmbio de componentes) com outros fornecedores de primeiro nível das montadoras, como, por exemplo, o intercâmbio de peças entre as Empresas 1 e 2 e entre as Empresas 3 e 4.

As montadoras A e B estão localizadas próximas de seus fornecedores principias, que também estão próximos uns dos outros, gerando facilidades nos serviços logísticos e na comunicação, cooperando com a troca de informações, permitindo melhorias nos processos e desenvolvimento das empresas.

Assim, pode-se afirmar que os conjuntos de Formas de Gestão da Qualidade, nas duas cadeias de suprimentos, em função das semelhanças já apontadas entre as formas adotadas pelas montadoras, primeiramente, e também pelos fornecedores, possuem aspectos comuns relacionados principalmente à concepção geral das formas de gestão da qualidade adotadas – que segue o preceituado pela Gestão da Qualidade Total – aos seus princípios, diretrizes e principais elementos implementados.

As diferenças entre os dois conjuntos estudados decorrem de decisões tomadas pelas montadoras quanto às estruturas e relações de suas cadeias de suprimentos (ou relacionadas mais diretamente às suas políticas de suprimentos). O maior grau de terceirização da montadora A, a importância estratégica que atribui à prioridade custo de produção, a opção por duplo ou triplo fornecimento, com maior proporção (em relação à cadeia de suprimentos da montadora B) de empresas de menor porte e de capital nacional em sua cadeia de suprimentos implica em ter que despender um esforço maior para garantir a qualidade de seu sistema de produção, para coordenar um número mais elevado de fornecedores diretos, para controlar e eventualmente apoiar (no desenvolvimento de produtos de processos e na implementação de práticas de qualidade) uma proporção maior de fornecedores de porte menor e de capital nacional, para assegurar o alinhamento de sua política de qualidade, em grande medida (ou certa medida) estipulada pelas normas de qualidade, na cadeia de suprimentos.

5 CONCLUSÕES

A questão principal que orientou o desenvolvimento desta tese foi a necessidade de se compreender melhor as relações entre as formas de Gestão da Qualidade adotadas por empresas inseridas em cadeias de suprimentos, especialmente entre montadoras e fornecedores.

O estabelecimento de um novo padrão de relacionamento com fornecedores e cliente e o fato da qualidade ter se tornado um recurso cada vez mais importante para a competitividade de empresas e países podem ter impactos importantes nas formas organizacionais implementadas e no desempenho das cadeias de suprimentos.

Especificamente na indústria automobilística brasileira, as formas de Gestão da Qualidade das empresas vêm sendo influenciadas por alterações nas cadeias de suprimentos resultantes da instalação de novas montadoras, de movimentos de terceirização e da consolidação e desnacionalização do setor de autopeças, bem como do impacto de fenômenos específicos ao cenário brasileiro como a utilização dos motores de 1000 cc e bi-combustíveis (CERRA, 2005).

A relevância do tema Gestão da Qualidade, e em particular das relações entre estratégias de diferentes empresas que compõem cadeias industriais, e o fato de serem raros os estudos que focalizam o segmento de motores para automóveis justificaram a realização da pesquisa exploratória aqui apresentada.

Esta tese buscou analisar as formas de gestão da qualidade de duas montadoras de motores e de nove de seus fornecedores de primeiro e segundo níveis, discutindo as relações entre as formas de gestão da qualidade de cada montadora e de seus fornecedores, em cada uma das cadeias produtivas estudadas, e, em um segundo momento, comparando os dois conjuntos (combinações) de formas de gestão da qualidade adotadas nessas cadeias.

O debate em torno das relações das formas de Gestão da Qualidade em cadeias de suprimentos é considerado um objeto de estudo ainda pouco explorado na literatura. Assim, algumas abordagens teóricas foram estudadas e combinadas de modo a sustentar um método de investigação a respeito dessas relações em empresas das cadeias de motores do setor automobilístico.

O Capítulo 2 é dedicado ao estudo da Gestão da Qualidade Total (ou Total

suprimentos. Considerando os princípios da Gestão da Qualidade Total e o fato do objeto de estudo ter sido o debate em torno de relações das formas de Gestão da Qualidade em cadeias de suprimentos, estabeleceu-se alguns aspectos das formas de Gestão da Qualidade que foram analisados na prática das empresas estudadas: Sistemas de Gestão da Qualidade, Controle e Melhoria da Qualidade.

No Capítulo 3, destinado ao tema das cadeias de suprimentos, foram apresentados alguns conceitos relativos à Gestão da Cadeia de Suprimentos, fontes para a compreensão das estruturas das cadeias de suprimentos e das relações entre empresas nas cadeias de suprimentos, aspectos que também foram analisados na prática das empresas estudadas.

Nas empresas, foram conduzidas entrevistas semi-estruturadas, com a utilização de um questionário formulado a partir da revisão da literatura. A opção escolhida, para a obtenção de elementos para a análise e de resultados de pesquisa, foi a realização de um estudo qualitativo, baseado em entrevistas com os principais atores que atuam (principalmente) nas áreas de Qualidade e Compras / Suprimentos das empresas.

Com o objetivo de investigar as formas de Gestão da Qualidade das empresas, foram feitas questões referentes aos seus Sistemas de Gestão da Qualidade e aos Controles e Melhorias da Qualidade. Esta focalização tornou-se necessária no decorrer da pesquisa de campo, dada a grande quantidade de informações e de detalhes a ser considerada em cada uma das empresas da amostra. Soma-se a isso o fato dos entrevistados apresentarem restrições quanto ao tempo disponível para a pesquisa.

Para investigar as características relevantes das cadeias de suprimentos dessas empresas, subdividiram-se as questões em duas partes, a primeira abordando a estrutura da cadeia produtiva de cada empresa e a segunda envolvendo as relações entre as empresas que as compõem.

Os estudos de caso, relatados no Capítulo 4, foram realizados em duas montadoras de motores para automóveis; seis fornecedores de primeiro nível; dois fornecedores que, além de serem fornecedores de primeiro nível, fornecendo diretamente às montadoras, podem também ser considerados fornecedores de segundo nível, na medida em que também fornecem componentes para empresas de autopeças fornecedoras diretas das montadoras; e um fornecedor que pertence ao segundo nível de suprimentos.

Na discussão das hipóteses que nortearam esta pesquisa utiliza-se por vezes a expressão “hipótese verificada” ou “hipótese não verificada”. Neste estudo de natureza