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II. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ÇALIŞMALAR

2.2. FATİH Projesi

2.2.5. Bilinçli, Güvenli, Yönetilebilir ve Ölçülebilir BT Kullanımı

A ideia de uma utopia formal, abstrata, como Kracauer critica Adorno, já havia sido atacado por este último na Minima Moralia e, novamente, na Teoria estética sob a ideia do novo abstrato. Assim, temos que investigar o que seria esse novo, já que ele não é nem abstrato e, ao mesmo tempo nega, pela Bilderverbot, “toda falsa representação do absoluto”. O que pretendemos demonstrar nesta seção é que a Bilderverbot não significa a negação de todo e qualquer conteúdo em relação a como será o mundo emancipado, mas que ela tem uma função de negar as falsas representações que reivindicam que a utopia já se realizou. Portanto, a própria Birdelrverbot já parece ter por trás de si a referência do que seria esse mundo redimido pela qual pode medir as outras representações.

O conceito de novo foi, na maioria dos casos, relacionado por Adorno a um tema estético. O que nos conduz a uma dupla observação: o novo na arte, que aparece constantemente em seu desenvolvimento, não é esse novum da história, ainda inédito; a arte não conteria o modelo do novo, mas apenas um vislumbre de como poderia ser o mundo redimido; tendo isso em vista, qualquer curto-circuito entre o novo estético e o novo na história implicaria na anulação deste último. Indício evidente disso vemos no final da interpretação da narrativa das sereias em O conceito de Esclarecimento, no momento em que Ulisses, amarrado, escuta ao canto das sereias enquanto sua tripulação, com os ouvidos tapados com cera, rema: “Amarrado, Ulisses assiste a um concerto, a escutar imóvel como os futuros frequentadores de concertos, e seu brado de libertação cheio de entusiasmo já ecoa como um aplauso. Assim a fruição artística e o trabalho manual já se separam na despedida do mundo pré-histórico”378. A fruição da arte seria apenas um reflexo frágil de como ela seria sem as condições pré-históricas das quais ainda vivemos como acentua “como os futuros frequentadores de concertos” “seu brado de libertação cheio de entusiasmo já ecoa como um aplauso”. Portanto, mesmo a arte carrega sua mácula da divisão do trabalho e a forma como a percebemos e a fruímos é somente um vislumbre de seu verdadeiro potencial. O conceito de novo dentro da arte, consequentemente, também tem o mesmo destino.

A divisão entre arte moderna e vanguarda, como bem percebe Alex Thomson379, não foi uma oposição que Adorno teria realizado. Essa discussão, algumas vezes, veio a público pelos seus comentaristas. Thomson vê duas funções nessa distinção: a de que a arte de vanguarda põe em xeque a ideia de autonomia da esfera artística, coisa que a arte moderna não realizaria380, e a segunda função, esta que realmente nos importa, é a relação da arte moderna com a tradição e a de vanguarda com a destruição dela: “Como a música de Schönberg, ela pode parecer difícil porque confronta sua própria relação com a tradição e busca libertar-se de convenções estabelecidas, mas a ideia de arte extrema de Adorno não é simplesmente de uma arte de excesso ou de obscenidade”381. Em verdade, os artistas da vanguarda, como Adorno demonstra em

Filosofia da nova música, não haviam rompido absolutamente com a tradição382. Sua crítica a

Stravinsky consistia neste aspecto autoritário de fundar na subjetividade, rompendo todo diálogo com a tradição, seu valor musical: “O triunfo da subjetividade sobre a tradição heterônoma, a liberdade de permitir que todo momento musical seja exclusivamente ele mesmo, vem custar demasiado caro”383. O que a vanguarda teria a dizer de original frente à arte moderna

estaria relacionado ao conceito abstrato de novo que esta última sustenta.

No aforismo Edição extra da Minima Moralia, Adorno expõe, de forma semelhante à Teoria estética, porém, mais prolongada, o que ele entende por novo abstrato da arte moderna. O nouveau de Baudelaire, segundo Adorno, seria fruto do desespero diante do sempre idêntico, que acaba novamente por reproduzi-lo: “O novo, um ponto cego da consciência, esperando como de olhos fechados, parece ser a fórmula pela qual do horror e do desespero se obtém valor de estímulo. Ele transforma mal em flor”384. Adorno se refere nesta passagem especificamente

ao shock, a novidade como estímulo fetichizado, não importa seu valor moral, mas, antes de tudo, deve ser novidade. Dessa forma, o novo pelo novo, pode ser o velho, ou ainda, pode ser, ao invés da redenção, a autodestruição. Essa seria a imagem negativa da Bilderverbot, o novo sem conteúdo, o desconhecido que não tem nada daquele conteúdo moral da não-identidade adorniana, a redenção posta de cabeça para baixo: “Talvez se declare nisso a renúncia da humanidade a ter filhos, porque a todos cabe profetizar o pior: o novo é a figura secreta de todos

379 THOMSON, Ale . Co p ee de Ado o. p. . 380 THOMSON, Ale . Co p ee de Ado o. p. . 381 THOMSON, Ale . Co p ee de Ado o. p. .

382 So e te a fo ça de es ue e , p i a a esse o e to a o da hostilidade pela a te, a t o e uilí io do domínio magistral da técnica e salva para si a tradição. Porque, na realidade, a tradição consiste no esquecido que está sempre presente, e a vigilância de Schoenberg é tão grande que consegue criar até uma técnica de es ue i e to . ADORNO, Theodo . Filosofia da nova música. p.100.

383 ADORNO, Theodo . Filosofia da o a úsi a. p. . 384 ADORNO, Theodo . Mi i a Mo alia. p. - .

os não nascidos. Malthus pertence aos patriarcas do século XIX, e Baudelaire enalteceu com razão a mulher estéril”385.

Em relação às vanguardas europeias, Adorno vê o uso diferente dos shocks. Em Baudelaire, os shocks seriam como uma negação indeterminada, utilizada em qualquer direção, sem qualquer critério moral. Nas vanguardas, em especial Schönberg, Adorno via nos shocks a expressão não transfigurada do sofrimento. Seu uso, portanto, seria a de uma negação determinada, pois teria um critério moral:

Os shocks do incompreensível, que a técnica artística distribui na época de sua falta de sentido e insensatez, se invertem. Dão um sentido ao mundo sem sentido. E a nova música se sacrifica a tudo isto. A nova música tomou sobre si todas as trevas e as culpas do mundo. Toda a sua felicidade apoia-se em reconhecer a infelicidade; toda a sua beleza, em subtrair-se à aparência do belo386.

Quando Adorno diz que “os shocks [...] na época de sua falta de sentido e insensatez, se invertem” quer dizer que Schönberg refuncionalizou os shocks, dando um novo sentido que expressa “aquilo que a angustia torna rígido”387 ao invés do uso regressivo de Baudelaire que

“transforma mal em flor”. O conceito de novo sofre uma alteração enorme do modernismo para a vanguarda. O que antes era um estímulo, transforma-se em um elemento do material estético, sendo o novo agora um conceito muito mais rico e complexo. Como este conceito é desenvolvido será mais posteriormente elaborado. O que nos importa é de que a proibição de imagens não seria para Adorno como Kracauer o pintou, o tapa-buraco que oculta uma ideia vazia de utopia. Pelo contrário, o novo abstrato, seria a proibição de imagens de ponta cabeça. Assim sendo, o próprio Adorno é contrário a fetichização da ideia de novo. O novo pelo novo, sem qualquer conteúdo ético, apareceria no final como o mais antigo.

Benzer Belgeler