P- Pesquisador: Renato E- Entrevistado: Jonathan
P- Comece me contando a sua idade. E- 18 anos.
P- Hoje você faz curso técnico em enfermagem. E- Isso.
P- E por exemplo... o que você poderia me contar da sua infância? Você nota desde cedo que prefere ficar com meninos?
E- Sim, sim, mesmo na tv, em filme, sempre eram os meninos que me chamavam a atenção, por isso que eu falo que você nasce gostando disso, é na infância que você vai
descobrir seu gênero sexual, o que você gosta, é desde ali que vai fluindo, e foi dali, eu gostei (risos).
P- E como foi a descoberta do sexo?
E- Ah, assim, depois dos 10 anos, antes sempre foram brincadeiras normais, eu nunca cheguei em ninguém, sempre chegavam em mim, e como eu sabia que gostava eu aproveitava a situação, mas eu tomar a iniciativa, eu nunca tive.
P- Que brincadeiras eram essas, de troca-troca?
E- Era meio assim, só que eu era muito reservado sobre isso, sempre tive medo, mas quando eu comecei com... 13 anos, foi quando eu realmente comecei minha vida sexual, mas foi uma única pessoa.
P- Como era antes dos 13 anos?
E- Era aquela coisinha de criança, de descobrir o que era o que, mas eu não tinha ainda essa malicia, eram meninos da mesma faixa etária, sempre com a mesma cabeça, o mesmo ponto de vista, e aos 13 anos descobri mesmo.
P- Você sempre morou com seus pais? E- Sim.
P- É filho único também.
E- Sou. E não sei se você vai entrar no assunto, mas em questão de falar para os pais, na minha opinião não é uma coisa que a gente tem que contar, quem quiser contar fica a vontade, porque eu não acho que é uma decisão que você tenha que tomar, é uma coisa sua, que você gosta, agora se você achar que há necessidade de falar, fale, eu nunca tive necessidade de falar, apesar que existe alguns momentos você até queria sentar e conversar com a mãe, contar que gostou de algum menino e tal, mas necessidade de se expor a esse ponto acho que não tem.
P- Entendi, você já foi cobrado pela família, por exemplo, de namorar alguém?
E- Não, nunca, por ninguém da família, nem insinuações, nada, assim, tem brincadeiras de tio que você leva na esportiva, eu não apelo com essas coisas, mas do meu pai mesmo.
P- E também não lhe proíbem de nada?
E- Não, nunca, eu comecei a sair para baladinhas, essas coisas com 13 anos, foi quando eu comecei mesmo, eles sempre deixaram, nunca interferiram em minhas amizades também.
E- Começou numa brincadeira de esconde-esconde, eu tinha 13 anos, já tinha vontade de saber como era, e fui, partiu do menino.
P- Vocês foram esconder juntos e ele quis te comer, é isso?
E- Foi! E isso é comum em todo mundo que é gay, se não aconteceu com 13 aconteceu com 15, agora depois de 15 não tem como acontecer, você não vai mais brincar de esconde-esconde (risos) mas é comum acontecer com uma criança gay, geralmente eles eram meus vizinhos.
P-Então foi mais de um? E- É, foi.
P- Eram seus amigos?
E- Eu nunca contei como amigos. P- Por que?
E- Porque eles meio que me chamavam para brincar quando queriam alguma coisa, eles já sabia, tanto é que da minha rua não era só eu que brincava em prol disso, tinha outros amigos que também eram, depois a gente conversava e falava sobre os meninos, era engraçado, só que porém, desde aquela época eu já falava que eu era, com 13 anos, pro meu amigo eu já falava que eu era, só que ele não me contava.
P- Você usava a palavra gay?
E- Sim, usava a palavra gay, eu sempre vi, sempre procurei na internet, porque eu tinha dúvida do que eu estava sentindo, não é que eu sofri, eu estava pensando ‘gente será que pode?’ eu ainda estava meio que influenciado pela religião.
P- Que religião?
E- Então, a minha tia tinha me levado pro catolicismo, e a outra, a família do meu pai, era testemunha de Jeová, mas eu sempre segui mais os católicos. E os dois me levavam. P- Te levavam pela religião ou por conta da sua sexualidade?
E- Pela religião, eu nunca contei que era por causa da sexualidade, eu já pesquisava muito naquela época, e pus na minha cabeça que eu não estava errado, tentava por na cabeça dos meus amigos que faziam isso e não falavam nem pra mim, só que até a 5 anos atrás não falava nada, agora que começou a falar.
P- Interessante a sua forma de lidar com isso, já foi buscar informações, isso te assustava?
E- Sim, um pouco, não é que eu não queria ser diferente dos outros, porque eu não sentia isso como diferente, eu só queria entender, aí eu fui entender, porque todo mundo
tem... como eu posso te dizer... um tesão por alguma coisa, como você vai fazer uma coisa que você não gosta com uma mulher?
P- Então você nunca ficou com mulher?
E- Ah já, já sim, depois de velho, depois da infância, com 17 anos, ano passado, tive várias experiências.
P- E o que você achou?
E- Ai, não funcionava, só foi o beijo mesmo, foi uma brincadeira que eu quis, tava todo mundo ali e aconteceu.
P- Você deixa em aberto a possibilidade de um dia você ficar com alguma mulher? E- Agora não, eu não me vejo, se eu ficar em uma balada, tudo bem, mas ir pra cama, não adianta, não consegue, apesar que nosso órgão sexual é estimulador, se você estimular ele vai, e pode até conseguir, mas assim... sentir mesmo vontade de ficar com mulher eu não vou sentir, no momento.
P- Entendi, voltando ao que você me contou, aos 13 anos você já se considerava gay, em relação ao troca-troca, eles sempre queriam ser ativos, os seus parceiros?
E- Não, rolava de tudo, tanto é que eu falo que tudo que me proporciona prazer, dentro da normalidade, porque eu não sou a favor dessas loucuras que acontecem, pra mim tá bom, porque eu conheço amigos que falam que só dão, outros que só comem, e eu falo ‘gente, é prazer, vocês vão ficar escolhendo o que vocês vão sentir? Faça os dois que os dois são divertidos!’ Impossível um dos dois ser bom o outro ser ruim, senão ninguém nascia ativou ou ninguém nascia passivo.
P- Que loucuras você não é a favor?
E- Aí... é... ficar com mais de duas pessoas ao mesmo tempo, beijar tudo bem, você tá ali com aquele monte de gente você beija, mas fazer sexo não, não é que eu sou careta, mas ah... eu não gosto. Pra mim sexo não é uma coisa assim ‘sexo’, você tem que ter alguma coisa ali no momento, uma troca de... não carinho, porque se você fizer um sexo casual não é carinho, uma troca de tesão entre você e ele, não em três, senão eu não sei pra quem eu ia dar atenção! Nunca participei disso, já tentaram, mas, assim, ali ta todo mundo junto, mas eu saia.
P- Eu me lembro muito daquelas festas na casa do Cristiano, as pessoas costumavam fazer isso porque lá era um ambiente seguro.
E- Era seguro, mas ao mesmo tempo eu me sentia estranho lá, eu não sei, tinha essa liberdade mas o povo aproveita né? Estavam acontecendo coisas ali que fugiam do contexto que no iníci era pra gente se divertir e ter um ambiente livre pra fazer o que quiser, mas estava fugindo demais, transar por exemplo, eu não vejo sentindo: em um