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Bilişim Suçları ve Çeşitli Ülkelerde Yapılan Çalışmalar

1.1. Problem

2.2.11. Bilişim Suçları ve Çeşitli Ülkelerde Yapılan Çalışmalar

Esta pesquisa se propôs a discutir os limites e as possibilidades da experiência da COOPERVIVA, em Rio Claro, com os devidos cuidados na abordagem dos aspectos técnicos implicados no gerenciamento de resíduos sólidos, em um nível de reflexão que transita nos limites de um trabalho de conclusão de curso. O corpus da pesquisa se constituiu a partir desta inquietação dos autores, orientando e orientador. Porém, o tema da pesquisa desafia o esforço de reflexão para além dos recursos técnicos. Por isso, as conclusões deste estudo apontam para um convite a que os profissionais envolvidos em projetos no campo da gestão dos resíduos sólidos comecem a se preocupar com a eficácia dos mesmos em uma articulação com os aspectos da cultura envolvidos no modo de viver urbano e nas formas de organização das cidades. Talvez uma visita à cidade imaginária de Leônia cumpra a função de instigar algumas aproximações entre as iniciativas traçadas na gestão técnica e os pressupostos do modelo de desenvolvimento econômico responsáveis por sustentar toda uma cidade.

“A cidade de Leônia refaz a si própria todos os dias: a população acorda todas as manhãs em lençóis frescos, lava-se com sabonetes recém- tirados da embalagem, veste roupões novíssimos, extrai das mais avançadas geladeiras latas ainda intatas, escutando as últimas lengalengas do último modelo de rádio.

Nas calçadas, envoltos em límpidos sacos plásticos, os restos da Leônia de ontem aguardam a carroça do lixeiro. Não só tubos retorcidos de pasta de dente, lâmpadas queimadas, jornais, recipientes, materiais de embalagem, mas também aquecedores, enciclopédias, pianos, aparelhos de jantar de porcelana: mais do que pelas coisas que todos os dias são fabricadas vendidas compradas, a opulência de Leônia se mede pelas coisas que todos os dias são jogadas fora para dar lugar às novas. Tanto que se pergunta se a verdadeira paixão de Leônia é de fato, como dizem, o prazer das coisas novas e diferentes, e não o ato de expelir, de afastar de si, expurgar uma impureza recorrente. O certo é que os lixeiros são acolhidos como anjos e a sua tarefa de remover os restos da existência do dia anterior é circundada de um respeito silencioso, como um rito que inspira a devoção, ou talvez apenas porque, uma vez que as coisas são jogadas fora, ninguém mais quer pensar nelas.

Ninguém se pergunta para onde os lixeiros levam os seus carregamentos: para fora da cidade, sem dúvida; mas todos os anos a cidade se expande e os depósitos de lixo devem recuar para mais longe; a imponência dos tributos aumenta e os impostos elevam-se, estratificam-se, estendem-se por um perímetro mais amplo. Acrescente-se que, quanto mais Leônia se superar na arte de fabricar novos materiais, mais substancioso torna-se o lixo, resistindo ao tempo, às intempéries, à fermentação e à combustão. É uma fortaleza de rebotalhos indestrutíveis que circunda Leônia, domina-a de todos os lados como uma cadeia de montanhas.

O resultado é o seguinte: quanto mais Leônia expele, mais coisas acumula; as escamas do seu passado se solidificam numa couraça impossível de se tirar; renovando-se todos os dias a cidade conserva-se integralmente em sua única forma definitiva: a do lixo de ontem que se juntou ao lixo de anteontem e de todos os dias e anos e lustros.

A imundície de Leônia pouco a pouco invadiria o mundo se o imenso depósito de lixo não fosse comprimido, do lado de lá de sua cumeeira, por depósitos de lixo de outras cidades que também repelem para longe montanhas de detritos. Talvez o mundo inteiro, além dos confins de Leônia, seja recoberto por crateras de imundície, cada uma com uma metrópole no centro em ininterrupta erupção. Os confins entre cidades desconhecidas e inimigas são bastiões infectados em que os detritos de uma e de outra escoram-se reciprocamente, superam-se, misturam-se.

Quanto mais cresce em altura, maior é a ameaça de desmoronamento: basta que um vasilhame, um pneu velho, um garrafão de vinho se precipitem do lado de Leônia e uma avalanche de sapatos desemparelhados, calendários de anos decorridos e flores secas afunda a cidade no passado que em vão tentava repelir, misturado com os das cidades limítrofes, finalmente eliminada – um cataclismo irá aplainar a sórdida cadeia montanhosa, cancelar qualquer vestígio da metrópole sempre vestida de novo. Já nas cidades vizinhas, estão prontos os rolos compressores para aplainar o solo, estender-se no novo território, alargar- se afastar os novos depósitos de lixo”.

O apelo à literatura no âmbito de um trabalho de análise de problemas urbanos não só contribui para demonstrar a dimensão dos desafios aí implicados, como também, se articula com a abordagem cultural em novas incursões pela ciência e pela tecnologia. A cidade imaginária de Marco Pólo, tal como se apresenta na obra de Ítalo Calvino, mobiliza sentidos inerentes aos modos de viver urbano na atualidade. O referencial teórico assumido por esta pesquisa insiste nos limites das soluções técnicas que desconsideram a trama da produção dos sentidos para a existência humana nas cidades. Daí que seja necessário, com urgência, agregar também um tratamento sobre a cultura em seus vínculos com o viver urbano. O problema específico dos resíduos sólidos, então, se vincula, com os aspectos mais complexos envolvidos em uma cultura do consumo.

A análise de Félix Guattari pontua tais limites quando propõe agregar à ecologia do meio-ambiente físico as outras duas ecologias, aquela que se refere aos vínculos do viver em grupo e a que se refere à relação de cada indivíduo consigo mesmo.

“O drama urbanístico que se esboça no horizonte deste fim de milênio é apenas um aspecto de uma crise muito mais fundamental que envolve o próprio futuro da espécie humana neste planeta. Sem uma reorientação radical dos meios e sobretudo das finalidades da produção, é o conjunto da biosfera que ficará desequilibrado e que evoluirá para um estado de incompatibilidade total com a vida humana e, aliás, mais geralmente, com toda forma de vida animal e vegetal. Essa reorientação implica, com urgência, uma inflexão da industrialização, particularmente a química e a energética, uma limitação da circulação de automóveis ou a invenção de meios de transporte não-poluentes, o fim dos grandes desflorestamentos... Na verdade, é todo um espírito de competição econômica entre as empresas e as nações que deverá ser novamente posto em questão. Existe aí um tipo de corrida de velocidade entre a consciência coletiva humana, o instinto de sobrevivência da humanidade e um horizonte de catástrofe e de fim do mundo humano dentro de alguns decênios! Perspectiva que torna nossa época ao mesmo tempo aterrorizadora e apaixonante, já que os fatores ético-políticos adquirem aí um relevância que, ao longo da história, anteriormente jamais tiveram.”5

O gerenciamento técnico dos resíduos sólidos, em busca de sua maior eficácia, precisa incluir a abordagem das concepções econômicas de desenvolvimento em seus entrelaçamentos com a cultura do consumo. A dimensão do problema exige a

introdução dos fatores “ético-políticos”. O Estado tem a sua função no que se refere ao estabelecimento de políticas públicas para o setor, mas a sociedade não pode deixar de se envolver em uma espécie de compromisso na alteração dos sentidos da própria cultura.

“Não seria exagero enfatizar que a tomada de consciência ecológica futura não deverá se contentar com a preocupação com fatores ambientais, mas deverá também ter como objetivo devastações ecológicas no campo social e no domínio mental. Sem transformação das mentalidades e dos hábitos coletivos haverá apenas medidas ilusórias relativas ao meio material.”6

A mudança de hábitos e mentalidades desafia a comunidade na qual um sistema de gestão dos resíduos sólidos se insere. Portanto, a dinâmica de funcionamento dos sentidos, especificamente relacionada com o viver urbano, demanda outros processos educacionais para quem se dispõe a participar. A própria concepção de participação também deve ser alterada, pois as mentalidades e os hábitos não se modificaram por obra dos decretos do poder público. A cultura aí se implica com todas as suas forças.

“Na verdade, os meios de mudar a vida e de criar um novo estilo de atividade, de novos valores sociais, estão ao alcance das mãos. Falta apenas o desejo e a vontade política de assumir tais transformações. É verdadeiramente indispensável que um trabalho coletivo de ecologia social e de ecologia mental seja realizado em grande escala. Essa tarefa concerne às modalidades de utilização do tempo liberado pelo maquinismo moderno, novas formas de conceber as relações com a infância, com a condição feminina, com as pessoas idosas, as relações transculturais... A condição para tais mudanças reside na tomada de consciência de que é possível e necessário mudar o estado de coisas atual e de que isso é de grande urgência. É apenas em um clima de liberdade e de emulação que poderão ser experimentadas as vias novas do habitat e não através de leis e de circulares tecnocráticas. Correlativamente, uma tal remodelação da vida urbana implica que transformações profundas sejam operadas na divisão planetária do trabalho e que, em particular, vários países do Terceiro Mundo não sejam mais tratados como guetos de assistidos pelo Estado. É igualmente necessário que antigos antagonismos internacionais se atenuem e que se siga uma política geral de desarmamento que permitirá, em particular, transferir créditos consideráveis para a experimentação de um novo urbanismo.”7

6 GUATTARI, F. Caosmose: um novo paradigma estético. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992. 7 GUATTARI, F. Caosmose: um novo paradigma estético. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.

A coleta seletiva do lixo no meio urbano desafia a comunidade para a reinvenção da vida e das relações de cada indivíduo com o planeta. Trata-se de todo um modo de estar na vida e de habitar as cidades que depende deste outro trabalho cultural mais amplo que dê conta de re-significar as finalidades. Daí ser necessária a implicação dos mais amplos setores da sociedade em constantes exercícios de experimentação no ordenamento das cidades.

Em relação à questão dos resíduos, conclui-se que conforme CASTRO (2007), o desenvolvimento de uma visão integrada dos aspectos relacionados com o meio ambiente, fomentando a discussão de hábitos que implicam no desperdício de recursos naturais e na contínua degradação da qualidade do meio, apresentam-se como a essência para a solução da problemática dos resíduos, assim como ao visualizar a geração dos mesmos como conseqüência do estilo de vida típico da sociedade urbano-industrial, e não como atividade isolada, amplia-se a necessidade de um trabalho educativo. Muito além da discussão sobre as alternativas de tratamento e destinação dos resíduos, esse trabalho educativo deve promover o debate sobre o consumismo, o desperdício e a cidadania.

Já em relação às análises feitas sobre a experiência da COOPERVIVA, conclui- se que o empreendimento da cooperativa não consegue manter-se de forma autônoma sem o auxilio da infra-estrutura do poder púbico.

Conclui-se também que devido à importância da sua atuação na gestão dos resíduos sólidos domiciliares do município, a parceria com o poder público poderia ser estreitada no que diz respeito ao apóio técnico dado atualmente à cooperativa. Este apoio poderia ir além da infra-estrutura (física) cedida hoje aos cooperados. Isto poderia acontecer por meio da concentração de esforços da administração municipal para tomar a iniciativa de promover oficinas, cursos e vivências, e até mesmo desenvolver projetos que a curto e médio prazo visem maximizar as possibilidades e minimizar as limitações da cooperativa, que foram apontadas neste estudo.

Benzer Belgeler