6. AVG Bileşenleri
6.1. Bilgisayar Koruması
No Brasil, de acordo com Vidal (2003), já na década de 1920 podiam ser encontradas discussões sobre a educação sexual, mas foi na década de 1930 que estas se proliferaram em grande escala, tendo sido produzidas diversas publicações sobre o tema. A partir da década de 1950, a implantação da educação sexual nas escolas sofreu diversos altos e baixos, pois foi alvo de muitas críticas. Vidal (2003) destaca as críticas oriundas das religiões à educação sexual que era proposta nas escolas, que a acusavam de ser demasiadamente científica, fisiológica e higiênica. Criticava-se ainda o fato de que ela era coletiva e não possuía cunho espiritual. Para o discurso religioso, a educação sexual deveria acontecer no lar de cada família.
Segundo Abramovay, Castro e Silva (2001), no início do século XX, a discussão sobre a sexualidade associava-se ao controle da reprodução sexual da população e passou a ser uma preocupação social a partir desta associação. Insere-se nesse contexto o movimento médico-higienista, que vai ter os corpos como objetos de estudo e alvos de intervenção. As autoras apontam dois eventos que deram um novo rumo à produção de conhecimento e às práticas em torno da sexualidade na segunda metade do século XX: o rompimento da ligação obrigatória entre sexo e reprodução, decorrente do desenvolvimento dos métodos contraceptivos e a produção de reflexões sobre a sexualidade, resultantes tanto da mobilização de alguns segmentos da sociedade civil organizada quanto de estudos acadêmicos realizados naquela época.
As autoras apontam que, na década de 1960, várias mudanças decorrentes do movimento feminista e do movimento gay começaram a surgir. Na década de 1970, a partir da contribuição do movimento feminista, estudos sobre o gênero começam a ser desenvolvidos. Vários fóruns internacionais sobre sexualidade começam a levantar discussões e formulações sobre os Direitos Reprodutivos e os Direitos Sexuais.
Montardo (2008) chama a atenção para o contexto de ditadura militar brasileira, a partir de 1964, que contribuiu para a instalação de um clima repressivo que sufocou o desenvolvimento da educação sexual nas escolas. Ainda segundo o autor, a abertura política permitiu que as iniciativas que defendiam a escola como local de desenvolvimento da educação sexual sobressaíssem-se, deixando o papel da família nesse processo em segundo plano. Na verdade, a família sofreu diversas críticas neste momento que acusavam a incompetência dos pais para lidar com questões sexuais e chamavam a atenção para o ambiente conflituoso que se estabelece na família durante a adolescência dos filhos.
Talvez seja possível pensar que a entrada da educação sexual na escola também é uma forma de governamentalização da família, sobretudo das classes populares, com base numa certa negatividade. Como a família é apontada como incapaz de educar, de governar, de conduzir a conduta de seus filhos acerca de sua sexualidade, caberia à escola entrar nesta seara.
Segundo Altmann (2006), no Brasil, principalmente após a incidência da Aids como uma grande epidemia e após o aumento da taxa de fecundidade, entre 1980 a 2000, em mulheres de 15 a 19 anos11, temas ligados à sexualidade adolescente passaram a ser inseridos
11IBGE, Censo Demográfico 1980-2000. Tabela 2 - Taxas específicas de fecundidade, segundo as Grandes
Regiões e grupos de idade das mulheres - 1980/2000, 2014. Disponível em:<www.ibge.gov.br>. Acesso em:
com maior incidência nas discussões e planejamentos educacionais. Abramovay, Castro e Silva (2001) também citam o surgimento da Aids como grande motor para a produção e disseminação dos estudos e ações sobre a sexualidade.
A responsabilização da escola pela educação sexual de seus alunos é um fenômeno relativamente recente no Brasil, pois, como foi aqui discutido, até por volta dos anos 1990 não estava claro como e até onde a escola deveria abordar essa questão. Nesta década foram construídas várias iniciativas voltadas aos adolescentes e às suas sexualidades.
Segundo César (2009), as intervenções da educação sexual possuem sempre grande ênfase na prevenção da transmissão do HIV e DST e da gravidez precoce, desde os anos 1990. Em termos de políticas públicas de promoção e prevenção de saúde das crianças e adolescentes, a escola é um local privilegiado de desenvolvimento de tais ações. E como afirma Altmann (2006), a sexualidade adolescente é atualmente vista como um problema de saúde pública. Hoje, a sexualidade é também uma questão de Estado.
É possível perceber que, a partir de 1989, a adolescência e a educação sexual voltada a este segmento passaram a estar fortemente presentes nas políticas públicas brasileiras. Em um modo de pensar foucaultiano, as políticas públicas podem ser entendidas como estratégias biopolíticas de governamentalidade, com o objetivo de controle da população. Conforme Mázaro, Bernardes e Coêlho (2011), as políticas públicas, sobretudo aquelas ligadas à saúde, funcionam como estratégias de exercício de poder, de formas de governo e de relações poder/saber. As autoras afirmam que se pode considerar as políticas públicas como modos de governamentalidade, uma vez que buscam regulamentar as relações das pessoas com elas mesmas e com as demais. Esse controle é feito visando objetivos de nível populacional, através, por exemplo, do combate de doenças e regulação da saúde das pessoas.
Como indicam Cabral e Heilborn (2010), desde 1986 o Ministério da Saúde discutia a criação de uma área específica para a atenção à saúde do adolescente. Em 1989, nasce o Programa de Saúde do Adolescente (PROSAD), que veio da Divisão Nacional de Saúde Materno-Infantil da Secretaria Nacional de Programas Especiais de Saúde. O Programa passou por diversas reformulações até que se tornou, em 1998/1999, a chamada Área Técnica de Saúde do Adolescente e do Jovem. As autoras apontam que o PROSAD foi um marco inicial no desenvolvimento de políticas públicas voltadas a adolescentes e jovens.
Apesar de ter sido um marco, o PROSAD não foi exatamente o início de algo, no sentido de que ele é resultado de uma luta de forças ocorrida em um campo de disputa. Como
foi aqui mostrado de certa forma, diversos deslocamentos e continuidades tiveram lugar antes que surgisse essa iniciativa. Pode-se citar, como exemplo de movimentos sociais que permitiram e necessitaram do surgimento de novos acontecimentos e novas lutas, a revolução sexual de 1960, o feminismo e o uso da pílula. Além disso, ele surge dentro de um determinado contexto histórico, social e cultural. Dessa forma, é importante destacar que o PROSAD surgiu em um contexto de crescimento do número de jovens na população, de aumento da fecundidade adolescente, de HIV e Aids como epidemia e de conquistas relacionadas à constituição de 1988 (CABRAL; HEILBORN, 2010). O Programa aponta a sexualidade como uma dimensão a ser vivida pelo adolescente e indica que as discussões sobre atividade sexual na adolescência devem contemplar as questões da gravidez indesejada e das DST (BRASIL, 1989).
Seguindo cronologicamente, após a criação do PROSAD, houve a Conferência Internacional sobre a População e Desenvolvimento, que aconteceu em 1994 no Cairo, que inclusive tem a sua importância destacada pelo SPE (BRASIL, 2010e). Na ocasião, o Brasil assinou o compromisso de desenvolver ações no campo da sexualidade, tais como iniciativas de promoção da igualdade entre homens e mulheres, de planejamento reprodutivo, de prevenção às DST, etc. Várias recomendações foram feitas aos países e uma delas foi a de que fosse garantida a educação, informação e assistência em saúde reprodutiva para os adolescentes e jovens.
Gomes e Vieira (2010) afirmam que entre 1994 e 1998 o Ministério da Saúde, através da Coordenação Nacional de DST/Aids, desenvolveu um trabalho de formação de multiplicadores, com professores e adolescentes nas escolas. Em conjunto com o Ministério da Educação, através do programa de educação à distância “Um Salto para o Futuro”, buscou formar professores de escolas públicas brasileiras nos temas: saúde sexual e saúde reprodutiva, gênero, diversidade sexual na escola, entre outros. A partir de 1999, a Coordenação Nacional de DST/Aids desenvolveu, nas escolas públicas, projetos de prevenção das DST/Aids e do uso de drogas.
Outro importante momento para esta responsabilização da escola foi a já anteriormente mencionada criação, em 1996, dos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997), que estabeleceram a educação sexual como um tema que deve ser trabalhado transversalmente em todas as disciplinas escolares. Segundo o documento, é preciso que se forneça às crianças e adolescentes os recursos culturais importantes para que eles possam conquistar a cidadania. Entre estes recursos, encontram-se tanto os conteúdos
escolares tradicionais, quanto as preocupações atuais acerca do meio ambiente, da saúde, da sexualidade, igualdade de direitos, dignidade humana e solidariedade.
No contexto atual, a inserção no mundo do trabalho e do consumo, o cuidado com o próprio corpo e com a saúde, passando pela educação sexual, e a preservação do meio ambiente são temas que ganham um novo estatuto, num universo em que os referenciais tradicionais, a partir dos quais eram vistos como questões locais ou individuais, já não dão conta da dimensão nacional e até mesmo internacional que tais temas assumem, justificando, portanto, sua consideração. Nesse sentido, é papel preponderante da escola propiciar o domínio dos recursos capazes de levar à discussão dessas formas e sua utilização crítica na perspectiva da participação social e política. (BRASIL, 1997, p. 27, grifo nosso).
Vê-se que, aqui nos PCN, o discurso sobre a sexualidade passa a ter um respaldo mais institucionalizado, aparecendo atrelado à cidadania. Percebe-se uma heterogeneidade discursiva no campo da sexualidade, dando lugar a um novo campo de disputa, onde novas forças entram em jogo. Os PCN trazem a sexualidade para o campo político-institucional no contexto escolar, onde a sua discussão também deverá estar ligada à cidadania. Talvez se possa afirmar que há aqui importantes descontinuidades em relação ao dispositivo de sexualidade analisado por Foucault. O governo da sexualidade passa por novas questões, diferentes das que estavam presentes no período analisado pelo autor, como foi discutido no primeiro capítulo desta dissertação e como será analisado a partir dos discursos do SPE nos capítulos seguintes.
Outra análise importante repousa no fato de que essa entrada da saúde no campo educacional, principalmente através dos Parâmetros Curriculares Nacionais e do próprio projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, parece atender a certa demanda histórica, social e cultural de que a escola torne os seus conteúdos mais ligados a saberes que dizem respeito ao cotidiano, que dialogam mais com a vida extramuros da escola. Os materiais do SPE dizem: “Na realidade, muitos professores e professoras estão incorporando sistematicamente novas dimensões ao seu papel tradicional, mesmo que em caráter voluntario ou ‘extracurricular’, pois as questões sociais invadem a escola.”. (BRASIL, 2006b, p. 133)
Os PCN (BRASIL, 1998) tecem ainda diversas formulações sobre orientação sexual e sobre sexualidade na adolescência. Além disso, fala sobre como deve ser o trabalho de orientação sexual no espaço escolar, discutindo as manifestações da sexualidade neste ambiente, a postura dos educadores e a relação entre escola e família. Os PCN também indicam que os conteúdos sobre orientação sexual devem ser trabalhados em três blocos chamados: Corpo, matriz da sexualidade; Relações de gênero; e Prevenção das Doenças
Sexualmente Transmissíveis/Aids. A ideia de que a orientação sexual deve ser trabalhada como tema transversal é sempre reforçada.
Cabral e Heilborn (2010) esclarecem que os PCN sugerem que sejam promovidas, na escola, discussões sobre assuntos relacionados à sexualidade, tais como: métodos contraceptivos, gravidez indesejada, aborto, abuso sexual, masturbação, iniciação sexual, homossexualidade, entre outros. É sugerido também que o trabalho de orientação sexual desenvolvido pelos educadores seja supervisionado continuamente, mas não indica quem ocuparia essa função. Estabelecem ainda que, nas séries mais iniciais, a discussão sobre sexualidade aconteça em paralelo com outros conhecimentos, mas que nas séries mais avançadas haja um espaço de discussão reservado ao assunto, devido à demanda de interesse dos adolescentes pelo tema. Além disso, os educadores devem manter as suas opiniões pessoais fora das discussões sobre sexualidade, preservando o caráter informativo e imparcial da abordagem e para isso os professores devem ser treinados e preparados.
É preciso destacar que, quando se coloca a educação sexual de forma transversal em todas as disciplinas escolares (que é o que os PCN propõem) e uma vez que antes ela costumava estar presente apenas nas aulas de biologia, tem-se a pretensão de não restringi-la apenas ao campo biológico. Talvez seja possível dizer que a educação sexual ganha um novo status. Talvez haja aí um deslocamento onde a sexualidade não está mais relacionada apenas a questões biológicas, mas também a questões de outros campos de saberes. Há uma verdadeira proliferação discursiva atravessando a educação sexual, produzindo novas práticas e novos modos de objetivação e subjetivação. Essa multiplicidade discursiva está fortemente presente no SPE, como será visto principalmente no quarto capítulo da presente dissertação.
Assim, sobretudo a partir da publicação desses parâmetros, é possível observar de forma clara que a sexualidade dos adolescentes é objeto de grande interesse de governo e que a escola é considerada um importante local para que essa sexualidade seja trabalhada. Porém, é importante lembrar que os PCN não foram propriamente o início de algo, pois ele já é o resultado de um embate de diversas forças, algumas destas aqui mencionadas. Mas sem dúvida os parâmetros tornaram-se uma grande referência e, após estes, muitas outras políticas públicas voltadas aos adolescentes e jovens e suas sexualidades ainda foram criadas no Brasil.
Pode-se citar aqui o Projeto de Lei Nº. 4530/04, o chamado Plano Nacional de Juventude (PNJ), datado de 2004. O documento apresenta cinco temáticas juvenis, que se desdobram em vários outros temas: emancipação juvenil, bem-estar juvenil, desenvolvimento
da cidadania e organização juvenil, apoio a criatividade juvenil e eqüidade de oportunidades para jovens em condições de exclusão (BRASIL, 2004).
Em relação à sexualidade, na discussão sobre o tema da emancipação juvenil e na subtemática do incentivo permanente à educação, o PNJ apresenta o objetivo de garantir que sejam incluídos nos conteúdos escolares dos ensinos fundamental e médio temas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, DST e Aids e planejamento familiar. Objetiva-se ainda reprimir o turismo sexual.
Na temática do bem-estar juvenil, apresenta-se o subtema: promover a saúde integral do jovem. Nele, afirma-se que os principais problemas de saúde entre os jovens são uma combinação de diversos fatores psicossociais ligados à sexualidade, à violência e/ou ao abuso de drogas. Traçam-se como objetivos: dar destaque à formação sobre sexualidade, sobretudo dos jovens, no currículo dos profissionais de saúde; Estabelecer parcerias com o terceiro setor para o trabalho das questões de sexualidade e uso de drogas entre os jovens; Implantar um serviço público de informação por telefone sobre saúde, sexualidade e dependência química; Conscientizar os jovens sobre suas sexualidades; Elaborar programas de amparo aos jovens vítimas de abuso sexual.
No PNJ, fala-se também sobre a sexualidade do jovem durante a temática do desenvolvimento da cidadania e organização juvenil. Afirma-se que ser cidadão significa também respeitar o outro quanto às suas escolhas e singularidades, seu credo, sua condição e suas opções sexuais, políticas e filosóficas. Objetiva-se criar centros de referência da juventude onde haja palestras que discutam temas como sexualidade, dependência química, aborto, família, entre outros.
Importante demarcar ainda que, na temática da equidade de oportunidades para jovens em condições de exclusão, objetiva-se lutar contra a situação discriminatória e violência em relação à orientação sexual e diminuir as desigualdades de gênero e violência contra a mulher.
Em 2003, surge o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Retomando o que foi dito anteriormente, em 2007 o SPE passou a fazer parte do Programa Saúde na Escola (PSE), que possui três componentes que devem ser desenvolvidas para que se construa a educação em saúde. O componente 1 diz respeito à avaliação das condições da saúde, o componente 2 corresponde à promoção de saúde e prevenção de agravos e o componente 3 trabalha a formação dos gestores e equipes. Vinculado ao Programa, a ação promovida para o
trabalho de educação sexual é o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, que faz parte do segundo componente do PSE.
As ações do Componente II visam garantir oportunidade a todos os educandos de fazerem escolhas mais favoráveis à saúde e de serem, portanto, protagonistas do processo de produção da própria saúde. O encontro entre os saberes das áreas de educação e de saúde potencializa o desenvolvimento de ações que privilegiam a dimensão educativa do cuidado à saúde, do cuidado de si, do outro e do ambiente, provocando efeitos no desenvolvimento saudável e protagonismo do educando e da comunidade onde vive, permitindo que realize opções que melhorem sua qualidade de vida. (BRASIL, 2013, p. 8).
Atualmente, têm-se falado em uma mudança de visão no campo da educação da sexualidade. Cabral e Heilborn (2010) explicam que a educação sexual costumava basear-se em um paradigma preventivista e higienista. As autoras ressaltam a necessidade de que se adote o paradigma da educação em sexualidade, que propõe que sejam feitas discussões mais amplas, que discutam não só a saúde sexual, mas também os direitos sexuais, e a discriminação e preconceito baseados na orientação sexual e na identidade de gênero. As autoras indicam que essa nova abordagem coloca diversos desafios, uma vez que exige mudanças de visões de mundo e integra uma nova face dos direitos humanos ainda em construção. Mesmo o antigo modelo de educação sexual, ainda hoje encontra desafios na implantação. Então, o novo modelo tenderá a ter ainda mais dificuldades.
É possível ver que há, nos materiais do SPE e na sua concepção de educação sexual, uma heterogeneidade de discursos, que não são naturalmente ligados à sexualidade. Em outras palavras, hoje a educação sexual e a sexualidade são atravessadas por novos discursos que nem sempre estiveram elencados com essas questões. O SPE representa novos discursos sobre educação sexual, novas práticas e, certamente, novos sujeitos, uma vez que, como foi falado no primeiro capítulo desta dissertação, a sexualidade é uma via de produção de subjetividades. Talvez seja possível dizer que o dispositivo da sexualidade e a produção de subjetividades através da sexualidade apresentam continuidades no tempo atual, mas também apresentam descontinuidades, na medida em que novos saberes e novas práticas surgem.
O projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, ao longo de seus materiais, expressa a sua concepção de educação sexual. No Guia para a formação de profissionais de saúde e
educação (BRASIL, 2006b), aponta-se que a herança moderna de objetividade, neutralidade e
universalidade científicas marca as práticas de educação para a saúde até hoje, refletindo-se em uma prática baseada apenas na prescrição de comportamentos e no fornecimento de informações sobre saúde. Mas afirma-se que diversos estudos apontam para a ineficácia desse modelo de educação sexual para a prevenção, na medida em que não retarda a iniciação
sexual, não reduz a gravidez na adolescência e não aumenta o uso de métodos contraceptivos. Antigamente o estudo da sexualidade restringia-se à dimensão biológica do corpo humano. Essa forma de abordar a questão leva a um distanciamento em relação ao que é estudado e o que é vivenciado. Diante disto, o SPE aponta que é urgente que haja uma humanização da assistência em saúde.
Aqui, é possível analisar que o modelo anterior de educação sexual mostrou-se ineficiente ao Estado. Talvez não apenas ao Estado, mas ao momento histórico, social e cultural em que se vive. A necessidade histórica atual grita por prevenção de doenças e promoção de saúde. Pede pelo autocuidado, pelo retardamento da iniciação sexual, pelo aumento do uso dos métodos contraceptivos, sobretudo a camisinha, pela redução da gravidez na adolescência e pela diminuição das DST, sobretudo a Aids. Os objetivos dos dois modelos parecem não mudar muito de um para o outro, continua-se buscando modificar comportamentos, mas há uma mudança de estratégias. Essas questões serão mais amplamente discutidas no capítulo seguinte.
O SPE (BRASIL, 2006b) distingue as ações de educação sexual promovidas pela escola e serviços de saúde das ações que acontecem através da família, mídia, trabalho, entre outros meios. Isso porque as ações nas escolas e serviços de saúde são planejadas e contínuas e estas instituições possuem a responsabilidade social de divulgar informações atualizadas sobre o tema e propor diálogos e debates dos diversos pontos de vista. Destaca-se o fato de