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BÖLÜM II: İLGİLİ YAYIN VE ARAŞTIRMALAR

2.6. Bilgisayar Destekli Eğitim ile İlgili Yayınlar

“Mas para onde mesmo eu pretendia ir?”, pensou ele repentinamente. “É estranho... eu tinha um destino em mente quando saí de casa. Logo que li a carta, saí... Ah, sim, agora me lembro: ia procurar Razumíkhin, em Vasílievski Ostrov. Mas que ia fazer lá? Como me veio essa ideia de visitar Razumíkhin? É singular!” (DOSTOIÉVSKI, 2007, p.61)

O delineamento de um projeto busca meios de fornecer resultados passíveis de discussão. Este capítulo trata dos acontecimentos que antecedem a excursão. A definição do trajeto, o fazer-se participante do estudo e um briefing de preparação para o encontro.

As ações que viriam a orientar os participantes e por fim conceber o acontecimento.

Preparando o terreno

Antes que ocorresse a excursão, seria necessário estruturar a sua logística. Após visitar o local algumas vezes, defini o trajeto. Utilizando um aparelho GPS e um gravador de áudio, registrei o percurso. A partir dessas informações, redigi “Uma ligeira prévia...”, texto que seria entregue aos participantes no primeiro encontro e que pudesse, minimamente, transmiti-lhes o que estava por vir.

Figura 1: Vista aérea do local do trajeto

Fonte: Google Maps®, software disponível em: http://earth.google.com/intl/pt (imagem alterada pelo pesquisador)

Uma ligeira prévia...

São doze horas e cinquenta e um minutos. Encontro-me nas coordenadas 22º23'19" Sul e 47º32'34,5" Oeste. A altitude é de 595 metros acima do nível do mar. Ao norte vejo uma pequena área verde com trechos de queimadas e ao fundo algumas casas. À minha direita, eucaliptos plantados em fileiras; um pouco além, um espaço onde se encontra um aglomerado de pessoas: posso ouvir suas vozes, parece ser um centro de convivência. Às minhas costas, no sentido sul, existe um terreno delimitado por pilastras de concreto, onde se localiza um prédio novo, azul e branco, que pertence à Universidade Estadual Paulista, campus de Rio Claro. Permanecendo em silêncio é possível distinguir o canto de pássaros, cachorros que latem. A estrada na qual estou situado não é asfaltada. Ao longo dela, existe muito entulho, lixo. Não é um lugar bonito, a não ser pelos margaridões que estão em plena flor.

Começo a caminhar em direção ao meu objetivo. Ao sair da estrada, cruzo com um carro. A direção que tomo é de 330 graus. À minha direita, algumas árvores e arbustos queimados; à esquerda, vejo pássaros. O vento bate em uma árvore que está praticamente seca, fazendo com

que suas folhas queimadas farfalhem e se desprendam. Apenas sua parte superior contém folhas verdes que ainda resistem, mantendo-a viva. Um pouco além, uma construção abandonada, já extremamente desgastada, cujo interior está abaixo do nível de solo, onde, no centro, cresce uma embaúba.

Após caminhar cerca de duzentos metros visualizo, pela primeira vez, o córrego dos Bandeirantes. Na margem oposta, moradias bastante rústicas, provavelmente sem esgoto, numa condição mínima de vivenda.

Prosseguindo, ouço nitidamente o som de água correndo. Registro visual por completo do córrego. Seu leito dividido se junta antes de entrar em uma boca de lobo. Além, bem no meio do curso d´água, um cavalo desnutrido alimenta-se de capim. Algumas pedras, propositalmente dispostas entre as margens, permitem que eu atravesse sem que me molhe.

Subo o leito em direção à nascente. Vejo uma região alagadiça, coberta por capim. À direita, uma construção com telhas descobertas; nela, uma lona azul faz as vezes de janela.

Entrando na mata topo com uma teia de aranha. A moradora tem o dorso amplamente pigmentado. Pelos seus movimentos, deve estar consertando a teia. Adentro: os raios solares penetram de maneira bastante reduzida. Vejo, à direita, uma disposição de troncos de árvores de maneira a sugerir que, no passado, tenham sido utilizados como uma espécie de cabana.

O leito do córrego está bem menor: lembra uma área preservada. Continuo subindo a trilha, encontro uma pequena parede de tijolos gastos. Saindo à direita, chego até a nascente, um tubo de PVC mantido por diversos tijolos dispostos de maneira a tentar otimizar o fluxo d´água. O clima aqui é bastante pacífico. Não fossem essas alterações humanas, talvez me sentisse em plena mata. Não resisto e me refresco enxaguando o rosto.

Voltando da bica, no ponto onde havia visto pela primeira vez o córrego, cruzo com um potrinho, de corpo branco em sua maior parte, e manchas marrons esparsas, principalmente no rosto e no peito. Ele veio, tomou um pouco de água, assustou-se com os fogos de artifícios e voltou. Por um momento, caminhamos juntos. Até que encontra uma sacola de lixo: para, verifica o seu conteúdo com o olfato e decide se é aprazível ou não.

Retorno ao ponto de origem: a estrada. Sol a pino, poucas nuvens bem dispersas. Atravesso a estrada rumo sul, vou de encontro aos eucaliptos. O caminho está escorregadio;

muito barro. Em uma placa, dentro de uma área delimitada por uma cerca contínua, leio os seguintes dizeres: “aviso, proibida a entrada de pessoas e animais, segundo a lei federal nº 4771/1965 , área de cumprimento de termo de recuperação ambiental conforme resolução SMA nº 47/2003”. Poucos metros além, uma interrupção na cerca, onde é possível a entrada através de um portãozinho. Uma vez do outro lado da cerca, percebo que não estou sozinho na área proibida: um homem, a cerca de duzentos metros à frente, acaba de pegar seu cavalo, e segue para uma região a qual não posso acompanhar visualmente.

Após pegar o caminho à direita da cerca, encontro uma trilha que desce em direção ao córrego. Região bastante assoreada, talvez em parte devido à imensa boca de lobo que realiza a passagem do fluxo por meio da ponte. É possível que o esgoto dos bairros próximos desemboquem nesse ponto. É possível...

Retornando à cerca, seguindo pelo lado esquerdo, passo por uma estrutura de concreto, bastante mal-cheirosa, que provavelmente tem ligação com o esgoto local. Um pouco além, a trilha bifurca e existe a possibilidade de continuar beirando a cerca ou adentrar na mata, à esquerda, caminho que sigo. Árvores esparsas. Fezes de cavalo e gado indicam que este local é frequentado regularmente. A trilha se abre numa clareira, com uma visão um tanto quanto triste: uma quantidade enorme de resíduos espalhados, lixo por toda a volta, e, para o meu pesar, o mesmo nas margens do córrego. Uma libélula cor-de-rosa sobrevoa o curso d´água e pousa em um cipó com flores arroxeadas, muito bonitas; mas ao mesmo tempo, a cada mínima curva do rio, as sobras humanas impedem o seu fluxo regular.

Com um salto, atravesso o leito: estou na outra margem. Ao contrário da anterior, o terreno é um pouco alagadiço. O calçado afunda, mas sigo adiante. Os margaridões, que antes olhava de longe, estão ao meu redor: muitas cores que dão um belo colorido à trilha. Após deslocar-me em sentido contrário à margem, chego à cerca que delimita a UNESP da floresta estadual. Um pouco à frente, um pequeno aglomerado de eucaliptos. Nesse local, estão diversas mudas e árvores de pequeno porte, a sua maioria amparada por estacas e identificada numericamente por placas metálicas. No chão, um sinalizador com os dizeres coloridos: área em recuperação - sistema agroflorestal - Grupo Gira-Sol.

Retornando ao córrego, nota-se uma área bastante erodida. A distância entre as margens cresce anormalmente. Uma pequena queda forma um poço: certamente é possível um mergulho sem danos físicos.

Após percorrer toda a extensão da área destinada ao grupo Gira-Sol, surge um descampado que permite visualizar a floresta ao longe; uma infinidade de eucaliptos. Parto em direção ao córrego novamente para ver qual a sua situação. Ele começa a se subdividir. É possível que adiante, devido à presença massiva de capins, o córrego se torne uma espécie de brejo, para posteriormente adentrar na floresta.

Chego a um portão bastante enferrujado, trancado com cadeado. Dada sua largura, é possível que passe até mesmo um trator. A cerca em que se localiza é formada por pilares de concreto dispostos a cada cinco metros, curvados no topo onde fixaram arame farpado.

Sigo rumo sul, exatamente 150 graus. Margaridões nos arredores, o capim da estrada foi cortado recentemente. Deparo-me com libélulas, talvez uma centena delas, que provavelmente estejam visando o acasalamento. Também encontro borboletas amarelas, em harmonia com os margaridões que ainda são abundantes. Muitas libélulas.

A cerca, que até então acompanhava, chega a seu fim. Ela delineava a extensão da universidade, portanto, toda área a seguir pertence à Floresta Estadual Edmundo Navarro de

Andrade. Posso subir rumo oeste ou permanecer rumo sul; opto pela segunda. Encontro-me com

uma vasta quantidade de borboletas, das mais variadas cores e tamanhos, que parecem estar entretidas numa brincadeira. Com meu passar, ficam agitadas.

Mantendo rumo sul, à direita eucaliptos plantados em linha; à esquerda árvores de diversas espécies, não sendo uma cultura específica. Assim, posso aferir que servem de mata ciliar a algum curso d´água, possivelmente ao córrego que anteriormente acompanhei. Uma trilha entra na mata à esquerda, e tomo este caminho. Após cerca de cem metros, chego a um ribeirão, cujo leito tem entre dez a quinze metros. Próximo à margem, há uma região relativamente plana. São quatorze horas e um minuto, nas coordenadas 22º24'01,5" Sul e 47º32'01" Oeste. Eu encerro a jornada e aproveito o remanso para descansar.

O Convite

Para a inclusão dos participantes no estudo fez-se necessário a redação do termo de consentimento livre e esclarecido, requerimento do Comitê de Ética em Pesquisa. Aproveitei-o como convite, entregando-o pessoalmente a cada um dos possíveis participantes. Realizávamos juntos sua leitura, e caso a pessoa estivesse de acordo, assinávamos o documento, formalizando o seu ingresso no projeto.

Nele descrevi resumidamente as atividades previstas e o intento do trabalho. Cabe a ressalva de que mantenho-o conforme entregue originalmente. Sendo assim, o próprio título e alguns dos objetivos foram alterados ao longo do amadurecimento do trabalho. Portanto, por favor, nas próximas linhas, relevem o termo pesquisa:

Venho por meio desta convidá-lo(a) a participar do projeto de pesquisa intitulado “Um

encontro, um percurso, uma estória: a Educação Ambiental como alicerce para a construção de uma narrativa por alunos de EJA”, e pedir o seu consentimento para a utilização dos registros

coletados para a dissertação do trabalho, com possibilidade de publicações futuras.

Esta pesquisa tem como objetivo levantar elementos visando à reflexão da Educação Ambiental no Ensino de Jovens e Adultos ao propor a seus participantes a realização de uma saída de campo que estimule a percepção do meio em que estão inseridos e os leve a discutir o atual comportamento humano no trato com a natureza. O diálogo entre os participantes possibilitará compartilhar sentimentos e conhecimentos prévios. O emprego de meios narrativos será o instrumento para a composição escrita do relato do evento.

Para tanto, será realizada uma saída de campo para a Turma da Comunidade do Projeto de Educação de Jovens e Adultos (PEJA) a partir da nascente do córrego Bandeirantes, que corta o terreno ao fundo da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus de Rio Claro, até sua foz com o Ribeirão Claro. Participarão desta excursão o autor deste trabalho, os alunos do PEJA e colaboradores convidados.

Assim, venho pedir a sua participação em três encontros, a saber: o primeiro para apresentação por parte do pesquisador das propostas do projeto, o segundo que se trata da própria saída de campo acima citada, e o último encontro para os participantes compartilharem os relatos

da experiência. O local de partida para todos os encontros será na UNESP – Rio Claro, situada na Avenida 24A, nº 1515, Bela Vista.

Para a realização da saída de campo, organizamos uma estrutura logística, em termos de transporte e atendimento de primeiros socorros, visando restringir qualquer possibilidade de riscos físicos. Quanto às questões de ordem emocional, ressaltamos que nesse tipo de pesquisa o participante não sofrerá qualquer tipo de desconforto ou constrangimento.

É importante destacar que seu nome será mantido em sigilo e que você, durante o processo da pesquisa, poderá se recusar a participar de qualquer atividade programada e/ou retirar seu consentimento sem penalização alguma.

Dessa forma, estamos convidando-a para participar dessa pesquisa que visa contribuir com a promoção da Educação Ambiental. Informamos também que uma cópia desta solicitação ficará com você para que qualquer dúvida seja esclarecida.

Antecipadamente agradecemos a sua atenção e disponibilidade.

Reunião preliminar

Vinte e duas pessoas aceitaram o convite e se integraram ao estudo: dez educandos do PEJA e doze companheiros da UNESP.

O primeiro encontro, ocorrido em uma das salas de aula da universidade, teve como objetivo a apresentação das propostas do projeto e a familiarização entre os participantes.

A organização da sala estava disposta em formato circular. Solicitei que ocupassem alternadamente as carteiras: um amigo, um educando. Quando estavam devidamente posicionados, convidei-os a se apresentarem individualmente. Pedi que, brevemente, descrevessem suas ocupações e o vínculo que mantinham comigo. A justificativa desse último foi para que se evidenciasse o elo que uniam a todos os participantes, mesmo os que não se conheciam.

Na sequência descrevi a área e que visitariam. Utilizei imagem aérea extraída do Google Maps® para ilustrar. Passei algumas recomendações quanto ao vestuário, alimentação, etc., como

preparativos para a excursão. Distribuí o texto “Uma ligeira prévia...” e abri o espaço para sanar dúvidas.

Buscando um entrosamento inicial, realizamos uma dinâmica em grupo. Do lado de fora da sala, havia tintas guache de quatro tonalidades: verde, azul, vermelho e branco. Antes de sair da sala, pedi que mantivessem silêncio até o final da atividade. Chamei comigo uma primeira pessoa e pedi que escolhesse uma cor. Anotei. A segunda pessoa também escolhia uma cor, entretanto, sua testa era marcada, de olhos fechados, com a cor escolhida pela pessoa anterior. Esse procedimento repetiu-se até que todos estivessem com a testa marcada. Retornei à sala e solicitei que, permanecendo em silêncio, os grupos se formassem de acordo com a cor que apresentavam na testa.

Para minha surpresa, em menos de dois minutos os grupos já estavam devidamente arranjados. Reservei tempo para que cada grupo inventasse um nome e um hino próprio. Finalizamos o primeiro encontro com a apresentação dos hinos.

Grupo Vermelho: Tiê-Sangue

Vai Tiê-Sangue Toma cuidado O homem vem aí

Grupo Azul: Céu Azul

Céu, céu, céu Céu é azul

É onde que brilha o Cruzeiro do Sul

Quando olhei a terra ardendo Tal fogueira de São João Eu perguntei a Deus do Céu Porque tamanha judiação

Grupo Verde: Ver de perto

Abra a porta e a janela E vem ver o sol nascer

Benzer Belgeler