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Bilerek Kusmanın veya Kusuntuyu Yutmanın Orucu Bozması

Nos primórdios do império, com a conversão maciça dos persas, os governantes safávidas viram-se deficientes em instituições e clero para continuar e pregar a “nova” doutrina xiita. Por essa razão, vários ‘ulama, professores e jurisconsultos / fuqaha foram levados para o centro do império, especialmente Tabr z e, em um segundo momento, Qazw n. Eles vinham tanto de áreas xiitas iranianas, como Qom, Mašhad e Astar b d, como de terras árabes83, principalmente do Iraque e da região de Jabal ’ mil, no Líbano84. Para salvar a própria vida e/ou preservar posições econômicas e sociais privilegiadas, alguns clérigos sunitas também se converteram ao xiismo.

Ainda entre os anos de 1530 e 1540, nasceu o conflito entre as cosmologias dos filósofos/burocratas persas e de teóricos e jurisconsultos árabes recém-chegados. A partir de 938/1532, mais especificamente, o xiismo popular começou a ser substituído por um de cunho doutrinário, influenciado pela crescente participação do clero mais conservador e sedentário. A importação de religiosos resultou na formação de novo grupo de influência na corte – com distinta bagagem intelectual e posicionamento político. Os clérigos nativos davam preferência ao quietismo e rejeitavam as inovações e o poder de escolha do jurisconsulto bem qualificado sobre assuntos tradicionalmente relativos ao imame. Acreditavam que algumas atribuições religiosas eram reservadas única e exclusivamente aos profetas e aos imames.

A transferência da capital de Tabr z para Qazw n durante os anos de 1550 beneficiou um grupo diferente de sayyids85, provenientes principalmente da província de M zandar n. A elite religiosa ligada ao grupo foi extremamente importante no período do reinado do xá ahm sp I. Esses sayyids não só ocuparam cargos de destaque, tal como o de adārat86, como produziram extenso trabalhos teológicos e de jurisprudência, de utilidade no processo de consolidação do império87. Acredita-se que esse grupo de sayyids, em particular aqueles

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MITCHELL, C. Tha Pratice of Politics in Safavid Iran: Power, Religion and Rethoric. London: I. B. Tauris, 2012, p.109.

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Ibidem, p.106. 85

Tradução: “Senhor”, homem aceito como descendente do profeta por meio de seus netos Hasan ibn ‘Ali e Hussein ibn ‘Ali.

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Alto dignatário religioso responsável essencialmente pela administração de assuntos religiosos. 87

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vindos de Astar b d, foi responsável por difundir, pregar e popularizar as interpretações de al- Karak , o que resultou posteriormente, a seu contragosto, na substituição do clero vinculado aos sayyids por outro, mais independente do poder real e do poder local e ativo junto a população88.

O império esteve em ebulição entre os anos de 1530 até 169089. Foi nesse período que as duas concepções emergentes de liderança política e religiosa passaram a se enfrentar de forma mais intensa por poder de controle social e intelectual. Diferentes noções dinásticas e clericais de autoridade, bastante influenciadas pela disputa entre estudiosos árabes de tradição filosófica e burocratas persas, resultaram em duas escolas xiitas de pensamento.

Os tradicionalistas / aḫbāriyya aderiram ao quietismo tradicional, que remontava ao século nono, e não somente aceitavam a monarquia patrimonial, como reconheciam sua liderança em questões religiosas. Esse grupo era contrário ao uso da razão na busca da lei e do sentido da teologia. O conhecimento deveria ser baseado em princípios sólidos dos ḥadīth, rejeitando as classificações racional e crítica dos textos propostas pelo outro grupo. A escola dos racionalistas / u ūliyya era contrária ao empoderamento religioso do xá, bem como à submissão total dos clérigos a seu domínio.

O suporte aos tradicionalistas era dado por uma poderosa rede de notáveis clérigos iranianos, que incluía os sayyids. Estes exerceram um importante papel nos órgãos judiciais e educacionais do império até o século XVII. Os sayyids baseavam suas reivindicações no fato de pertencerem à linhagem do profeta e dos imames. Essa característica os conectava diretamente à monarquia, pois legitimavam a ideia de que a autoridade religiosa era passada por linhagem sanguínea. Também fazia parte desse grupo a classe de abastados 'ulamas sunitas que se converteram e passaram a colaborar com o regime. A importância da manutenção dessas tradições levou essa escola a condenar o raciocínio independente e a autoridade dos jurisconsultos. Para os tradicionalistas, a conexão com a casa do profeta não poderia ser adquirida por meio do esforço e do mérito, mas somente pela graça de Deus90.

Os racionalistas eram compostos principalmente por jurisconsultos, que defendiam que princípios racionais deveriam ser utilizados para dar sentido às leis e à teologia das fontes

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al-Karak foi casado com um membro da proeminente família de sayyids de Astar b d. Os casamentos entre os membros da família real e do clero, com indivíduos provenientes dos sayyids, eram maneira usual de fidelizar e fortalecer os laços políticos entre essas três instituições fundamentais do poder safávida de então. As uniões resultantes desses acordos deram origem a nova geração de filósofos xiitas e estudiosos no Irã, incluindo os filósofos herdeiros da filosofia da iluminação, como M r D m d, Shaikh Bah ' e Mull adr .

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BLACK, 2011, p. 228.

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ARJOMAND, A. S. The Shadow of God and the Hidden Imam: Religion, Political Order and Societal Change

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reveladas91. Os laços entre os safávidas e o que viria a ser a escola dos racionalistas surgiram a partir da chegada de religiosos árabes – e ganhou força no reinado de Abb s I. Essa relação permitiu ao xá influenciar de forma mais direta a comunidade, na medida em que o exercício de funções religiosas antes reservadas ao imame oculto por parte de religiosos ampliaria a capilaridade do Estado sobre a sociedade. Os racionalistas descartaram a vinculação imediata entre a casa profética e o imame oculto, em detrimento dos sayyids e em favor do fortalecimento da ortodoxia da lei islâmica.