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Bileşiklerin Absorpsiyon Spektrumlarının Asit ve Baz İlavesi İle Değişimin İncelenmes

SONUÇ VE TARTIŞMALAR

H- NMR spektrumlarında 9-14 ppm aralığında gözlenen (-NH) bandlarının hidrazo

1. DMSO 2 DMF

4.3 Bileşiklerin Absorpsiyon Spektrumlarının Asit ve Baz İlavesi İle Değişimin İncelenmes

Destacamos, ao longo deste capítulo, as mudanças ocorridas no pensamento e nas práticas de dominium e poder sobre a América e os indígenas, que estavam em íntima conexão com as experiências e fatos do processo de colonização. Paralelamente às primeiras leis e políticas em relação aos índios e ao estabelecimento de aparatos político-administrativos, as Coroas ibéricas inseriram e favoreceram novos agentes e mediadores no contexto das relações coloniais.

Os diferentes agentes enviados a esses espaços envolviam-se nas relações produtivas e sociais aí existentes, aproximando-se de grupos de interesse já constituídos ou definindo novos grupos de poder. As Coroas diversificaram, então, essas agências e procuravam arbitrar os conflitos entre elas, definindo os marcos de intervenção e de liberalidade, os agentes a serem favorecidos e aqueles que precisavam ser controlados. Era preciso também constituir uma “forma escrita de comunicação política susceptível de ser ‘armazenada’ (em arquivos), constituir valor probatório e criar dispositivos de práticas administrativas prospectivas”.410 A criação do Arquivo de Simancas, em 1540, é

um exemplo disso.411

As Casas da Mina, Guiné e Índia e a de Contratación registravam as relações de troca, os fluxos comerciais. O Conselho de Indias auxiliava o rei diretamente nos problemas que envolviam o ultramar. A Mesa de Consciência e Ordens tratava as questões relativas à religião e evangelização dos povos. Em todas essas ações, informações e fluxos, definiam-se as dimensões do império e as especificidades das monarquias ibéricas. Nesse processo de configuração e reconfiguração das relações de poder, o dominium sobre as populações indígenas e africanas era um elemento central para a definição do poder político.

O projeto de venda de encomiendas perpetuas no Peru, aprovado por Felipe II em 1556, representa as situações extremas na definição das relações de dominium e

410 SUBTIL, José M. “A administração central da Coroa”. In: MATTOSO, José (dir.). História de

Portugal, vol. 3, op. cit., p. 79. Nas palavras de Francisco Cosentino, “em Portugal houve um acúmulo de

conhecimentos que foram sendo obtidos através do exercício da administração no Império português. Esse acúmulo de informações e práticas possibilitou o desenvolvimento de estratégias e a construção de uma memória, dedicadas ao exercício do governo, com todas as suas implicações, inclusive a elaboração da documentação escrita que norteava e delimitava os direitos e deveres, como eram os regimentos dos governadores gerais”. COSENTINO, Francisco C. Governadores gerais do Estado do Brasil (Séculos

XVI-XVII), op. cit., p. 207.

poder no processo de colonização. Nas palavras do vice-rei, conde de Nieva: “Bien considerado y mirado, en todo ay naufragio y trauajo, pues todo el punto de gouierno uiene a batir y estribar en si serán mejor gouernados los indios por españoles encomenderos perpetuos o por ministros españoles en nombre de Vª Mgd”.412

Diante da resistência às Leis Novas, que tinham o sentido diametralmente oposto a esse novo projeto, Felipe II, recém-empossado, considerou seriamente essa alternativa e estabeleceu uma Junta, que aprovou sua implantação em 1555. O Conselho de Índias, da sua parte, mostrava prudência e sugeriu que o melhor era dar esperanças de perpetuidade aos espanhóis sem, todavia, ratificar o projeto.

A população espanhola do Peru era, na época, de aproximadamente 8 mil pessoas, dentre elas, cerca de 500 possuíam encomiendas. Portanto, havia uma enorme pressão pela concessão de novas encomiendas, que só podia ser feita por meio de novas conquistas ou pela redistribuição das já existentes. Além de dar novas licenças de “descobrimento”, em setembro de 1556 Felipe II aprovou a implementação das

encomiendas perpétuas, concedendo ainda jurisdição civil e criminal aos encomenderos.

Diante da crise financeira vivida pela Coroa espanhola, Felipe II decide vender seus “próprios vassalos”.413

A decisão alienava, além do domínio régio sobre as Índias Ocidentais, o poder da Igreja e do Papa sobre os indígenas. Foi nessa situação extrema, em que a Coroa subvertia todos os princípios de seu domínio político-jurídico sobre a América, conferindo a si própria um dominium rerum (propriedade) sobre os indígenas, que o pensamento de Bartolomeu de las Casas atingiu sua radicalidade máxima. A tópica de restituição das Índias aos senhores naturais foi colocada nesse contexto, para reforçar as consequências últimas daquela decisão da Coroa, que legitimava a tirania dos

encomenderos. Las Casas exige a pronta extinção das encomiendas e a imposição do

soberano senhorio e jurisdição real sobre seus vassalos espanhóis, mesmo que fosse necessária a utilização da força contra os colonos.

412 “Informe sobre la perpetuidad”, 4 de maio de 1562. Apud LOHMANN VILLENA, Guillermo. El

corregidor de indios en el Perú bajo los Austrias. Lima: Pontificia Universidad Católica del Perú, 2001,

p. 67-68.

413 SOMEDA, Hidefuji. Apología e Historia : Estudios sobre el fray Bartolomé de las Casas. Lima: Pontificia Universidad Católica del Perú, 2005, p. 118-119.

O Conselho de Índias414, que na maioria das vezes assumia uma postura

pragmática e mais próxima aos agentes econômicos da colonização, foi contrário ao projeto. Podemos destacar as seguintes implicações por meio de seu parecer e recomendação:

1) Alienação do domínio político-jurídico.

a) O projeto era contra o serviço do rei e o bem dos “naturais”, porque alienava o domínio régio e dava poder aos encomenderos para fazer dos índios seus vassalos próprios, o que levaria à escravização e servidão perpétuas e provocaria sua extinção.415

b) O rei estaria abrindo mão de seu domínio em proveito de trezentos ou quatrocentos encomenderos, que se tornavam, dessa forma, senhores da terra.416 A perpetuidade implicaria na perda do domínio sobre as terras

indígenas.417

c) Com a perpetuação, os encomenderos teriam o poder de prover os alguaziles, criados e outros ofícios relacionados à exploração do trabalho indígena, além de prover os padroados.

d) Finalmente, a Coroa perdia a possibilidade de fazer mercê, uma de suas maiores prerrogativas.

2) Alienação do domínio político-econômico do rei.

a) As ofertas feitas pelos encomenderos eram falsas e toda riqueza seria retirada do trabalho indígena. Os valores arrecadados rapidamente se

414 “Parecer do Conselho de Índias de 21 de outubro de 1556 em resposta de certos capítulos que sua Majestade enviou a consultar desde Gante tocante à prepetuidade das Índias”. E “Recomendações do Conselho de Índias sobre a perpetuidade no Peru”. In: PEÑA, Juan de la. De bello contra insulanos

intervencion de España en America, op. cit., p. 94-97 e 98-101.

415 “(...) si son ellos [os índios] carneros que los an de andar vendiendo, siendo libres y vasallos del rey. “Recomendações do Conselho de Índias”. In: ibidem, p. 98. “(...) una de las mayores fuerzas que su Magestad tiene en aquella tierra es tener los naturales de su mano para cualquier cosa que se podria ofrecer por ser lo mas de aquella tierra para la conservar y el autoridad y señorio de su Magestad della”, ibidem.

416 “(...) quedavan los encomenderos de manera que harian su voluntad y podrian, si quisiessen exhimirse del domínio de Vuestra Magestad”, “Parecer do Conselho de Índias”, op. cit., p. 95. Nas “Recomendações do Conselho de Índias”: “hazer aquel Reyno de por si y nombrar nuevo rey”, op. cit., p. 98.

417 “(...) los pueblos de españoles estan poblados en tierras de los naturales y se an dado tierras a los españoles donde tienen hechas sus heredades, y como se perpetuasen, luego entrava una confusion muy grande sobre pedirlo, y no se podria dar asiento sobre ello”, “Recomendações do Conselho de Índias”, op. cit., p. 100.

gastariam e o rei perderia seus vassalos, sem poder mais socorrer-se deles.

b) A perpetuidade implicava na estagnação do comércio: “cesan las contrataciones gruesas que en ella ay, porque los encomenderos como se van a sus repartimientos y comen a costa de los indios y se visten de paño pardo, no gastan y ahorran los tributos y grangerias”.418

c) O sistema de encomiendas perpétuas instaurava uma relação de domínio doméstico, em que se encobririam as minas “entre o amo e os índios”, de tal forma que não se poderia livremente fazer novas lavras “e se ocultariam os quintos de sua Majestade”.419

3) Instabilidade social e revolução.

a) O projeto aumentaria a cobiça dos encomederos, a criminalidade e os pleitos e provocaria “nuevos levantamientos”. Aqueles que esperavam receber as terras e encomiendas vagas, entre 5 e 6 mil homens, promoveriam uma revolução.

4) Ilegalidade do projeto e alienação de outros poderes.

a) Não se podia alienar esse domínio da Coroa por ser contrário à concessão papal, que, dessa forma, ficava impedida de evangelizar os índios. Tal alienação exigiria a reunião das Cortes, a aprovação dos procuradores das cidades e do Conselho, e mesmo assim esse ato poderia ser questionado e invalidado.

Nesses dois pareceres do Conselho de Índias, em singular concordância com o pensamento de Bartolomeu de las Casas, observam-se, como em uma radiografia, todos os elementos relacionados ao dominium sobre os indígenas e suas diferentes implicações na definição dos poderes políticos no processo de colonização. Em relação ao seu domínio político-jurídico, a Coroa alienava seu poder sobre os indígenas, as terras americanas, os ofícios e sua prerrogativa de fazer mercê. Do ponto de vista político-econômico, a “venda dos súditos” implicava na perda dos tributos e dos benefícios da exploração da mão de obra indígena, na ruptura com a circulação comercial e perda das riquezas naturais. Assim, a perpetuidade das encomiendas representava a destruição da arquitetura de domínio que estabelecia os vínculos de

418 “Recomendações do Conselho de Índias”, op. cit., p. 99. 419 Ibidem, p. 100.

dominação e dependência entre as diferentes partes que compunham aquele corpo político.

Para a Coroa e para a Igreja, os índios eram o elemento de legitimidade e instrumento de poder, que justificava sua intervenção nesses espaços e a subordinação política dos agentes coloniais. Para a Coroa, viabilizava o estabelecimento da soberania e a expansão territorial e comercial no contexto de formação e disputa entre as nações europeias pelo ultramar. Para a Igreja permitia a realização da plenitudo potestas apostólica e da república cristã. Esses projetos políticos precisam de súditos e fiéis, portanto, de homens livres. Para os senhores de engenho e encomenderos, a “questão indígena” não era um problema, eles queriam escravos e dependentes na lógica econômica, e o controle sobre a reprodução social indígena transformava seu domínio doméstico em poder político.

Em contraposição ao projeto, o Conselho de Índias recomendava:

“La perpetuidad se ha de ordenar de manera que este bien a todos, a Vuestra Magestad y a los encomenderos y a los naturales, para que dure el edficio y por no aver igualdad en el fundamento no se desplome y cayga en poco tiempo. Esto se podría hazer dándose orden como el señorío y vasallaje de todas aquellas provincias estuviesse en la Corona Real de Vuestra Magestad poco a poco, de que seria su Real patrimonio muy acrescentado y los naturales bien tratados y sobrellevados y los conquistadores podrían ser gratificados y aprovechados perpetua o temporalmente conforme a los meritos de cada uno, y Vuestra Magestad podría ser servido para la presente necesidad y para otras que adelante ofreciessen.”420

O domínio régio sobre a América e os indígenas procura estabelecer um equilíbrio entre o discurso da legitimidade – inclinado, desde a década de 1540, para o posicionamento dos juristas-teólogos da segunda escolástica – e a práxis colonial – levada a cabo pelos moradores, missionários e funcionários. O movimento da política régia, entre a postura missionária e a dos colonos, representava a essência de seu mecanismo político. A suspensão de uma decisão diante dessas posturas antagônicas reafirmava o poder de arbítrio do rei, e definia um lugar jurídico para intervir de acordo com seus interesses.

As sociedades americanas caracterizavam-se pela instabilidade política e social – definida pela indistinção prática entre público e privado e entre as atribuições de poder – , em que a autoridade política suprema se manifesta como poder de exceção, o que dava aos outros agentes políticos a percepção de que ela também agia segundo interesses

privados, caracterizando-a como tirânica e ameaçando romper os elos políticos pelo direito de insurreição. A autoridade política precisava, então, repactuar com os agentes políticos por meio do reconhecimento e da legitimação do dominium sobre os indígenas e africanos. O paradoxo definido pelas relações de poder e dominium levou à construção de uma soberania política imperial e à complementaridade entre os sistemas de domínio europeu, africano e americano. Podemos dizer, adaptando um conceito marxista, que se tratava de uma divisão imperial do trabalho e do poder.

O debate entre Sepúlveda e Las Casas encerra o período americano dessa construção. Na década de 1570, quando se consolidarem as bases do povoamento e da economia colonial americana, o debate se deslocará para a África, por meio da conquista de Angola em seu nexo americano. Com a reunião das Coroas em Felipe II, a construção da soberania régia passa a ter um sentido ibero-atlântico, que, levada a cabo no reinado de Felipe III, também mostrará suas limitações e incompletude.

Capítulo 3

A disputa pelo dominium dos indígenas e africanos e a criação

Benzer Belgeler