VE İLİMLER TASNİFİNDEKİ YERİ
6. BİR İLİM OLARAK AHLÂK VE İLİMLER TASNİFİNDEKİ YERİ
O processo de articulação de orações, principalmente nas últimas décadas, tem sido muito estudado por funcionalistas, que pretendem, a partir dessas pesquisas realizadas, discutir criticamente e reavaliar o enfoque tradicional, além de apresentar novas propostas para o estudo do processo de junção em uma perspectiva textual-discursiva. Nesta pesquisa, como já foi mostrado, apresentamos uma reflexão sobre o processo de articulação da oração relativa explicativa segundo as gramáticas tradicionais e descritivas de língua portuguesa. Ao final do trabalho, pretendemos mostrar uma nova proposta de estudo e ensino do processo de articulação da relativa explicativa em diferentes textos.
Sabemos que as gramáticas tradicionais limitam-se aos aspectos formais desse complexo processo da articulação de orações. Muitas vezes, o estudo das orações restringe- se aos limites da frase, isolando-a de seu contexto situacional. Dessa forma, podemos constatar que poderá haver prejuízos à compreensão global de um texto, visto que não são considerados os aspectos textual-discursivos da construção, tais como coesão, coerência, orientação argumentativa, organização discursiva, dentre outros.
Ao analisarmos o tratamento das orações em diferentes gramáticas tradicionais de língua portuguesa, percebemos que os gramáticos relacionam o processo de subordinação sintática e / ou semântica a uma dependência, isto é, ao fato de uma oração encontrar-se subordinada a outra oração chamada de principal. No processo de coordenação, as orações são ditas independentes.
No entanto, essa dicotomia coordenação e subordinação apresentada pelos gramáticos tradicionais é questão discutida por muitos estudiosos funcionalistas. Halliday (1985) e Matthiessen & Thompson (1988) rejeitam a dicotomia entre os termos. Lenhmann (1988), Givón (1990) e Hopper e Traugott (1993) também rejeitam o tratamento da coordenação e subordinação como categorias discretas e defendem um contínuo que vai da parataxe ao encaixamento.
Conforme Givón (1990), nenhuma oração pode ser considerada totalmente independente de seu contexto oracional. O autor também afirma que a diferença absoluta entre as orações subordinadas (dependentes) e as orações coordenadas (independentes) somente é permitida dentro dos limites tipológicos rigidamente prescritos. Ainda para o
autor, uma análise dos fatos estruturais e funcionais revela uma relação icônica entre a integração das orações e a integração dos eventos.
Para Halliday & Hasan (1976), na estrutura lingüística, as relações lógicas elementares das línguas naturais e derivadas da experiência humana são expressas em diferentes formas, tais como coordenação, aposição etc.
Segundo Decat (1993), a conceituação de coordenação e de subordinação nem sempre é suficientemente esclarecedora sobre o seu significado real e o seu estatuto na teoria da gramática, uma vez que são tratadas de diferentes maneiras: como fenômenos da gramática, apenas como denominações de estratégias de combinações de cláusulas, dentre outras.
A relação entre a coordenação e a subordinação não é tratada por todos os gramáticos como uma dicotomia bem definida. A subordinação, caracterizada como um processo em que se manifesta uma relação de dependência, se contrapõe ao paralelismo de funções sintáticas freqüentemente usado como parâmetro para a caracterização da coordenação, em que se manifesta uma relação de independência. A ausência de uma coerência entre os gramáticos mostra-se também na definição dos termos subordinação, hipotaxe, coordenação, parataxe e justaposição, com base no critério formal.
Nas gramáticas tradicionais e, até mesmo, na literatura lingüística moderna, os termos coordenação e subordinação aparecem, freqüentemente, como sinônimos de parataxe e hipotaxe, respectivamente. Muitos gramáticos usam indiferentemente os termos hipotaxe ou subordinação, um pelo outro, e parataxe ou coordenação. Algumas vezes, a parataxe é identificada com a própria justaposição, e se opõe à hipotaxe. Decat (1993) questiona se são fenômenos distintos da gramática ou são meros procedimentos, estratégias para ligação de orações. Percebemos, assim, que a definição desses termos não tem encontrado uma unanimidade de tratamento por parte dos gramáticos tradicionais.
Para Halliday (1985), que propõe um modelo de gramática funcionalista, há duas dimensões de interpretação da relação entre termos, grupos e orações: o sistema de interdependência (tático), que inclui parataxe e hipotaxe; e o sistema lógico-semântico que inclui a expansão e a projeção. A relação de hipotaxe é aquela estabelecida entre um elemento dependente e o seu dominante, ou seja, entre elementos de estatutos diferentes em que um elemento modifica o outro. A relação de parataxe é mantida entre termos de igual
estatuto, um iniciador e um continuador. A relação paratática é logicamente simétrica e transitiva, enquanto a relação de hipotaxe é assimétrica e não transitiva.
Halliday distingue, no entanto, hipotaxe de “encaixamento”, isto é, de integração. Encaixamento é um mecanismo por meio do qual uma oração ou um sintagma funciona como constituinte dentro da estrutura de um grupo que é constituinte de uma oração. A oração encaixada apresenta uma relação indireta com a oração mais alta. Essa relação é intermediada pelo grupo ao qual a oração encaixada está ligada. Assim, a oração encaixada funciona na estrutura desse grupo, e este funciona na estrutura da oração.
De acordo com Halliday (1985), no sistema lógico-semântico de expansão, a oração dependente expande a oração dominante por meio de uma elaboração, extensão ou realce. Na elaboração, uma oração elabora o significado de outra, especificando-a ou descrevendo-a (modelo de conjunção: isto é). Na extensão, uma oração amplia o significado de outra, acrescentando algo novo por meio de uma substituição ou alternativa. Em relação ao realce, ocorre que uma oração realça o significado de outra, mediante as circunstâncias de tempo, modo, causa ou condição.
Halliday (1985) estabelece uma associação das relações táticas e lógico-semânticas. As orações coordenadas assindéticas e as orações justapostas pertencem, por exemplo, à associação de expansão e parataxe. As orações relativas não-restritivas ou explicativas, objeto desta pesquisa, são consideradas como manifestação de elaboração e hipotaxe; enquanto as orações relativas restritivas se enquadram na associação de elaboração e encaixamento. Os exemplos a seguir são apresentados pelo autor como relações de elaboração hipotática e elaboração paratática, respectivamente:
(85) You, who has been visiting Taiwan this week, did not elaborate11.
(86) I really enjoyed it, I thought it was good12.
Para Matthiessen & Thompson (1988), existe uma distinção entre encaixamento e combinação de orações. No encaixamento, não há a articulação de orações, mas uma oração funciona como um constituinte ou um complemento dentro de outra. As orações
11Você que tem visitado Taiwan esta semana, não trabalhou com esmero;
12
substantivas das gramáticas tradicionais brasileiras (subjetivas, objetiva direta, objetiva indireta, completivas nominais) e as relativas restritivas seriam tipicamente consideradas, pelos autores, como exemplos de encaixamento. Os autores também destacam dois níveis de combinação de orações: a parataxe e a hipotaxe. A coordenação, a aposição e a citação podem ser consideradas casos de parataxe; mas as orações adverbiais são exemplos de hipotaxe.
Matthiessen & Thompson priorizaram a combinação ou articulação de orações. Os autores também afirmam que a combinação de orações se reflete na estrutura retórica do discurso. Dessa maneira, na organização do texto, existem dois tipos de relação retórica: de lista (parataxe) e as de núcleo satélite (hipotaxe). Para os autores, a combinação de orações hipotáticas é uma gramaticalização das relações retóricas de núcleo-satélite. Essas relações estão presentes nos textos, de modo que as informações centrais são os núcleos, e as suplementares ou auxiliares são satélites.
Decat (1993) argumenta que a subordinação é vista também como um conceito ligado à natureza da oração, contrapondo-se à coordenação, que é acidental. Um outro parâmetro para distinguir coordenação e subordinação é a conjunção, pois sua presença é considerada como marca de subordinação, conforme Soares Barbosa (1875) e Cardoso (1944). Alguns gramáticos também identificavam justaposição com coordenação. Contudo, ao assumir-se a conjunção como responsável pela hipotaxe, parece não ser possível admitir- se a existência de hipotaxe sem a conjunção. Além disso, se a presença da conjunção diferencia parataxe e hipotaxe, a identificação de parataxe com coordenação e de hipotaxe com subordinação não se sustenta, visto que existem orações subordinadas sem a presença do conectivo explícito na oração.
Sabemos que, no paradigma funcionalista, as relações estabelecidas entre as orações, ou, até mesmo, entre constituintes da oração, não são vistas como dicotômicas; são vistas como graduais, a partir de um contínuo. São relevantes os parâmetros que Lehmann (1988) apresenta para verificar o nível de integração que há entre orações definido ao longo de um contínuo.
Para Lehmann (1988), uma relação gramatical que integra os sintagmas X e Y é uma relação de dependência se X ocupa o espaço gramatical de Y ou vice-versa; ou seja, em uma relação de dependência, Y depende de X, se X determina a categoria gramatical
das orações. Entre as relações de não-dependência, Lehmann cita a coordenação e a aposição.
Lehmann (1988), como já foi mencionado, apresenta parâmetros para verificar o nível de integração que há entre orações. O autor propõe um contínuo que se estende desde a relação de não-dependência até a máxima integração das orações. Ao longo desse contínuo, podem ser encontradas as relações de parataxe, hipotaxe e encaixamento.
A localização das orações ao longo desse contínuo se faz a partir de seis parâmetros. O primeiro parâmetro é a degradação hierárquica da oração subordinada, ou seja, considera-se o grau de autonomia e integração de uma oração em relação a outra.
O segundo é o nível sintático na oração dita principal à qual a oração subordinada pertence. Nesse caso, há uma escala de integração: orações independentes > oração subordinada à margem da principal > oração subordinada dentro da oração principal > oração subordinada dentro de um sintagma verbal > formação de um predicado complexo13.
O terceiro parâmetro é a dessentencialização da oração subordinada, que diz respeito à gradação que vai das orações desenvolvidas até a nominalização da oração, ou seja, por esse parâmetro as orações reduzidas são mais dependentes.
A gramaticalização do verbo principal é o quarto parâmetro, que diz respeito à transformação de verbos principais lexicais em verbos modais, auxiliares e afixos gramaticais que modificam semanticamente o significado do verbo da oração subordinada.
O quinto parâmetro relaciona-se ao entrelaçamento das duas orações; do ponto de vista semântico, diz respeito ao compartilhamento de traços do significado das orações e conseqüente não-explicitação de elementos sintáticos comuns. Para consideração desse parâmetro, foi verificado se, entre as orações presentes na construção relativa explicativa, havia ou não sujeito correferencial, como também se havia ou não equivalência modo- temporal entre os verbos.
O sexto parâmetro trata do grau de explicitude da ligação, ou seja, a presença (síndese) ou ausência (assíndese) de um conectivo entre as orações. Nesse caso, não podemos relacionar esse parâmetro à hipotaxe ou à parataxe, pois, tanto na parataxe como na hipotaxe, o conectivo pode ou não ser explicitado.
13
O predicado complexo corresponde a uma perífrase verbal, em que dois verbos constituem uma única oração.
Outra escala de gramaticalização das relações entre as orações foi proposta por Hopper e Traugott (1993). Essa escala ocorre na perspectiva de graus crescentes de integração, que vai desde a parataxe, em que não há dependência nem encaixamento, até a subordinação, em que a oração é dependente e encaixada.
Parataxe < coordenação < hipotaxe < subordinação
A partir dessa base teórica, desenvolvemos uma reflexão sobre usos mais sistemáticos das orações relativas explicativas na articulação de textos escritos. Assumindo o pressuposto funcionalista de que o estudo dos fenômenos da língua deve considerar a situação comunicativa, ou seja, o contexto interacional em que são produzidos, esta pesquisa tentará identificar as motivações que levam os falantes/autores a articularem as orações relativas explicativas, além de avaliar o nível de integração sintático-semântica desse tipo de construção relacionando-o às construções apositivas e adverbiais em geral.
Conforme Matthiessen & Thompson (1988), os enunciados abrigam cláusulas construtoras de relações que são inferidas no contexto da articulação realizada. Esses enunciados apresentam sentidos que denotam uma opção argumentativa do autor e requerem uma interpretação do leitor. Para os autores, a maneira como as orações se articulam e a relação de sentido obtida são reflexos da organização discursiva geral, pois entre elas estariam as mesmas relações presentes no discurso como um todo.
Assumimos que o uso de uma oração relativa explicativa reflete a maneira como o falante/autor organiza o seu discurso para atingir os seus propósitos comunicativos, ou seja, o modo como se estrutura um texto é determinado por objetivos comunicativos e pelas necessidades que se pressupõem dos interlocutores.