NÍVEIS DE SIGNIFICÂNCIA DOS PARÂMETROS ESTIMADOS
Taxa de mortalidade infantil (variável defasada
temporalmente)
(INF9395)
Negativo
Reduções marginais da taxa de mortalidade infantil são
decrescentes, ultrapassado um certo ponto de inflexão Negativo em todas as 16 equações Significante ao nível de significância de 0% para todas as equações Indicador de riqueza municipal (variável defasada temporalmente) (RIQ92) Negativo
Quanto maior o nível inicial de riqueza, menor a taxa de mortalidade infantil esperada ao final do período Esta determinação é controversa porque níveis mais elevados de riqueza são provavelmente
acompanhados por taxas iniciais de mortalidade infantil menores. Se a redução dessa taxa ocorre a proporções decrescentes
(marginalmente), então o efeito final do nível de riqueza municipal sobre a redução da mortalidade infantil resta indeterminado Negativo em todas as 16 equações Extremos: 0,262(=14=) e 0,009(=1=) Índice de Gini (variável defasada temporalmente) (GINI91) Positivo
Quanto maior o grau de
concentração de renda inicial, maior a taxa de mortalidade infantil esperada ao final do período
Positivo em todas as 16 equações Extremos: 0,660(=12=) e 0,048(=13=). Sistematicamente mais significante para a amostra referente ao Grupo51992
Proporção de mulheres com menos de 4 anos de estudo (variável defasada
temporalmente)
(MULHERES)
Positivo
Quanto maior a proporção inicial de mulheres com menos de quatro anos de estudo, maior a taxa de
mortalidade infantil esperada ao final do período Positivo em todas as 16 equações Extremos: 0,000(vários) e 0,035(=6=)
Gastos sociais médios per capita em educação e cultura
(EDUCM) (LNEDUCM)
Negativo
Quanto maiores os gastos sociais ao longo do período, menor a taxa de mortalidade infantil esperada ao final do período. Negativo em todas as equações (exceto em =1=, onde o coeficiente estimado foi nulo) Extremos: 0,988(=1=) e 0,030(=14=). Sistematicamente mais significante para a amostra referente ao Grupo51992
Gastos sociais médios per capita em saúde e saneamento (SANM)
(LNSAM)
Negativo
Quanto maiores os gastos sociais ao longo do período, menor a taxa de mortalidade infantil esperada ao final do período Negativo em sete equações; positivo em cinco equações Extremos: 0,993(=13=) e 0,164(=6=)
Quadro 7 – Análise dos resultados das estimações Fonte: Elaborado pela autora.
5.4 Considerações sobre esta seção
Este ensaio empírico buscou reunir meios instrumentais par a compreensão da variação da mortalidade infantil, tendo como universos a serem investigados o conjunto dos municípios do Estado de São Paulo e os municípios integrantes do Grupo51992 do IPRS.
As estimações levam a crer que o modelo proposto carrega maior poder explicativo quando aplicado ao conjunto dos municípios pertencentes ao Grupo 5 em 1992. O Grupo51992 vai-se
firmando, assim, como um grupo que merece análise individualizada. Em outras palavras, seus atributos o diferenciam do universo dos municípios do Estado. Seria essa constatação produto de um tendência de convergência das taxas de mortalidade infantil, de tal sorte que para aquelas localidades onde a taxa fosse alta esta tenderia a variar mais rapidamente em direção à média estadual? Seria meramente resultado das configurações específicas das séries de dados empregadas?37
Quanto à falta de significância das variáveis relativas aos gastos sociais (“SANM”, “EDUCM” e suas transformações), uma das possíveis explicações diz respeito ao procedimento adotado com o objetivo de minorar a perda de observações derivada da incompletude do conjunto de dados utilizado. Talvez outro tipo de tratamento deva ser aplicado às séries originais de tal sorte que a amostra de trabalho, ainda que degenerada, reproduza as características de centralidade e dispersão originais, bem como mantenha a referência temporal, preferencialmente delimitando as duas gestões municipais (1989-92 e 1993-96).
Ainda, poder-se-ia indagar quanto à eficiência e a efetividade dos gastos sociais municipais. Seriam mais elevadas no subconjunto de municípios cuja situação inicial era de baixo desenvolvimento econômico e social? Seriam os gastos públicos em saúde e saneamento e educação e cultura também sujeitos a uma trajetória tal de retornos sociais decrescentes?
37
Note-se que a amostra referente ao Grupo51992 é bem mais abrangente, em termos relativos, que aquela
concernente ao universo dos municípios paulistas. A primeira cobre 137 de 186 municípios (73,66%); a segunda, 359 de 645 (55,66%).
Fato é que não se pôde rechaçar a hipótese de que o esforço das administrações municipais, na forma dos gastos sociais per capita e da opção entre programas alternativos para a aplicação desses gastos – ainda que a análise não tenha isolado atributos de eficiência e efetividade das despesas públicas – foram, sim, elementos determinantes para a melhoria das condições de vida no Estado, sobejamente nos municípios mais carentes, ainda que outros tantos condicionantes possam ser cogitados como bons informantes para a investigação quanto ao processo de redução da mortalidade infantil.
Há que se avaliar a qualidade do ajustamento do modelo inspirado em Ranis, Stewart e Ramirez (2000) a este caso concreto de pesquisa. Teria a escolha de variáveis sido acertada? Ou realmente o arcabouço conceitual e metodológico desses autores não se harmoniza com as peculiaridades da esfera municipal? Talvez fosse acertado buscar respostas à questão básica por meio de outros caminhos de pesquisa, que considerem, por exemplo, um variável populacional que distinga municípios de diferentes portes. Ou que desçam às minúcias de programas específicos implementados em diferentes municípios com condições socioeconômicas semelhantes, de modo a ensejar considerações sobre a efetividade de políticas públicas adotadas. Ainda que o preço fosse a redução do potencial de generalização dos achados da pesquisa.