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ÜÇÜNCÜ BÖLÜM

3.1. BİLGİNİN TANIMI, KAPSAMI ve ÖNEMİ

A tipologia de envolvimento de Joyce Epstein

Uma das formas de envolvimento mais divulgadas na literatura sobre o tema é proposta por Epstein (1987, 1995, 2001; Epstein et al., 1997) a partir de inquéritos e trabalhos realizados junto a professores, pais e alunos dos diferentes níveis de ensino.

A partir do seu modelo das influências sobrepostas, Epstein sugere seis tipos principais de envolvimento para o desenvolvimento de programas de colaboração com os pais, que ajudariam as famílias, as escolas e as comunidades a cumprir as suas responsabilidades partilhadas quer na aprendizagem quer no desenvolvimento da criança.

Tipo 1 – Apoiar as famílias para que possam desenvolver um contexto familiar de suporte à educação escolar das crianças (parenting). Competiria às famílias e aos pais assegurarem as melhores condições em casa de modo a suportar o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças ao longo dos anos escolares. Aqui poder-se-ão incluir acções como programas de promoção da saúde e segurança das crianças, que garantiriam o seu desenvolvimento saudável ao longo da escolaridade, assim como a educação de pais.

Tipo 2 – Desenvolver formas efectivas de comunicação entre a escola e a família sobre os programas escolares e o progresso das crianças (communicating). Do ponto de vista da autora as escolas são responsáveis por comunicar às famílias os progressos das crianças e os programas das escolas, através de formas que podem variar consoante a escola, de que são exemplos os

telefonemas, as visitas, relatórios, conferências, etc. Tendo em conta o contexto teórico em que nos situamos, a comunicação aqui referida corresponderia no fundo à transmissão intencional de informação e a contactos nas suas mais variadas formas.

Tipo 3 – Recrutar e organizar a ajuda e apoio dos pais (volunteering). Corresponde à gestão da participação da família na própria escola, quer formalmente ou informalmente, quer sistematicamente quer pontualmente, que pode abranger desde instalações próprias para as actividades e encontros dos pais à identificação anual das disponibilidades dos voluntários.

Tipo 4 – Fornecer informações e ideias às famílias acerca de como ajudar os alunos com os trabalhos de casa e outras actividades, decisões e planificações curriculares (learning at home). A este nível o objectivo seria o envolvimento dos pais nas actividades de aprendizagem realizadas em casa, nomeadamente na ajuda ou orientação dos filhos nos trabalhos de casa. Outros exemplos práticos consistem na calendarização regular dos trabalhos de casa que requerem discussão com os pais acerca das aprendizagens na escola, ou na participação da família na definição anual dos objectivos dos alunos.

Tipo 5 – Incluir os pais nas decisões promovendo líderes e representantes de pais (decision making). O envolvimento dos pais far-se-ia a nível das tomadas de decisão e na administração, quer em órgãos da escola ou mesmo da comunidade. Na prática este tipo pode incluir desde informação sobre as eleições locais para os representantes das escolas até à criação de grupos para promover e as reformas e melhorias das escolas.

Tipo 6 – Identificar e integrar recursos e serviços da comunidade para reforçar os programas das escolas, as actividades das famílias e a aprendizagem e desenvolvimento dos alunos (collaborating with the community). Sendo a comunidade, na opinião da autora, uma outra esfera de influência muito importante, pois oferece e disponibiliza múltiplos recursos para apoiar o processo de aprendizagem das crianças, justifica-se um tipo de envolvimento que consista na colaboração com as organizações da comunidade. Esta poderá concretizar-se em informação sobre actividades da comunidade que se relacionam com competências de aprendizagem ou serviços à comunidade pelos alunos, famílias e escolas.

Esta estrutura com seis grandes tipos de envolvimento “ajuda os educadores a desenvolver programas mais adequados de colaboração entre a escola e a família e também ajuda os investigadores a posicionar as suas questões e resultados de maneira a informar e melhorar a prática” (Epstein, 2001, p. 408).

Embora estes tipos de envolvimento não sejam mutuamente exclusivos e possam ser articulados e integrados, convém realçar que podem ser operacionalizados distintamente um dos outros e que, portanto, cada um deles inclui diferentes práticas ou actividades, coloca diferentes desafios e conduz a diferentes resultados para os alunos, as famílias, as escolas e as comunidades, dependendo dos actores e dos contextos específicos em que se situam (Epstein, 2001).

De forma a reforçar a pertinência do enquadramento proposto, a autora sublinha que têm sido encontradas diversas evidências e resultados que apoiam e suportam a ideia de que os

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professores podem implementar práticas que modifiquem as suas atitudes sobre as famílias e, por outro lado, os pais respondem de facto à informação e orientação para ajudar os seus filhos como alunos (Epstein, 1992).

O modelo de participação de Owen Heleen

Owen Heleen propôs em 1988, a propósito dos pais difíceis de envolver4, um modelo de

participação que contempla cinco tipos de envolvimento dos pais, cada um deles referente a um diferente aspecto ou nível da educação.

Estes níveis abrangem desde formas de envolvimento mais simples e generalizadas até formas de envolvimento mais complexas e de participação mais directa, e representam no fundo diferentes graus de envolvimento dos pais na escola.

Assim, os pais podem envolver-se a nível de: a) tomada de decisões (decision-making);

b) coordenação entre a família e a escola (co-production); c) defesa de pontos de vista (advocacy);

d) apoio à escola (school support);

e) educação e apoio aos pais (parent education and support).

A participação dos pais na tomada de decisões sobre os seus próprios filhos deveria efectuar-se não só a nível da escola, mas também da comunidade. Isto implica que os pais disponham legalmente (e efectivamente) de poder deliberativo e de condições para que possam efectivamente exercê-lo.

A coordenação refere-se às actividades individuais ou colectivas, desenvolvidas na escola ou em casa, que contribuem para melhorar a aprendizagem das crianças.

A defesa de pontos de vista e a pressão sobre quem toma decisões podem ser exercida quer individualmente quer em grupo, e englobam desde contactos telefónicos ou pessoais com os professores até às associações de pais.

O apoio às escolas, cujo melhor exemplo são as organizações conjuntas de pais e professores, implica a mobilização de esforços por parte dos pais e dos professores para melhorar a escola e criar estruturas de apoio aos alunos.

A educação de pais envolve todas as iniciativas e programas que visam ajudar e apoiar os pais nas suas funções educativas, incluindo campanhas de educação de adultos.

De acordo com Ramiro Marques (1993), embora o terceiro nível (a defesa de pontos de vista e a pressão sobre quem toma decisões) seja aquele que eventualmente se verifica mais em Portugal, não há tradição do envolvimento sistemático a outros níveis. Contudo, é de realçar que a

4 O conceito de “pais difíceis de envolver” é, contudo, criticado por Heleen (1988) quando afirma que a maneira como se define um problema depende da maneira como se o perpectiva, e que nesse sentido para estes pais as escolas é que seriam difíceis de contactar.

participação na tomada de decisões já se encontra regulamentada pelo Decreto-Lei nº 115-A/98, como se viu anteriormente.

Heleen (1988) define esta tipologia de participação não como um modelo hierárquico, mas sim como um “complexo de participação não direccional” (p.61). Um modelo hierárquico subentende que existem formas de participação ideais ou mais desejadas do que outras e Heleen, pelo contrário, sublinha que a forma ou modelo de envolvimento dos pais deve essencialmente ter em conta o tipo de família em questão. Ou seja, deve-se permitir a cada família optar pela forma de envolvimento que melhor se enquadra no seu funcionamento e vai de encontro às suas necessidades.

As categorias de envolvimento parental segundo Don Davies

À semelhança deste último modelo aqui apresentado, Don Davies (1987, 1994; Davies et al., 1993) propõe uma outra forma de conceber o envolvimento dos pais que engloba basicamente quatro diferentes categorias:

1/ A co-produção ou cooperação (coproduction ou partnership), que abarca genericamente todo o tipo de actividades que levadas a cabo em casa ou na escola contribuem para uma melhoria da educação das crianças. Neste nível de envolvimento pode-se incluir a educação de pais, a ajuda destes nos trabalhos de casa, o apoio dos pais às escolas em regime de voluntariado.

2/ A participação dos pais na tomada de decisões (decision making), que pode acontecer com maior ou menor poder de influência e de intervenção consoante a legislação em vigor em cada país e a instituição em que se desenvolve. Baseia-se no conceito de que os pais têm o poder.

3/ A defesa de pontos de vista (citizen advocacy), que visa fundamentalmente influenciar de forma mais indirecta a tomada de decisões. Para tal poderão ser utilizadas formas tão diferentes como a publicação de artigos em órgãos de informação e o trabalho de diferentes organizações. Como exemplo desta última situação Marques (1993) cita o Instituto de Apoio à Criança e a Confederação Nacional das Associações de Pais.

4/ A escolha das escolas pelos pais (parent choice), que embora considerada no modelo de Davies uma forma de envolvimento, possa não reunir o consenso de diferentes autores e investigadores quanto ao grau de autonomia que os pais deveriam ter nessa escolha e às repercussões da mesma quer a nível da qualidade do ensino e até mesmo de uma política de igualdade educacional.

De todas estas quatro propostas para promover o envolvimento dos pais, Davies (1987) considera que as pertencentes à categoria da co-produção são as menos ameaçadoras, para professores e administrações, e as menos controversas. Contudo, implicam um grande investimento em estruturas e materiais de modo a viabilizá-las, assim como orientação e treino de pais e professores e, no fundo, requerem uma definição do que deve ser a educação: se uma prestação de serviços, se um modelo de cooperação.

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Na opinião deste investigador, as escolas deveriam tomar a iniciativa de desenvolver e implementar programas de envolvimento de pais, já com a cooperação destes ao longo desse processo, que englobassem estratégias e actividades pertencentes a cada uma das categorias definidas. Para que a participação dos pais seja efectivamente promovida, dever-se-iam tomar em conta os diferentes interesses, valores, disponibilidades e tradições culturais dos pais, assim como a especificidade do contexto sócio-cultural em que ocorreriam os programas.

Plano de participação de Harlan Hansen

Harlan Hansen, num artigo datado de 1985, expressa a opinião de que cabe às escolas iniciar e promover a ligação entre as escolas e as famílias tendo como objectivo final o envolvimento de toda a comunidade.

Neste sentido, Hansen (1985) propõe um plano de participação em dez etapas distintas que contêm actividades ou acções específicas a ser levadas a cabo pelas escolas com o objectivo de conduzir os pais a um maior envolvimento nas escolas.

Etapa I – Consiste em fornecer aos pais informação antecipada acerca do que vai ser feito através do envio de cartas ou circulares. Deste modo evitar-se-ia que a informação chegasse aos pais à posteriori e através dos filhos, não os fazendo evidentemente sentir participantes no processo.

Etapa II – Sugerir aos pais (e não exigir ou mandar) (o que pode ser feito através dessas mesmas cartas) formas de no seu meio e de forma extra-escolar estabelecer relações com os conteúdos escolares. Os pais participam mas “na segurança do seu próprio meio” (p. 11).

Etapa III – Nesta etapa os pais podem assumir um papel de fornecedor de recursos que, levados pelas crianças para a sala de aula, contribuem para o tema a ser estudado. Esses recursos, que podem também ser sugeridos através de cartas enviadas para casa, ajudariam a estabelecer uma relação entre o que a criança aprende na sala e a realidade do contexto em que vive.

Etapa IV – Se nestas três primeiras etapas o envolvimento dos pais se faria a partir do seu próprio meio e de forma indirecta, na quarta etapa, denominada de “pessoa-recurso”, Hansen propõe o envolvimento directo através de convite para irem à escola contribuir com os seus conhecimentos específicos e competências, contribuindo assim para o enriquecimento do programa escolar.

Etapa V – No seguimento deste plano, a quinta etapa implica que os pais possam participar na sala de aula como ajudantes ou voluntários, para o que contribuiu já o envolvimento das outras etapas anteriores, quer através do conhecimento do curriculum quer através da promoção da sua autoconfiança. Este tipo de participação deve ser acompanhado por uma preparação cuidada e uma avaliação sistemática de modo a maximizar a contribuição dos pais.

Etapa VI – Com o conhecimento da realidade escolar e suas práticas adquirido nas etapas anteriores, os pais desempenhariam já funções de direcção e gestão em diferentes órgãos da escola ou nas associações de pais.

Etapa VII – Neste momento o envolvimento dos pais far-se-ia através do conhecimento dos relatórios de actividades e avaliação, feitos pelas escolas para esse efeito. Assim, através de informação acerca do desempenho escolar e do comportamento dos próprios filhos, promover-se- ia uma melhor compreensão dos pais.

Etapa VIII – Corresponde à necessidade de constituição de grupos de apoio onde os pais possam livremente, e dentro das suas possibilidades e necessidades, levantar e discutir questões assim como exprimir as suas preocupações.

Etapa IX – Partindo do pressuposto de que a escola é “parte integral da vida de todas as pessoas” (Hansen, 1985, p. 11), a nona etapa diz respeito ao envolvimento de toda a comunidade através do fornecimento de informações a essa mesma comunidade.

Etapa X – Por fim, seria necessário um processo de autoavaliação levado a cabo pelas próprias escolas todos os anos, não só para os pais mas também para a comunidade em geral, em que fossem identificados os pontos fracos e os pontos fortes da sua actuação.

Estas acções devem ter sempre em conta as necessidades respectivas dos pais, das crianças e das escolas, ao fim e ao cabo, todos os interessados e beneficiados com esse envolvimento. E para que estas acções resultem efectivamente é necessário que os pais se sintam de facto agentes participantes, e isto significa que essa participação seja respeitada.