BÖLÜM 4. EĞİTİM KAVRAMI VE DÖNEME EGEMEN EĞİTİM ANLAYIŞI 35
5.2. Beyaz Bant (Das Weiße Band) Adlı Sinema Filmine Genel Bakış
1.3.2. Exigências de conforto1.3.2. Exigências de conforto
1.3.2. Exigências de conforto1.3.2. Exigências de conforto
MOBILIÁRIO NA HABITAÇÃO POPULAR 8585858585 curso das pesquisas promovidas pela Comissão de Saúde, como em outras ocasiões anteriores, notei como os hábitos morais, as condutas domésticas e o comportamento do conjunto dos pobres são influenciados por seu entorno imediato e, antes de qualquer coisa, pelo conforto e desconforto...” (relatório dos comissários que investigam a situação de grandes cidades e distritos populares, Londres, 1844-45)”. 65
BEGUIN (1991; 47-8) defende que no lugar da promiscuidade, das drogas, da bebida e da vadiagem que provoca uma inércia para o convívio com a sujeira e com nenhum esforço para mudar, o conforto civilizado oferece uma satisfação corporal cujo princípio fundamental é a troca. As trocas afetivas no interior da moradia familiar leva a um bem-estar corporal que passa a ser indissociável de uma vida em família, associada à idéia de uma casa limpa e bem equipada, melhor instalada do que antes. Esta situação encoraja a pessoa a trabalhar e, à medida em que ela se torna mais respeitável, torna- se consciente que tem alguma coisa a perder.
“Opressão doce e insidiosa, o conforto vai sujeitar os pobres a um duplo controle: um controle econômico pelo viês dos instrumentos que são propostos para produzi-lo; um controle político visto que, passando para o campo dos que têm alguma coisa a perder, os pobres tornam-se acessíveis, quando não solidários de políticas de defesa da propriedade ou da ‘qualidade de vida’. Controles cujos limites não são percebidos, já que o conforto nunca provoca um fenômeno qualquer de saturação, sempre há novos elementos para completá-lo, intensificá-lo, aperfeiçoá-lo, diversificá-lo. Os equipamentos domésticos, cuja série sem fim constitui o registro autorizado de todas as modalidades de conforto possível, são outras tantas linhas de fuga interiores em torno das quais se faz e se reconstrói sem cessar ‘a casa’.” 66
O espaço arquitetônico para oferecer este conforto doméstico precisa estar equipado com objetos úteis para executar as funções dentro deste lar. Ducpétiaux, num de seus artigos, descreve que na categoria de “móveis e aparelhos domésticos” estão os aquecedores,
65 BEGUIN, François. As
maquinarias inglesas do conforto. Trad. Jorge Hajime
Oseki. Espaço e Debates, n.34 – 1991, p.47.
66 BEGUIN, François. Op. Cit.
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luminárias, utensílios de lavanderia, cozinha e louças, móveis, objetos de limpeza e higiene e material para consertos e manutenção. Ele completa com as qualidades necessárias para todo móvel ou utensílio, afirmando que precisam ter vida longa, ser de uso cômodo, possuir uma manutenção fácil e barata. Porém, afirma também que móveis decorativos ou simples ornamentos, mesmo não sendo de uso indispensável, não devem ser excluídos do quadro doméstico, pois podem ser objetos que fazem deste lar um lugar agradável a seus moradores e que dá prazer a eles quando retornam à casa (BEGUIN,1991; 50).
No entanto, não se deve dissociar o micro-espaço, que é o domés- tico, do macro-espaço que é a cidade. Poder-se-ia até falar dos micro-equipamentos que são encontrados dentro das moradias e dos macro-equipamentos oferecidos nos espaços públicos. Caso os micro-equipamentos não satisfaçam algumas exigências, dever- se-ia pensar numa compensação que as áreas públicas poderiam oferecer, principalmente falando-se de habitação mínima, onde o espaço doméstico é reduzido. Mesmo que a habitação possa oferecer um conforto e disciplinar melhor a vida familiar e social, não se pode esquecer que a cidade e suas formas arquitetônicas contribuem também como referências para o regime das práticas de seus habitantes.
O que tem-se assistido atualmente é uma domesticação cada vez maior de várias atividades permitidas pelos mega-aparelhos urbanos (eletricidade, água, esgoto, telefone). Estes por sua vez permitem um investimento cada vez maior no interior da casa onde a aquisição de vários aparelhos domésticos permitem satisfazer necessidades ou desejos. A vida doméstica passa então a ser cada vez mais intensa e a cidade começa a perder seu valor como lugar para atividades e intercâmbios sociais. Portanto, resta fazer a pergunta se o conforto doméstico precisa anular algumas atividades que poderiam ser estimuladas em áreas públicas.
MOBILIÁRIO NA HABITAÇÃO POPULAR 8787878787 “O que desfaz a cidade é, sem dúvida, esta privatização cada vez mais sensível das práticas do habitante, através de todas as operações da domesticação; a ruptura de, um após o outro, todos os elos que asseguravam a comunicação de dentro e de fora. Paradoxo de um universo doméstico em expansão, domesticando pouco a pouco todo o fora, todo o universo, mas sob uma forma controlada e estereotipada, enquanto a cidade continua a se tornar mais estrangeira, já que nada de essencial acontece mais nela.” 67
Baseado no estudo ilustrado por BROSSIG 68 em sua dissertação,
pode-se montar um quadro com as características sócio-econômicas dos moradores da habitação popular, usando as pesquisas feitas em alguns loteamentos populares e em um conjunto habitacional. Quanto a renda familiar, a maior parte da população dos loteamentos populares, surgidos com casas auto-construídas, estava abaixo de 5 salários mínimos (S.M), sendo que no conjunto habitacional a média de renda total familiar ficou em 3,73 S.M. O número de pessoas por domicílio estava acima de 5 pessoas em aproximadamente 40% das casas que possuíam uma média de 50m2 de área. Em torno de 30% dos apartamentos de 42,83 m2 e
80% dos apartamentos de 31,96 m2 do conjunto habitacional moram
mais de 4 pessoas.
Aproximadamente 80% desta população está comprometida com algum tipo de prestação, que vai mudando a sua natureza conforme o tempo do assentamento. Inicialmente as prestações estavam ligadas a materiais de construção, televisão, aparelhos e utensílios domésticos. Com o tempo, estas prestações iam diminuindo e
67 BEGUIN, François. Op. Cit.
p.53. 68 BROSIG, Percival. O mobiliário na habitação popular. Dissertação de mestrado – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade de São Paulo. São Paulo: FAU-USP, 1983