4. BULGULAR ve TARTIŞMA
4.3. Beton İçin Çift Eksenli Üçgen Eğilme Deneyinin Sonlu Elemanlarla Doğrulaması
Como já visto anteriormente, a República de Portugal está empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária (art. 1º da Constituição), e foi com base neste princípio que o constituinte elaborou os dispositivos que tratam da organização familiar. Confira-se:
Artigo 36.º
(Família, casamento e filiação)
1. Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade.
2. A lei regula os requisitos e os efeitos do casamento e da sua dissolução, por morte ou divórcio, independentemente da forma de celebração.
3. Os cônjuges têm iguais direitos e deveres quanto à capacidade civil e política e à manutenção e educação dos filhos.
4. Os filhos nascidos fora do casamento não podem, por esse motivo, ser objecto de qualquer discriminação e a lei ou as repartições oficiais não podem usar designações discriminatórias relativas à filiação.
5. Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos. 6. Os filhos não podem ser separados dos pais, salvo quando estes não cumpram os seus deveres fundamentais para com eles e sempre mediante decisão judicial.
7. A adopção é regulada e protegida nos termos da lei, a qual deve estabelecer formas céleres para a respectiva tramitação.
Artigo 67.º (Família)
1. A família, como elemento fundamental da sociedade, tem direito à protecção da sociedade e do Estado e à efectivação de todas as condições que permitam a realização pessoal dos seus membros. 2. Incumbe, designadamente, ao Estado para protecção da família: a) Promover a independência social e econômica dos agregados familiares;
b) Promover a criação e garantir o acesso a uma rede nacional de creches e de outros equipamentos sociais de apoio à família, bem como uma política de terceira idade;
c) Cooperar com os pais na educação dos filhos;
d) Garantir, no respeito da liberdade individual, o direito ao planeamento familiar, promovendo a informação e o acesso aos métodos e aos meios que o assegurem, e organizar as estruturas jurídicas e técnicas que permitam o exercício de uma maternidade e paternidade conscientes; e) Regulamentar a procriação assistida, em termos que salvaguardem a dignidade da pessoa humana;
f) Regular os impostos e os benefícios sociais, de harmonia com os encargos familiares;
g) Definir, ouvidas as associações representativas das famílias, e executar uma política de família com carácter global e integrado;
h) Promover, através da concertação das várias políticas sectoriais, a conciliação da actividade profissional com a vida familiar.
(Paternidade e maternidade)
1. Os pais e as mães têm direito à protecção da sociedade e do Estado na realização da sua insubstituível acção em relação aos filhos, nomeadamente quanto à sua educação, com garantia de realização profissional e de participação na vida cívica do país.
2. A maternidade e a paternidade constituem valores sociais eminentes. 3. As mulheres têm direito a especial protecção durante a gravidez e após o parto, tendo as mulheres trabalhadoras ainda direito a dispensa do trabalho por período adequado, sem perda da retribuição ou de quaisquer regalias.
4. A lei regula a atribuição às mães e aos pais de direitos de dispensa de trabalho por período adequado, de acordo com os interesses da criança e as necessidades do agregado familiar.
Artigo 69.º (Infância)
1. As crianças têm direito à protecção da sociedade e do Estado, com vista ao seu desenvolvimento integral, especialmente contra todas as formas de abandono, de discriminação e de opressão e contra o exercício abusivo da autoridade na família e nas demais instituições. 2. O Estado assegura especial protecção às crianças órfãs, abandonadas ou por qualquer forma privadas de um ambiente familiar normal.
3. É proibido, nos termos da lei, o trabalho de menores em idade escolar. Artigo 70.º
(Juventude)
1. Os jovens gozam de protecção especial para efectivação dos seus direitos econômicos, sociais e culturais, nomeadamente:
a) No ensino, na formação profissional e na cultura;
b) No acesso ao primeiro emprego, no trabalho e na segurança social; c) No acesso à habitação;
d) Na educação física e no desporto; e) No aproveitamento dos tempos livres.
2. A política de juventude deverá ter como objectivos prioritários o desenvolvimento da personalidade dos jovens, a criação de condições para a sua efectiva integração na vida activa, o gosto pela criação livre e o sentido de serviço à comunidade.
3. O Estado, em colaboração com as famílias, as escolas, as empresas, as organizações de moradores, as associações e fundações de fins culturais e as colectividades de cultura e recreio, fomenta e apoia as organizações juvenis na prossecução daqueles objectivos, bem como o intercâmbio internacional da juventude.
Num primeiro momento, resulta do primeiro preceito constitucional (art. 36 Constituição da República Portuguesa) a garantia de que todos têm o direito de constituir família. A família é, aliás, considerada pelo constituinte português como elemento fundamental da sociedade e, por isso, goza a proteção da sociedade e do Estado, nos termos dos artigos 67 e 68 da Constituição portuguesa. Num segundo momento, verifica-se no texto constitucional que todos têm o direito de constituir família e, também, de contrair casamento, assegurando o legislador constituinte que este se dá em condições de igualdade.
Como advertem J. J. Gomes Canotilho e Vital Moreira, o direito de constituir família não se reduz nem sequer implica o direito de contrair casamento,
verbis:
Conjugando, naturalmente, o direito de constituir família com o de contrair casamento [...], a Constituição não admite todavia a redução do conceito de família à união conjugal baseada no casamento, isto é, à família ‘matrimonializada’. Para isso apontam não apenas a clara distinção das duas noções no texto (‘constituir família’ e ‘contrair casamento’) mas também o preceito do nº 4 sobre a igualdade dos filhos, nascidos dentro ou ‘fora do casamento’ (e não: fora da família). O conceito constitucional de família não abrange, portanto, apenas a ‘família jurídica’, havendo assim uma abertura constitucional – se não mesmo uma obrigação – para conferir o devido relevo jurídico às uniões familiares de facto.339
Por conseguinte, pode-se afirmar que o Estado português reconhece e protege a família oriunda do casamento, a família oriunda da união de fato. Não se pode esquecer que o artigo 36, nº. 2, da Constituição da República Portuguesa deixa a tarefa de regulação dos requisitos do casamento para o legislador ordinário, definindo, ele próprio, de acordo com as representações sociais de cada momento, o modelo concreto do instituto. 340
Comentando o dispositivo, Jorge Miranda e Rui Medeiros asseveram:
(...) sem dúvida a Constituição, aberta ao futuro, não impõe qualquer espécie de petrificação do conceito legal de casamento, não impedindo o legislador ordinário de adaptar a instituição em causa a um contexto
339 CANOTILHO, J.J. Gomes e MOREIRA, Vital. Constituição da República Portuguesa Anotada, 3ª edição
revista. Coimbra Editora, 1993, p. 220.
340 Essa abertura do texto constitucional tem ocasionado a discussão sobre a inconstitucionalidade do artigo
1577 do Código Civil Português, que permite a celebração do casamento apenas entre pessoas de sexos diferentes, dês que o teor do artigo 13 da CRP estabelece o princípio da igualdade e a revisão constitucional operada pela aprovação da Lei Constitucional nº 1/2004, de 24 de Julho, incluiu, no referido preceito, a orientação sexual como mais uma razão em função da qual não pode haver discriminação.
político-social mutável” acrescentando que “num Estado Democrático, o sentido da Constituição não se pode fechar à sociedade e não deve ignorar as concepções que, numa sociedade aberta e democrática, vão logrando impor-se ao longo dos tempos. 341
A Constituição portuguesa, na sua gênese, coloca como inseparáveis as vertentes política, econômica, social e cultural da democracia. Ela reconhece às mulheres o direito à igualdade no trabalho, na família (art. 36, nº. 3 e nº. 5 e art. 68) e na sociedade. Consagra, ainda, importantes direitos das crianças e jovens,
v.g., plena igualdade de tratamento aos filhos (art. 36, nº. 4), direito à educação
(art. 67, letras b e c), direito ao desenvolvimento integral e proteção quanto a qualquer forma de abandono, discriminação, opressão e exercício abusivo da autoridade na família (art. 69, nº. 1), direito dos jovens à formação profissional, à cultura, à habitação, à educação física e desporto, ao aproveitamento do tempo livre (art. 70, letras ‘a’ a ‘d’), enfim, direito ao pleno desenvolvimento da personalidade (art. 70, nº. 2).
Por fim, nos diferentes âmbitos da sua atuação e por imperativo constitucional, o Estado português, ao reconhecer a insubstituível função da família na sociedade, tem o dever de apoiá-la e protegê-la, concebendo e aplicando medidas que, sendo dirigidas às famílias, potencializam as suas competências e responsabilidades e estimulem o desenvolvimento pleno das suas funções (art. 67).
A Constituição Portuguesa é o mais completo texto a respeito do tema.