Correlacionando a classificação dos três autores estudados, chega-se à configuração ilustrada no QUADRO 6.
QUADRO 6 – Classificação Geral dos Sistemas de Informação
Laudon & Laudon Alter ZWASS14
ESS EIS
MIS MIS / EIS MRS
DSS DSS DSS KWS ES - OAS OAS CS OIS TPS TPS TPS MIS14
FONTE – Elaboração do autor da dissertação.
A partir da comparação entre os diferentes tipos de sistemas de informação, pode-se observar que apenas os sistemas DSS e TPS são tratados de maneira idêntica pelos três autores pesquisados. Apesar disto, grande similaridade é encontrada entre os outros sistemas. As diferenças nos nomes e siglas (ESS ou EIS, OAS ou OIS, KWS ou ES, MIS ou MRS) não impedem que praticamente todos os autores tratem dos mesmos tipos de sistemas de informação. A única exceção fica com Zwass (1992), que não trata de sistemas voltados especificamente para o trabalho do conhecimento, a não ser os próprios sistemas OIS. É provável que isto se deva ao fato de o livro ser de
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1992 e o conceito de “trabalhadores do conhecimento” ser mais recente dentro da teoria administrativa, conforme será discutido no tópico 3.3, a seguir.
Ao lidar com sistemas de informação, é importante salientar em qual autor se baseia o estudo, tendo em vista a diferença de terminologia que utilizam. O conceito de MIS para Zwass (1992) é diferente do concebido por Laudon & Laudon (2000) ou por Alter (1999), para os quais MIS é o tipo de sistema que Zwass (1992) denomina de MRS. Estas divergências podem representar diferenças importantes de conceitos, em se tratando tanto do objetivo do sistema em si quanto do escopo de informação com o qual se lida, ou como input, ou como output. Os próprios usuários finais dos sistemas podem não ser os mesmos.
Ao ampliar-se a visão, indo dos usuários as organizações como um todo, percebe-se que as próprias empresas promoveram mudanças em sua hierarquia organizacional de modo a contemplar os importantes tipos de sistemas de informação. Compreendê-los adequadamente é, pois, grande utilidade para os estudos sobre eles, na medida em que assim pode-se definir com clareza em qual nível organizacional determinado sistema é mais útil. A percepção da importância do conhecimento trouxe significativas mudanças no cenário empresarial. Na realidade, o que ocorreu foi uma evolução dos sistemas de informação, em sua tentativa de tornarem-se cada vez mais úteis para o sucesso estratégico de um empreendimento. Tais sistemas não são um fim em si mesmos, mas uma ferramenta que deve ser utilizada de maneira estratégica pelas empresas.
Sobre este ponto, Laudon & Laudon (2000) enfatizam a interdependência que envolve a organização e os sistemas de informação que ela utiliza, como ilustrado na FIG. 4. Para os autores, mudanças na estratégia da empresa requerem mudanças também na estrutura de hardware, software, bancos de dados e telecomunicações. Um sistema de informação não deve atuar como restrição para o desenvolvimento de uma organização.
FIGURA 4 – Interdependência entre organizações e sistemas de informação
Organização
Sistema de Informação
Hardware
Hardware
Banco de
Banco de
Dados
Dados
Telecomu
Telecomu--
nicações
nicações
Software
Software
Negócio
Negócio
Estratégia
Estratégia
Regras
Regras
Procedimentos
Procedimentos
InterdependênciaOrganização
Sistema de Informação
Hardware
Hardware
Banco de
Banco de
Dados
Dados
Telecomu
Telecomu--
nicações
nicações
Software
Software
Negócio
Negócio
Estratégia
Estratégia
Regras
Regras
Procedimentos
Procedimentos
InterdependênciaFONTE – Laudon & Laudon (2000: 14). Traduzido pelo autor da dissertação.
Para Laudon & Laudon (1999), os sistemas de informação não compreendem apenas o software em si: “um sistema de informação é uma parte integrante de uma organização e é um produto de três componentes: tecnologia, organizações e pessoas” (Laudon & Laudon, 1999: 5). Os autores argumentam que para se estudar sistemas de informação em empresas é fundamental conhecer as dimensões do sistema em termos da organização e das pessoas, além das dimensões técnicas propriamente ditas.
Sob este enfoque, o estudo de sistemas de informação deve abranger os aspectos de:
a) Organização: representa o contexto no qual o sistema está inserido. São as organizações que moldam os sistemas de informação, já que eles existem para suprir as necessidades informacionais da organização.
b) Pessoas: são os usuários dos sistemas de informação, tanto aqueles que usam as informações vindas deles quanto aqueles que são responsáveis pela entrada de dados.
c) Tecnologia: é o meio técnico no qual o sistema funciona. Compreende o software em si, seus bancos de dados, o hardware sob o qual o sistema opera e a estrutura de comunicação empregada.
A FIG. 5 ilustra os componentes de um sistema de informação.
FIGURA 5 – Dimensões organizacional, humana e tecnológica dos sistemas de informação. Organizações Tecnologia Pessoas Ambiente Externo Sistema de Informação
FONTE – Laudon & Laudon (1999: 5).
As organizações estão inseridas no ambiente em que operam, compreendendo as condições políticas, econômicas e tecnológicas. Devido à grande dinâmica deste ambiente externo, a organização deve acompanhar atentamente o surgimento de novas oportunidades e ameaças, que afetam diretamente os seus negócios.
Por este motivo, as organizações também devem ser flexíveis e dinâmicas, alterando suas estratégias de acordo com a análise que fizerem do ambiente externo. Do mesmo modo, conforme a empresa vai alterando suas estratégias, os sistemas de informação que utilizam também têm que ser flexíveis o suficiente para permitir os ajustes, conforme demonstrado na FIG. 4.
Para Oliveira (1998), outro aspecto que deve ser considerado pela organização é que, à medida que cresce, suas necessidades de informação e a importância da mesma também crescem (FIG. 6). É preciso, no entanto, que as informações geradas pelo sistema sejam confiáveis, relevantes e disponíveis a tempo de serem utilizadas. Estas e outras características das informações são discutidas no tópico 2.5.1 deste referencial teórico.
Crescimento
FIGURA 6 – Necessidade informacional das organizações
Necessidade de informação
Empresa
Tempo
FONTE – Oliveira (1998: 47).