A opção de estágio no Serviço de Atendimento Médico Permanente Pediátrico mostra-se relevante, por ser um serviço que se articula com os diferentes serviços de assistência à criança. É um serviço que recebe crianças de diferentes idades e com diversas situações de doença, aguda e crónica em situação de urgência.
Os objetivos específicos que determinei para este estágio foram os seguintes: Aumentar habilidades relacionais e de comunicação no atendimento à criança e família,
de acordo com o estádio de desenvolvimento e características da família;
Desenvolver competências para a assistência de enfermagem à criança/família em situação de doença aguda e urgência/emergência;
Aprofundar conhecimentos sobre o uso de estratégias farmacológicas e não farmacológicas de prevenção e alívio da dor aguda na criança/jovem em situação de urgência.
Durante o estágio no serviço de urgência, pude participar na dinâmica do serviço e cuidados à criança nos diversos locais de prestação de cuidados, sala de triagem,
oportunidades de aprendizagem. O cuidado de enfermagem no serviço de urgência, requer o despiste de sinais e sintomas de alerta, o diagnóstico precoce que permita antecipar cuidados, estabelecer prioridades e agir em situações imprevistas, urgentes e emergentes.
Pude verificar que os pais de uma criança em situação de doença aguda, chega muitas vezes ao serviço de urgência com sentimentos de ansiedade, stress e alguma culpa pela situação de saúde atual do seu filho, sentimentos aos quais o enfermeiro deve estar atento e dar resposta, no sentido beneficiar o bem-estar da criança doente. Para Hockenberry & Wilson (2014), a admissão a um serviço de urgência é uma das experiências mais traumáticas para a criança e para os seus pais, pois o início repentino de uma doença ou lesão não deixa tempo para preparações e requer ajustamentos no sistema familiar. Sempre que possível foi realizado acolhimento da criança/família num ambiente calmo e acolhedor, dando especial importância à comunicação e à transmissão de informação ajustada e à segurança da criança, tanto em sala de triagem como em sala de tratamentos ou SO, na tentativa de prevenir comportamentos não adaptativos e promovendo o tratamento e recuperação da criança.
Tive a possibilidade de treinar a comunicação com a criança e família nas várias etapas de desenvolvimento da criança, como ferramenta facilitadora do processo de cuidar, pois a comunicação é uma competência essencial no desempenho da profissão de enfermagem, sendo um fator determinante na relação de ajuda e um indicador de qualidade dos cuidados prestados em pediatria. Pela pesquisa bibliográfica que realizei durante o estágio, pude verificar que existem diversos estudos que procuram estudar a importância da utilização de estratégias de comunicação apropriadas e adaptadas à idade da criança, como forma de favorecer o relacionamento terapêutico do enfermeiro com a criança e família
Segundo Teixeira, Braga & Esteves (2004, p.187), “competência comunicativa é o mais valorizado na abordagem à criança”. Os mesmos autores defendem que a enfermagem pediátrica tem por objetivo, promover a saúde e o melhor desenvolvimento da criança em qualquer fase da sua vida pelo que, os enfermeiros necessitam de compreender as crianças e as suas formas de se relacionar.
A comunicação efetiva possibilita envolvimento seguro, tranquilo e compreensivo, pelo que todas as formas de comunicação com a criança e família
devem ser valorizadas na construção de seu relacionamento terapêutico e de confiança.
O estudo realizado por Martinez, Tocantins & Souza (2013), identificou várias formas de comunicação do enfermeiro com a criança, a linguagem falada, a linguagem comportamental e a atitude do profissional ou seja a fala, o toque e o contacto físico, o olhar, os gestos, a brincadeira, a atitude e atenção do enfermeiro e as ações de cuidar. Como elementos que influenciam a comunicação foram identificados, a dinâmica do serviço, as características individuais da criança, tecnologia utilizada pela criança, comportamento da criança e a família.
A preparação da criança e o envolvimento da família para os procedimentos dolorosos revela-se substancial para a promoção e a criação ou consolidação dos mecanismos e coping, diminuindo o medo e a ansiedade. Este estágio permitiu-se aprofundar conhecimentos sobre o uso de estratégias farmacológicas e não farmacológicas de prevenção e alívio da dor aguda. A combinação de técnicas não farmacológicas e farmacológica de prevenção e controlo da dor mostra-se muitas vezes essencial, durante os procedimentos potencialmente dolorosos tão frequente em urgência. A utilização da administração oral de sacarose 24%, associado à sucção não nutritiva no ao RN e latente, a presença dos pais ou cuidadores, o contacto físico, a permanência no colo dos pais, a utilização de creme anestésico local, a música ambiente, as técnicas de distração e brincadeira foram estratégias que utilizei para ajudar a criança no controlo da dor.
Na triagem o enfermeiro gere a sua atividade segundo um modelo próprio que procura assegurar que os clientes tenham a assistência devida de acordo com a prioridade de saúde. Com o apoio da enfermeira orientadora participei na avaliação da situação de saúde de algumas crianças na sala de triagem, treinei a entrevista à criança/pais, em situação de urgência, utilizando comunicação apropriada, avaliando e valorizando as queixas da criança e a presença de sinais e sintomas que permitem estabelecer prioridades no cuidado. Prestei cuidados em sala de tratamentos e em SO, tendo ficado sensibilizada para o grau de exigência e competência que este serviço requer, tando pela responsabilidade como pela capacidade de mobilizar eficazmente os conhecimentos técnico-científicos da profissão sobre as doenças comuns às várias idades e as respostas apropriadas de enfermagem.
não emergentes, a sua execução é apressada por condicionantes como o tempo de espera das restantes crianças, o que leva à não preparação e consequente não cooperação da criança.
No cuidado à criança e pais, procurei manter uma atitude calma e disponível, de escuta, utilizar um tom de voz baixo, falar lentamente, procurar criar um ambiente de tranquilidade e de aceitação, pois a comunicação que se estabelece através do diálogo e das mensagens não-verbais é primordial, para que sentimentos como a culpa, o medo e o sofrimento vivenciados pela criança e família sejam reduzidos.
Foram realizados ensinos sempre que oportunos em caso de situações não urgentes, sobre os cuidados ter em casa, os sinais de alerta e a orientação sobre os recursos de saúde existentes na comunidade.
Nesta linha de pensamento, procurei garantir direito à participação, tempo e espaço para utilizar técnicas de distração durante a execução de procedimento potencialmente dolorosos como a visualização de vídeos no telemóvel, utilização de estratégias de autocontrolo como o respirar profundamente como recomendam os autores (Algren in Hockenberry & Wilson, 2014).