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Berâ-yı Kitâbe-i Çetr-i Şâhî Ki Vezîr-i A’zam Mehmed Pâşâ

17. Yüzyıla Genel Bir Bakış

1.4. Berâ-yı Kitâbe-i Çetr-i Şâhî Ki Vezîr-i A’zam Mehmed Pâşâ

CD Mestre Salustiano – Cavalo Marinho

Faixa 5. Chamada do Mateus e Diálogo do Mateus e Capitão

Capitão: Maciel Salustiano.

Mateus: Mestre Salustiano.

Rabeca: João Salustiano (pai). Toada.

Nego Mateus, venha cá Comer peixinho, lêlê vem, Camarão do mar.

111 Registrada e transcrita no Doutorado de John P. Murphy: “Performing a moral vision: an ethnography of

Toada.

Papuá, papuá,

Nego Mateu venha cá. Papuá, papuá,

Capitão mandou chamar. Papuá, papuá,

Faça o favor, venha cá.

Capitão: - Nego Mateu! Levante pra falar comigo!

Mateus: - Hoje?

Capitão: - É hoje mesmo, rapai, levante!

Mateus: - Vo-você tá acuado cum eu, é sinhô?

Capitão: - Eu num tô acuado com ninguém, rapaiz. Eu quero que você levante pa falar comigo!

Mateus: - Ô xente... eu inda tô no buraco. Pude sair, tá um pedaço de fora

agora, e o sinhô vem acupá a vida dos outro... Capitão: - Eu num tô ocupando vida de ninguém, rapaiz.

Mateus: - Sim, o sinhô qué eu pa fazer quê?

Capitão: - Pra gente fazer o que fez no ano passado.

Mateus: - E eu to fazendo mah´ nada, sinhô, que o tempo num tá dando pra

isso não.

Capitão: - Num tá o quê, rapai´!

Mateus: - E o apagão que ta aí, com a mulesta, tá interrompeno...?

Capitão: - Acende o candeeiro!

Mateus: - O quê? Ô xente, vôte! E ô... eu, olha, o candeeiro fai muito tempo

que ele vive o pavio moiado.

Capitão: - Mas a gente bota ele pa funcionar.

Mateus: - O quê, sinhô? [indireto] Ôxe, vaqueiro...

Capitão: - Bóra, rapai, se levante, quem cunversa muito é pai de moça quando a moça é bonita, ´quê quando ela é feia a gente manda ir-se embora logo!

Mateus: - Ô sinhô, inda tem menin´aí que inda vadeia aqui mai eu e

parente?

Capitão: - Ô xen´ tem! Agora venha cá. Você vai querer acertar o serviço aqui ou num vai?

Mateus: - É pa trabaiá, é, sinhô?

Capitão: - É p´a trabalhá, sim.

Mateus: - Fai´ muitos ano que eu deixei de fazer alguma coisa.

Capitão: - Mai´ você ta fazeno quê agora?

Mateus: - Eu? To desmanchando o que tá feito, sinhô.

Capitão: - Apois, vamo começá a trabalhar.

Mateus: - Fazê quem?

Capitão: - Tumá conta aqui, rapaz!

Mateus: - Pra tumá conta e num dá conta?

Capitão: - Você tem que tumá conta e dá conta.

Mateus: - Ô sinhô, e que é q´o sinhô qué q’eu faça, no mei´ desse povo?

Capitão: - Você vai tumá conta aqui dessa festa, e aqui num vai passá ninguém.

Mateus: - E fazê... dá o quê?

Capitão: - Ô xente, que que eu vou-lhe dar? Eu vou lhe dar...

Mateus: - O sinhô, o sinhô inda tá trabalhano chifado?

Capitão: - Ô xen´ tô lhe chifrando ainda.

Mateus: - Ô, ô sinhô, e o sinhô ´sina o do... o documento?

C: - Assina.

Mateus: - Mai a semana passada num tive... vou contá u´a coisa o sinhô, eu

vi um casalzim de véio saino do banco... tá o rolão no bolso! C: - Que rolão é esse, Mateus?

Mateus: - O, o aposentadoria, sinhô.

C: - Ah, era o dinheiro!

Mateus: - Ih, ô xen´! Foi não, foi real!

C: - Ah, foi real, foi?

Mateus: - Foi real.

C: - Cuidado, Mateu!

Mateus: -...

Mateus: - E quanto o sinhô dá pa eu fazê?

C: - Eu dou uma buchada, com cabeça e tudo, uma carteira de cigarro...

Mateus: - Não, si... não sinhô, tô de dieta. Eu num como cabeça não.

C: - Não, mai você pode ficar c´o a cabeça.

Mateus: - Não, ôxe, que estória, sinhô... Num vai... Num pode deixar uma

cabecinha pa quem qué não? C: - Apois, a gente dá a cabeça a Toni.

Mateus: - Ah! E cum certeza!

C: - Tá certo?

Mateus: - Ele vai cumê a cabeça com quem?

C: - Ôxe, ele vai cumê a cabeça com Rui Bandeira!

Mateus: - A, ah pois ta bom, sinhô... Sim! E...

C: - Agora, venha cá u´a coisa.

Mateus: - Sim?

C: - É você sozinho ou tem alguém com você?

Mateus: - Lá em casa tem um neguinho. Ele é mai´ avexado de que eu. Ele

saiu na frente eu saí atrai, ele facilitou, eu, tome, na frente, passei. C: - Dele.

Mateus: - E apois, sinhô. E no mesmo canto que ele saiu eu passei. Foi...

C: - E você chegou primeiro

Mateus: - Mai, ôxe, eu vou perder pra [Brás Cubas?, bascula?] se eu morano

no lixo, ôxe... C: - E comé que...

Mateus: - Ê de-deu caganeira, correu no fecha a barguilha... ê, sô, nos seus

carneiro, quando fica tudo rino, quem é, quem é... Ôxe, tá bestano! C: - Ô Mateu, e comé que ele chega?

Mateus: - Ô xente! Mai primeiro tu não querem... que eu... diga alguma coisa

não, sinhô?

C: - Eu quero que você dê uma boa noite p´esse pessoal aqui, ou um bom dia...

Mateus: - Ô sinhô, e se eu começá a dá agora, vou terminar que hora, esse

povo todim?

C: - O negócio é você dá ligeiro.

C: - Não, rapai, boa noite você dá a qualqué hora, um bom dia, u´a boa tarde...

Mateus: - Ô sinhô, o sinhô já deu argum dia?

C: - A boa noite já, um bom dia também.

Mateus: - Sim, sim. Apois é, pois vô dizê:

- E dize boa noite po dono da casa!

- E dize boa noite pa Dona também, que é mulhé do dono da casa, sinhô! É u´a amizade roxa.

- E dize boa noite pos mininiu, que é fio do dono da casa, que fizero os doi! - E dize boa noite pás minininha, que é irmã... dos mininiu! Ma é uns papa

leite, que só, veno.

- E dize boa noite pa meus sinhore! - E dize boa noite pa quem chegô! - E dize boa noite pa quem chegá! - E Capitão mandou chamar eu mesmo? C: - Mandei.

Mateus: - Apoi, banana de meia desfolada.

C: - Pra o Mate... pra o Bastião

Mateus: - Ô, ô, ô sinhô. Ôxe, e-eu tirei... eu andei c´um siri... pa tirá leite, pa

dá cumê o fi do Capitão.

C: - Que cunversa de doido é essa, Mateu! Quem já viu siri dá leite?

Mateus: - Oi, ôxe, aperta no peito dele pa vê que num sai! Ôxe, o cabra fai

pixiè, pixié, as pata chega se abre. E-a-aí... os minino do Capitão excitado, passando uma fome que só um desprezado do mundo... Ôxe, indé

brincadeira, sinhô! M-mai eu, s´eu dissé u´a coisa tu não acredita sinhô! Ói, eu vi uma coisa!

C: - Que foi que tu viu, Mateu?

Mateus: - Maracajá virou raposa

C: - Hum. Eh-he.

Mateus: - Foi de verdade, siô. E sim, ô ô sinhô, e tu quere mais u quê?

C: - Eu quero sabê, eh que você pode dá uma loa da sua terra!

Mateus: - U- uma broa?

C: - U´a loa.

C: - Não, eu quero uma loa da sua terra.

Mateus: - Daquela da mandioca, da macaxeira? Daquela que é quebrada na

casa de farinha? E o cara empurra lá a mandioca, é aquela é, que o siô, que o siô qué? A, a... daquela mesma goma?

C: - Não eu quero u´a loa da sua terra.

Mateus: - Da minha terra, ô ôxe! Juarez. Eu num me acho em casa não, visse

sinhô. Essa, essa tuas cunversa tá tudo atrapalhado, tu num acertasse nada, nem assinasse o documento, nem me chifasse nem eu chifei tu, e nem tu passasse o papé que tinha que passá... e só vem ixigino as coisa, aqui trabaia de graça é? É o sem-terra é? É, é os miserave que tá no mei do mundo, ah, pidino de porta em porta?

C: - Mas num já acertei a buchada com a cabeça e a carteira de cigarro, rapai?

Mateus: - Ôxe, eu vô cume cabeça, rapai, só tem é osso... quando a gente

tem o... a... o direito de acertá um nu oio, que dá u´a chupada nu oio, ainda sai arguma coisa. E se num chupá no oio?

C: - Mas essa... essa cabeça já vem tratada, é, o oio do bode num tá... já ta é tirado, já.

Mateus: - E quem furou o oio, sinhô?

C: - Foi quem tava tratano o bode.

Mateus: - Ah! Sim!

C: - Agora diga uma loa da sua terra.

Mateus: - Sim! Uma broa, né, sinhô?

C: - Não, uma loa.

Mateus: - E-eu vô dize é agora. Eu vô ali fora pa vê se Iaiá ta com o tabuleiro

dela aberto p´eu butá dento a mão e trazê uma pa dá de presente o sinhô. De verdade mesmo. Vou dizer, sinhô.

C: - Pois diga.

Mateus: - Eu vô dizê.

E quando chega o mei´de maio O setestrelo é escondido. Quando chega o mei de abri O setestrelo é aparecido. Do setestrelo pa cima

Só vai quem Deus é servido. Morre o hóme, fica a fama E fica muié sem barriga... É sem marido.

C: - É sem marido, não, Mateu?

Mateus: - Mai, purque eu... passei a mão, relei embaixo, sinhô.

C: - Da mulé.

Mateus: - Ô ixe Maria, é ca mulé que eu to falano, sinhô? Ô ô sinhô, e o sinhô

também vadeia aqui junto com a famia do Capitão? C: - Não, eu vô dexá você tumano conta, só isso.

Mateus: [indireto] - Promete?

C: - Agora eu quero saber se é você sozinho, ou tem alguém com você

Mateus: - Eu tenho um doidim lá em casa, tá a cabeça do muleque!

C: - E comé que ele chega?

Mateus: - Ô xen, ele vá... sim, se chegá: ‘Pá-pá, pá-pá, pá-pá, pá-pá, ele

chega.