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BİRİNCİ BÖLÜM: KURAMSAL VE KAVRAMSAL ÇERÇEVE

3. Nefs Arınması ile ilgili Psikolojik Kavramlar 1. Farkındalık

3.7. Benlik ve Ego

Orientações transmitidas aos pais durante os atendimentos

A análise das descrições dos procedimentos de diagnóstico e indicação do AASI permitiu identificar dois tipos de orientação, relacionados à deficiência auditiva e ao tratamento da criança e transmitidos aos pais durante os atendimentos. Sobre o procedimento realizado e os resultados obtidos, as orientações referiam-se a esclarecimentos sobre as avaliações e ao diagnóstico da perda auditiva da criança. Sobre as condutas a serem adotadas, envolviam as possibilidades auditivas da criança, os recursos proporcionados pelo AASI, a convivência familiar e social, os acompanhamentos necessários e a busca de recursos para esses acompanhamentos.

Quanto às orientações sobre o procedimento e os resultados obtidos, estas foram identificadas em 81,3% (13) dos 16 atendimentos realizados: Anamnese, Consulta Otorrinolaringológica, Imitanciometria, Audiometria de Reforço Visual (VRA), Audiometria, Moldagem Auricular, Teste de AASI, Entrevista Psicológica,

Atendimento de Nutrição, Atendimento de Enfermagem, Consulta Pediátrica, Grupo de Fonoaudiologia e Entrevista final do Serviço Social. Já as orientações que abordavam as condutas a serem adotadas foram identificadas em 56,3% (9) dos 16 atendimentos realizados: VRA, Audiometria, Moldagem Auricular, Teste de AASI, Entrevista Psicológica, Atendimento de Nutrição, Grupo de Psicologia, Grupo de Fonoaudiologia e Entrevista final do Serviço Social.

São apresentadas, a seguir, as orientações transmitidas, que variaram conforme a natureza e finalidade dos atendimentos, estando relacionadas à criança, em seu aspecto biopsicossociocultural, incluindo as pessoas com quem convivia:

™ Processo de diagnóstico, avaliações realizadas e resultados obtidos;

™ Sons ouvidos, possibilidades auditivas diante dos resultados e possibilidades de aproveitamento da audição da criança;

™ Condições de saúde e de vida da criança e recursos da comunidade; ™ Perspectivas de atendimento diante dos resultados;

™ Recursos proporcionados pelo AASI, testes para seleção e adaptação do AASI, uso e funcionamento do mesmo;

™ Prognóstico de desenvolvimento da fala;

™ Condutas que os pais deveriam adotar para desenvolvimento da criança, relacionadas à estimulação que poderia ser feita em casa;

™ Acompanhamentos necessários e importância da escola e da fonoterapia; ™ Busca de recursos para os acompanhamentos;

™ Convivência familiar e social;

™ Dificuldade de relacionamento entre os membros da família e com a criança;

™ Importância de ver a criança no todo, não se restringindo aos resultados das avaliações; ™ Valorização das potencialidades da criança;

™ Alimentação da criança e prevenção de hábitos alimentares inadequados.

Os pais eram esclarecidos quanto aos sons que a criança escutava e quanto ao prognóstico do desenvolvimento da fala, de acordo com o diagnóstico e avaliações realizadas (VRA e Audiometria). Orientações aos pais sobre as possibilidades de aproveitamento da audição da criança e o uso e funcionamento do aparelho foram identificadas nos procedimentos que se seguiam ao diagnóstico, a moldagem auricular e aos testes para seleção do AASI.

As orientações aos pais quanto às dificuldades de relacionamento entre os membros da família e destes com criança, bem como a valorização das potencialidades da criança, as condutas nas atividades rotineiras e a estimulação que poderia ser feita em casa eram abordadas pelos profissionais nos Grupos de Orientação de Fonoaudiologia e Psicologia e atendimento individual de Psicologia. Além dessas orientações, a importância da escola e da fonoterapia para o desenvolvimento da criança era abordada no Grupo de Orientação de Fonoaudiologia, sendo a busca de recursos para esses acompanhamentos também constatada na Entrevista final do Serviço Social.

Os cuidados diários com a criança, orientações relacionadas à alimentação e à prevenção de hábitos alimentares inadequados, que os pais poderiam estar cultivando, foram abordados no atendimento da Nutrição.

Conhecimentos que os pais deveriam adquirir nos atendimentos

A análise das descrições dos procedimentos permitiu verificar dois tipos de conhecimento, expressos pelos profissionais como desejáveis que os pais tivessem adquirido após cada atendimento. Sobre o procedimento e os resultados obtidos, as orientações relacionavam-se às avaliações e ao diagnóstico da deficiência auditiva. Outras orientações diziam respeito às condutas que os pais deveriam adotar para o desenvolvimento da criança. Essas expectativas dos profissionais revelavam o enfoque interdisciplinar do atendimento, o reconhecimento das potencialidades da criança, os acompanhamentos adequados para um bom desenvolvimento e a motivação dos pais para o envolvimento pessoal e familiar. Envolviam, portanto, mais do que o simples conhecimento dos resultados obtidos nas avaliações, pois englobavam a percepção e o comprometimento que os pais e familiares deveriam desenvolver para auxiliar a criança.

Constatou-se que 81,3% (13) dos profissionais desejavam conhecimentos sobre o procedimento e os resultados obtidos: Reunião de Casos Novos, Entrevista inicial do Serviço Social, Anamnese, Consulta Otorrinolaringológica, Imitanciometria, VRA,

Audiometria, Moldagem Auricular, Teste de AASI, Atendimento de Enfermagem, Consulta Pediátrica, Grupo de Fonoaudiologia e Entrevista final do Serviço Social.

Os conhecimentos sobre as condutas que os pais deveriam adotar para o desenvolvimento da criança foram referidos em 68,8% (11) dos 16 procedimentos: Reunião de Casos Novos, Anamnese, Atendimento de Enfermagem, Audiometria, Consulta de Pediatria, Moldagem Auricular, Teste de AASI, Entrevista de Psicologia, Entrevista inicial de Serviço Social, Grupo de Psicologia e Grupo de Fonoaudiologia.

Assim sendo, verificou-se que os profissionais apontaram conhecimentos importantes que os pais deveriam adquirir ao final de cada atendimento:

™ Os exames utilizados para avaliar a audição da criança;

™ Motivo de uma avaliação não ter sido concluída e o que seria feito;

™ A função auditiva da criança, possíveis alterações, encaminhamentos ou prescrição médica; ™ Resultados dos exames, se compatíveis com os anteriores, tipo e grau da perda auditiva,

significado do resultado e prognóstico imediato; ™ Possíveis causas e irreversibilidade da perda auditiva;

™ Importância do atendimento por uma equipe para somar informações sobre diagnóstico e conduta e avaliar a criança como um todo;

™ Recurso a ser proporcionado, que pode não corresponder à ansiedade dos pais; ™ As expectativas dos pais devem ser adequadas às condições das crianças; ™ Que os pais não devem desanimar ou desistir;

™ Após o diagnóstico, os testes indicarão o AASI adequado à perda auditiva; ™ Diferença entre molde e AASI, tipo de molde indicado e sua importância; ™ AASI indicado e suas limitações;

™ Diagnóstico como início do processo de reabilitação;

™ Importância do seguimento do tratamento para o desenvolvimento da criança; ™ Tratamento e conduta indicados, recursos, fonoterapia, escola e uso do AASI;

™ Conseqüências da infecção de orelha média e necessidade de acompanhamento médico; ™ Importância das fases de desenvolvimento da criança até os sete anos;

™ O que os pais e familiares podem fazer para estimular o desenvolvimento; ™ Responsabilidade e importância da família para o desenvolvimento;

™ Reconhecer as potencialidades da criança e incorporá-la à rotina da família; ™ Influência das atitudes dos pais na educação e bem estar da criança; ™ Necessidade de tratar com atenção, amor e carinho os filhos.

O atendimento por equipe interdisciplinar, para a obtenção do diagnóstico, a definição da conduta e a avaliação da criança como um todo, e não apenas quanto à audição, foram mencionados como conhecimento desejável aos pais nas seguintes

descrições: Reunião de Casos Novos, Anamnese, Consulta Otorrinolaringológica e Atendimento da Enfermagem. Após a Imitanciometria, era esperado que os pais tivessem entendido a condição da função auditiva da criança, a presença e a natureza de alguma alteração, bem como problemas decorrentes de infecção da orelha média.

Durante os atendimentos de avaliação audiológica, Anamnese, VRA e Audiometria, os profissionais esperavam que os pais adquirissem conhecimentos sobre os exames realizados e os resultados obtidos quanto ao tipo, grau da perda auditiva e o seu significado, em termos de sons que a criança podia ouvir. No VRA também foi verificado conhecimento sobre o prognóstico imediato para a criança e no Grupo de Fonoaudiologia, após retomarem as orientações sobre as avaliações e resultados, os profissionais esperavam que os pais entendessem o grau da perda auditiva da criança e o que poderia ser esperado a partir desse resultado.

Na anamnese foi mencionada a continuidade dos atendimentos, após definido o diagnóstico, com a realização dos testes de aparelho para a seleção e indicação de um ou mais modelos adequados à perda auditiva da criança. O conhecimento quanto ao aparelho indicado era esperado após os referidos testes. A diferença entre molde e AASI foi um conhecimento mencionado como desejável, após o atendimento para Moldagem auricular.

As profissionais do Serviço Social explicaram que, após a entrevista inicial, desejavam que os pais conhecessem os recursos que estariam sendo disponibilizados para os atendimentos e, após a entrevista final, tivessem compreendido, além do diagnóstico, a irreversibilidade da deficiência auditiva. Informações sobre as possíveis causas da deficiência foram mencionadas como desejáveis apenas na Consulta de Pediatria. Complementando a informação do atendimento interdisciplinar, após a Anamnese, as profissionais esclareceram que os pais deveriam entender que assim como o diagnóstico, a conduta a ser indicada para a criança era definida pelo conjunto de informações da equipe.

A causa de uma eventual interrupção do processo de diagnóstico, o motivo de algum encaminhamento, providências tomadas e a conduta indicada, foram

conhecimentos referidos na Consulta Otorrinolaringológica e na Audiometria, que os pais deveriam adquirir com os atendimentos.

Já a questão da conduta dos pais diante de possíveis problemas, como infecção de orelha média, foi colocada pelas profissionais após a imitanciometria, quando os pais deveriam perceber os riscos dos tratamentos caseiros e saber que o otorrinolaringologista deve ser procurado para o tratamento adequado. Na seqüência de conhecimentos específicos para lidar com a criança deficiente auditiva, os profissionais citaram que, após a Moldagem Auricular, os pais deveriam entender a importância do molde na adaptação do AASI e qual o tipo de molde solicitado.

Outros conhecimentos apontados, a respeito do AASI, que os pais deveriam ter após os testes, foram as limitações do aparelho e a insuficiência do mesmo, dada a importância de um trabalho terapêutico, fonoaudiológico e escolar concomitante ao seu uso, para o melhor desenvolvimento auditivo, de linguagem e socialização da criança. Esses conhecimentos também foram evocados na Audiometria e no Grupo de Fonoaudiologia.

A importância da participação e envolvimento da família para o desenvolvimento da criança foi conhecimento desejável, expresso pelos profissionais, logo após a entrevista inicial de Serviço Social, os testes de AASI, o Grupo de Fonoaudiologia e a Entrevista de Psicologia

Conhecer o tratamento adequado à criança foi identificado após a consulta de Pediatria, assim como em relação à alimentação e à importância das fases de desenvolvimento até os sete anos de idade, com o Atendimento de Nutrição. Logo na Entrevista inicial de Serviço Social e posteriormente na Entrevista de Psicologia, foram mencionados conhecimentos dos pais para que percebessem as potencialidades da criança e elaborassem expectativas mais realistas quanto ao seu desenvolvimento.

Ainda em relação às expectativas dos pais, os profissionais ponderaram que na consulta de Otorrino eles deveriam perceber que o recurso que seria proporcionado à criança poderia não ser aquilo que eles mais desejavam, ou seja, a “cura” da surdez.

No atendimento grupal denominado Reunião de Casos Novos, os profissionais mencionaram que os pais deveriam compreender a importância do seguimento do

tratamento, sem desanimar ou desistir. Esse tipo de informação também foi lembrado pelos profissionais no Grupo de Psicologia, ao enfatizarem "que o diagnóstico é somente o início".

Alguns dos esclarecimentos que os pais deveriam obter nos procedimentos referiam-se às suas atitudes em relação à criança. Após o Grupo de Fonoaudiologia, as profissionais mencionaram que os pais deveriam estar informados sobre o que poderiam fazer e, após a entrevista de Psicologia, sobre a influência de suas atitudes na educação, bem estar e desenvolvimento da criança.

Também quanto às atitudes dos pais, no Grupo de Psicologia foi esclarecido que estes deveriam pôr em prática suas possibilidades e criatividade. A necessidade de dar atenção e tratar com carinho as crianças, assim como adequar o ritmo da família às possibilidades da criança, incorporando-a em suas atividades, foi retomada na Entrevista final do Serviço Social. Como resultado do enfoque de apoio emocional aos pais, após os atendimentos da Psicologia, a entrevista e o grupo, os profissionais concluíram que era desejável que os pais procurassem não sentir culpa, além de entenderem que "pais adequados reconhecem seus sentimentos". De acordo com os profissionais, após o último atendimento da rotina de diagnóstico, a Entrevista final do Serviço Social, seria desejável que os pais se sentissem "fortalecidos e esperançosos para continuar a lutar por um bom tratamento" para a criança.

Benzer Belgeler