2.1.3. Ergenlikte Büyüme ve GeliĢim
2.1.3.3. Duygusal GeliĢim
2.1.3.3.4. Bazı Belli Heyecanlar
Paula Ribeiro não entrou, em seu tempo, na galeria dos homens ilustres de Portugal, nem do Brasil, entretanto, não passou despercebido. Foi uma daquelas pessoas que passam pela existência e deixam uma marca em seus trabalhos, em suas conquistas e em sua vida em geral. É da natureza do tempo passar e inverter significados, com isso, alguns feitos importantes se tornam corriqueiros e, outros, ordinários, ganham tons admiráveis. Isso costuma acontecer, especialmente, quando determinadas proezas, escritas ou não, se tornam as únicas acessíveis a observadores posteriores ou por serem os que melhor falam de seu tempo para sociedades no futuro. Nessa dinâmica de significados, os trabalhos ribeirianos ganharam destaque na compreensão da história maranhense e, em consequência, do Brasil, pois se trata, até o momento, em muitos aspectos, das melhores fontes sobre os sertões maranhenses, no início do século XIX.
Seus escritos, aqueles aos quais se tem acesso, compreendem três trabalhos: Memória sobre as nações gentias que presentemente habitam o Continente do Maranhão...,213 publicada em 1841; Roteiro da viagem que fez o Capitão Francisco de Paula Ribeiro às fronteiras da Capitania do Maranhão e da de Goiás no ano de 1815..., publicadas em 1848;214 e Descrição do território dos Pastos Bons, nos sertões do Maranhão..., publicada no ano seguinte.215 Um desses textos foi escrito em 1815 e os demais, em 1819. Todos foram publicados na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB e posteriormente republicadas na mesma revista. Ele também produziu um mapa geográfico da capitania do Maranhão e sua vizinhança. Pela riqueza de informações sobre a região, seus textos serão analisados neste trabalho para tentar compreender a construção da identidade regional, ainda que numa perspectiva jamais cogitada pelo autor.
213
Ribeiro, Francisco de Paula. 1841. Memória sobre as nações gentias que presentemente habitam o Continente do Maranhão: análise de algumas tribos mais conhecidas: processo de suas hostilidades sobre os habitantes: causas que lhes tem dificultado a redução, e único método que seriamente poderá reduzi-las. Revista Trimensal de Historia e Geografia ou Jornal do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo 3º., 1841, n. 10, p. 184- 197; n. 11, p. 297-322; n. 12, p. 442-456. Rio de Janeiro. [reimpressa em 1860].
214
Ribeiro, Francisco de Paula. 1848. Roteiro da viagem que fez o Capitão Francisco de Paula Ribeiro às fronteiras da Capitania do Maranhão e da de Goiás no ano de 1815 em serviço de S. M. Fidelíssima. Revista Trimensal de Historia e Geografia ou Jornal do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo X, 1º. Trimestre de 1848, p. 5-80. Rio de Janeiro. [segunda edição 1870].
215
Ribeiro, Francisco de Paula. 1849. Descrição do território dos Pastos Bons, nos sertões do Maranhão; propriedades dos seus terrenos, suas produções, caráter dos seus habitantes colonos, e estado atual dos seus estabelecimentos. Revista Trimensal de Historia e Geografia ou Jornal do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo XII, 1º. Trimestre de 1849, p. 41-86. Rio de Janeiro. [segunda edição 1872].
Mapa elaborado por Paula Ribeiro em 1819. Fonte: Biblioteca Digital Curt Nimuendajú - http://biblio.etnolinguistica.org.
As informações sobre esse personagem são escassas, além disso, são confusas, de maneira a dificultar uma análise mais profunda de seu perfil pessoal e profissional. O que se
conhece sobre ele vem de alguns estudos e publicações de suas obras, que se esforçaram para torná-lo mais conhecido. Entre as fontes que o citam, está a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira,216 que se refere a ele como um “Oficial do exército, natural do Maranhão”. Os viajantes alemães Spix e Martius, quando estiveram em terras maranhenses, em sua viagem ao Brasil, tiveram contato com o militar português, e ao falar das tribos indígenas da região, fizeram referência a ele como um brasileiro conhecedor dos nativos, referindo-se ao que eles chamaram de seu Tratado sobre o gentilismo do Maranhão.217 É crível que essa citação dos viajantes tenha contribuído para o equívoco da enciclopédia, bem como possíveis outros.
Pode-se encontrar outra informação sobre ele em Mário Ribeiro Martins,218 que afirma ser seu local de nascimento a cidade do Porto, em Portugal, no ano de 1768. Esse autor, no mesmo texto, relata que Paula Ribeiro concluiu seus estudos primários e secundários naquela cidade e só então teria vindo ao Brasil prestar serviços à Coroa portuguesa, na capitania do Maranhão. Infelizmente, ainda que faça sentido, esta pesquisa não encontrou, em nenhuma das dezessete freguesias do Porto, documentos que comprovassem tais informações.
Por fim, no que se refere ao local e ano de nascimento do personagem em questão, de acordo com informações do exército português, num documento datado de 31 de dezembro de 1813 e outro de 30 de junho do ano seguinte, Francisco de Paula Ribeiro, de 42 anos, nasceu na cidade de Lagos, região Sul de Portugal. Isso indica o ano de seu nascimento como sendo 1771.219 Numa busca pela certidão de nascimento, para comprovar esse fato, na região mencionada, junto ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo – ANTT, em Lisboa, nada foi encontrado. Um dos motivos para essa dificuldade é a falta de outras informações, como o nome dos pais e avós.
De qualquer maneira, a pouca documentação disponível que se refere ao militar converge para indicar Portugal como sua pátria. Pelo tempo de serviço no Brasil, em especial nos sertões do Maranhão, essa terra se tornou uma segunda casa para ele. Ainda que não haja demonstração de sentimentos patrióticos em ralação às terras do além-mar, foi aqui que ele passou boa parte de sua vida e, em consequência, alcançou algum prestígio profissional. Igualmente significativo é o fato de o sertão ser o local em que foi enterrado.
216
RIBEIRO (Francisco de Paula). Grande enciclopédia portuguesa e brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, 1957. v. 25, p. 587.
217
SPIX & MARTIUS. Viagem pelo Brasil: 1817-1820. 3 ed., 3 v. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1976, p. 235.
218
MARTINS, Mário Bibeiro. Dicionário Biobibliográfico Regional do Brasil. Disponível em: http://www.usinadeletras.com.br/. Acesso em: 1 de abril de 2013.
219
MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL – Exército Português. Mapa de informações de oficiais inferiores
Ao considerar que Paula Ribeiro teria vindo ao Brasil muito jovem, portanto, após estudos secundários, ele não teria ingressado na Universidade, pois cedo já estaria no serviço militar. De fato, pelo menos em Coimbra, não consta registro de estudos do militar, da mesma maneira que não há na Academia de Ciências de Lisboa, conforme constatou esta pesquisa, indicando que não chegou a ser membro da referida entidade. De acordo com os relatórios de seu superior no Quartel de Juromenha, em Portugal, Gonçalo Mendes Homem, Ribeiro não se aplicou aos estudos.220 Ainda assim, conforme se perceberá mais adiante, sua visão de mundo estava inserida no mesmo conjunto que englobava a maioria dos intelectuais de seu tempo, egressos de Coimbra, de outras universidades e das academias de ciências.
Há sinais de que o jovem militar tinha algumas dificuldades de relacionamentos pessoais e profissionais, o que lhe teria causado mais problemas, se não fosse o fato de seu pai, de nome desconhecido, ter sido um militar influente. Do pouco que se conhece sobre ele, sabe-se apenas que foi Tenente Coronel de Regimento de Artilharia da Corte, visivelmente reconhecido pelos serviços que prestara ao Estado Português.221 Em 1813, Paula Ribeiro já havia sido preso pelo menos duas vezes por ausência no trabalho. Informou seu superior que sua conduta civil era regular, mas no âmbito militar disse que “como soldado não se faz respeitado”.222 No mesmo curto relatório sobre seu subordinado, há a informação de que ele pouco sabia do seu serviço, de modo a indicar um profissional descuidado e relapso. Não se sabe se as motivações de seu superior tinham um cunho estritamente profissional ou também pessoal, que pudesse envolver o subordinado ou seu pai.
Sabe-se, com base no documento fornecido pela casa militar, que seu primeiro posto de trabalho no exército se deu ainda em 1786,223 portanto, com idade entre catorze e quinze anos. Jorge da Cunha Pereira Filho apresenta informação que, de acordo com decreto de D. José, cadete era uma denominação dada aos filhos da nobreza que serviam o exército, e “os requisitos para a qualificação, em 1757, eram de que fossem ‘pessoas de nobreza conhecida, pertencentes ao foro de moço fidalgo, filhos de Sargentos-Mores ou - ainda - interessados que provassem por seus pais e quatro avós que eram de nobreza notória’”. O autor afirma ainda que, até 1797, o limite de idade para tal posto variava entre quinze e vinte anos de idade. Por
220
MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL – Exército Português. Mapa de informações... 1813/14.
221
PACHÊCO FILHO, Alan Kardec Gomes. Varando mundos... 2011, p. 46.
222
MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL – Exército Português. Mapa de informações... 1813/14.
223
um tempo, em qualquer idade, poder-se-ia ingressar na função, mas, novamente, em 1806, foi reestabelecida uma idade mínima, de quatorze anos.224
Sabe-se que, quando serviu em Aldeias Altas, posteriormente cidade de Caxias, no Maranhão, em 1812, logo entrou em conflito com o juiz local. Havia queixas dos dois lados: para o militar, seu rival não cumpria suas tarefas, que, por sua vez, era acusado de ir além das suas. De acordo com o juiz, ao se referir a Ribeiro, afirmou que ele “não tem autoridade ou jurisdição alguma militar para se intrometer nos arranjos políticos e econômicos dos corpos militares”.225 O conflito não levou grandes problemas a nenhum dos dois e logo Paula Ribeiro teve que deixar a povoação para realizar outras tarefas.
Talvez a última de suas divergências pessoais tenha sido com Antônio Moreira da Silva, denominado por Paula Ribeiro como um “pobre capitão do mato”, devido ao fato de ele aprisionar índios com propósitos econômicos particulares e não em benefício da Coroa. Ribeiro teria feito denúncia contra Moreira da Silva, acusado de “atrocidades contra os indígenas”,226 prática comum e aceita, desde que dentro de parâmetros governamentais em nome de um projeto mais amplo. O resultado desse último conflito pessoal e político teria levado o militar à morte, quando do conflito pela independência no Maranhão, um ano depois da que ocorreu no restante do território brasileiro. No conflito, ele foi encarregado de lutar pela defesa do território maranhense em nome da Coroa portuguesa, conforme será dito mais adiante neste texto.
Por outro lado, apesar de Paula Ribeiro mostrar temperamento excêntrico para um militar, não seria justo atribuir seu sucesso profissional apenas às influências de seu pai, conforme se viu nas poucas informações sobre ele. É crível, pelo resultado de seu trabalho, que uma combinação entre méritos e influências tenha sido responsável por seu êxito profissional no Brasil, especialmente na capitania do Maranhão, na qual desempenhou a maior parte da sua tarefa profissional. De acordo com algumas informações, antes de vir à terra brasílica, estava preso em Lisboa, e como punição deveria prestar serviço na Índia pela segunda vez. Já teria ido àquelas terras dois anos antes,227 mas, por falta de navios ao destino
224
PEREIRA FILHO, Jorge da Cunha. Tropas Militares luso-brasileiras nos séculos XVIII e XIX. Disponível em: http://buratto.org/gens/gn_tropas.html. Acesso em: 29 de abril de 2013.
225
APEM. Objetos Diversos: 1811-1814 (códice 03, Doc. 133). In: FRANKLIN, Adalberto; CARVALHO, João Renôr F. de. Francisco de Paula Ribeiro: desbravador dos sertões de Pastos Bons: a base geográfica e humana do sul do Maranhão. Imperatriz, MA: Ética, 2005, p. 30.
226
FRANKLIN, Adalberto. “Introdução ao Roteiro...”. In: FRANKLIN, Adalberto; CARVALHO, João Renôr F. de. Francisco de Paula Ribeiro: desbravador dos sertões de Pastos Bons: a base geográfica e humana do sul do Maranhão. Imperatriz, MA: Ética, 2005, p. 66.
227
indicado, surgiu a oportunidade de vir à América do Sul.228 Essa mudança de rumo foi decisiva na vida do militar, vez que ao chegar às terras sul americanas, pelo que se tem notícias, jamais voltaria à terra natal. Sua chegada ao novo mundo foi marcada com um decreto de 1795.229
Com base nas escassas informações existentes, há indícios de que ele tinha pouco interesse pelo serviço no quartel, em especial por tarefas cotidianas, rotineiras. Essa prática poderia ser responsável pelas faltas ao posto de serviço e consequentes prisões.230 Entretanto, nos trabalhos de viagens, seu desempenho foi notoriamente reconhecido e isso lhe resultaria muitas promoções ao longo da vida, conforme ainda se verá mais adiante. Nessa perspectiva, não seria absurdo pensar que o jovem militar tenha faltado de propósito ao monótono trabalho, para ter, assim, oportunidade de viajar e conhecer terras distantes, como muitos de sua idade, em seu tempo, sonharam realizar.
Após chegar ao Brasil e esperar por três anos, Paula Ribeiro teria pedido para ser enviado à capitania do Pará. Conforme assevera ofício de 1798: “entre os oficiais que devem marchar para o Pará ao tenente da 1ª Companhia Carlos Antônio (e) ordeno a Vossa Mercê nomeio em seu lugar o alferes Francisco de Paula Ribeiro, não só por ele muito me vir requerer; como se fazer preciso ao real serviço”.231 Tal requisição pode indicar sua disposição para tarefas mais aventureiras, em áreas mais remotas, do contrário, não precisaria requerer o trabalho na capitania paraense. Mesmo que houvesse motivações profissionais, diretamente implicadas no seu pedido, não parece fora de questão pensar que as de cunho pessoal eram significativas para o jovem militar.
Antes de se fixar nos sertões de Pastos Bons, de acordo com Alan Kardec Gomes Pachêco Filho, sem citar a fonte, o militar esteve na capitania de São Paulo,232 mas não há informação de quanto tempo ele tenha passado naquela região ou o serviço que teria prestado. Da mesma maneira, pode-se falar de seu paradeiro na capitania do Pará, pois não são conhecidos, até o momento, os detalhes de suas funções naquelas terras. Sabe-se, no entanto, que não demorou muito lá, pois em 1800 foi designado para um destacamento em Pastos
228
PACHÊCO FILHO, Alan Kardec Gomes. Varando mundos... p. 46.
229
ANTT, Liv. da Chancelaria de D. Maria I, n.18, 1787.
230
MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL – Exército Português. Mapa de informações... 1813/14.
231
APEM. (códice 19, Doc. 191). In: FRANKLIN... 2005, p. 25.
232
Bons, no qual permaneceu por dois anos.233 Pode-se imaginar, no entanto, que os serviços que prestara naquelas capitanias tenham sido semelhantes aos que realizou no Maranhão.
Os motivos que o levaram à saída do Pará são também desconhecidos, mas informações do exército português asseveram que o militar esteve, por quinze meses, doente e, na ocasião, obteve uma licença remunerada. O nome da doença, de acordo com o relatório, é quartans, vulgarmente conhecida como uma das variações da malária, enfermidade, à época, comum na Amazônia, especialmente no Pará. O documento não informa o local da contração da doença, nem ano do infortúnio, mas há algumas informações sobre Paula Ribeiro em campanha, em 1801.234 Isso significa que há uma possibilidade considerável de ter contraído o mal entre os anos 1798 e 1800, tempo em que teria atuado na capitania vizinha. Nesse período, há uma lacuna de informações sobre ele, e a licença poderia explicar essa ausência.
Apesar das dificuldades de conduta no exército, Paula Ribeiro não encontrou problemas para ganhar espaço profissional, e sua carreira militar deu passos importantes. Depois de Alferes, há informações do recebimento de duas promoções por seus serviços, uma em 1807, quando passou a Cabo, outra em 1809, já como Furriel.235 Em 1810, era Tenente de Regimento de Linha.236 Cinco anos mais tarde, quando foi encarregado de demarcar uma das fronteiras entre Maranhão e Goiás, o militar já tinha a patente de Capitão do Regimento de Linha e, em 1819, ocupava o posto de Major efetivo.237 Um ano antes, teria requerido o posto de Sargento Mor, cargo superior, negado porque a hierarquia militar portuguesa não permitiu. Restou, no entanto, o cargo de Major Graduado.238 Talvez pela própria morte prematura não tenha alcançado patamares mais elevados, mesmo assim suas conquistas profissionais foram significativas, resultado de seu nascimento e esforços próprios.
Paula Ribeiro desempenhou seus trabalhos no Maranhão em consonância com os interesses da Coroa portuguesa, num amplo projeto político e econômico que visava a responder às múltiplas necessidades metropolitanas. O militar atuou por um período superior a duas décadas até que, num tempo de transição, culminou, apesar dos esforços em contrário, com o fim do período colonial e a independência política do Brasil. Naquele momento, a Coroa buscava alternativas econômicas, bem como novas maneiras de lidar com sua colônia e
233
RIBEIRO, Francisco de Paula. Memórias dos sertões maranhenses... 2002, p. 9.
234
MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL – Exército Português. Mapa de informações... 1813/14.
235
MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL – Exército Português. Mapa de informações... 1813/14.
236
APEM. (códice 02, Doc. 111, p. 52). In: FRANKLIN... 2005, p. 28-9.
237
APEM. (códice 05, Doc. 755). In: FRANKLIN... 2005, p. 34.
238
o militar, imbuído de um espírito patriótico, empreendeu esforços nesse projeto, que se encerrou juntamente com sua própria vida, conforme se verá mais adiante.
Típico da própria natureza de seu trabalho, naquela época, ele desempenhou esforços em várias atividades nos sertões, com finalidades econômicas. De maneira mais detalhada, sua tarefa era descobrir qualquer produto ou empreendimento que pudesse resultar em retorno imediato. Nesse conjunto, incluíam-se produtos agrícolas e minerais, assim como análise de rios, clima, vegetação, solo, entre outros. Pelas próprias condições daquele momento, algumas atividades, em especial a pecuária, ganharam atenção especial, consequência natural do retorno econômico e social que proporcionava.
Para descrever de maneira mais detalhada, pode-se definir a atuação ribeiriana em quatro principais eixos, que visavam a apresentar resultados concretos e imediatos ao reino de Portugal. Seriam eles, a criação de povoações no sertão, a fim de melhor controlar o território e promover maior dinamização econômica e, ao mesmo tempo, enfraquecer politicamente grupos antagônicos locais. Estaria, ainda, entre as principais tarefas, o combate aos índios arredios às atividades econômicas promovidas pela Coroa, especialmente à pecuária e à agricultura. Juntamente com a guerra, também eram importantes os acordos de paz, que pretendiam instaurar uma “boa convivência” com algumas tribos, essencial para o funcionamento da economia local. Outra ação foi a criação de fazendas reais, bem como o favorecimento dos empreendimentos particulares, a fim de proporcionar o máximo aproveitamento da principal atividade do sertão maranhense. Por fim, entre seus principais trabalhos no sertão, destaca-se a demarcação fronteiriça de uma área entre as capitanias do Maranhão e de Goiás, que será mais detalhada adiante.
Em referência ao primeiro objetivo, pode-se fazer uso da afirmação de Manoel J. Barros Martins, ao dizer que “dando concretude a objetivos fundamentais da política colonial portuguesa, Paula Ribeiro esteve envolvido no processo de fundação de muitas povoações no centro-sul do maranhão (hoje sedes municipais)”.239 Sem dúvida, graças às suas contribuições, a região de Pastos Bons tornou-se mais economicamente dinâmica, com as fazendas em constante expansão. Este trabalho de criação de fazendas, no entanto, andou em paralelo com o extermínio das tribos que ameaçavam o empreendimento real, pois muitos grupos nativos não se sujeitaram ao modelo de economia imposto pela metrópole. Apesar da força das ações governamentais, o atrito, com supostas ameaças ao sistema, era frequente. Há informações de que em 1810, Paula Ribeiro tenha sido enviado a Viana, uma vila no interior
239
do Maranhão, com o intuito de afugentar índios daquela região, conforme aponta documento: “Tomadas que sejam estas medidas, e sem a menor interrupção de tempo a fim de que o gentio inimigo o não possa ter para escapar-se ao golpe, ou novamente fazer outras incursões àquelas vizinhas”.240 Naquele momento, a região sofria pressão dos Gamela e Timbira, que