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Pressão dos stakeholders

"E eu preciso botar um equipamento que meça o barulho gerado pela empresa na casa do seu Raimundo, porque se estiver acima de um determinado valor, eu tenho que resolver um problema com meu vizinho. Existe esse controle (medir o barulho causado pela fábrica) e a gente cuida bem direitinho pra não ter barulho no vizinho nem poeira, porque a gente tá numa área que quando a fábrica foi construída era sertão e agora é uma área residencial." (E9)

Tamanho e posição na cadeia de valor

"Tá com constantes exigências de melhorias (a cadeia de suprimentos), porque existe toda uma preocupação com a questão de trabalho escravo. Então, os clientes estão exigindo das empresas que elas tenham certificações e eles contratam empresas especializadas para fazer algumas verificações e fiscalizações para, assim, acompanhar o que está acontecendo na empresa e na cadeia de abastecimento, se está condizente com o que ele está exigindo, com toda essa preocupação social e de imagem perante o mercado e à sociedade." (E8)

Risco ambiental, fatores de mercado e de custo

"O que a gente trabalha agora são os tecidos digitais, aí eles já tem um lado do ecologicamente correto. A gente até selecionou essa empresa com quem trabalha hoje e tá até só com ela, porque quando o tecido era no cilindro, gasta mais água e polui mais. Aí a empresa agora que a gente tá, ela polui menos e o consumo de água é bem mais baixo." (E1)

Demandas regulatórias

"A gente é monitorado mensalmente pelos órgãos ambientais. Monitorado assim: a gente fornece as informações, eles vem checar. Então, dentro dessa área, é uma empresa sustentável." (E10)

Fonte: Elaborado pela autora.

4.3 Práticas de Responsabilidade Social Corporativas adotadas no Setor Têxtil Cearense

De acordo com a entrevistada da empresa E1, a maioria das pessoas hoje tem consciência ambiental, mas essa característica ainda não é suficiente para interferir na decisão de compra. Ao descobrir que precisa pagar um pouco mais para obter um produto que seja ecologicamente correto, o consumidor geralmente desiste de adquiri- lo. Se o produto fosse mais acessível, mais pessoas iriam comprá-lo, conforme a gestora da E1. Para ela, o cliente não faz uma associação com impacto causado no meio ambiente pela fabricação de um determinado artigo têxtil.

Como prática sustentável adotada, a empresa E1 utiliza tecidos digitais na fabricação de seus produtos, em detrimento dos tecidos de cilindro, os quais consomem mais água e poluem mais, conforme abordado na seção 4.1.

Já a empresa E2 não desenvolve nenhuma prática ambiental, pois a gestora considera que a organização ainda não tem tamanho suficiente para atual na esfera ambiental.

Dentre as práticas ambientais adotadas pela empresa E3, destaca-se o tratamento da água, já que a empresa possui estação de tratamento de resíduos. Além disso, materiais como papelão, plásticos e papéis são coletados separadamente para depois serem destinados adequadamente. Para o seu gestor, o consumidor final não possui consciência ambiental e não se preocupa com os danos causados ao meio ambiente pela fabricação do produto têxtil.

A entrevistada da empresa E4 cita como prática ambiental recorrente a lavagem ecológica do jeans, na qual são utilizados equipamentos que minimizam o gasto de água e de energia, preocupando-se em não poluir os rios no entorno das fábricas, além da fabricação de roupas com malha ecológica.

Com relação à empresa E5, o gestor acredita que os seus clientes não conseguem fazer uma associação do impacto ambiental causado pela fabricação dos produtos, pois ele considera que o apelo social é mais forte do que o ambiental. Contudo, os consumidores conseguem perceber e valorizar práticas sociais e ambientais desenvolvidas pela empresa.

Dentre as ações ambientais tomadas pela empresa E5, o entrevistado cita o recolhimento e tratamento adequado dos resíduos provenientes do processo produtivo por uma instituição credenciada, o isolamento da fábrica com esponja para minimizar a poluição sonora e a coleta seletiva do lixo.

Já na empresa E6, as práticas ambientais adotadas são a utilização de papel reciclado nas embalagens, uso de plástico oxibiodegradável na confecção das sacolas,

além da comercialização da linha de cosméticos “Vivendas”, que não faz experiências

em animais. Contudo, os entrevistados reforçam que os clientes não atentam muito para essas ações desempenhadas pela E6, já que os consumidores em geral ainda não possuem nem consciência social nem ambiental.

A empresa E7 possui poucas práticas ambientais. As únicas ações desempenhadas são a utilização de papel reciclado nos catálogos e cartões, a coleta

seletiva do lixo e a destinação adequada das sacolas plásticas que embalam as peças de roupa. O entrevistado até acha que o cliente valoriza tais atitudes, mas não constituem um fator decisivo no momento da compra.

O gestor da empresa E8 acredita que a responsabilidade social corporativa é uma característica percebida e valorizada pelos clientes. Hoje, quando se fala de sustentabilidade, muito se pensa no meio ambiente, mas tem o seu lado econômico, social e o ambiental. Então, toda essa gama de fatores traz preocupação com a empresa e ela busca atender esses quesitos para satisfazer os clientes e fazer com que eles comprem e gerem novos negócios.

Ainda, ele reforça que os clientes da empresa E8, principalmente os maiores, estão cada vez mais preocupados com a questão ambiental, procurando ter como fornecedores as empresas certificadas, que respeitem a legislação vigente. Ao contrário dessa tendência, o consumidor final é mais influenciado pela qualidade e pelo custo do produto. Certamente que há aqueles consumidores que se preocupam com esse aspecto, mas não é, com certeza, a maior parcela dos consumidores, conforme o entrevistado. Quanto aos clientes que compram diretamente da empresa, estes estão cada vez mais preocupados. Para o gestor, essas práticas ambientais tem sim ajudado a criar alguma identidade para a marca da empresa.

A empresa E9 preocupa-se em destinar corretamente os resíduos industriais gerados na fábrica, como a sujeira que sai do algodão, só podendo vendê-los para instituição registrada, fiscalizada e autorizada a funcionar pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Quando perguntado sobre práticas ambientais desenvolvidas pela E10, o entrevistado salientou que a empresa sempre buscou o desenvolvimento sustentável em todas as plantas. A E10 tem o reconhecimento da Fundação Chico Mendes e é certificada pela ISO 14001, sendo monitorada mensalmente pelos órgãos ambientais. Além disso, a empresa investe em novas tecnologias. Adquiriram um reator de gás carbônico para neutralizar as emissões de CO2 e melhorar os efluentes na saída do processo produtivo e trocaram o combustível derivado de petróleo por lenha de manejo certificado. Então, toda a biomassa consumida nas plantas do Ceará e de Mato Grosso é de origem controlada e certificada pelo IBAMA, Superintendência Estadual do Meio Ambiente (SEMACE), entre outros órgãos ambientais. Isso dá direito, inclusive, a créditos de Carbono.

No quadro 5, é possível observar algumas práticas de RSC incorporadas pelas indústrias cearenses, através da reprodução de alguns depoimentos feitos durante as entrevistas, segregados em quatro categorias de mecanismos:

Quadro 5 – Mecanismos e práticas de responsabilidade social corporativa no setor têxtil cearense

Internas “Na parte com os funcionários, [...] a gente faz toda a parte de prevenção de doenças, de fonoaudiologia, de odontologia, de ginecologia. Todo ano a gente faz a parte de vacinação, faz vários outros exames dependendo da atividade que o funcionário exerce, de acordo com o risco que ele corre... Nós temos durante o dia dois momentos em que a gente faz a ginástica laboral, a gente faz uma parada para a ginástica laboral.”(E3)

Ambiente natural “A E10 tem sido ‘verde’. Ela tem o reconhecimento da Fundação Chico Mendes, tem todos os certificados, tem a ISO 14001. Então, a gente procura, dentro disso, dentro desse contexto, onde a indústria têxtil, que é realmente um grande consumidor de insumos materiais – se você pegar o algodão que é plantado, o quando você gasta, o quanto você agride para plantar o algodão, depois para beneficiar, para fazer o tecido, para tingir o tecido, não é um processo limpo, embora todas as nossas plantas contem com tratamento de efluentes. A gente é monitorado mensalmente pelos órgãos ambientais.” (E10) Discricionárias “A gente criou na frente da fábrica uma fundação, a Ana Amélia [...], a gente

dá assistência já há 12 anos aos jovens dessa comunidade [...]. Acho que são 180 crianças que são atendidas nessa fundação onde têm que estar matriculado na escola pública, e ela fica um período na escola, e o outro período ela vai pra fundação onde lá tem uma prática esportiva e reforço escola, refeição, sala de informática, piscina, quadra de esporte, gabinete odontológico [...] muitas delas vem trabalhar aqui com a gente depois que completa 18 anos [...]. Então a empresa tem esse lado social da comunidade que cuida dessas crianças. (E9) Relacionais “Temos a certificação ABVTEX, que é uma das mais exigidas pelos clientes.

[...] A gente, na parte de terceirização, as chamadas facções, [...] criou todo um programa de avaliação, onde a gente avalia quesitos logísticos, comerciais, qualitativos, produtivos, legais, toda a documentação que eles têm que prestar. A questão também das transportadoras, a gente também toma esses cuidados de acompanhar. Então, esses fatores fazem com que você se certifique de que sua cadeia de abastecimento e de suprimentos estejam andando dentro de uma norma.” (E8)

Fonte: Elaborada pela autora.

4.4 Resultados obtidos através da implementação de práticas de Responsabilidade