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2. BEDENSEL ENGELLİ KAVRAMI VE TEKERLEKLİ SANDALYE

2.1 Bedensel Engelli Kavramı

Conjuntamente, os dados deste trabalho indicam que a exocitose de lisossomos é um evento importante em células MEF LAMP KO, e também em células Vero e HeLa, ao contrário da crença prévia de que este evento seria importante apenas para o processo de invasão celular por TCT (Andrade et al., 2005). Além disso, a endocitose elevada para contrapor os efeitos de uma exocitose pronunciada nas células KO, #79(L1/L2-/-) e L2-/- poderia contribuir para explicar a maior permissividade destas células à invasão pelos EA de T. cruzi em relação às suas respectivas células selvagem. Embora tripomastigotas e amastigotas apresentem distintos mecanismos de invasão celular no que diz respeito à participação do citoesqueleto no processo de invasão, bem como na mobilização de moléculas de ambos, parasita e célula hospedeira (Mortara et al., 2005), estas formas compartilham algumas características em comum no que concerne ao processo de internalização celular. Um exemplo é a dependência que as duas

formas apresentam dos lipids raftts da célula hospedeira durante a invasão (Fernandes et al., 2007a).

Estudos anteriores realizados com as mesmas células MEF LAMP KO utilizadas neste trabalho (#48 e #79) haviam demonstrado LAMP-1 e LAMP-2 são necessárias para a fusão do fagossomo com o lisossomo. Nestes estudos, realizados com microesferas de látex recobertas com IgG em MEF transfectadas com Fc (Huynh et al., 2007) ou com Neisseria gonorrhea em MEF transfectadas com CEACAM (carcinoembryonic antigen-related cellular adhesion molecules) (Binker et al., 2007), os fagossomos das microesferas de látex ou de N. gonorrhea não adquiriam o marcador lisossomal CD63/LIMP-1. Estes resultados levaram os autores de ambos os trabalhos a concluir que LAMP-1 e LAMP-2 são necessárias para a maturação do fagolisossomo. Na verdade, nas células L1/L2-/- a maturação do fagossomo é bloqueada antes que este adquira o marcador de endossomo tardio Rab-7 (Binker et al., 2007; Huynh et al., 2007). Porém, surpreendentemente, no presente trabalho, é possível notar VP claramente marcados com CD63/LIMP-1 nas células L1/L2-/-, bem como nas WT, mesmo em tempos bem iniciais da invasão. Este resultado indica que, ao menos nestas células (MEF), os AE de T. cruzi invadem as células por um mecanismo diferente da fagocitose mediada por receptor. Estudos anteriores do nosso grupo haviam proposto que o processo de invasão dos AE em células HeLa e Vero acontecia por um processo “semelhante a fagocitose” baseado no recrutamento de actina que acontece no sítio de invasão e pela inibição na invasão celular que ocorre pelo tratamento das células com citocalasina D. Mesmo considerando que em células HeLa e Vero o processo de invasão ocorra por um mecanismo “semelhante a fagocitose” é importante notar que, pelo menos parte dos parasitas que invadem estas células, o fazem valendo-se da exocitose de lisossomos para o sítio de internalização.

Diante dos resultados aqui apresentados, é possível traçar um cenário para a invasão celular pelos AE de T. cruzi. Estas formas podem utilizar epítopos de carboidratos presentes em Ssp-4 para aderirem a proteínas com atividade lectínicas da célula hospedeira (Silva et al., 2006). Após a adesão, a P21 é secretada na justaposição parasita-célula hospedeira e ativa uma cascata de sinalização ainda desconhecida (Silva et al., 2009), levando a ativação da GTPase Rac1 (Fernandes et al., 2004). Para invadir as células hospedeiras os parasitas valem-se de domínios

enriquecidos em colesterol e GM1 (Fernandes et al., 2007a). No parasita, este processo de internalização mobiliza cálcio de acidocalciosomas e promove a fosforilação de componentes de 87 e 175 kDa (Fernandes et al., 2006) (fig. 18). Estes eventos que ocorrem bi-direcionalmente, na célula hospedeira e no parasita, podem resultar na exocitose de lisossomos para o sítio de invasão, culminando com a invasão do parasita em vacúolos com características lisossomais ou ainda, os parasitas podem entrar nas células em vacúolos sem características de lisossomos, que posteriormente irão sofrer maturação e adquirir marcadores lisossomais (fig. 19 e 20).

6. Conclusões

• As proteínas de membrana lisossomal LAMP-1 e LAMP-2 não são importantes para a invasão ou tráfego celular por AE de T. cruzi em células MEF nocautes;

• Em MEF, bem como em HeLa e Vero, a exocitose de lisossomos é provavelmente importante para o processo de invasão celular por AE;

• Em MEF o processo de invasão ocorre possivelmente por um mecanismo diferente da fagocitose mediada por receptor, já que mesmo em tempos iniciais, é possível identificar parasitas marcados com o marcador lisossomal CD63/LIMP-1

Figura 18. Passos iniciais da invasão celular por formas amastigotas extracelulares. Epítopos de caboidratos presentes em Ssp-4 aderem a proteínas com atividade lectínica da célula hospedeira. O parasita também utiliza domínios enriquecidos em colesterol e GM1 da membrana da célula. Após a adesão, p21 é secretada no sítio de justaposição entre as membranas do parasita e da célula hospedeira, facilitando a invasão. A combinação destes eventos, culmina, no parasita, com a mobilização de cálcio de acidocalciosomos e fosforilação de componentes de 87 e 175 kDa, levando a interiorização do mesmo.

Figura 19. Após os eventos iniciais, pode haver a exocitose de lisossomos para o local de invasão dos parasitas (A). Neste caso, os parasitas recém internalizados se encontram em vacúolos com características lisossomais (B). Alternativamente, os parasitas podem entrar na célula em vacúolos que não possuem características de lisossomos (C).

A

B

C

Figura 20. Os amastigotas extracelulares podem invadir as células tanto em vacúolos com características lisossomais (A), quanto em vacúolos sem características de lisossomos (B). Neste segundo caso, num processo posterior à invasão os vacúolos parasitóforos podem adquirir marcadores de endossomos iniciais (EEA-1), maturando posteriormente e adquirindo marcadores de lisossomos, ou adquirirem diretamente marcadores lisossomais, sem que o vacúolo tenha passado pela fase de endossomo inicial.

Benzer Belgeler