• Sonuç bulunamadı

“Beden zihnin ve kalbin aynasıdır”

Belgede TIBBİ SEKRETERLİK SEMİNERİ (sayfa 46-49)

jet ´oria, direc¸ ˜ao e velocidade do corpo). Os historicistas o utilizam para explicar uma esp ´ecie de “mudanc¸a interna” da sociedade. Por exemplo, se houvesse alterac¸ ˜ao na populac¸ ˜ao de um pa´ıs, o historicista falaria de “movimento”. Esse met ´afora ´e terrivelmente utilizada. Afinal, mesmo uma populac¸ ˜ao estacion ´aria (constante) pode sofrer terr´ıveis abalos. Outrossim um gr ´afico multidimensional que utilize diversos fatores mensur ´aveis da sociedade jamais poderia ser utilizado para representar o “movimento” da sociedade”.

Jamais poder´ıamos, portanto, descobrir uma lei social nos moldes das leis da f´ısica. Certos historicistas (Comte e Mill em particular, Popper afirma), por ´em, tratam muitas vezes tend ˆencias como se fossem leis e acreditam piamente em sua validade incondicional. Tend ˆencias existem, n ˜ao se pode duvidar. Qualquer estat´ıstico competente pode calcular tend ˆencias a partir de certos fatores mensur ´aveis; a an ´alise das condic¸ ˜oes de um determinado setor econ ˆomico permite a um economista dizer se a ac¸ ˜ao de uma empresa daquele setor tem uma tend ˆencia de alta ou queda, por exemplo. Mas a an ´alise dessa tend ˆencia (que pode nem mesmo vir a se concretizar) n ˜ao nos habilita a consider ´a-la como v ´alida incondicionalmente. Embora inicialmente a sugest ˜ao de aceitar apenas tend ˆencias, n ˜ao mais leis, tenha permitido um certo avanc¸o no pensamento historicista, muitos passam a considerar essas tend ˆencias como leis (mesmo que de forma inconsciente) e regredir em sua posic¸ ˜ao. N ˜ao podemos nos esquecer do fato de que uma tend ˆencia, assim como lei, necessita de certas condic¸ ˜oes iniciais que permitam que ela ocorra. E se essas condic¸ ˜oes iniciais, por sua vez, tamb ´em forem tend ˆencias? N ˜ao ´e poss´ıvel garantir a validade de uma tend ˆencia simplesmente porque nem mesmo sabemos se as condic¸ ˜oes que permitem a essas tend ˆencias existir n ˜ao s ˜ao tamb ´em elas mesmas outras tend ˆencias.

De certo modo, a posic¸ ˜ao historicista ´e irrefut ´avel: ao se ver confrontado com a impossibilidade da exist ˆencia de uma lei de sucess ˜ao, passa a acreditar na exist ˆencia de tend ˆencias, posteriormente tratadas mais uma vez como leis, o que o faz voltar ao ponto inicial.

4.4

Explanac¸ ˜ao Causal

Vimos na sec¸ ˜ao anterior que tend ˆencias, apesar de sua utilidade, n ˜ao pode ser confundidas com leis cient´ıficas e, portanto, devem ser utilizadas com toda a cautela poss´ıvel. Mill e Comte, contudo, ainda sustentariam sua posic¸ ˜ao de que tend ˆencias se comportam, de fato, como leis. Mill14 inclusive prop ˆos o chamado “m ´etodo de deduc¸ ˜ao inversa”15, que segundo ele seria o verdadeiro m ´etodo das ci ˆencias sociais. Examinemos agora esse m ´etodo e quais conclus ˜oes Popper deduz dele.

14Cf. PH, pp.110-1.

Segundo Popper, Mill teria proposto esse m ´etodo como forma de cr´ıtica para aqueles (historicistas inclusos) que confundiam uma “uniformidade da hist ´oria” com uma “lei natural”; essa uniformidade, segundo o autor, seria apenas uma “lei emp´ırica”16. Essas uni-

formidades da hist ´oria seriam consideradas seguras apenas ap ´os a deduc¸ ˜ao, a priori, que a transformasse numa verdadeira lei natural. As leis que Mill espera, j ´a sabemos desde a discuss ˜ao sobre o psicologismo, s ˜ao as leis da psicologia, que segundo ele poderiam explicar a sociedade.

No primeiro cap´ıtulo17 examinamos como o m ´etodo dedutivo popperiano opera,

mas faz-se necess ´aria uma pequena menc¸ ˜ao para o completo entendimento aqui. Ao contr ´a- rio dos positivistas, que sustentavam um m ´etodo indutivo, ou seja, partir´ıamos de dados para generalizac¸ ˜oes, Popper argumenta a favor de um m ´etodo que, em primeiro lugar, busca teo- rias para, em seguida, test ´a-las empiricamente. Caso a teoria fosse falseada, isto ´e, refutada, ela seria rejeitada e buscar´ıamos uma nova teoria que pudesse explicar o fen ˆomeno18. Como tal proposta funciona j ´a foi examinado e n ˜ao voltaremos a ela aqui. A observac¸ ˜ao serve ape- nas para clarificar o pr ´oximo ponto. Dois s ˜ao os tipos poss´ıveis de explicac¸ ˜ao. Podemos investigar um evento espec´ıfico, como por exemplo uma determinada bola B que desliza so- bre uma superf´ıcie S, em velocidade V, ou podemos examinar a Lei da In ´ercia, que afirma qualquer corpo n ˜ao modificar seu estado de repouso (ou movimento retil´ıneo uniforme) caso outra forc¸a n ˜ao atue sobre ele. No primeiro caso, examinamos um evento; no segundo, uma lei. Pela descric¸ ˜ao de Mill, a deduc¸ ˜ao inversa seria um caso de explicac¸ ˜ao de uma lei.

A partir dessas condic¸ ˜oes iniciais (a massa de B, o coeficiente de atrito de S e a velocidade de B), em conjunto com certas leis universais, poder´ıamos deduzir um progn ´ostico (uma previs ˜ao). Essas condic¸ ˜oes iniciais s ˜ao coloquialmente chamadas de “causa”, e o progn ´ostico ´e o “efeito”. Ou seja, n ˜ao podemos falar de causa e feito de maneira absoluta; um evento s ´o pode ser causa de outro evento em relac¸ ˜ao a um conjunto de leis universais. So- mente assim podemos dar a explicac¸ ˜ao de um evento espec´ıfico. Ainda durante essa etapa devemos relatar todos os eventos que podem vir a contraditar a lei aqui utilizada (todos aque- les eventos proibidos pela lei em quest ˜ao)19. Ao tratar apenas das leis, a an ´alise de Mill n ˜ao difere da proposta popperiana. Inclusive ele poderia at ´e mesmo aceitar que tend ˆencias pu- dessem vir a ser reduzidas a leis universais. Se isso fosse realmente poss´ıvel conseguir´ıamos cruzar o abismo at ´e ent ˜ao intranspon´ıvel entre leis e tend ˆencias. Mas a explicac¸ ˜ao de Mill ´e falha pela constante confus ˜ao entre o que seria uma lei e o que seriam as condic¸ ˜oes iniciais na explicac¸ ˜ao de um evento singular. Nunca h ´a certeza sobre o termo “causa” e se ele faz

16Ao afirmar que uma “uniformidade” ´e uma “lei emp´ırica”, Mill j ´a utiliza termos amb´ıguos para definir o que ´e uma uniformidade da hist ´oria. Afinal, qualquer lei natural ´e uma lei emp´ırica.

17Cf. cap. 1, especialmente § 1.2. Para o exame do escrito popperiano, principalmente LScD, caps. 1-6. 18Mesmo ap ´os uma teoria (ou sentenc¸a) ser falseada ela ainda continua v ´alida, se pode dizer como um caso limitador de uma nova teoria proposta. Cf. LScD, pp. 60-67.

19A pr ´opria formulac¸ ˜ao da lei pode ser exposta de maneira existencial negativa, proibindo certos eventos de acontecer.

Belgede TIBBİ SEKRETERLİK SEMİNERİ (sayfa 46-49)

Benzer Belgeler