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5. BULGULAR

5.1. Bazı Tatlısu Salyangozlarının Yağ Asiti İçeriği

Em 1717, o conde de Assumar afirmava que as variedades de estradas e veredas para as Minas eram muitas e que “os caminhos eram tantos, que também grandes eram os danos causados às Capitanias do Rio de Janeiro e de S. Paulo e Minas”.384F385 Também

eram muitos os caminhos das Minas para a Bahia. A maioria deles localizava-se às margens do rio São Francisco e de alguns dos seus afluentes, principalmente os da margem direita. Como os demais, era suscetível a ataques de negros fugidos, de animais e de índios. As doenças e o improviso acompanhavam aqueles que se aventuram pelo desconhecido. As dificuldades geográficas do caminho foram consideradas maiores dos que os percursos íngremes defrontados por aqueles que enfrentavam os caminhos para as Minas vindo do Rio de Janeiro e São Paulo: “aparecem Serras, e matos tão impenetráveis, que nem os paulistas os entrarão nunca, nem sabem dar razão da sua qualidade nem do seu fim”.385F

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Contrariamente, Antonil registrou ser este o caminho preferencial para o comércio com as Minas por ser “muito melhor que o do Rio de

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BOXER, Charles R. Op. cit. 2000. p. 64.

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COSTA, Antônio Gilberto. Os caminhos do ouro e a estrada real para as minas. In: Antônio Gilberto Costa (Org.). Os caminhos do ouro e a estrada real. Belo Horizonte: Ed. UFMG; Lisboa: Kapa Editorial, 2005. p. 28-151, p. 43.

385 Anais do Museu Paulista. Tomo IV. Caminhos e roteiros nas Capitanias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas por Theophilo Feu de Carvalho. p. 690-691.

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135 Janeiro, e da Vila de São Paulo: porque, posto que mais comprido, é menos dificultoso, por ser mais aberto paras as boiadas, mais abundante para o sustento, e mais acomodado para as cavalgaduras e para as cargas”.386F

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Foi aquele, mesmo anônimo, o responsável pelo registro mais detalhado que se tem dos caminhos da Bahia para as Minas e quem afirmou se tratar de várias artérias e não apenas de uma única via que ligava não só a Bahia, Pernambuco e Maranhão às terras de Minas Gerais: “este caminho é geral para todas as povoações da Bahia, Pernambuco e Maranhão assim das da costa do mar, como dos recôncavos, e sertões dos seus distritos, porque de todas as partes e povoações das ditas capitanias há hoje caminhos, comunicação, e trato para os currais do rio de São Francisco”. As várias passagens culminaram, segundo o narrador, a um só caminho após chegar-se ao arraial de Mathias Cardoso:

todos os caminhos que entram no rio São Francisco a um só caminho, do Arraial do Mathias Cardoso seguem pela beira do mesmo rio por distância de cem léguas pouco mais ou menos até a barra que nele faz o rio das Velhas, na qual deixado o dito rio São Francisco seguem pela beira do das Velhas até se encontrarem com as minas de que a beira delas se tira ouro [...]. Deste rio das Velhas se apartam outra vez diversos caminhos para todas as minas descobertas, assim para as chamadas gerais, como para as do Serro do Frio, e para todas as outras de que se tira ouro por entre aquelas dilatadas Serras.387F

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Do arraial de Mathias Cardoso, vários caminhos davam acessos às regiões mineradoras dos sertões de Minas Gerais e da Bahia. Estas aberturas, para ele, antecederam o surto das descobertas auríferas e teriam sido construídas pelas bandeiras paulistas que eram responsáveis pela conexão entre as vilas paulistas e a Bahia. Prosseguindo a descrição, afirmou que os baianos não tinham necessidade de abrirem outras rotas, uma vez que os paulistas já tinham realizado a tarefa: “que logo no mesmo princípio do descobrimento do ouro, atraídos também pela fama dele os moradores das beiras, e sertões do rio São Francisco começaram a subir para as Minas pelo mesmo caminho que trazia os Paulistas para o dito rio, sem lhe ser necessário abrir outro de novo”.388F

389

387

ANTONIL [João Antônio Andreoni]. Op. cit. 1963. p. 85

388

ANAIS BN. Volume 57. Informações sobre as minas do Brasil.... p. 173-174.(igual nota 39).

389

136 Foi Antônio Gonçalves Figueira, oficial da bandeira de Mathias Cardoso, o responsável pela abertura do caminho do São Francisco até a ribeira do Jequitahi e depois até o rio das Velhas. Para Antonil, da Cidade da Bahia, chegava-se à Cachoeira de onde se dirigia para a aldeia de Santo Antônio de João Amaro (João Amaro) e desta localidade, seguia-se para Tranqueira (Rancho dos Crioulos — Paramirim). Da Vila de Cachoeira à Tranqueira, percorria-se um trajeto de 40 léguas, de Tranqueira ao Arraial de Mathias Cardoso, o percurso era de 52 léguas e deste Arraial até o rio das Velhas, a distância era de 54 léguas.389F

390

Em Tranqueira, o caminho bifurcava-se. Pela direita, se alcançava os currais do Gonçalves Figueira, às margens do rio das Rãs, depois seguia em direção aos currais de Antonio Vieira Lima (Palmas de Monte Alto), de onde se dirigia para o Mathias Cardoso. Pela esquerda, seguia o caminho aberto, provavelmente, por João Gonçalves do Prado, que aqui considero como sendo continuado do aberto pelo capitão João Gonçalves da Costa. Era também a partir da bifurcação de Tranqueira (Paramirim) que o percurso coincidia com a abertura de João Gonçalves da Costa orientada pelo rio Pardo e pelo rio Preto até alcançar a Serra de Itacambiruçu, daí orientada pelo rio com o mesmo nome. A imagem cartográfica apresentado indica a localização dos caminhos que conectavam os territórios de Minas Gerais e da Bahia e foi registrado pelo autor com o nome de

Planta geográfica que corre da Bahia de Todos os Santos até a Capitania do Espírito Santo e da Costa do mar até o rio de São Francisco em que se contem e que há mais rentável e clandestino nos marcos pertencentes nas Capitanias da Bahia e Minas Gerais nela compreendida para melhor [?] perda das cartas e que achar estrada. Escala: trecho de vinte léguas.390F

391

A cartografia, aqui incorporada à narrativa histórica, traduz as indefinições e as preferências do autor em relação ao território da Bahia por ele representado de forma

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Anais do arquivo público e do Museu do estado da Bahia. Ano II, Volume III. Bahia: Imprensa oficial do estado, 1918. Redação de Francisco Borges de Barros. p. 207.

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APM. SC 05. Map 5/1. Env. 2. Planta geográfica do continente que corre da Bahia. Documento publicado em: COSTA, Antônio Gilberto. Os caminhos do ouro e a estrada real para as minas. In: Op. cit. 2005. p. 28-151. p. 77. Costa o referencia da seguinte maneira: Coleção de Plantas Geográficas, ydrográficas, planos e prospectos relativos a algumas das cartas de Notícias Soteropolitanas e Basílicas de Luiz Vilhena. 1801. (BN – Manuscritos/10.2.26/pr3).

137 comprimida. A gigantesca comarca de Jacobina que abrangia todos os sertões da Bahia e do norte de Minas Gerais foi concebida como isolada por sequências geográficas que parecem “guardar” as comarcas de Minas Novas, do Serro do Frio e do Sabará. A leitura atribuída sobre o espaço parece assumir o discurso de inclusão dos sertões da Bahia à Capitania de Minas Gerais. Também denuncia os circuitos intrínsecos que interligavam as duas capitanias, numa demonstração clara da utilização do saber cartográfico como ferramenta de controle dos governos.391F

392

392

Há uma extensa bibliografia sobre este tema, dentre vários: ALMEIDA, André Ferrand de. A formação do espaço brasileiro e o projeto do novo atlas da América portuguesa. (1713-1748). Lisboa: CN-CDP, 2001; SANTOS, Márcia Maria Duarte dos (Orgs.). Minas Gerais em mapas. Catálogo do acervo do centro de referência em cartografia histórica. Instituto Casa da Glória, IGC/UFMG, CD_ROM. Belo Horizonte, 2003; BORGES, Maria Eliza Linhares. Verbete. Padres Matemáticos. In: ROMEIRO, Adriana, BOTELHO, Ângela Vianna. Dicionário histórico das Minas Gerais. Período colonial. Belo Horizonte: Autêntica, 2003; FERREIRA, Mário Clemente. O Mapa das Cortes e o Tratado de Madrid: a cartografia a serviço da diplomacia. Varia história. v.23 n.37 Belo Horizonte jan./jun. 2007; KANTOR, Íris. Usos diplomáticos da ilha-Brasil polêmicas cartográficas e historiográficas. Varia história. v.23 n.37 Belo Horizonte jan./jun. 2007; PEDLEY, Mary Sponberg. O comércio de mapas na França e na Grã Bretanha durante o século XVIII. Varia história. v.23 n.37 Belo Horizonte jan./jun. 2007; CORTESÃO, Jaime. História do Brasil nos velhos mapas. Rio de Janeiro: Instituto Rio Branco, 1961, 2v; COSTA, Antônio Gilberto. Op.cit. 2005; COSTA, Antônio Gilberto (Org.). Cartografia da conquista do território das minas. Lisboa/Belo Horizonte: Kapa Editorial/Editora da UFMG, 2004; DERBY,Orville. Um mapa antigo de partes das capitanias de S. Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Revista do arquivo histórico e geográfico de São Paulo. São Paulo, v. 5, p. 240-278, 1901; MICELLI, Paulo. O tesouro dos mapas.São Paulo: Instituto Cultural Banco Santos, 2002; MORAES, Fernanda Borges de. A rede urbana das Minas coloniais: na urdidura do tempo e do espaço. Tese (Doutorado em Arquitetura). Universidade de São Paulo. São Paulo, 2005; RENGER, Friedrich Ewald. A contribuição dos jesuítas na cartografia antiga de Minas Gerais. Anais do Congresso brasileiro de cartografia. Macaé, 2005. 12 p. Em CD-ROM; COSTA, Antônio Gilberto, RENGER, Friedrich Ewald e FURTADO, Júnia Ferreira. Cartografia das Minas Gerais: da capitania à província. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2002; SANTOS, Márcio. Estradas reais: introdução ao estudo dos caminhos do ouro e do diamante no Brasil. Belo Horizonte: Ed. Estrada Real, 2001.

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Mapa III:

Planta geográfica da Bahia de Todos os Santos à Capitania do Espírito Santo e da Costa do mar até o rio São Francisco.392F

393

O curso das águas era seguido como meio de garantir a sobrevivência e o registro das condições de descanso, identificava os sítios próximos e a alimentação disponível. O rio São Francisco foi desenhado de forma a parecer o provedor da joia

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139 mais preciosa393F

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do Brasil, ilustrado como um sustentáculo vital para a vida sertaneja. As comarcas localizadas à margem direita do rio foram demonstradas de forma paralela à margem direita, mostrando que o autor assumia a causa mineira de adesão, pois o território que ele considerou baiano aparece de forma condensada ao lado das demais comarcas de Minas Gerais: a do Sabará, do Serro do Frio e de Minas Novas. Sobre esta última só foi encontrado registro de sua criação como vila e não como comarca.

Estes caminhos eram, por excelência, também os espaços do contrabando e da maior circulação comercial dos primeiros anos do século XVIII, afirma Lima Júnior, sem informar, contudo, as fontes utilizadas e os motivos do decréscimo na arrecadação real:

até 1721, os caminhos do Rio de Janeiro e São Paulo rendiam, em média, juntos, onze arrobas e meia de ouro, em direitos de entrada. Nesse mesmo período o caminho da Bahia arrecadava onze arrobas de ouro. Desse ano em diante até 1724, as cifras do caminho da Bahia atingem a 25 arrobas de direitos, estacionando para decrescer, depois de 1724, a insignificantes quantias.394F

395

O intenso trânsito significava também o imenso descaminho do ouro, conforme se vê em ordem de dom Lourenço de Almeida, em 1729: “porquanto pelo caminho dos Currais que vai pra Bahia e Pernambuco se descaminha muito ouro aos reais quintos, levando-os em pó ou em barra sem ser marcada na forma que s. mag. manda [...] ordeno que dê busca a todos os viandantes”.395F

396

Ao longo do percurso havia várias picadas e atalhos que dificultavam o patrulhamento e, em contrapartida, facilitavam o comércio clandestino de escravos e “a evasão do fisco, das entradas, dos dízimos e principalmente do gado”.396F

397

Diante destas práticas, é fácil compreender as iniciativas que foram tomadas para inibir o comércio da Bahia com as Minas. Em 7 de fevereiro de 1701, o

394

Carta régia do rei dom João V (1706-1750) a Vasco F. Cesar de Menezes, vice-rei e capitão general do mar e terra do estado do Brasil. 22 de abril de 1728. Transcrita em ACCIOLI, Ignácio. Op. cit. 1925. v. 2, p. 363-364.

395

Augusto de Lima Júnior. Op. cit. 1978. p. 40.

396

APM. SC 27. Registro de bandos, regimentos, ordens, portarias, petições, representações, propostas, despachos e cartas. 1724-1732. Ordem de dom Lourenço de Almeida. Vila Rica, 11 de março de 1739. f. 54v.

397

DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Sertões do rio das Velhas e das Gerais: vida social numa frente de povoamento. 1710-1733. In: FERREIRA, Luis Gomes. Erário Mineral. Organização de Júnia Ferreira Furtado. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro/CEHC; Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2001. (Coleção Mineiriana, Série Clássicos). p. 45

140 rei de Portugal,397F398 em correspondência a dom João de Lencastre, resolveu: “que desta

capitania se não continue pelos sertões com as Minas de São Paulo nem das ditas Minas se possam ir buscar gados ou outros mantimentos [...] nem também dela trazerem as Minas”.398F

399

De forma equivalente, em 1702, o governador do Rio de Janeiro, Artur de Sá e Menezes, reiterou, em bando, a proibição de comunicações comerciais entre as Minas e a Bahia pelo sertão, sob pena de multa e confisco: “servido por sua real ordem proibir todo o comércio do sertão da Bahia para este e deste para o da Bahia por assim convir seu real serviço”.399F

400

Em continuidade à política de proteção das Minas, o governador da Capitania de São Paulo e Minas Gerais definiu os critérios de permanência de estrangeiros nas áreas mineradoras: “que todos os estrangeiros, que se achava nestas Minas os faça logo embarcar pra o reino assim franceses como de qualquer outra nação, ainda que mostrem serem naturalizados reservando somente aqueles holandeses e ingleses que permitem os tratados”.400F

401

As preocupações da coroa foram estendidas ao corpo administrativo para que não se envolvesse com atividades de comércio:

que nenhum vice-rei, capitão general, governador, desembargador, ministros ou oficial de justiça ou fazenda, nem também os cabos ou oficiais da justiça que tivessem patente de capitão para cima, inclusive por não comerciar ou negociar por modo algum não só dos expressados na mesma lei mas por outro qualquer que possa haver nem por si por interpostas pessoas com qualquer pretexto se vá que seja visto de baixo das mesmas penas contidas na dita lei.401F

402

O mapa da fazenda Jaguara demonstra os vários caminhos existentes no território de Minas Gerais, não somente as artérias que alimentavam as aberturas

398 D. Pedro II, príncipe regente no período de 1667 a 1683 e rei entre os anos de 1683 e 1706.

399

DOCUMENTOS HISTÓRICOS. Registro de cartas régias. 1697-1705. Volume 84. 1949. Registro de carta de S. Majestade para o governador e capitão geral que foi deste estado D. João de Alencastre sobre desta Bahia não continuar pelos seus sertões com comércio algum para as minas de São Paulo. p. 170- 171.

400

DOCUMENTOS INTERESSANTES. Volume LI. 1930. Bando de Arthur de Sá e Menezes comunicando penas aos que transgredirem a ordem régia proibitiva das comunicações entre as Minas e a Bahia pelo sertão. 26 de junho de 1702. p. 109.

401

APM. SC 17. Registro de resoluções, bandos, cartas patentes, provisões patentes e sesmarias. 1710- 1713. Bando com que se declara ordem de S. Majestade sobre a expulsão dos estrangeiros pra fora destas Minas. Minas Gerais, 27 de agosto de 1711. f. 132.

402

APM. SC 02. Registro de alvarás, regimentos, cartas, ordens régias, cartas patentes, provisões, confirmações de cartas patentes, sesmarias e doações. 1702-1751. Alvará. Lisboa Ocidental, 27 de março de 1721. f. 63.

141 existentes entre a Capitania de Minas Gerais e da Bahia, mas também as conexões com as Capitanias do Rio de Janeiro e São Paulo. As fazendas que constituíram o Vínculo Jaguara se formaram ao longo do século XVIII e possuíam cerca de 50 léguas quadradas, aproximadamente 2.040 km². O núcleo original era constituído pelos sítios do Sumidouro e do Jequitibá, administrados, inicialmente, por Domingos Dias da Silva em fins do século XVII até 1716.402F

403 Mapa IV Fazenda Jaguara403F 404 403

CARRARA, Ângelo Alves. Minas e currais. Produção rural e mercado interno de Minas Gerais. 1674- 1807. Juiz de Fora: Editora da UFJF, 2007. Este último autor apresenta uma excelente Tabela de conversão de oitavas de ouro em réis. Ver. p.175.

404

142 As medidas protecionistas foram acompanhadas por ações de reconhecimento da região com a confecção de cartas cartográficas. A partir de 1719, o Conselho Ultramarino orientou o incentivo da produção de mapas sobre o Brasil e a coroa autorizou o levantamento cartográfico aos jesuítas Domenico Capacci e Diogo Soares — os “padres matemáticos” — responsáveis por recolher mapas e roteiros escritos por sertanistas e elaborarem o Novo Atlas do Brasil.404F

405

As descobertas proliferaram roteiros e mapas que descreviam os caminhos de acesso às riquezas para aqueles que se aventurariam pelo desconhecido. Infelizmente não foi possível identificar, ainda, os autores dos mapas encontrados sobre os sertões chamados de Babilônia confusa por Pedro Leolino Mariz e de a joia mais preciosa do Brasil pelo rei João V (1706-1750). O sertão norte de Minas Gerais e os sertões da Bahia foram retratados numa cartografia que denunciava as indefinições e imprecisões que as próprias autoridades e os aventureiros tinham acerca das fronteiras administrativas e territoriais entre as Capitanias da Bahia e de Minas Gerais.

O início do século XVIII foi também o momento em que, nos sertões, verificou- se o incentivo a viagens de reconhecimento e de exploração. As de reconhecimento objetivavam identificar as rotas usadas e também as picadas do contrabando, num desejo claro de identificar as condições de viagem para aqueles que se aventuravam às conquistas. As de exploração, muitas vezes, guiadas pelos roteiros, mapas e lendas das viagens de reconhecimento foram realidades por aventureiros e por agentes oficiais. Para os sertões em análise, as principais viagens de exploração foram administradas por Pedro Leolino Mariz e deram origem às aberturas do caminho do salitre e do caminho de João Gonçalves da Costa, além das explorações de João da Silva Guimarães.

a) O CAMINHO DO OURO FINO: JACOBINA À CIDADE DA BAHIA

Vários outros caminhos interligavam toda a Capitania da Bahia e abriam possibilidades de acesso à Capitania de Minas Gerais. As descobertas de minas em Jacobina provocaram a abertura de uma rota que as ligava à Cidade da Bahia (Salvador) e ficou conhecida como o “caminho do ouro fino”. O sertanista baiano, Joaquim

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SAFIER, Neil & FURTADO, Júnia Ferreira. O sertão das Minas como espaço vivo: Luiz da Cunha e Jean-Baptiste Bourguignon D’Anville na construção da cartografia européia sobre o Brasil. In: PAIVA, Eduardo França. (Org.). Op. cit. 2006. p. 263-278. p. 267.

143 Quaresma Delgado, ao passar pelo caminho, elaborou um relato diferenciado sobre os demais trajetos percorridos. Além do registro das condições de pouso e descanso ou disponibilidades de água e alimentos, ele denunciou que seu objetivo era o de pesquisar riquezas e, para isso, a descrição minuciosa serviria de guia às futuras explorações.

A distância entre Salvador e Jacobina, em linha reta, foi registrada por Pedro Barbosa Leal em 1727: “a distância, em léguas, da Cidade da Bahia (Salvador) para as minas de Jacobina era de 50 léguas e, por linhas tortuosas, seguindo a estrada por terra até entrar na cidade por S. João, 81 léguas, se o curso tomado for pelo porto de Cachoeira, 67 léguas”.405F

406 Salvador abrigava várias rotas destinadas a pontos diferentes do território. Já em 1698, o conde dos Arcos, ao informar sobre as missões do sertão da Bahia, registrou outros três caminhos que ligavam a capital da colônia aos sertões e a Sergipe del Rey:

chama-se um a estrada da Costa, por se encostando a ela pela parte do mar; o 2º o caminho da mata ou do sertão do meio; o 3º pela Água Fria da cachoeira, buscando a Pindá, e mais em breve o caminho do sertão de cima [...] o 1º distará do 2º mais de 30 léguas, e o 2º do 3º mais de 60 e todos três vão cortando como para o centro, para o Rio de São Francisco, distante da Bahia 100 léguas e por algumas partes mais, segundo o maior ou menor giro das estradas, que a ele se encaminham.406F

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O primeiro caminho seguia pela costa do mar por uma distância de 60 léguas até alcançar Sergipe del Rey; o segundo seguia o curso do rio são Francisco por 100 léguas até as povoações de Itapicutu, Lagarto, Itabayana e Geremoabo, localidades identificadas como do “sertão do meio”. O terceiro caminho, mais próximo de Salvador, tinha entre 17 e 18 léguas e ligavam as freguesias de N. Sra do Rosário na Cachoeira, de São Gonçalo e a de São Joseph das Taparorocas. Este caminho também conduzia às capelas de N. Sra da Conceição e N. Sra do Desterro. A ilustração deste caminho encontra-se no Mapa III.

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DOCUMENTOS INTERESSANTES, volume XLVII. 1929. Carta do coronel Pedro Barbosa Leal ao