1.1.3. Döviz Kuru Sistemleri
1.1.3.2. Bazı Alternatif Kur Sistemleri (Karma Döviz Kuru Sistemleri)
Uma outra formulação teórica que busca a crítica da tradição hegemônica liberal- representativa é da Teoria Democrática Participativa. Herdeira dos movimentos contestatórios da década de 1960, a democracia participativa está atenta à descrença do cidadão comum em relação à política institucionalizada, calcada na avaliação de que o sistema representativo não se mostra capaz de promover a inclusão das diferentes perspectivas e interesses presentes na sociedade. Entre seus teóricos, destacam-se Carole Pateman (1970), C. B. Macpherson (1977), B. Barber (1984), G. Baiocchi (2001), Boaventura de Souza Santos (2002), Leonardo Avritzer (2002), Pedro Ugarte (2003), Maria Benevides (2003), Evelina Dagnino (2007), entre outros.
“O modelo participativo se desenvolve com o intuito de promover uma visão maximalista da democracia, procurando levar a ideia de participação para além do voto eleitoral periódico, buscando encontrar novos espaços (...) de participação política, além da busca por um maior controle das decisões estatais através de mecanismos de prestação de contas”. (Pereira, 2008: 426)
Com a democracia participativa busca-se a crítica ao cânone hegemônico da democracia liberal contestado na sua pretensão de universalidade e exclusividade, abrindo-se, assim, espaço para credibilizar concepções e práticas democráticas contra-
hegemônicas (Santos e Avritzer, 2002). Os mecanismos de participação devem ser percebidos como antídotos aos vícios e desvios da democracia eleitoral-representativa, mas está, no entanto, descartada a pretensão de que os mecanismos de participação possam vir a substituir a representação para cargos executivos e legislativos.
“O debate contemporâneo sobre a democracia participativa emerge como resposta às características elitistas e excludentes das democracias eleitorais e às teorias que fundam a compreensão limitada e o limitante dessas democracias. (…) Em contraste, a democracia participativa tem outra visão, cujo fundamento é a ampliação do conceito de política mediante a participação cidadã e a deliberação nos espaços públicos, do que deriva uma noção de democracia como um sistema articulado de instâncias de intervenção dos cidadãos nas decisões que lhes concernem na vigência do exercício do governo”. (Dagnino, 2007: 17)
Na democracia participativa, o processo decisório ocupa centralidade, concepção inspirada na visão clássica de Jean-Jacques Rousseau (Do Contrato Social, 1762). Aos cidadãos devem ser asseguradas instâncias de decisão, institucionalmente reconhecidas, em todas as esferas da sociedade, incluindo as econômicas e o espaço da indústria (Cole, 1920), nas quais lhes são reservadas condições de exercício do poder. Objetivamente, a democracia participativa almeja, nesses espaços, a conquista de influência, de controle e
“toma como ponto de partida a instituição original de Marx de que o mercado capitalista cristaliza desigualdades anteriormente produzidas, sendo a mais importante dentre elas aquela entre os detentores dos meios de produção e aqueles obrigados a vender sua força de trabalho”. (Nobre, 2004 :33)
As instituições da democracia participativa podem ainda se constituir em importantes mecanismos de controle, inclusive da ação estatal e dos políticos, bem como eficazes instrumentos de implementação de políticas públicas. Os fóruns participativos são as novas instituições de participação popular e de produção de decisões políticas públicas (Avritzer e Wampler, 2004) erguidas no contexto Estado e Sociedade Civil.
“A institucionalização de práticas de participação popular têm o apreciável mérito de corrigir a involução do regime democrático [distância entre o povo e os órgãos de decisão nas sociedades contemporâneas], permitindo que o povo passe a se interessar
diretamente pelos assuntos que lhe dizem respeito e, sobretudo, a se manter informado sobre os acontecimentos de interesse nacional”. (Benevides, 2003: 115)
Portanto, para ser democrática, a participação deve ser livre. Se há uma noção irmanada do conceito de democracia participativa, esta é a ideia de autonomia política.
“O conceito de democracia evoca a ideia de autogovernos; da liberdade positiva, entendida como a faculdade dos indivíduos de participarem na tomada das decisões a que são submetidos. A democracia é o regime em que a imposição heterónoma dissolve- se – ou, ao menos, legitima-se – mediante a participação autônoma dos destinatários das normas em sua elaboração. A imagem kelseniana da democracia como o regime em que as diretrizes ascendem da base em contraposição à autocracia em que as decisões descendem do alto é eloquente. É neste sentido íntimo, originário e fundamental que a ideia de democracia vincula-se à noção de participação: as decisões vêm de baixo porque os cidadãos participam de sua elaboração”.30 (Ugarte, 2003: 95)
A tradição democrática participativa encontra inspiração nas ideias de Jean- Jacques Rousseau (1762) e de Stuart Mill (1859), ainda que tenha sido Carole Pateman, em Participation and democratic theory (1970), a autora a organizar a crítica à onda elitista da democracia que se desenvolveu desde Capitalism, Socialism and Democracy (1943) de Joseph Schumpeter (Pereira, 2008: 38). É a partir de Pateman que se organiza a critica à concepção schumpteriana de participação dos cidadãos, ou seja, dos representados, restrita aos processos eleitorais.
De Rosseau deriva a ideia de que a participação deve ser livre, ou seja, exercida por todos os integrantes da sociedade e não pode estar sujeita à imposição e a fatores condicionantes, como a desigualdade econômica entre os cidadãos. Também é de Rosseau a concepção de que a participação é capaz de produzir uma espécie de processo educativo, no qual se dá o aperfeiçoamento individual dos participantes, perspectiva que também é compartilhada por Mill, para quem a diferença de opiniões oferece uma oportunidade para o esclarecimento de perspectivas públicas e favorece o avanço. Hannah Arendt (1968) defende que interações com atores que possuem diferentes pontos de vista são essenciais para compreender e apreciar as perspectivas dos outros31.
30. Texto apresentamo por Pemro Salazar Ulgarte no Seminário Internacional “Participación y Políticas Sociales em el Espacio Local. Balance y Agenma”. IISUNAM-INDESOL-UNESCO-CIDE. Cimame mo México, 21 e 22 me agosto me 2003. 31. Do original, “essentialpforpusptopcomprehendpandptopcomeptopappreciatepthepperspectivepofpothers” (Arenmt, 1968: 241).
“Mill também vai reafirmar, assim como Rosseau, o carácter educativo do processo participativo e a conexão entre as instituições e os indivíduos, onde os segundos agem de forma socialmente responsável em função dos primeiros”. (Pereira, 2008: 38)
Outra contribuição importante de Stuart Mill, recuperada por Carole Pateman, é a noção de que o espaço de ação política é o nível local, pois ali o indivíduo reconhece onde e como contribuir e percebe efetivamente os resultados das políticas definidas (Pereira, 2008: 38).32
A democracia participativa centra forças na revitalização das instituições tradicionais (parlamento, executivo e judiciário), mas também almeja a criação de experiências inovadoras. O desafio imposto é a necessidade da inclusão de diversos atores e segmentos da sociedade, tradicionalmente excluídos do processo de decisão e do exercício do poder, e o controle e a fiscalização das instituições formais.
“[S]e vê no aumento dos canais da reflexão coletiva a possibilidade de aumento do controle (accountability) dos políticos profissionais e da alta burocracia do Estado; mas à participação popular na micropolítica acrescenta-se uma dimensão de eficácia: feita com deliberação (diga-se com inteligência), tal participação seria melhor alternativa para implementar as políticas estatais, além de combater a apatia”. (Araujo, 2004: 157)
A democracia participativa carrega consigo a possibilidade do conflito (Mouffe, 2000; Gürsözlu, 2009) – grupos e indivíduos disputam, nas arenas públicas, espaço e influência na tentativa de assegurar a inclusão e a efetivação de suas demandas. Os indivíduos também não participam em condições de igualdade: há diferenças em relação à escolaridade, renda, acesso à informação etc. Na democracia participativa há uma polarização entre concepções nos espaços públicos, buscando a democratização permanente desses últimos – neste sentido atende aos desafios de inclusão em uma sociedade pluralista.
E não basta a inclusão de diferentes perspectivas, é necessário que se dê a efetiva inclusão dos atores que as professem, considerados seus interlocutores e representantes legítimos. É necessário esclarecer quem são os cidadãos, de qual participação se trata e quais são suas modalidades (Ugarte, 2003: 93). Na democracia participativa se faz presente a variável 'interesse', que explica a mobilização das pessoas em torno de um debate público (Mansbridge, 1995), e a variável 'poder',
32. Para mais informações sobre as concepções mefenmimas por Rosseau e Mill, apropriamas por Carole Pateman, ver Pereira, 2008: 37-46.
capacidade de influenciar um debate que objetiva a tomada de uma decisão.
Sobre a democracia participativa, assim como sobre a democracia deliberativa, recaem críticas de que esta tradição mantém-se alinhada e credora das instituições democráticas modernas representativas. Mas isso não é um problema, pois como foi esclarecido anteriormente, as duas tradições não objetivam suplantar a democracia representativa. De acordo com Pereira (2007), esta é, sobretudo, uma crítica ao modelo participativo proposto por Santos (2002), que não se liberta da agregação. Tem-se o aumento da participação dos cidadãos nas decisões públicas, mas esta ampliação de natureza quantitativa não é acompanhada por uma ampliação de natureza qualitativa.
“[O] processo de formação e das motivações das preferências dos indivíduos continua a manter a componente agregativa, considerando as preferências dos cidadãos como dadas. Dessa forma, o autor acaba por ficar demasiadamente ligado às proposições de Pateman e Macpherson, também teóricos agregacionistas”. (Pereira, 2007: 437)
Outra crítica é, ao mesmo tempo, um dilema para a própria teoria. A participação desqualificada, ou seja, quando há participação pela participação, o que tende a ser alienante. Esta disposição não qualificada de fazer parte, que também é um risco para a tradição deliberativa, não confere ao participante condições plenas de exercício da cidadania. Por isso, é fundamental o acesso a informações, as discussões prévias e a qualificação de argumentos e posições.
“A simples disposição [de participar] sem um entendimento esclarecido, tende a ser cega, ameaçando o próprio valor da participação”. (Araujo, 2004: 157)
Mas esta espécie de risco é também, como indica Cícero Araujo (2004), uma oportunidade: o temor de uma participação inócua leva esta tradição a se aproximar, como propõe Dagnino (2006), da perspectiva deliberativa. Ou seja, a participação não se dará sem discussão (Dagnino, 2006), que sempre deverá se fazer presente antes do anúncio de uma decisão.
Dagnino percebe a deliberação como participação, ou seja, como um mecanismo de tomada de decisões – a decisão não deve ser tomada sem a existência de um debate prévio. É a argumentação, o debate, que “permite reconhecer as novas demandas e desenvolver a crítica como campo de ação política” (Dagnino et. al, 2006: 24).
participativa como uma abordagem “vizinha” da deliberação democrática. Álvaro de Vita (2004), considera “difícil entender por que a democracia deliberativa não seria simplesmente uma reformulação do ideal mais antigo de democracia participativa”. Sem entrar no debate sobre essas diferentes abordagens, a primeira, que oferece uma visão de complementariedade, e a segunda, que traz uma interpretação reformista, é possível afirmar que há pontos de interseção entre as duas perspectivas – a participativa e a deliberativa -, entretanto elas carregam ideias e concepções distintas. “Participation and deliberation are distinct ideas, and may even pull in opposite directions” (Ackermann and Fishkin 2004: 298-301), ainda que seja razoável afirmar que é possível identificar motivações deliberativas na perspectiva participativa e vice-versa.
No Capítulo II, a discussão a ser apresentada diz respeito à possibilidade de as novas Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs), em especial, a Internet – que se tornou a base de uma rede de comunicação horizontal global composta por milhares de subredes e estações interconectadas – contribuirem para a a abertura de canais e oportunidades destinados ao fortalecimento da esfera civil, podendo, até mesmo, resultar na possibilidade de modernização dos fluxos informacionais e no estabelecimento de uma ação comunicativa capaz de modificar e reestruturar formas de encaminhamento e realização das práxis política no interior das administrações públicas. Serão discutidas as debatidas as possibilidades de as redes interativas contribuirem para a criação de novos canais de participação e comunicação, bem como para a democratização do próprio aparato estatal, inaugurando uma nova perspectiva de governaça pública.