B) BAŞBAKANLIK ARŞİVİ’NDEKİ BAZI EVKĀF DEFTERLERİNDE EBRÛ
2. BATTAL VE BATTAL ZEMİNLİ EBRÛLAR
Com a aceleração no ritmo da mudança nos negócios, houve um crescimento tanto nos investimentos em TI como na importância estratégica desses investimentos. Devido a resultados freqüentemente insatisfatórios no gerenciamento dos projetos gerados por estes investimentos, muitas empresas decidiram criar em suas áreas de TI uma entidade denominada Escritório de Projetos (EP-TI). Voltado a centralizar assuntos relacionados ao gerenciamento de projetos, um EP-TI atua como uma camada formal de controle entre a direção da empresa e os gerentes de projeto de TI.
Muito embora exista um modismo em torno da criação de EP, muitas empresas não criaram um EP-TI e nem pretendem criá-lo. Isso suscitou a seguinte questão: quais são as condições organizacionais que levam empresas a criar um EP-TI e, por outro lado, quais são as condições que levam empresas a achar que não precisam fazer isso ? Uma busca na literatura não encontrou resposta satisfatória a essa questão. Muito embora inúmeras razões tanto para criar como para não criar EP sejam citadas na literatura, não se encontrou um estudo que integre estas razões em uma visão única e responda à questão acima com base no contexto organizacional das empresas.
Esta pesquisa pretendeu preencher esta lacuna na literatura. Para tanto, foram estabelecidos dois objetivos principais e cinco secundários. O primeiro objetivo principal consistiu em propor um modelo conceitual dos direcionadores da decisão de criação de EP-TI. Este modelo foi apresentado na Figura 9. O segundo objetivo principal consistiu em validar esse modelo e propor uma regra que permita distinguir as empresas que têm características para o estabelecimento de um EP-TI das empresas que não tem estas características. A validação do modelo foi efetuada e seus resultados apresentados na seção 9.3 Resultados, na subseção Significância Estatística e Prática da Função Discriminante e na subseção Classificação das Observações na Amostra. A proposição da regra foi efetuada na seção 9.3 Resultados, na subseção Estimativa da Função Discriminante. Os objetivos secundários estabelecidos encontram-se relacionados abaixo, juntamente com a referência ao ponto de texto que se demonstra sua consecução:
a) Obter na literatura os fatores que estimulam e os que desencorajam as empresas a criarem EP; ver Quadros 3 e 4;
b) Enriquecer e ampliar a lista obtida no item anterior através de estudos de caso de empresas que decidiram criar EP-TI e de empresas que decidiram não fazer isso; ver Quadros 10 e 11;
c) Elaborar um modelo de mensuração do modelo conceitual; ver Figura 10;
d) Obter dados de uma amostra probabilística da população de interesse; ver Figuras 13 a 16;
e) Aplicar análise discriminante aos dados coletados, visando testar estatisticamente o modelo conceitual, bem como formular uma regra discriminante para classificação de empresas sem EP-TI entre uma de duas opções: as que têm contexto para a criação de um EP-TI ou as que não têm esse contexto; ver Seção 9.3.
O modelo conceitual proposto na Figura 9 está baseado na literatura e em quatro estudos de caso exploratórios. O modelo explica as diferenças no contexto das empresas no momento em que elas decidem criar um EP-TI versus o contexto das empresas sem um EP- TI. Esse modelo propõe que a decisão de criação depende de quatro direcionadores: a satisfação com a entrega dos projetos, a importância estratégica do portfolio, a satisfação com o controle do portfolio e a opinião sobre Escritórios de Projetos. O contexto da empresa determina a força e o sentido desses direcionadores; a soma de seus efeitos determina a decisão da empresa entre criar ou não criar um EP-TI. A validação do modelo conceitual e elaboração de uma função discriminante foi feita através do estudo do contexto do tema EP- TI em uma amostra aleatória de 40 empresas obtida de uma população de 231 grandes empresas brasileiras, privadas, não orientadas a projetos. Aplicando-se análise discriminante aos dados obtidos, foi possível tanto testar o modelo conceitual como também desenvolver uma regra para discriminar dentre as empresas sem EP-TI as que têm contexto para criar a entidade das que não têm este contexto.
Os resultados da análise dos dados permitem tirar 3 conclusões principais. Primeiro, a criação de EP-TI na população de interesse é um fenômeno importante, recente e, no momento, tudo indica que o EP-TI veio para ficar, não se tratando, portanto, de uma moda administrativa passageira. De fato, metade das empresas na amostra criaram um EP-TI, tendo esta criação ocorrido em 80% dos casos em 2006 ou após. Ademais, existe entre as empresas que criaram o EP-TI quase unanimidade em discordar inteiramente da afirmação de que estão considerando fechar o EP-TI, muito embora reconheçam que a entidade ainda pode evoluir em termos da contribuição proporcionada para o negócio. Segundo, verificou-se que duas das
variáveis consideradas relevantes na primeira fase da pesquisa não são estatisticamente significativas para diferenciar o contexto das empresas quando elas decidem criar um EP-TI versus o contexto das empresas sem EP-TI. As duas variáveis não significativas são a satisfação com a entrega dos projetos e a importância estratégica do portfolio de projetos. Concluiu-se que grande parte da informação contida na variável satisfação com a entrega dos projetos está disponível na variável satisfação com o controle do portfolio, pois ambas tem correlação moderadamente forte. A variável satisfação com o controle do portfolio, contudo, é mais significativa em termos da capacidade de discriminar os grupos, por isso prevaleceu e foi inserida na função discriminante. Com relação à segunda variável não significativa, importância estratégica do portfolio, constatou-se que ela não discrimina os grupos, pois todas as empresas, independentemente do contexto, consideram que têm um portfolio de projetos de TI estrategicamente importante. Dúvidas surgiram a respeito deste resultado: será ele fruto de um viés dos respondentes, que visam valorizar a área de TI, ou efetivamente a maioria esmagadora das empresas tem um portfolio de projetos em TI estrategicamente importante ? Mais pesquisa a respeito é necessária para esclarecer este ponto, conforme comentado na seção 11.1. Terceiro, o modelo reduzido contendo as variáveis que resultaram significativas confirmou as hipóteses de pesquisa com relação ao seu efeito sobre a decisão de criação de EP-TI. A função discriminante obtida indica que empresas com baixa satisfação com o controle do portfolio e opinião favorável sobre EP têm contexto para criar EP-TI, e vice- versa, isto é, que empresas com alta satisfação com o controle do portfolio e opinião desfavorável sobre EP não têm contexto para criar EP-TI. Entre essas duas variáveis, a satisfação com o controle resultou mais importante. Portanto, empresas com baixa satisfação com o controle do portfolio sentem-se inclinadas a criar um EP-TI, mesmo que tenham uma opinião desfavorável sobre EP. Por outro lado, empresas com alta satisfação com o controle não se sentem inclinadas a criar um EP-TI, mesmo que tenham uma opinião favorável sobre a entidade. Cabe destacar ainda dois pontos sobre o modelo reduzido obtido. O primeiro ponto é que a função discriminante apresentou uma taxa de acerto de classificação dos casos da amostra bastante satisfatória (90% no método de validação cruzada), proporcionando evidência empírica da validade do modelo que explica a criação de EP-TI em função das variáveis satisfação com o controle do portfolio e opinião favorável sobre EP. O segundo ponto é que cerca de 56% da variação entre grupos é explicada pelas variáveis discriminantes. Embora não tenham sido encontradas referências para esses valores, parece lícito afirmar que a função discriminante calculada representa razoavelmente bem as diferenças entre os grupos.
A principal contribuição acadêmica deste estudo é a proposição de um modelo empiricamente validado que explica as diferenças contextuais entre as empresas que decidem criar um EP-TI – no momento em que elas tomam a decisão de criar o EP-TI - e as empresas que não tem EP-TI. Através desse modelo, é possível entender porque muitas empresas decidiram criar um EP-TI, enquanto outras acreditam que não precisam fazer isso. Acredita-se que este modelo possa ser aperfeiçoado, oferecendo interessantes oportunidades de pesquisa futura. Esta pesquisa oferece ainda duas contribuições acadêmicas de menor importância relativa. A primeira é o estabelecimento de um quadro de referência que vai auxiliar pesquisadores interessados em estudar os benefícios proporcionados por EP para o negócio. Foi demonstrado que o principal motivador para a criação do EP é melhorar a satisfação com o controle do portfolio. Este ponto tem sido negligenciado na pesquisa sobre resultados proporcionados por EP. Logo, esta pesquisa pode redirecionar pesquisas futuras a respeito deste tema. A segunda contribuição acadêmica de menor importância é a proposição de um índice – ainda pendente de validação externa – para medir a satisfação de uma empresa com o controle do seu portfolio de projetos. Não se encontrou na literatura uma índice com esta finalidade e acredita-se que ele pode ser útil futuramente para pesquisadores interessados tanto no tema EP como no tema Gestão de Portfolio de Projetos.
Para a prática, a principal contribuição desta pesquisa consiste em oferecer um apoio a executivos confrontados com a decisão de criar ou não criar um EP-TI, mas que hesitam em tomar uma decisão. Ao aplicar a regra discriminante proposta, será possível classificar uma empresa como tendo um contexto similar ao de empresas que decidiram criar um EP-TI, ou por outro lado, um contexto similar ao de empresas que não tomaram esta decisão. Em suma, este estudo pode auxiliar executivos a tomar decisões mais acertadas sobre a criação ou não de um EP-TI.
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ANEXO A – Roteiro de perguntas usado nos estudos de casos (empresas com EP-TI)
PESQUISA SOBRE GERENCIAMENTO DE PROJETOS EM TI
1. Características da carteira de projetos de TI
Número de projetos em andamento simultaneamente
Número de projetos concluídos por ano Número de profissionais que exercem cargo de gerência de projetos em TI (PM)
Número médio de projetos alocados a cada PM
Duração típica dos projetos
Orçamento típico dos projetos (R$) Percentual de projetos concluídos no prazo, dentro do orçamento e com o nível de qualidade esperado pelos clientes.
Outras características relevantes
2. Características da cultura da empresa com relação a gerenciamento de projetos
- Importância dada ao gerenciamento de projetos e ao planejamento pela alta e média gerência (nenhuma, pouca, alguma, considerável, muita)
- Importância dada à adoção das melhores práticas de negócios existentes no mercado pela alta e média gerência (nenhuma, pouca, alguma, considerável, muita)
- Existência de cargos e carreira na função de gerenciamento de projetos
- Nível de estruturação dos processos para gestão dos projetos e da carteira de projetos (nenhum, pouco, algum, considerável, muito)
3. Características e Papéis do EP-TI (só para organizações com EP-TI)
- Nome formal do EP-TI. A quem reporta o responsável pelo EP-TI? Quantos níveis separam o responsável pelo EP-TI do CIO ?