1.5. Orta Asya Ülkeleri
1.5.6. Özbekistan’da Özelleştirme
Como vimos, o processo de se reculturar exige conjuntamente nova percepção do tempo. Dessa maneira, uma tentativa de organizar o tempo para aprendizagem também pode ser vista no discurso dos aprendizes, como podemos inferimos nos exemplos que seguem:
4.Speak about course Quinta, 11/12/2003, 10:36:42
C
Hi, P2!
I would like to know if the course going to finish in this Saturday next day 13/12/03. I*d like also to know if I*ve some thing finished in the course. thank you very much!
Gilmara.
Voltar ao topo
5.Subject:Speak about course Quinta, 11/12/2003,
22:17:49
P2
Hi Cleide
The course is supposed to finish the following saturday - 20th december. After saturday, I will send to each of you what tasks you still have to fulfill, if you have missed any of them. This way, you would have time to finish off until 20th december.
Voltar ao topo
6.Re: Subject:Speak about course Sexta, 12/12/2003, 08:24:57
A
Hi, teacher P2!
Thank you by attention.
Yes, I*ve time to finish off until 20th December, but I think that already finished.Could you to check for me, please?
Nesse segmento, C inicia sua mensagem pedindo esclarecimento sobre o término do curso, no tocante às possíveis tarefas que ela não tenha feito. Em seu discurso, observa-se o uso do modalizador “I would like to know”, seguido da condicional “if the course going to finish in this Saturday next day 13/12/03”, que produz um efeito de hipótese, o que, na verdade, é uma confirmação. Logo em seguida, C produz um enunciado semanticamente semelhante ao anterior. A mensagem é encerrada com um agradecimento “thank you very much!”. P2, por sua vez, responde à C, esclarecendo a data exata do término do curso “The course is supposed to finish the following saturday - 20th december”. Porém, não dá certeza de que as atividades foram realmente completadas, pois a professora opta pelo condicional “if you have missed any of them”, não esclarecendo C. Por conta disso, A novamente produz outra mensagem, agradecendo a pronta resposta – “Thank you by attention” – e solicitando
novamente que a professora verifique agora suas tarefas, para que ela também tenha a certeza de que foram cumpridas– “but I think that already finished.Could you to check for me, please?” – , apesar de a clareza dessas informações estar visualmente disponível na agenda do curso. Os professores-alunos sentem a necessidade de confirmar, com a professora, o término do curso.
Dessa forma, percebemos quanto o fator tempo se faz importante para esse grupo, até pelo motivo de que, como vimos no capítulo metodológico, muitos trabalhavam além de trinta horas. Como é natural na vida docente estavam eles entulhados de atividades, como avaliação, entrega de notas. É próprio que os professores-alunos se preocupassem com a distribuição de seu tempo profissional, com seu tempo como aprendiz no curso on-line.
Como já sabemos, professores, de modo geral, podem trazer percepções sobre a noção de um tempo pautado na hora-atividade, em tempo previamente estabelecido, em minutos e em séries que procuram determinar a forma como a aprendizagem se constitui no contexto escolar (Kleiman & Silva, 1999).
Diante do universo digital, essa interpretação, com relação ao tempo, pode se tornar obsoleta, não conseguindo se enquadrar diante das inúmeras possibilidades que as ferramentas tecnológicas podem oferecer. Tais acomodações podem ser vistas no próprio entendimento dos professores-alunos sobre essa questão.
Eu me lembro que na época muita gente desistiu, vários professores desistiram em conseqüências acho ...uma questão de tempo, né? (entrevista, 12/10/2005).
No relato dessa aprendiz, se constata a percepção temporal como um dos fatores que dificultaram adaptações de alguns participantes, acarreando desistência daqueles que não conseguiram trilhar os caminhos do curso on-line. Essa dificuldade em equacionar o tempo pessoal e os afazeres do curso já foi
observada por diversos pesquisadores (Paiva, 2001; Costa, 2003; Von Staa, 2003; Carelli, 2003). Constataram que a falta de disponibilidade de tempo para a dinâmica assíncrona e síncrona da aprendizagem on-line gerou abandono de curso a distância. Esse novo ritmo, diferentemente dos cursos convencionais, demanda o aprendizado de novas formas de movimentação nesse novo espaço, o que implica se programar na nova temporalidade dos cursos on-line. Essa dificuldade em direcionar o tempo no curso foi, por várias vezes, motivo de preocupação dos professores-alunos. Os trechos dos questionários (veja anexo) validam essa inquietação entre os discentes.
1.“A falta de tempo para realizar tantas atividades de
níveis complexos”
2. “Falta de tempo para terminar as atividade”
3. “Os motivos devem ter sido a princípio o horário”
4. “Falta de tempo para terminar as atividades”
Inicialmente, como podemos apreender, os participantes do curso denunciavam o fator tempo como uma das justificativas para a dificuldade de completar as tarefas. Essa situação é bastante compreensível se tivermos em mente que muitos desses profissionais da educação tinham uma carga horária de trabalho bastante elevada, somada a de pouca habilidade ainda em utilizar computadores. Dessa forma, o tempo utilizado por um usuário proficiente da Internet era infinitivamente menor se comparado com os professores-alunos desta pesquisa. Entretanto, é importante acrescentar que, apesar das dificuldades de gerenciamento de tempo, muitos conseguiram se organizar e participar do curso. Os extratos dos fóruns testemunham esse fato.
1. I like to study it a lot but I do not have enough time for spend in it. I would like to study all this topics with the students who have the same difficult as me.
2. But Ithank you God for this chance. All the teachers helpus on timeI like to study it a lot but I do not have enough time for spend in it
3. And, when we come back to search and select sites/texts, I
feel a bit of insecurity, but the time can help me to resolve this short problem, I am sure.
4. I would like to ask everybody to excuse me, I am really, really very busy at this moment. I hope in two weks I will have time to talk with everybody.
Nesses fragmentos, constata-se que, no primeiro exemplo, o professor- aluno reafirma sua dificuldade com o tempo. Apesar disso, no mesmo enunciado, ele coloca seu interesse pelo estudo (I like to study it a lot). Essa declaração nos possibilita inferir que elementos de ordem psicológica parecem coadjuvar para a reorganização temporal do comportamento do aprendiz perante as dificuldades encontradas, franqueando que os discentes se tornem mais atentos a seus objetivos educacionais.
No segundo exemplo, essa constatação sobre fatores de motivação interna aflora novamente (But I thank you God for this chance). O discente reafirma também a importância dos professores como um colaborador importante na reorganização de sua participação no ambiente digital.
No terceiro exemplo, o professor-aluno ilumina que apenas a experiência possibilita a compreensão mais detalhada da aprendizagem on-line. Isso ocorre, segundo ele, com o tempo de experimentação das práticas discursivas em ambiente digital (the time can help me to resolve this short problem). Essa afirmação se
tonifica pela adjetivação “short”, que minimiza a importância da dificuldade vivenciada pelo aluno. Além disso, o processo mental “I’m sure” fortalece a noção de possibilidade de solução dos obstáculos vivenciados. Nesse mesmo enunciado, fica claro o impacto de fatores emocionais na aprendizagem nesse ambiente “I feel a bit of insecurity”. Nessa linha, a preocupação das professoras, já debatida e analisada em seções anteriores, assume alento novo. Por essa razão, talvez elas procurem estruturar seu discurso de tal forma que auxilie os professores-alunos a superar esse momento crítico no curso.
À medida que os discentes vivenciam sua prática discursiva, no ambiente digital, mostra-se maior consciência sobre a distribuição de tempo na vida pessoal
e no curso. No terceiro exemplo, o discente declara que, no momento, se encontra atarefado (I am really, really very busy at this moment). Para isso, o professor-aluno se auxilia do processo relacional (I am), demonstrando a particularidade da situação, acrescido de adjuntos modais (really, very) e adjetivo (busy). Em seguida, um processo mental (hope) é selecionado, associado ao advérbio de tempo (two weeks), para, após isso, o discente apresentar uma oração futura que evidencia a possibilidade de reestabelecer a participação inicial. O verbo “will have to talk” é marcador dessa capacidade. Nessa toada, o professor-aluno patenteia a dificuldade inicial, procurando reestruturar seu tempo (two weeks) para a solução do estorvo encontrado. Essa justificativa apresentada pelo discente pode espelhar tentativas de reorganização temporal no ambiente digital.
Com relação a essa situação, Carelli (2003) assevera que é necessário orientações mais precisas respeitantes ao gerenciamento do tempo para os alunos que desejam participar de um curso a distância.
A percepção de um tempo também está relacionada com nova concepção de espaço, pois essas duas categorias estão diretamente ligadas. A separação entre espaço e tempo tem uma função apenas didática. Eu só posso pensar em um tempo se tenho noções claras do espaço social que terei de ocupar. Por conta disso, na próxima seção, detalho as percepções dos professores-alunos com relação ao espaço do curso.