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2.2 BASKETBOL TEMEL İLKELERİ

2.2.7 Basketbolda Şut Çeşitleri

Mais de duas décadas após a publicação de La notícia como discurso: comprénsion,

estructura y producción de la información, de Van Dijk (1990 [1988]), a notícia e o

Jornalismo como um todo, passaram por significativas mudanças. Antes, muito comum via jornal impresso, televisão e rádio, hoje a notícia também é produzida em larga escala na internet, popularizada por meio dos portais jornalísticos, blogs de jornalistas e até de outras pessoas adeptas à prática de divulgar informações correntes e recentes na internet.

Mesmo sabendo e vivendo o avanço do Jornalismo nos últimos anos, há muito o que se considerar, a partir desse clássico estudo de Van Dijk (1990 [1988]). Muito embora a perspectiva do autor seja mais para o âmbito do discurso, na teorização deste, encontramos direcionamentos e discussões importantes para o objeto de pesquisa analisado em nossa tese, a webnotícia. Um dos direcionamentos importantes diz respeito à própria definição de notícia como “o discurso jornalístico sobre os acontecimentos políticos, sociais ou culturais” (p. 18), com a diferenciação de outros textos também produzidos no meio jornalístico. Essa definição está relacionada ao sentido estrito de notícia, excluindo, por exemplo, informações de cotações de bolsa de valores, de previsões meteorológicas, que consistem basicamente na atualização diária de informações.

43 Em seu estudo, Van Dijk (1990 [1988]) utiliza a teoria das superestruturas e das macroestruturas textuais como fundamento teórico-metodológico na realização da análise dos dados, apontando para a necessidade de uma compreensão pautada no entendimento global dos discursos6. Nessa proposta, portanto, o discurso é analisado numa perspectiva macro e micro-estrutural. No sentido macro, conforme o autor, é preciso que haja uma macrossemântica, em que se considere os sentidos globais do discurso e permita compreender os sentidos de parágrafos separados e de discursos completos; e uma macrossintaxe, para caracterizar as formas globais do discurso, por sua vez, denominadas de esquemas ou superestruturas.

As superestruturas compreendem “modelos de organização totalizadora” (p. 48), que consistem, segundo Van Dijk, em categorias convencionais já conhecidas (o autor exemplifica essas categorias como as formas conhecidas de abertura ou fechamento nos discursos, os

scripts nas histórias, os títulos nas notícias etc.). As formas esquemáticas são entendidas como

formas vazias, que são preenchidas com um conteúdo, formando diferentes sentidos:

Essas formas esquemáticas totalizadoras são preenchidas com significados macroestruturais totais ou temas de um discurso jornalístico. A categoria de título em um discurso jornalístico, portanto, é apenas uma forma vazia, em que se pode inserir significados diferentes (podendo ser o assunto ou o resumo do texto completo). (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 487, tradução nossa8)

Numa primeira comparação, poderíamos nos indagar se o que o autor compreende como modelos de organização, formados por categorias convencionais conhecidas, pode ser comparado ao que entendemos por estruturas genéricas ou forma composicional dos gêneros, no sentido mesmo apresentado por Bakhtin (2003 [1979]), que, de alguma forma, também podem ser entendidas como categorias convencionais já conhecidas por nós e facilmente

6 Van Dijk (1990 [1988]) não utiliza o termo discurso como sinônimo de texto. Para o autor, o discurso vai além

das estruturas textuais, porque, do ponto de vista pragmático, desempenha uma interação, que também é uma forma de ação. Logo, na Análise do Discurso, o discurso é analisado a partir de uma integração entre o texto e o contexto “no sentido de que o uso de um discurso em uma situação social é ao mesmo tempo uma ação social” (p. 52).

7No original: “Estas formas esquemáticas totalizadoras se llenan con los significados macroestructurales totales

o temas de un discurso. La categoría de titular en un discurso periodístico, por lo tanto, es sólo una forma vacía, en la cual podemos insertar diferentes significados (mientras que este significado es un tema o resumen del significado del texto completo)” (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 48).

8

São de nossa responsabilidade as traduções de citações feitas de textos cujos originais estão em língua estrangeira. Por essa razão, a expressão “tradução nossa” aparecerá apenas nessa primeira ocorrência.

44 identificadas nos textos. Porém, não entendemos a forma como sendo vazia, na qual se inserem significados (ou conteúdos) diferentes (conforme veremos no capítulo 3). A forma, o significado e a ação (desenvolvida com o discurso) estão inter-relacionados, tanto no macronível (o todo discursivo) quanto no micronível (as partes do discurso). A forma não pode ser vazia de significado.

As macroestruturas são caracterizadas pelo autor em termos de proposições, que, em linhas gerais, são formadas pelos construtos de significados menores independentes da linguagem e do pensamento. Isso porque, no nível das macroestruturas, são analisadas as categorias semânticas, e a semântica não está relacionada apenas à significação, mas ainda à referência, e do ponto de vista referencial, “proposições são também unidades semânticas menores que podem ser verdadeiras ou falsas” (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 54)9

.

Já quando trata das superestruturas dos textos, Van Dijk (1990 [1988]) propõe um esquema que, segundo o autor, comporta as categorias da notícia. Nesse sentido, argumenta que a macroestrutura do discurso, que corresponde evidentemente ao seu significado total, “possui algo mais que seus princípios organizativos próprios” (p. 77)10

. Logo, é necessária uma “sintaxe total” que defina as formas possíveis como os assuntos ou temas podem ser inseridos e ordenados no texto real. Para o autor, essa forma global do discurso pode se definir nos termos de um esquema baseado em regras “formado por uma série de categorias hierarquicamente ordenadas, que podem ser específicas para cada tipo de discurso, convencionadas e, portanto, diferentes em sociedades ou culturas distintas” (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 78)11.

As superestruturas dos textos são estruturas globais, definidas por categorias e regras superestruturais específicas, que mantêm uma necessária relação com outras estruturas do discurso, estabelecidas pelas macroestruturas semânticas. Nesse sentido, para assinalar a forma ou o esquema global do texto, Van Dijk a relaciona com o significado global que pode

9

No original: “las proposiciones son también las unidades semánticas más pequeñas que pueden ser verdaderas o falsas” (VAN DIJK, 1990 [1988], p 54).

10

No original: “posee algo más que sus principios organizativos propios” (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 77).

11

No original:“formado por una serie de categorías jerárquicamente ordenadas, que pueden ser específicas para diferentes tipos de discurso, y convencionalizadas y en consecuencia diferentes en sociedades o culturas distintas” (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 78).

45 preencher essa forma ou esquema: “assim, cada categoria da superestrutura se associa com uma macroproposição (tema) da macroestrutura semântica” (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 80)12.

Antes de apresentar o esquema que propõe para o discurso jornalístico, Van Dijk (1990 [1988]) argumenta que nem todos os discursos possuem uma forma convencional fixa. Ademais, a priori, não pode assegurar que a notícia da imprensa mostra ou não um esquema convencional fixo. Por outro lado, propõe ver se é possível estabelecer um conjunto de categorias do discurso jornalístico e, a partir daí, formular regras e estratégias para o seu ordenamento.

Desse esquema, o autor apresenta uma série de categorias:

1. Resumo: essa categoria da notícia é formada pelas partes título e cabeçalho, de modo que o título precede o cabeçalho, e título e cabeçalho precedem o restante do texto. Do ponto de vista estrutural, elas expressam os principais sentidos do discurso noticioso como um todo, funcionando como um resumo inicial, no qual é inserido um sentido global variável. A efetivação da categoria título, com o preenchimento dessa forma, na formulação de um conteúdo executado em uma oração formada por palavras concretas em um tipo de letra específico (por exemplo, negritada e grande), transforma a categoria de título em um título real. Este, por sua vez, pode possuir partes distintas, como, além do título principal, um sobretítulo (por exemplo, impactante, surpreendente ou chocante) e um subtítulo. Van Dijk (1990 [1988]) ainda afirma que os cabeçalhos podem aparecer separadamente e em negrito ou podem coincidir com a primeira oração temática do texto.

2. Episódio: essa categoria da notícia é formada pelos acontecimentos principais no contexto e seus antecedentes. Para o autor, o contexto frequentemente se encontra assinalado por indicadores de tempo, como “enquanto”, “durante” ou por expressões similares indicadoras de simultaneidade. Nesse sentido, o contexto é o

12

No original: “Así, cada categoría de la superestructura se asocia con una macroproposición (tema) de la macroestructura semântica” (VAN DIJK, 1990 [1988], p. 80).

46 acontecimento principal no texto jornalístico, sendo diferente dos antecedentes, que têm uma natureza histórica ou estrutural mais compreensiva, ainda que uma parte dos antecedentes inclua a história dos acontecimentos atuais e seu contexto. A categoria de eventos prévios, utilizada frequentemente para recordar ao leitor do que ocorreu previamente, é considerada parte das circunstâncias atuais dentro das quais também incluímos o contexto, que também tem uma dimensão histórica. 3. Consequências: essa categoria da notícia é determinada pela seriedade das

consequências do valor informativo dos acontecimentos sociais e políticos, haja vista que um discurso jornalístico pode outorgar coerência causal aos acontecimentos informativos, mediante a discussão real ou possível das consequências. Estas, às vezes, são incluídas como mais importantes que os próprios acontecimentos informativos principais, podendo, inclusive, converter-se no tema de mais alto nível e até mesmo se refletir nos títulos.

4. Reações verbais: essa categoria da notícia pode ser considerada, segundo Van Dijk (1990 [1988]), um caso especial de consequência, porque permite aos jornalistas formular opiniões que não são necessariamente as opiniões dos jornalistas, mas aparecem como objetivas, porque são formuladas e apresentadas como sendo de um terceiro, embora saibamos que não é necessário que a seleção dos porta-vozes e das citações seja objetiva. A categoria das reações verbais normalmente vem acompanhada dos nomes e dos papéis sociais dos participantes e por citações diretas ou indiretas de declarações verbais. No texto, geralmente, essa categoria se situa no final do discurso jornalístico, apesar de as reações importantes poderem ser mencionadas anteriormente, com as restrições adicionais do ordenamento por relevância.

5. Comentário: a última categoria da notícia é constituída pelos comentários, as opiniões e as avaliações do jornalista ou do próprio jornal. Essa última categoria aparece frequentemente na notícia, embora, às vezes, de uma forma indireta, muitos produtores de notícias compartilham a visão ideológica de que o fato e a opinião não devam se mesclar. Van Dijk (1990 [1988]) divide a categoria dos comentários em duas subcategorias principais: avaliação e expectativas. A

47 primeira caracteriza as opiniões avaliativas sobre os acontecimentos informativos atuais; a segunda formula consequências políticas ou de outro tipo sobre os eventos atuais e a situação, podendo, por exemplo, predizer acontecimentos futuros.

Partindo dessa série de categorias do “discurso noticioso”, Van Dijk (1990 [1988]) apresenta o esquema (Figura 1) com várias categorias, mas considera que em um discurso minimamente bem construído somente o título e os eventos principais devem obrigatoriamente aparecer, podendo as demais ser opcionais:

Figura 1: Estrutura hipotética de um esquema informativo

Fonte: Van Dijk (1990 [1988], p. 86).

Da mesma forma que considera que, embora façam parte da notícia, todas essas categorias não aparecem em todos os discursos jornalísticos, Van Dijk também argumenta que as mesmas sequências do texto podem desempenhar várias funções simultaneamente. De modo que é possível chegarmos à conclusão de que os esquemas jornalísticos existem, embora todas as categorias não sejam sempre utilizadas, embora, segundo o autor, jornalistas e leitores utilizam tais esquemas ao menos implicitamente na produção e na compreensão da notícia.

48 Pelo esquema apresentado em Van Dijk (1990 [1988]), em que as informações mais importantes aparecem primeiro, lembramos do clássico esquema da pirâmide invertida estabelecido e estudado por muitos estudiosos do Jornalismo e da Comunicação Social. Tal esquema é apresentado como correspondente à configuração dos elementos que constituem o

lide da notícia, já mencionado por nós, na seção 1.1, em que se seguem a ele as informações

em ordem decrescente de importância:

Figura 2: Pirâmide invertida

Fonte: GRADIM (2000, p. 62)

A denominação pirâmide invertida se deve justamente pela ordem decrescente de importância das informações. Assim, conforme observa Gradim (2000), a pirâmide invertida corresponde à técnica de construção da notícia por blocos, onde “cada parágrafo funciona na notícia como uma entidade logicamente autônoma” (p. 62). Neste sentido, os parágrafos seriam, supostamente, elaborados sem relação necessária de dependência lógica de sentido uns com os outros. Segundo a autora, essa configuração dos parágrafos é duplamente importante, já que, por um lado, o leitor não é obrigado a ler o texto inteiro para se informar sobre o fato e, na edição da notícia no jornal, os responsáveis têm mais facilidade mediante a necessidade de possíveis cortes.

Todavia, essa afirmação vai de encontro ao que Van Dijk (1990 [1988]) apresenta quanto às superestruturas dos textos, que, segundo este autor, são definidas por categorias e regras superestruturais específicas, mantendo uma necessária relação com outras estruturas do discurso que são estabelecidas pelas macroestruturas semânticas. Pelas categorias dispostas no esquema de Van Dijk (1990 [1988]) vemos que a notícia é um todo formado por partes interconectadas.

49 Explicando a partir de um viés histórico, Canavilhas (2007), com base em Fontcuberta (1999), mostra que essa estrutura da notícia (com partes independentes umas das outras) surgiu durante a Guerra da Secessão, nos EUA. Na época, entre 1961 e 1965, o telégrafo era a grande invenção tecnológica, usado como instrumento que possibilitava aos jornalistas o envio diário de suas crônicas de guerra. No entanto, segundo o autor, além de o telégrafo não ser uma tecnologia que proporcionava fiabilidade técnica, os postes que suportavam os fios eram alvos das tropas da guerra, o que fazia com que o sistema ficasse muitas vezes inoperante.

Diante disso, para que se assegurasse iguais condições de envio para todos os jornalistas, foi estabelecida uma regra de funcionamento para que o trabalho dos profissionais não fosse prejudicado. Assim, “cada jornalista enviaria o primeiro parágrafo do seu texto e, após uma primeira ronda, iniciava-se uma outra volta para que todos enviassem o segundo parágrafo do texto” (CANAVILHAS, 2007, p. 06). Por causa dessa regra estabelecida, a técnica de redação mais utilizada até então foi alterada e, em vez de os acontecimentos serem apresentados em ordem cronológica, como era mais comum, começaram a ser divulgados a partir do seu valor noticioso, para que fosse garantida a chegada das informações essenciais às redações dos jornais.

Segundo Canavilhas (2007), a técnica foi batizada posteriormente como pirâmide invertida e terminou se tornando uma das mais conhecidas do Jornalismo. No entanto, embora essa técnica seja caracterizada pela não apresentação, no texto, dos fatos ou acontecimentos em ordem cronológica, acreditamos que os parágrafos da notícia mantêm uma relação semântica entre si e, dessa forma, não são interdependentes, porque, juntos, constituem o mesmo texto, ainda que cada um desses parágrafos apresente uma unidade de sentido.

Apesar de “otimizar” a produção escrita do jornalista, a técnica da pirâmide invertida é muito criticada no meio jornalístico, pelo fato de transformar o trabalho do jornalista numa rotina, engessando a estrutura do texto e deixando pouco espaço para a criatividade. Canavilhas (2007) afirma que, com o jornalismo na web, tal discussão ficou mais acentuada ao ponto de existirem autores que pregam o uso da pirâmide invertida nas notícias da web e outros que são a favor da utilização da técnica apenas em notícias de última hora, pois a

50 técnica é “limitadora quando se fala de outros gêneros jornalísticos que podem tirar partido das potencialidades do hipertexto” (p. 07).

O autor, defensor da segunda visão apresentada acima, considera que a técnica da pirâmide invertida está ligada a um jornalismo limitado às características do suporte utilizado, que, no caso do jornalismo impresso, é o papel. Na internet, é possível “a adoção de uma arquitetura noticiosa aberta e de livre navegação” (p. 07). Diferentemente do papel, em que o espaço é finito, nas edições online, segundo Canavilhas, o espaço é tendencialmente infinito, já que os cortes que podem ser feitos são por razões estilísticas e não mais por questão de espaço: “em lugar de uma notícia fechada entre as quatro margens de uma página, o jornalista pode oferecer novos horizontes imediatos de leitura através de ligações entre pequenos textos e outros elementos multimídia organizados em camadas de informação” (p. 07).

Canavilhas (2007) explica que essa proposta não é inovadora e nem é exclusiva do Jornalismo, já que o hipertexto aparece com notável importância em outras áreas, como a publicação acadêmica. O autor considera que a publicação na web implica uma nova arquitetura, com base na proposta de Darnton (1999), que propõe uma estrutura em pirâmide por meio de seis camadas de informação:

uma primeira com o resumo do assunto; uma segunda com versões alargadas de alguns dos elementos dominantes, mas organizadas como elementos autônomos; um terceiro nível de informação com mais documentação de vários tipos sobre o assunto em análise; um quarto nível de enquadramento, com referências a outras investigações no campo de investigação; um quinto nível pedagógico, com propostas para discussão do tema nas aulas; por fim, a sexta e última camada com as reações dos leitores e suas discussões com o autor. (p. 08)

O modelo da pirâmide em camadas foi pensado inicialmente para a elaboração de trabalhos acadêmicos, e Canavilhas (2007), a partir de uma pesquisa empírica com leitores de notícias na web, fez uma adaptação para o Jornalismo. Segundo o autor, existem duas variáveis na ação de redigir. A primeira é a dimensão, ligada à quantidade de dados, e a segunda é a estrutura, ligada à arquitetura da notícia. Assim, na manipulação dessas variáveis, os jornalistas adotam técnicas de redação que se adequam às características do meio, e terminam por dar mais relevância a uma ou outra variável.

Canavilhas (2007) conclui que “as prioridades do jornalista da imprensa em papel sejam diferentes das prioridades do web-jornalista” (p. 10). O jornalista da imprensa em papel

51 dá mais importância à dimensão do texto, pois deve recorrer às estratégias que o ajudarão a encaixar o seu texto no espaço pré-definido, e o web-jornalista dá mais atenção à estrutura da notícia, tendo em vista que o espaço disponibilizado para ela não é limitado. Considerando essa suposta diferença de produção da notícia em diferentes meios, o autor conclui que é possível pensar numa estrutura para a notícia produzida na web: “estruturar uma notícia na web implica a produção de um guião que permita visualizar a sua arquitetura, nomeadamente a organização hierárquica dos elementos multimídia e suas ligações internas” (CANAVILHAS, 2007, p. 11).

Essa estrutura deve levar em conta as notadamente diversas estruturas hipertextuais, que, segundo Canavilhas (2007), com base em Noci e Salaverria (2003), podem ser lineares, reticulares ou mistas. As estruturas lineares são as mais simples e os blocos de textos são ligados por um ou mais eixos, logo, o grau de liberdade de navegação é condicionado, não podendo o leitor saltar de um eixo para o outro. As estruturas reticulares não possuem eixos de desenvolvimento pré-definidos, já que se trata de uma rede de textos de navegação livre, deixando em aberto todas as possibilidades de leitura. As estruturas mistas possuem tanto níveis do tipo linear como reticulares, onde o leitor não tem o grau de liberdade como no modelo reticular, mas encontra “pistas de leitura” bem definidas.

Pelos resultados obtidos em sua pesquisa, Canavilhas (2007) afirma que mesmo a “notícia [tendo] sido construída numa lógica de camadas de informação, os leitores optaram por seguir determinados assuntos até ao limite da informação disponível, seguindo links embutidos e saltando de nível de informação” (p. 11-12). Ou seja, o comportamento dos leitores sugere que há uma mudança de paradigma em relação ao que se verifica na imprensa escrita e nos textos da web. Logo, para esse autor, a pirâmide invertida parece não ser tão eficaz nas notícias produzidas na web, como o é no jornalismo impresso, uma vez que a rotina de leitura dos textos na web é diferente da rotina de leitura dos textos da imprensa escrita. Por outro lado, essa posição de Canavilhas é passível de críticas, já que, mesmo no jornalismo impresso, nada garante que todos os leitores leem na sequência que o texto está escrito, numa leitura linear.

Assim, como na web o leitor supostamente tem mais liberdade de organizar a sequência de sua leitura e de selecionar e eleger o que é mais importante para ser lido

52 primeiro, a técnica baseada na organização dos fatos a partir do que o jornalista julga como importante deixaria de ter sentido, segundo Canavilhas (2007), uma vez que o jornalismo está

Benzer Belgeler