BASIN AÇIKLAMALARI
BASIN AÇIKLAMASI
Avaliar um aluno, implica saber o porquê dessa avaliação, ou seja, porque é que vamos avaliar o aluno, que indício apresenta para se proceder a uma avaliação e, caso se proceda à referida avaliação, os objetivos a atingir têm que ser bem delineados e justificáveis.
É muito importante fazer um diagnóstico quando uma criança apresenta vários tipos de problemas de aprendizagem de forma a testar os mesmos e desenvolver formas de intervenção adequadas aos problemas testados e comprovados, mas para isso o profissional que efetua a avaliação tem que saber como proceder e ser responsável, pois como diz Shaywitz ― “as avaliações não se limitam unicamente às crianças. Uma
avaliação pode, por vezes, alterar a vida de um adulto, guiando-o numa nova e melhor direção” (Shaywitz, 2008: 146).
Quando o avaliador inicia a sua avaliação tem como principal objetivo o despistar de possíveis indivíduos em risco, nomeadamente e de acordo com o tema, com dislexia. Posteriormente, o diagnóstico torna-se mais específico e o avaliador tem que estar atento a determinados sinais, como por exemplo, pronúncia errada de palavras, fala muito hesitante e quase impercetível, problemas para ler novas ou palavras não familiares, dificuldade para soletrar e a necessidade de mais tempo para ler ou para realizar outras tarefas que envolvam a leitura. São sinais que devem ser tidos em conta, sobretudo quando acontecem com frequência maior do que a média ou quando as crianças continuam a fazê-lo para além da idade que é admissível e esperado. Neste sentido, o aluno deve ser sujeito à dita avaliação, pois é o primeiro passo para se poder delinear uma estratégia de intervenção adequada junto da criança, adolescente ou adulto, caso se confirme o diagnóstico de dislexia. A avaliação estabelece, assim, com clareza, a ligação entre conhecer as dificuldades do aluno e planificar a intervenção.
O diagnóstico da dislexia não é uma tarefa fácil a comprovar pela frequente confusão que é votada pelos professores e outros profissionais competentes. A formulação do diagnóstico da dislexia requer a conjugação de esforços de uma equipa interdisciplinar. O conhecimento dos métodos e mecanismos usados na leitura eficiente e a experiência na aplicação de programações individualizadas quer dos professores do ensino regular quer da educação especial não são por si só suficientes, requerendo a aplicação de testes adequados administrados por profissionais competentes, para comprovação da problemática.
57 O processo de diagnóstico/avaliação é denominado por Correia (cf. Correia, 2003) de uma avaliação compreensiva que deve ser sempre efetuada por uma equipa interdisciplinar na medida em que a dislexia é uma problemática complexa que requer o trabalho conjunto de vários especialistas – professores especializados de educação especial, psicólogos, neurologistas, terapeutas, técnicos do serviço social, etc. – que permita a formulação de um diagnóstico fiável, que terá como consequência a elaboração de um Programa Educativo Individual (PEI).
Saber qual a origem das DEA permite-nos, sem dúvida, trabalhar melhor com a problemática apresentada; explicar e orientar os pais destas crianças de como lidar com elas e o seu problema; prevenir e intervir mais precocemente e planear um leque de estratégias que leve ao tratamento e/ou superação das causas específicas subjacentes às necessidades (cf. Correia, 2008).
É essencial que as crianças com dificuldades de leitura e escrita sejam identificadas o mais precocemente possível e com precisão, para que recebam intervenções apropriadas e possam eliminar ou minimizar os problemas atrás referidos. Quanto mais cedo se fizer o diagnóstico, mais rápido os responsáveis da criança (pais, educadores, professores, terapeutas) poderão pedir ajuda e mais provavelmente conseguirão evitar os problemas decorrentes, que atingem a autoestima destas crianças, “As dificuldades de leitura diagnosticadas após o 3º ano de escolaridade são muito mais difíceis de remediar. A identificação precoce é importante porque o funcionamento cerebral é muito mais plástico em crianças mais jovens, sendo potencialmente mais maleável na reorientação dos circuitos neurais.” (Shaywitz, 2008: 43).
Shaywitz entende, assim, que os três passos do processo de diagnóstico/avaliação para alunos que apresentam DEA/Dislexia devem ser os seguintes:
Estabelecer qual o problema de leitura, de acordo com a idade e a educação do indivíduo;
Recolher provas que apoiem o carácter inesperado; a capacidade de aprendizagem superior pode ser determinada unicamente com base num nível de realização educacional ou profissional;
Demonstrar a existência de uma fragilidade fonológica isolada, mantendo-se outras funções da linguagem de nível superior relativamente ilesas (Shaywitz, 2008:148-149).
A dislexia não é um atraso temporário no desenvolvimento (cf. Bruck, 1992; Francis et al, 1996; Shaywitz, 2003). É antes um estado persistente que não vai
58 desaparecer com a maturação do cérebro. Desta forma, é fundamental que as crianças com evidências de possível dislexia façam o diagnóstico e comecem o tratamento o mais cedo possível. Embora os resultados de uma intervenção posterior possam ser significativos, os resultados de uma intervenção atempada, ou seja, precoce são mais rápidos e bem-sucedidos.
O diagnóstico precoce deve ser realizado na idade pré - escolar (4, 5 anos), porque se for mais tarde a criança já terá problemas de ordem emocional e afetiva, que irão dificultar a sua recuperação. Este deve ser feito por profissionais, tais como: psicólogos, técnicos especializados, terapeutas, profissionais de saúde nesta área, entre outros. Mas, o que na realidade se passa é que, muitas das vezes, são os professores e educadores que se apercebem deste tipo de problemas.
De acordo com Fonseca (Fonseca,1999, p. 529) “...aos quatro anos, todas as crianças escolarmente integradas deveriam ser rapidamente identificadas, nascendo daí a necessidade de outros diagnósticos mais diferenciados, de outros modelos de encaminhamento e de outros apoios adicionais”.
Segundo a opinião do mesmo autor, a identificação precoce deveria ser feita ao nível da linguagem, da psicomotricidade, da perceção auditiva e visual e do comportamento emocional. Para que se possa diagnosticar um caso de dislexia, não é preciso que estes indicadores estejam todos presentes ao mesmo tempo e antes de relacioná-los com a dislexia, deve-se tentar explicar e compreender a razão destes comportamentos. Mas, por outro lado, devemos estar alerta quando estes sinais acontecem de forma repetida e com frequência maior do que a média ou quando ultrapassam a idade admissível e esperada.
Do ponto de vista de Fonseca, (Fonseca, 1999:530) o recurso ao diagnóstico deveria ser utilizado para confirmar ou não confirmar a existência das Dificuldades de Aprendizagem. Neste âmbito, o diagnóstico dinâmico deveria surgir como dispositivo clarificador da natureza do problema, tendo em atenção a interação dos fatores biossociais (orgânicos e envolvimentais). O diagnóstico deveria, em sequência, fornecer a informação suficiente acerca da condição da criança, a fim de permitir a discussão do caso e a decisão apropriada e adequada a um programa de intervenção.
Depreendemos das palavras de Fonseca que nesta avaliação também se deve ter em conta os fatores ambientais e o contexto familiar. Também eles devem ser objeto de análise e devem ser componentes do processo de intervenção. Shaywitz também atribui uma importância crucial à história de vida da criança no processo de diagnóstico, referindo que “…tal como acontece com outras condições clínicas, a história é o
59 componente mais crítico e é o mais respeitado. Os médicos mais avisados sabem que os testes são apenas aproximações à realidade que é a experiência da vida real de cada indivíduo”.(Shaywitz, 2008: 148).
Torres e Fernández igualmente entendem que a avaliação deve começar pela recolha de informação de carácter desenvolvimental, educativo, médico e social. (Torres e Fernández, 2001:31). Os papéis da família e da escola são cruciais tanto na identificação precoce das dificuldades da criança, quanto no tratamento, na intervenção. A orientação aos pais e professores é parte imprescindível do programa de intervenção. Um conhecimento mais aprofundado sobre as necessidades da criança/adolescente resulta em programas de ensino mais condizentes com suas peculiaridades.
A Escola e os profissionais envolvidos no caso e a família devem estar integrados e em sintonia para favorecer o processo de aprendizagem da criança e minimizar os seus deficits.