C. BASİLİDES
C.1. Basilides‟in Gnostik Teolojisi
A escola foi construída no nível acima da rua. Do portão até o pátio central, é preciso subir alguns degraus de escada. Do lado esquerdo da entrada, estão localizados o ginásio esportivo, a pequena quadra e o estacionamento, este parece insuficiente para guardar os veículos de todos os professores.
No lado direito do pátio central, tem um bloco de salas de um andar, onde se localizam a cantina, o refeitório (com seis mesas, doze bancos, com capacidade para cinco alunos, cada), dois banheiros de alunos (um masculino e um feminino), um depósito e, ao dobrarmos a esquina do bloco, deparamo-nos com a sala de coordenação e mais um depósito. No lado esquerdo do pátio, localiza-se outro bloco de dois andares. No primeiro, tem uma sala de aula, a sala dos professores (do tamanho de uma sala de aula), a biblioteca (uma sala de aula adaptada) a sala da direção, a mecanografia e uma pequena sala de reuniões, na qual cabem aproximadamente umas seis pessoas reunidas e, às vezes, é utilizada para se ministrar aula de reforço para alunos dos ciclos iniciais. Ao dobrarmos a esquina deste bloco, encontramos a secretaria da escola, em um local bem afastado do portão principal, o que dificulta o acesso da comunidade. No andar de cima, funcionam seis salas de aula. Atrás desse bloco, tem-se ainda mais um pequeno bloco de dois andares. Localizam-se, no primeiro andar, a sala de artes, uma sala de aula e dois banheiros (um masculino e outro feminino); no segundo, mais duas salas de aula.
No fundo do pátio central, encontra-se um terceiro bloco de dois andares com oito salas de aula (quatro no primeiro andar e quatro no segundo). Entre o segundo andar dos dois blocos, há um acesso que permite o trânsito de alunos e professores. Atrás do bloco do fundo, localiza-se outro bloco de dois andares. No primeiro andar, está o laboratório de ciências, que na verdade é utilizado como sala da Escola Integrada, e, no segundo, tem uma sala de vídeo e o laboratório de informática. Ao lado da sala de vídeo, avistamos um parquinho para crianças; no turno da manhã, nunca é utilizado; talvez pelo fato de a escola não atender crianças de Educação Infantil e do 1º Ciclo. A escola possui, então, dezenove salas para as aulas regulares.
À medida que nos deslocamos pela escola, percebemos o quanto o seu espaço é densamente ocupado por salas e, ao mesmo tempo, insuficiente para um funcionamento adequado. O pátio e o refeitório demonstram bem como a ocupação é densa e inadequada. Para comportar todos os alunos, o recreio é dividido em dois momentos. Entre 8h30 e 8h50 funciona, o recreio dos alunos das turmas de 8 a 10 anos (que correspondem às turmas de
início e meio do 2º Ciclo). Entre 9h e 9h20, funciona o recreio dos alunos de 11 a 14 anos (que correspondem às turmas do final do 2º Ciclo e do 3º Ciclo). Nesse horário, não precisa ser um observador atento para perceber que, mesmo dividindo os alunos, o espaço é insuficiente. Num espaço aproximado de 250m², 360 adolescentes, entre 11 e 16 anos55, circulam, correm, brincam durante vinte minutos. Mesmo não querendo, não há como não ocorrer choques, esbarrões, contatos físicos entre os alunos, o que muitas vezes geram conflitos. Não é por coincidência e não só por motivo de espaço, que, após o recreio, o número de adolescentes que procuram ou são encaminhados à Coordenação é muito maior que no período anterior. A temperatura esquenta e os atritos aumentam, literalmente.
A solução encontrada pela escola, de dividir o tempo de recreio, cria outro problema para os alunos mais novos e para suas professoras, que estão em sala quando os mais velhos estão no recreio. Como os pequenos estudam nas salas do primeiro andar, eles são incomodados pelo barulho no pátio. A escola procurou amenizar o problema, amarraram cordas nas duas extremidades do pátio, tentaram evitar assim a aproximação dos alunos que estão no recreio das salas de aula.
Na biblioteca também é possível perceber a inadequação de espaço. Durante o tempo em que os alunos estão em sala de aula, o local parece ser pouco frequentado. De acordo com Janice, auxiliar de biblioteca56, durante as aulas, as visitas dos alunos são organizadas, eles vão de cinco em cinco. No horário do recreio dos alunos do 2º Ciclo, o movimento aumenta: dez alunos, em média.
Minutos depois, durante o recreio do 3º Ciclo, a biblioteca fica lotada. Todas as quatro mesas com suas seis cadeiras, cada, são tomadas; vários alunos sentam no chão, nos cantos mais improváveis ou ficam de pé. Eles leem livros infantis, juvenis e gibis. Segundo Janice, a biblioteca da escola possui entre 8 e 10 mil títulos. Ela não soube informar, porém, o número de exemplares. Embora tenha um bom acervo, o local não corresponde ao número de alunos da escola e muito menos ao desejo de ler desses adolescentes.
A sala dos professores é também um lugar onde se pode identificar a mesma inadequação do espaço da escola. Assim como ocorre com o recreio dos alunos, o dos
55 A RME-BH se organiza em ciclos desde 1995. Nesse ano, o Ensino Fundamental passou a ser de nove anos,
com a inclusão dos alunos de 6 anos de idade. Cada um dos ciclos tem 3 anos; o 1º atende as crianças entre 6 e 7 e 8/9 anos; o 2º, atende pré-adolescentes ente 9 e 10 e 11/12 anos; o 3º, atende adolescentes entre 12 e 13 e 14/15 anos de idade. Com a volta da prática da retenção ao final de cada ciclo, em 2005, tornou-se comum, a partir de então, ao final do Fundamental, a presença de alunos com mais de 15 anos de idade.
56 Na RME-BH, as bibliotecas são organizadas em grupos; cada grupo tem uma biblioteca polo e uma
bibliotecária que circula e acompanha o funcionamento de todas elas. Com isso, no dia a dia, tanto a biblioteca polo como as demais funcionam com a presença de auxiliares de biblioteca, cuja quantidade varia de acordo com o tamanho, com acervo e quantidade de turnos funcionando na escola.
professores é, também, obviamente, dividido em dois momentos. Mesmo assim, a sala, principalmente durante o recreio do 3º ciclo, fica cheia. Nem todos conseguem lugar de se sentar.
O Programa Escola Integral enfrenta também a mesma falta de espaço. Nota-se essa insuficiência de espaço em vários momentos e situações. Verificamos que, na Emag, o programa não atende toda a demanda, exclui os alunos do 3º Ciclo e parte dos alunos dos outros ciclos, porque não tem como acolhê-los nos espaços existentes. Mesmo com atendimento abaixo da demanda, foi necessário alugar um galpão próximo à escola para que parte das atividades fosse desenvolvida. Observa-se ainda que os alunos do projeto que ficam na escola enfrentam problemas diversos com a falta de espaço ou criam dificuldades para o desenvolvimento de algumas atividades do ensino regular, com o laboratório de informática, por exemplo. O uso de outros espaços precisa ser negociado o tempo todo; é o caso do laboratório de ciências e da salinha de reuniões. Há ainda o uso de alguns lugares, que seria impensável, como um pequeno espaço de passagem, que dá acesso do laboratório de ciências à sala de vídeo: é um caminho pavimentado, com um pequeno jardim lateral, em aclive, e uma escada, também pavimentada, onde, às vezes, por falta de espaço, serve para desenvolver atividades físicas com alunos da Escola Integrada.
A inadequação e a insuficiência do espaço escolar se evidênciam a cada momento que observamos a rotina da instituição.