• Sonuç bulunamadı

4. MİLLİ İKTİSAT POLİTİKASI

4.4 MİLLİ İKTİSAT POLİTİKASININ UNSURLARI

4.4.4 Bankaların Açılması

Em 1617 foi publicado o primeiro texto de Rosales. Trata-se de um poema em latim em homenagem à inauguração de uma capela no santuário da catedral de Toledo em homenagem à Virgem Maria. O texto foi publicado no livro de Pedro de Herrera dedicado a tal evento. 107

O promotor da construção da capela foi o Arcebispo D. Bernardo Rojas y Sandoval. O poema foi publicado aos vencer um certame literário. Este é seu conteúdo 108

Oda

Qvem Toletanae potius tiarae Praesulem summis celebrare dulci Fistula cuius super vniversum Fama vagetur?

Quos virus, sacris satiata lymphis, Maximos, Clio, super Hoemo & alto Caucaso, totum resonare pellens Cantibus orbem?

Sed prius primum Eugenium relatum Martyris dicam superia honore: Teq; compluti venerabor illis Sancte, repertis.

Hincq; Montanum, Aurasiumq; , nos’ ra,

107 Mais precisamente, são duas composições, uma Ode e um Epigrama. Vide

acima, p. 9, na relação de obras de Rosales.

Regium & divum Helladium magistrum: Cumq; dic mixto Eugenium secundo Musa misellum;

Nunc lyra, Clio, mihi dulciori Integrum vitae scelerisq; purum, Virginis sancta memorá Ildephonsum Veste Ceatum.

Proximis elli tamen absolutum Laudibus sanctum cane Iulianum Gunderici actam memoriaq’, plenam Numine vitam.

Sancta & Urbanum Asturijs ferentem, Dicq; Cixilam; vetus at Ceatè

Me, te, Vvistremere, moues, canentem Eulogiumq’; :

Virgini primas retinens, supremae Templae Bernardus sacrat; estq; magnus Marte Martinus; Rhodericus atque Cuncta reformat.

Sancius praeceps iugularius infans Nobilis pugnà: gravis & galero Saepe Gil Romae sibi nil morando Restituit rem.

Num Petrum Monda, recinam Tagiq; , Praesulem nostrum? Dubitove Lunam? Sive de sancta Cruce Cardinalis

Nomina Petri?

An gravi stamen memorem Dialem Sede Franciscum Imperium regentem?109

An ne Fonsecam? Latia an Tauera Veste Ioannem?

Sed Iubetiam Siliceum referre; Atque Carransam sophia nitentem; Et iuuat nunc cardineo Quirogam Ferre galero:

Dicam & Albertum, meritò & Louisam: Ecce Bernardi micat inter omnes Stella, seu Phoebus proprio planetas Lumine donans;

Hic vir, hic est lux, patriaeq: custos, Virginis miles, fidei patronus.

Tempori huic talis datus Archiprae sul Munere diuum

Hic pollus implens, superansq; fama. Nemini nomen simile, aut secundum, Lance se verá trutinans, & aquans, Condit Olymporio.

Epigrama

Has vrnas, funebre decus, tumulumq; superbù Ossibus, & fatis debita propitjs,

109 Provável referência ao Duque de Lerma, Francisco Gómez de Sandoval y

Rojas, parente do Arcebispo de Toledo e primeiro-ministro no governo de Felipe III. Segundo MACHADO, Diogo Barbosa, op. cit, p. 197, o duque de Lerma foi um dos ilustres pacientes de Rosales.

Bernardus Rojas, & Sandoval erigit; illis Vt sit terra leuis, queis modo terra fuit.

Haud regni imperiù, haud Romae, tepliq; thyara Haec, sed eum pietas reddidit alta Deum

O que determinou que um cristão-novo judaizante escrevesse um poema deste tipo, em homenagem a um evento católico em honra à Virgem Maria?

Podemos dizer que o autor pretendia afastar de si suspeitas a respeito de sua fidelidade à fé católica. Não há melhor antídoto contra a suspeita de judaizar do que expressar com extrema intensidade sua fé e amor pela igreja e seus santos. Este exemplo de Rosales não é isolado no universo dos criptojudeus ibéricos. Oróbio de Castro, ainda sob seu nome cristão Baltazar Alvares, compôs uma poesia sobre a peste em Málaga, em 1637, cheia de referências e imagens cristãs110.

Uma leitura do texto mostra que os elogios e exaltações são mais dirigidos aos nobres e dignitários da elite portuguesa e espanhola, do que à Virgem Maria e à igreja.

O poema mostra o estilo literário de Rosales que aparece aqui por primeira vez e que o acompanhará até o final de seus dias. Hiperbólico, exagerado, com citações mitológicas (musa, Clio111), astrológicos

(dubitove lunam, vacilações da lua) e muitas citações a nomes de nobres e pessoas importantes. 112

110KAPLAN-Oróbio pp.27-33; pp. 403-416 (onde publicou o poema na íntegra). 111 A musa Clio aparecerá em quase todos os poemas latinos de Rosales. Clio é a

musa da história, mas a etimologia de seu nome “kleô” significa “tornar famoso” ou “celebrar”. Cf. CIVITA, Victor (ed.). Dicionário de Mitologia Greco-Romana. Abril Cultural, São Paulo, 1973 p.38.

112 No Anacephaleoses o texto é tão cheio de motivos e citações mitológicas, de

Rosales declara sentir um impulso interior que o leva a escrever e que não consegue controlar a si mesmo diante deste imperativo. 113 Ele

também vê em seus poemas exemplo de alta qualidade literária. Sem nenhuma modéstia não vacilou em comparar a si mesmo com o escritor romano Virgílio. 114

Portanto, podemos supor que Rosales escreveu este poema por uma necessidade interna; necessidade de vencer um certame literário e mostrar a um público mais amplo o nível literário de sua escrita poética. E assim seguirá ao longo e sua vida sem vacilar em presentear amigos com seus poemas, ou dedicar a eles seus escritos científicos e proféticos, partindo da premissa que com isso lhes oferece o que há de melhor no reino da poesia e da ciência. Ao relatar as agruras que sofreu quando da publicação do exemplo, estrofe nº 12: Anacephaleoses da Monarquia Lusitana (1809), p.17. “A voz me suspendeo, imaginando

Convertida Amaryllis em Deydade, Como em arvore Dafne, aniquilando Não de Phebo, de Piramo a lealdade. Mas a que me increpava contemplando O desengano ci, Magestade

Brilhante resplandor, prezença estranha, De que fermoza Ninfa se acompanha.”

Besselaar, em BESSELAAR, JOSÉ VAN DER. Antônio Vieira, profecia e

polêmica. Rio de Janeiro: Editora da UERJ, 2002, p. 422 assim se refere ao dotes

literários de Rosales:

“Não me julgo capaz de avaliar os méritos do médico e astrólogo que foi Bocarro. Mas me parece indiscutível sua falta de talento como poeta, tanto em português, como em latim”.

Já Kenneth Brown considera a poesia de Rosales e de outros judeus hispano- portugueses como parte de um processo de criação de um novo discurso literário, integrado à literatura européia de seu tempo. Ver BROWN, Kenneth “Spanish, Portuguese, and Neo-Latin Poetry Written and/or Published by Seventeenth- and Eighteenth-Century Sephardim from Hamburg and Frankfurt (1).” Sefarad 59, no. 1 (1999): 3-42

Pelo que veremos ao longo deste trabalho, a opinião de Basselaar parece mais fundamentada e menos dada a arroubos apologéticos, como a de Kenneth Brown. 113 LUZ PEQUENA p.58 justifica sua escrita a respeito de ser o Duque de

Bragança o esperado rei dos portugueses não porque assim ele, Rosales, acreditava, mas sim declara que“escrevi o que o furor poético divino e astrológico me mandou”.

114 LUZ PEQUENA p.69: “Um português honorável disse que merecia, pelos

meus poemas, um prêmio maior do que Virgílio recebeu pelos seus 20 versos no livro VI da Eneida”

Anacephaleoses não deixa de assinalar que “por vingança” não publicaria

seu livro sobre a verdadeira composição do mundo.115

Também garante com seu poema o apreço de figuras políticas importantes de Castela no seu tempo. Sua poesia sem dúvida o aproximou destas pessoas, aplainando sua futura carreira como médico e intelectual desta elite.116

Finalmente, independente de qualquer apreciação estética, temos aqui o nosso autor utilizando-se do idioma culto de sua época, o latim. Idioma que lhe permitirá escrever suas ideias endereçadas à elite intelectual de seu tempo, cruzando as fronteiras físicas e de crença.117

115 LUZ PEQUENA p.58:

“Mas em vingança disso, o meu livro da Verdadeira Composição do Mundo, que estava para o Infante Cardeal, o guardarei para esta Casa ou para algum seu Infante, se houver ocasião disso...”. Trata-se do texto que será publicado no TRIUM VERARUM em Florença, no ano de 1654.

116 Numa carta de 1644 endereçada ao Duque August de Braunschweig-

Wolfenbuttel (conhecido como Duque Augusto, o jovem) Rosales refere que em 1622 dava aulas de matemática ao Cardel Infante D. Fernando, irmão de Filipe IV. Cf BROWN-CEBRIAN-Textos p.44 (texto original), p.46, texto traduzido. Os autores traduziram “dum ante 22 annos como “por 22 anos” quando na realidade quer dizer “há 22 anos”; como a carta foi escrita em 1644, refere-se a 1622.

117 Sobre a importância deste tipo de formação intelectual entre os judeus hispano-

portugueses nos seus países de residência, em especial na Holanda e na Alemanha, ver KAPLAN, Yossef “ Sephardim in North-West Europe and the New World” in BEINART, Haim (ed.) The Sephardi Legacy vol II. Jerusalém, Magnes Press, 1992, pp.240-287 (a seguir KAPLAN-Sephardim), em especial p. 279.

ROSALES E O JUDAÉSMO: CRISTÃO-

Benzer Belgeler