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BANKA’NIN DAHİL OLDUĞU RİSK GRUBU İLE İLGİLİ OLARAK AÇIKLANMASI GEREKEN HUSUSLAR

KONSOLİDE MALİ TABLOLARA İLİŞKİN AÇIKLAMA VE DİPNOTLAR

V. BANKA’NIN DAHİL OLDUĞU RİSK GRUBU İLE İLGİLİ OLARAK AÇIKLANMASI GEREKEN HUSUSLAR

Marx e Engels (1997), no Manifesto do Partido Comunista, indicam que a história da humanidade se pauta na luta de classes. Para estes autores a oposição de classes se encontra na divisão entre burgueses e proletários, sendo respectivamente, os primeiros, os capitalistas modernos detentores dos meios de produção e exploradores dos segundos, os proletários, formados pelos trabalhadores assalariados e que só possuem a sua força de trabalho para vender em troca de salários para garantir sua sobrevivência.

A burguesia nos primórdios de seu surgimento é a classe revolucionária que finda o sistema feudal, este organizado em unidades autossuficientes, em que os servos produziam riquezas aos senhores da nobreza. Os burgueses surgem nos interstícios do feudalismo em falência, sendo muitos compostos por servos fugitivos, que se aglomeravam nas primeiras

cidades e se ampliaram com as descobertas territoriais por meio das navegações marítimas e do surgimento de novos mercados. Nesse processo de abertura comercial, industrial e marítima, substituem-se as corporações feudais à manufatura. A divisão do trabalho começa a se agudizar nesse período e posteriormente ganha um salto qualitativo com a revolução industrial, dada pelas descobertas cientificas à exemplo da criação da máquina a vapor. Surge assim a grande indústria moderna, que se difundiu progressivamente em várias partes do mundo, através do desenvolvimento dos transportes e descobertas de novos continentes e territórios. Além disso, a classe econômica ganha forças para derrubar o poder político feudal e cria o Estado burguês voltado a gerenciar os seus interesses de apropriação privada das riquezas produzidas por outros homens.

Marx nos Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844 (2004) sinaliza a situação do trabalhador na produção da propriedade privada na sociedade capitalista. Esse é rebaixado à condição de mercadoria e tanto o processo de produção quanto o produto de seu trabalho lhes são estranhos. À medida que o trabalhador produz para a riqueza de outros, mais miséria para si mesmo está produzindo. Com a separação do produtor de seus meios de produção e de seus objetos produzidos há o afastamento do indivíduo de seu gênero, pois advoga o autor que o homem é um ser genérico por meio do processo consciente do trabalho em que os homens transformam a natureza e se transformam. O trabalho estranhado, esse em que o trabalhador vira mercadoria e depende da venda da sua força de trabalho em troca de salário para sobreviver cria o estranhamento do homem pelo próprio homem e tira do sujeito a condição de ser genérico, por tanto livre, pois os detentores dos meios de produção se apropriam do trabalho de outros homens e se apoderam da riqueza construída por esses.

Marx e Engels (1997) já anunciam o modo cosmopolita da exploração do mercado mundial pela burguesia que expande seus modelos de organização social para além das indústrias nacionais. Além da expansão mundial do capital, os autores descrevem o problema das crises econômicas presentes no modelo de produção capitalista como o aniquilamento de grande parte das forças produtivas e dos produtos fabricados devido à sobreprodução de mercadorias tendo como consequência os estados de barbárie da sociedade. Para superar a crise a burguesia destrói as forças produtivas, busca novos mercados e explora ainda mais os antigos, mas sem prevenir o surgimento de outras crises.

Podemos dizer aqui que as crises que regem a reprodução do capital já sinalizadas por Marx e Engels no final do século XIX, não mudaram muito nos dias de hoje no que diz

respeito as consequências danosas dessas os trabalhadores e para toda a humanidade, mas que na atualidade possui outros contornos e mais dramáticos.

O sistema sócio-metabólico do capital, pautado na luta de classes, na exploração da burguesia sobre os proletários e na propriedade privada dos meios e produtos da produção, com apoio do Estado burguês, é constituído pelas crises econômicas, sendo essas umas das contradições do capitalismo.

Os períodos de expansão e crescimento da produção do capitalismo acompanharam processos de instabilidade e depressão gerando falências de muitas empresas e desemprego e miséria de muitos trabalhadores (NETTO; BRAZ, 2006). Além disso, as crises causaram grandes guerras mundiais, o que leva à morte de milhões de pessoas. Após a segunda guerra mundial criaram-se organismos nacionais e internacionais com o objetivo de administrar a nova dinâmica do capital. Neste processo surgem diferentes concepções de Estado para o ajustamento social e econômico em consonância com as mudanças do capital, mas sem modificar a sua função principal de servir ao sistema de acumulação privada e de constituir a divisão hierárquica do trabalho.

O capitalismo não existe sem crise e estas fazem parte de seu desenvolvimento. A natureza da crise atual não está na escassez ou destruição das forças produtivas como ocorriam nas sociedades pré-capitalistas. Hoje elas acontecem em momentos em que há abundância na produção.

José Paulo Netto e Marcelo Braz na Introdução a crítica da economia política, falam das crises do capital que implicam no desequilíbrio entre produção, consumo, circulação. Utiliza-se da formula de Marx apresentada no capital (2014) D – M – D’, fórmula esta que explica que o objeto do capital é produzir mais dinheiro, portanto, mais capital. As mercadorias são produzidas para serem vendidas e trazer mais lucros. A produção de mercadorias, em última análise, não condiz com a satisfação das necessidades humanas, ela se põe a serviço da própria reprodução do capital. O seu valor de uso18é cambiado pelo valor de

troca, ou seja, as produções para o suprimento genuíno das necessidades humanas são menos valorizadas do que a produção de mercadorias para a troca e acumulação do capital. As crises acontecem quando não se consegue alcançar o capital a mais (D’), por vários motivos: a oferta de mercadoria é maior que a procura, os capitalistas que concorrem produzem mais

18 O valor de uso corresponde a utilidade que determinado objeto possui que serve ao suprimento de determinadas necessidades humanas; o valor de troca corresponde aos produtos criados para a troca e que se expressa como uma proporção quantitativa em que determinados valores de uso podem ser trocados por outros valores de uso.

mercadorias ao mercado e não conseguem vender por que não há tanta demanda para isso, além do mais os próprios trabalhadores não conseguem comprar as mercadorias por não terem condições materiais para adquiri-las.

A concorrência é um dos elementos propulsores das crises. Os capitalistas vivem para aumentar os seus lucros e se lançam a competição no mercado. O investimento em capital constante, ou seja, na maquinaria aumenta para que se produzam mais mercadorias, no menor tempo e com menos trabalho necessário, pois como se aumenta as máquinas que catalisam a produção mais do que determinado números de trabalhadores, muitos destes que compõe o capital variável, são demitidos ou possuem o seu salário diminuído. Como o número de trabalhadores diminui além do tempo de trabalho necessário para a produção de mercadoria, o valor final dessa também diminui. São lançadas mais mercadorias ao mercado com um menor custo. O concorrente para não ficar para trás, faz o mesmo movimento do primeiro capitalista. E nisso esse produz da mesma forma. Chega um momento que esta busca desenfreada pelo lucro, aumentando-se o capital constante, diminuindo o capital variável, acaba por tender a diminuir o lucro, pois lança-se mais mercadorias ao mercado, com o menor custo, aumenta-se o desemprego, e algumas empresas são levadas a falência. Nesse processo, o excedente deve ser destruído, grandes empresas que resistem a esta crise, compram as empresas menores e passam a se estabelecer como monopólios. Em Netto e Braz (2006), percebemos que a crise possui estes momentos: crise, depressão, retomada e auge até que se desencadeia uma nova crise. Um ciclo econômico se estabelece entre uma crise e outra. Infere-se então que o capitalismo para existir necessita das crises, estas de natureza cíclica.

Há alguns detonadores das crises como explica os autores que poderiam ser a anarquia da produção, a queda da taxa de lucro, o subconsumo das massas trabalhadoras entre outros. O grande problema está nas dramáticas consequências que essas trazem para a humanidade. Essas, como já foi dito, sempre precedem períodos de miséria, desemprego, falência, e confluem em guerras. Por isso que historicamente vimos explodir duas grandes guerras mundiais e outras, tudo isso para o reestabelecimento do metabolismo do capital.