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Segundo Teixeira (2007), uma das principais razões pelas quais os profissionais de enfermagem intencionam desenvolver o trabalho grupal diz respeito à busca por uma alternativa para atender pessoas, opondo-se principalmente a um cuidado tradicional que privilegia o aspecto curativo e o atendimento das necessidades e/ou circunstâncias de alguns serviços, como ambulatórios e centros de saúde.

Consoante com a mesma autora, entende-se que o cuidado às famílias com recém- nascidos hospitalizados por meio do grupo de apoio constitui-se uma estratégia para promoção da saúde, na medida em que este é planejado e organizado a partir das necessidades de seus membros, visando potencialmente atendê-las.

Porém, tomando o conceito de promoção de saúde adotado como referência para esse estudo, o qual corresponde a um processo de capacitação da comunidade para melhorar suas condições de vida e saúde (BRASIL, 2002b), percebe-se que, para promover a saúde

dessas famílias, são necessárias ações que vão além da realização do grupo. Engloba uma combinação de ações relacionadas à assistência do RN, que irão contribuir para a reorganização do serviço, de forma que a família seja valorizada e constitua-se sujeito do seu cuidado.

A Academia Americana de Pediatria, juntamente com outras organizações, desenvolveu estudo com onze centros de unidade de terapia intensiva neonatal que participaram da implementação de práticas para a melhoria da qualidade com foco nos princípios para o cuidado centrado na família. Nesse estudo, foram evidenciadas ações as quais se considera que correspondem a um conjunto de estratégias para a promoção da saúde da família com RN hospitalizado. Destacam-se: a organização de uma política de visitação de acordo com as necessidades das famílias, em que os horários de visitas dos pais são convenientes para os mesmos e é permitida a visita de irmãos avós e outros familiares; a contratação e o trabalho voluntário de pais para oferecer suporte aos outros pais com recém- nascidos internados dentro da unidade, denominados “pais conselheiros”; a melhoria do ambiente físico e a aquisição de recursos materiais para atividades educativas e de arte e ainda a implantação de biblioteca, acesso a internet e a promoção de atividades lúdicas de apoio como noite de pizzas, cafés de domingo entre outros (MOORE et al., 2003).

Apesar dessas ações se confundirem com iniciativas para a humanização da assistência, compreende-se que, no momento em que se constituem práticas sistematizadas, as quais os profissionais procuram resignificá-las no seu fazer, colaborando para a reorientação do serviço; passam a dar origem a uma política interna de atenção ao trinômio mãe-filho- familia, e desta forma, consistem em um conjunto de ações para a promoção da saúde dessas famílias.

Entretanto, o referencial do Modelo de Cuidado Centrado na Família (SHELTON ; JEPPSON; JONHNSON, 1987) também apresenta orientações as quais acredita-se que foram desenvolvidas nesse estudo por meio da abordagem grupal. Tratam-se do reconhecimento a individualidade, força e formas de enfrentamento da família; o respeito à diversidade racial, étnica, cultural e socioeconômica das famílias; o encorajamento do apoio pais-a-pais voltado para fase da hospitalização; a promoção de habilidades dos pais com o RN da UTIN e o compartilhamento com a família de informações sobre o neonato.

Nesse sentido, julga-se que o grupo de apoio formado para essa investigação procurou respeitar e valorizar as diferenças existentes entre seus membros, quando as participantes eram acolhidas e tratadas da mesma maneira e incitadas a falar e ouvir sobre

suas vidas sem preconceito. Essa questão também correspondeu a umas das regras/normas estabelecidas para a convivência do grupo.

Para Santos et al., (2006), a efetiva integração grupal ocorre à medida que as pessoas sentem-se tranquilas e seguras para transmitirem suas intimidades numa rede de confiança mútua, acolhimento e, quiçá, desenvolvimento

O grupo também promoveu a oportunidade para discutir e levantar observações sobre o estado dos recém-nascidos com as mães. Isso foi possível quando se planejou sessão com esse objetivo específico e também quando se discutiu essa questão transversalmente em outros encontros. As mães foram estimuladas a perguntarem sobre seus filhos e a se aproximarem da equipe, reconhecendo-se a necessidade e o fornecimento de informações e esclarecimentos sobre seus filhos como um direito das famílias que deve ser respeitado.

Nos Grupos de Promoção à Saúde (GPS) os usuários têm a oportunidade de desenvolver sua cidadania e a consciência do direito à vida em condições de dignidade. Esses grupos têm como propósito a construção de relações sociais cooperativas a fim de propiciar o desenvolvimento contínuo da autonomia. O processo educativo e de aprendizagem emergido no setting dos GPS devem levar em conta os conhecimentos e saberes disponíveis nas comunidades em que se inserem (SANTOS et al., 2006).

Percebeu-se que a aprendizagem e o oferecimento de informações que podem ser viabilizados no grupo irão contribuir para a mudança de comportamento em seus membros. A mudança de comportamento, tendo em vista um estilo de vida saudável, é um fator necessário à promoção da saúde.

Os grupos são dispositivos de mudanças, ou seja, instrumentos que possibilitam aos seus participantes mudanças de idéias e práticas. Não podemos deixar de crer que tais mudanças trazem um impacto na cultura local e têm um papel multiplicador/irradiador no contexto mais global. Essa dialética entre a dinâmica interna e externa é que torna o grupo uma estratégia de produzir saúde (TEIXEIRA, 2007).

No que concerne ao desenvolvimento de habilidades das mães, considera-se que o grupo pôde se configurar em um espaço favorável ao compartilhamento de experiências e saberes, resultando na aprendizagem de seus membros, no sentido de serem re-construídas as habilidades das mães enquanto cuidadoras. As oficinas de trabalhos manuais e de artesanato representam além de uma alternativa para minimizar a ociosidade, contribuindo para a saúde mental das mães, também uma estratégia para melhoramento da renda familiar.

De acordo com Teixeira (2007), acredita-se que práticas educativas em grupo precisam ser estimuladas e/ou fortalecidas para a manutenção/e ou promoção da saúde e da qualidade de vida das pessoas.

Sendo o oferecimento de apoio entre os membros o objetivo principal do grupo em estudo e sabendo que o mesmo foi alcançado, julga-se que o ponto relacionado ao encorajamento do apoio pais-a-pais foi potencialmente desenvolvido, quando a própria formação do grupo atendeu a essa orientação.

Entende-se que o grupo é um momento que oportuniza a escuta ativa, favorece o diálogo e a troca de saberes, representando um espaço de autonomia e participação, contribuindo assim, para a promoção da saúde de seus integrantes (SANTOS et al., 2006). Acredita-se que ao proporcionar esse espaço de escuta, permitindo que as mães emitissem sua opinião sobre a rotina do serviço e sugerissem mudanças, oportunizou-se de certa forma, a participação das mães no cuidado se seus filhos. Nesse momento, contando com a presença de profissionais da unidade neonatal, inclusive a coordenadora do serviço, valorizou-se a percepção do grupo, considerando as mães como sujeitos do cuidado, responsáveis pela saúde de seus filhos.

Todavia, pondera-se em relação à participação ativa da mãe e familiares no cuidado de seus filhos internados na unidade neonatal, no que diz respeito à autonomia das famílias e a tomada de decisões primárias acerca do tratamento de seus filhos. Sabe-se que ainda é distante a idéia de que a família se sinta parte da equipe de saúde e passe a não ser tratada como visitante. Julga-se que esta postura seja necessária como forma de contribuir para o desenvolvimento de um trabalho colaborativo entre pais e equipe de profissionais da UTIN.

Desta forma, concorda-se com Moore et al. (2003), quando afirmam que, para melhorar o cuidado prestado, torna-se necessária uma mudança nas crenças/cultura e filosofias de cuidado. Logo, a questão da promoção da saúde das famílias que estão com filhos recém-nascidos hospitalizados perpassa por uma mudança cultural e de filosofia de cuidado da instituição/serviço e seus profissionais de saúde, portanto, transcende o mero desenvolvimento de uma estratégia ou tecnologia de cuidado, pois abrange a visão de mundo dos sujeitos envolvidos.

Benzer Belgeler