4. ÜLKEMĠZDE ORTOFOTO HARĠTA ÜRETĠMĠ
4.3. Bakanlıklararası Harita ĠĢlerini Koordinasyon ve Planlama Kurulu
para outra pessoa assim, porque eu não confio, sabe? Porque é muito duro você fazer confidência a uma pessoa, e depois você saber que aquilo que você conversou com tanto carinho, com tanta fé, outra pessoa já está sabendo. Não é horrível? Pois é. Eu gosto mais de falar sozinha. [A pesquisadora pede que a entrevistada dê sua opinião sobre as “coisas da vida”]. Eu já tenho falado várias vezes isso, já até em reunião tenho, tenho falado, que nem outro dia eu disse que precisava que, aqui em Diogo Lopes, precisa urgentemente é, um armazém grande assim, com dez metros assim, mais ou menos, pra os trabalhadores ter um canto pra onde... por exemplo eu tenho um barco de pesca, eu tenho uma rede pra consertar, aí eu não tenho um canto certo pra ficar. Porque eu não tenho um armazém, e não poderia também fazer um bocado de armazém na praia só pra isso, né? Mas deveria ter um canto certo, pra onde os pescador pudesse se reunir, independente da colônia. Porque a colônia já passa pra outra, outro progresso, né? que tem computador e essas coisas toda. Mas eu falo assim, um canto pra eles ficarem à vontade, remendar as redes deles, botar as conversas deles em dia. Porque eles ficam nas portas, nas calçadas conversando. E se desse um cantinho pra eles trabalhar? Todos se reunia, não era tão bonito e gostoso? Eu acho essa opinião, eu tenho essa opinião assim. E se eu pudesse mudar o mundo, eu pedia isso aos governantes, que fizessem isso pra eles. 5. Os mais jovens da comunidade aprendem as coisas que a senhora sabe e conta para eles? OBJETIVO: Saber se, e como, o discurso oral das velhas senhoras fomenta a transmissão de seus saberes para a comunidade em que vivem.
M 2 – Aprendem. Eu tenho passado lições pra eles e, às vezes, eu tenho inclusive, eu tenho dois rapazes que outro dia ele… encontrou comigo aí ele disse “ah, Dona Marluce, eu agora to lembrando que eu usava um negócio que não podia ser e a senhora me tirou dessa vida, né?”. Porque eu disse pra ele, que ele, encontrei com ele, ele tava sentado na calçada da Igreja ali, ainda não tinha o gradeado, né? eu passei em pé, assim, eu disse “ah, não…” eu porque aqui em Diogo Lopes, eu não tenho diferença. Eu falo com todos, pode ser a parte baixa, pode ser a parte alta, né? Porque tem pessoas que escolhem as pessoas pra conversar, né? E eu não, quando eu passo, eu falo “Fulano! Que tinha aí?”. Aí me chamam de tia, e “Dona Marluce! Olha aí a rainha!”,
não sei o quê. Cada uma tem um negócio pra contar, né? E eu disse a ele “rapaz, olhe, você ta dormindo! Acorde pra vida! Você é novo, tem muita coisa pra enfrentar, tanta coisa boa pra você aprender. Droga não é a vida. Droga acaba com a vida”. Aí ele disse que saiu, foi pra casa, e depois meditou. Quando passou tudo, mas ele disse que não saiu mais nunca a história de eu dizer que ‘droga não era a vida, acabava com a vida’. E ele disse “hoje eu sou um homem e agradeço, primeiramente a Deus, e o conselho que a senhora me deu”. Eu disse “ta bom! Passe pra os outro, passe pra os outros, que é bom”, né? Né porque a pessoa na família tem uma pessoa que ta precise de ajuda, que a gente vai falando, vai aconselhando, vai dando uma opinião, e às vezes as pessoas acham que a gente ta querendo se meter na vida. Às vezes se eu ta, a gente ta num canto, e conversa sobre um assunto que não diz respeito a gente, acha que é porque a gente é adiantado, quer se envolver, né? “Olha pra sua família, sua família tem problema, você não olha”. Mais vezes a gente da um alô até pra alertar dum perigo maior. Não é assim? 6. A senhora acha que a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável esta trazendo algum benefícios para a comunidade e para o meio ambiente?
OBJETIVO: Saber quais são os graus de consciência que as velhas senhoras possuem acerca da problemática ambiental e das atitudes de criação da RDS.
M 2 – Trouxe, trouxe. Sabe porque que trouxe? Agora porque o povo ainda não acordaram que a Reserva é isso, sabe? Eles tomam pra o outro lado. Algumas pessoas, que não participam de reunião, não foram à luta que nem a gente foi, porque a gente enfrentou uma batalha, agente foi pra guerra, porque enfrentar, no meio de um bocado de homem, tudo armado de foice, cada foice que fazia gosto, enxada e tudo, e a gente dentro de um mangue, só com a fé de Deus, sem nem uma arma, a gente foi a uma guerra e fomos vencedora. Porque, com aquele jeito que eles tavam ali, se eles se revoltassem matava um por um. Porque a gente tinha de arma só mente a palavra de Deus. Nós não tinha nada na mão. A gente foi pra conversar, e um ainda se virou e ainda disse assim: “é, se vier aqui, da pra gente resolver”, um ainda falou pra os outros, né? Quer dizer, se a gente fosse pra braçal, ia só morrer, né? Por isso eu acho que a Reserva trouxe uma coisa boa. Outra coisa, por que a reserva trouxe uma coisa boa? Porque tavam querendo tomar frente ali da praia, né? As pessoas encostando as casas pra beira do rio, tirando a beleza da, da cidade, né? Porque, além de nós termos só o rio, nós não termos mar aberto, ir encostando as casas pra beira do rio, ia ficar como, né? Eu acho que trouxe. Principalmente nessa batalha que a gente foi, que foi muito “ferverosa”.
Foi uma batalha muito grande, e a gente ainda esta aqui, tudo com os braços erguidos pra enfrentar novamente tudo se fosse preciso. Foi uma coisa muito boa dentro de Diogo Lopes. E além disso, Diogo Lopes é um lugar assim quieto, mas são um povo assim, de união. Quando eles entende que é união, eles se juntam mesmo e vão à luta e conseguem o que eles querem, né? [A pesquisadora pergunta se a entrevistada quer falar mais alguma coisa]. Eu também acho assim, sabe? Eu agradeço muito Deus, e a vocês mesmos, que, como se diz, coincidiram de vir aqui em Diogo Lopes a, Diogo Lopes a passeio e se tornaram quase uns nativo, né? Você, Mirian, né? E outros, outros mais que eu não gravo o nome só quando… Marluce… quando to perto que eu lembro o nome depois, porque a gente também é falha, né? Aí entrar nessa batalha com a gente, foi uma coisa muito boa, muito bonita. Ainda hoje continua trabalho, né? Muito progresso, e daqui pra frente, quanto desenvolve o trabalho, mais chama atenção, mais o povo gosta, mais o povo quer e isso é que é importante. E quem sabe, se amanhã, Diogo Lopes é um lugar de gente pobre, mais humilde, quem sabe se não pode chegar um pessoa de fora, se juntar a três, quatro família e levantar um prédio “esse prédio aqui a gente vai vender quentinha, né? A gente vai vender, nesse prédio, uma merenda. A gente vai vender, aqui nesse prédio, é, doce. Vamos fazer doce pra vender, né?”. Quem sabe se não pode vir uma pessoa dessas? Porque a comunidade de Diogo Lopes é uma comunidade pobre e cada um trabalha para a sua sobrevivência, não tem como dispor de dez mil, vinte mil pra gastar em um prédio, né? A senhora sabe disso, que a senhora ta conhecendo o sofrimento aqui da praia de Diogo Lopes, né isso? Seria muito bom, se alguém viesse, encostasse, tivesse garra e pudesse ajudar a comunidade, né? Isso que eu digo, ajudar a comunidade. Não é também uma coisa que eu ache falha. Porque chega uma pessoa, vai fazer um prédio em Diogo Lopes. Aí, então, o engenheiro tem que vir de fora, o mestre tem que vir de fora, porque aqui tem mestre, mas não dão muito valor, né? Mas eu acho que as outras pessoas poderia ser de Diogo Lopes, porque aqui tem tanto rapaz que sabe trabalhar, tem coragem. Poderia ser de Diogo Lopes. Não trazer já uma empresa toda completa de fora. Quando vem assim, de Diogo Lopes, chama uma pessoa, duas. E o resto? Que poderia imaginar assim: que quem vem de fora, vem com toda a despesa, e se você vem de fora trazendo quatro pessoa, chamando oito de Diogo Lopes, você vai gastar menos. Por que de Diogo Lopes? Como? Porque todos moram em Diogo Lopes. Trabalhou o dia? De tarde vai todo mundo para as suas casas. Trabalhou, chegou a hora de almoço? Vem para as suas casas almoçar. Então esse dinheiro já serveria para ajudar outros que estão precisando, não é isso? Pois é. Eu acho isso aqui. Eu penso de mim. Não sei os outros. Também eu tenho muita vontade assim,
sabe como? de participar das coisas pra ficar sabendo. Eu não sou formada, eu não tive esse privilégio de ser formada porque fui criada, na época que eu morei em Canoa Quebrada, era as coisas muito difícil. E meu pai era mais doente e minha mãe era a rainha domes…doméstica, né? Ela trabalhava muito pra criar meus sete irmãos, né? Dois foi embora, ficou cinco. Meu pai doente, num lugar que não tem emprego, é difícil, não é não? É difícil. Muito difícil, e eu queria tanto que ninguém nunca passase o que foi o início de Diogo Lopes, de sofrimento, não voltasse mais nunca. O que foi início de Canoa Quebrada também não vai voltar mais, porque cresceu demais, né? Hoje ta tudo mudado, todo mundo hoje em dia é socialite, não sabe mais do que é farinha com feijão, né? café com pão, um pedacinho de pão pra alimentar os outros, né? A vida não foi fácil, não. Foi de muita luta. Pelo menos pra mim, foi de muita luta. Mas tudo que eu enfrentei, agradeço a Deus, primeiramente, agradeço muito a Deus por estar aqui presente e poder conversar com alguém. Às vezes eu vou pra reunião, quando eu chego lá, as meninas dizem “eita! Chegou ela!”. Quando chego bulo com uma, mexo com uma, mexo com outra, aí as meninas dizem isso assim- assim, “vamos fazer isso”, eu digo “não, mulher! Vamos fazer assim, vamos dançar o coco, vamos dançar um pastoril, um negócio mais, mais alegre ta tudo morto. Cadê a caipirinha, Comadre Lelé, cadê?”. Comadre Lelé diz “ela chegou. Pronto. Quando ela chega, aí, sabe, né?”. Que eu chego, tudo calado, chegou Marluce, pronto aí, porque eu falo muito, né? (risos) Assim é bom, que eu me divirto com as outras. Aqui não tem filme, nem onde… uma churrascaria, uma coisa aonde a pessoa possa ficar à vontade, mas a gente tem uma casinha que se reúne dez, doze. Ali conversa uma besteira, às vezes ta até nervosa, né? às vezes tem um problema horrível em casa e quando chega naquela hora, passa quatro horas, duas horas, mas já vai saindo maneira, né? “Ai, como eu aliviei um pouco. Quando eu vou pra casa já vou pensando que vou enfrentar outra batalha, pelo menos essa hora valeu, né?”. É muito bom. E também agradeço a você por você ter me escolhido. Desejo que a professora aceite de bom grado o que eu disse aqui, e peço também à senhora e à sua professora que desculpe alguma que palavra não foi dita corretamente por que é de uma pessoa que não tem nenhuma formatura, só a de Deus. [Risos]. [Fim da entrevista].
ENTREVISTA 3
MULHER 3 ( 71 anos) Duração: 21min 30seg.
QUESTÕES
1. A maneira de viver da pesca, dos dias de hoje, é igual à maneira de pescar do seu tempo de menina, o que mudou nestes anos?
OBJETIVO: Saber como o tempo passou na vida das senhoras entrevistadas, em relação à ação do trabalho pesqueiro e das formas de convívio com o mar e o meio ambiente.
M 3 – É não. [A pesquisadora pergunta como era