As identidades sociais são investigadas quando analisamos a forma como os participantes são retratados em um texto, relativamente ao(s) papel(ou papéis) que eles representam na sociedade. O significado identificacional está relacionado ao conceito de estilo. Uma das maneiras de percebemos os estilos é por meio das categorias de modalidade de avaliação, como procederemos nesta pesquisa. A categoria da modalidade é importante na (re)constituição de identidades, uma vez que revela além do
comprometimento do falante com suas proposições, um comprometimento que inclui a interação com os interlocutores. As escolhas na modalidade são significantes não apenas em termos de identificação, mas também em relação à ação e à representação (FAIRCLOUGH, 2003a).
A avaliação materializa-se nos textos através de afirmações valorativas, afirmações com verbos de processo mental afetivo e presunções valorativas. Considerando que a construção de significados depende não só do que está explícito em um texto, mas também do que está presumido/implícito, a avaliação se constitui uma categoria relevante na investigação das identidades sociais. Diante do exposto, passaremos à análise do significado identificacional nos recortes selecionados, observando o comprometimento das autoras/entrevistadas com as afirmações, perguntas, demandas e ofertas presentes no texto, bem como faremos a identificação dos significados implícita ou explicitamente marcados nas proposições.
4.3.1 Análise da reportagem-perfil (1) - (Rp1)
Nos excertos (1), (2), (3), (4), (5) e (6) que compõem o perfil da professora e farmacêutica Terezinha Rego, são raras as trocas de atividades (modalidade deôntica) explícitas. As trocas de conhecimento (modalidade epistêmica) são mais freqüentes, sobretudo as afirmações e não aparecem perguntas. As afirmações são categóricas, não havendo instâncias de outros tipos de modalidade. Isso indica uma alta afinidade da autora/entrevistada com as proposições, que são implicitamente tomadas como verdadeiras.
No excerto (5) “Quero que o país acorde e se sensibilize para essa riqueza que é a flora medicinal do Brasil. Que a gente consiga uma lei de patentes decente, para que não tenhamos de competir com as multinacionais e que, estudando os vegetais, se chegue à erradicação dessas doenças que ainda não possuem cura, como o câncer e a AIDS”, temos um exemplo de modalidade deôntica explícita, uma demanda dirigida às autoridades brasileiras, com alta afinidade pela identificação da entrevistada por meio do pronome oculto de primeira pessoa do singular (eu) em: („Quero que o país acorde‟).
No mesmo excerto, há algumas afirmações com valor de demanda. São trocas de conhecimento aparentes, mas que são, também, trocas de atividade. Esses casos referem-se à proposta de sensibilização do país para com a flora medicinal; à implantação de uma lei de patentes para evitar competição com as multinacionais e à proposta de estudo dos vegetais, como podemos notar em („[...] que o país acorde e sensibilize‟; „Que a gente consiga uma lei de patentes decente‟; „e que, estudando os vegetais, se chegue à erradicação dessas doenças que ainda não possuem cura, como o câncer e a AIDS‟). Embora sejam realizadas em forma de afirmações, é clara a função de demanda que assumem essas proposições.
A farmacêutica explicita o que, em sua opinião, o “governo brasileiro” deveria fazer para resolver o problema da cura de doenças a partir do trabalho com fitoterapia. A atualização das demandas como afirmações é uma estratégia retórica que aproxima a proposta da realidade, uma vez que faz o intento parecer exeqüível e simples. Embora a realização da demanda seja feita em forma de afirmação, a modalidade é deôntica, uma vez que evidencia obrigatoriedade e necessidade: („que o país acorde e sensibilize‟; „Que a gente consiga uma lei de patentes decente‟; „e que, estudando os vegetais, se chegue à erradicação do câncer e da AIDS‟).
A análise da modalidade aponta uma alta densidade de modalidades categóricas, o que evidencia um alto grau de comprometimento da entrevistada com suas proposições. As modalidades são predominantemente subjetivas, ou seja, na maioria das vezes a farmacêutica deixa explícita a base subjetiva de seu comprometimento, como podemos observar em:
(1) “Digo sempre que o meu marido foi a sorte grande da minha vida”
(2) “Gosto muito de dançar e até hoje freqüento serestas e outras festas com o meu marido. Todas as sextas-feiras vamos ao baile do Clube Jaguarema”.
O efeito disso é uma particularização de sua perspectiva (dicurso) defendida nos textos. No excerto (1), acima citado, podemos notar que a entrevistada se relaciona com o marido a quem identifica e por quem é identificada. Casar-se numa sociedade cuja organização inscreve-se no modelo patriarcal de família pode significar além de realização pessoal, uma
forma de status social. Logo, um bom casamento, neste caso, realizado entre pares pertencentes ao mesmo estrato social (classe média alta) interferiu na vida da farmacêutica, o que justifica a sua ponderação sobre a questão do casamento: („meu marido foi a sorte grande da minha vida‟). Aqui a farmacêutica identifica o marido como uma peça chave em sua vida. O marido é então desejável.
Em (2) “Gosto muito de dançar e até hoje freqüento serestas e outras festas com o meu marido. Todas as sextas-feiras vamos ao baile do Clube Jaguarema”, a entrevistada identifica seu ponto de vista sobre diversão e lazer através de uma afirmação avaliativa explicitamente marcada pelo verbo de processo mental (gosto). Nessa relação, o relacionamento do casal é identificado como feliz, pois os pares saem, se divertem juntos, participando frequentemente em festas. O convívio do casal, então, é bom. Isso justifica a avaliação sobre o marido feita pela entrevistada, atualizada no excerto (1) “Digo sempre que o meu marido foi a sorte grande da minha vida”.
No recorte (3) “O trabalho desenvolvido pela farmacêutica é tão relevante para a sociedade que na semana passada a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China no Maranhão enviou três dos seus medicamentos para a China, com a esperança de uma possível cura para a pneumonia asiática”, a enunciadora/repórter realiza uma asserção com juízo de valor: („O trabalho desenvolvido pela farmacêutica é tão relevante para a sociedade que...‟), através da qual o trabalho da farmacêutica é julgado conforme o sistema de valores da („Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China no Maranhão‟), e seu trabalho é classificado como bom, relevante, o que motivou a atitude de reconhecimento da importância dos medicamentos desenvolvidos pela farmacêutica para („uma possível cura para a pneumonia asiática‟). Dessa forma, a repórter constrói uma identidade positiva da farmacêutica, como uma profissional bem sucedida e, portanto, realizada.
Apesar dessa avaliação positiva do trabalho da farmacêutica feita pelo jornal, notamos uma relação de tensão entre a farmacêutica e o poder público brasileiro, atualizada no excerto (5) “Quero que o país acorde e se sensibilize para essa riqueza que é a flora medicinal do Brasil. Que a gente consiga uma lei de patentes docente, para que não tenhamos de competir com as multinacionais e que, estudando os vegetais, se chegue à erradicação
dessas doenças que ainda não possuem cura, como o câncer e a AIDS”. Essa asserção sugere o “descaso” das autoridades públicas com a fitoterapia medicinal e, consequentemente, com a melhoria da saúde pública no Brasil. Nesse sentido, é uma avaliação negativa do poder público brasileiro.
4.3.2 Análise da reportagem-perfil (2) - (Rp2)
Nessa reportagem a personagem destaque é a promotora de justiça Marilea Campos dos Santos Costa. Considerando os excertos selecionados para análise desse perfil conforme explicitado na Seção 4.1.2, deste Capítulo, há um exemplo de troca de atividade (modalidade deôntica) explícita atualizada em (8) “Para a promotora, os pais têm que tomar a responsabilidade dos seus filhos e não deixar para o Estado fazê-lo”. E ainda desenvolver nas crianças o amor pelo trabalho, além de sua auto-estima. “A família tem que ser respeitada porque é a primeira formação do cidadão. Quando trabalhava no interior, proferi várias palestras sobre esse tema e acredito que a solução para os problemas de hoje está na união, cada um fazendo sua parte”. Trata-se de uma demanda dirigida aos “pais”, com modalização categórica e alta afinidade pela identificação da autora por meio de sua voz, em discurso indireto, representada pela expressão “para a promotora”, na primeira linha do excerto acima. Ainda como parte da demanda dirigida aos “pais”, com alta afinidade, temos a identificação da entrevistada por meio do pronome oculto de primeira pessoa do singular (eu) atualizado em („acredito que a solução para os problemas de hoje está na união, cada um fazendo sua parte‟), há algumas afirmações com valor de demanda.
São trocas de conhecimentos aparentes, mas, que são também trocas de atividade. Esses fatos referem-se à proposta de evitar que o Estado assuma a responsabilidade pelas crianças como podemos notar em („os pais têm que tomar a responsabilidade dos seus filhos e não deixar para o Estado fazê-lo‟), („E ainda desenvolver nas crianças o amor pelo trabalho, além de sua auto-estima‟). Embora sejam realizadas em forma de afirmação, essas proposições assumem claramente a função de demanda. A entrevistada explicita o que, segundo ela, os “pais” deveriam fazer para resolver o problema do acompanhamento dos filhos necessário a seu crescimento.
As demandas quando atualizadas em forma de afirmações fazem parte de uma estratégia retórica que aproxima a proposta da realidade, uma vez que faz o projeto parecer realizável e sem complexidade, como observamos no final do excerto (8) („A família tem que ser respeitada porque é a primeira formação do cidadão‟) e em („[...] acredito que a solução para os problemas de hoje está na união, cada um fazendo sua parte‟). Nestes dois últimos versos destacados aqui é que a afirmação com valor de demanda fica evidente: embora a realização da demanda seja uma afirmação, a modalidade é deôntica, uma vez que evidencia obrigatoriedade e necessidade („a solução para os problemas de hoje está na união, cada um fazendo sua parte‟).
Considerando a falta de clareza entre afirmação e demanda neste excerto, é possível afirmar que o texto constitui uma “mensagem promocional” (RESENDE; RAMALHO, 2006). Fairclough (2003a), explica que mensagens promocionais são aquelas que simultaneamente representam, advogam e antecipam aquilo a que se referem. Nesse sentido, a promotora de justiça representa uma solução para o problema, advoga em favor de sua proposta e antecipa os resultados com a implantação dessa solução. É assim que, neste fragmento, além da ambigüidade entre demanda e afirmação, não fica clara a distinção entre afirmações de fato e previsões de futuro, como os versos a seguir ilustram („acredito que a solução para os problemas de hoje está na união, cada um fazendo sua parte‟).
Aqui, observamos que a entrevistada em sua previsão de um comprometimento da família com os filhos (primeira linha) e de seus resultados (segunda linha), utiliza verbos no presente do indicativo, o que tem efeito na atualização dessas previsões como afirmações de fato. Do mesmo modo que as demandas atualizadas como afirmações, as previsões de futuro realizadas como afirmações têm o efeito de representar estados futuros e imaginados como se existissem no momento presente, aproximando a proposta da entrevistada com a realidade.
Na análise do perfil da promotora de justiça identificamos também alguns exemplos de modalidades subjetivas, isto é, a entrevistada deixa explícita a base de seu comprometimento, como podemos observar em (7) “Minha mãe trabalhava na Petrobras, mas resolveu deixar o emprego para cuidar da família e nunca esboçou arrependimento” e em (9) Um dos
momentos de maior felicidade da promotora de Justiça Marilea Campos foi a adoção de Maria Valéria Campos, de 6 anos, em 1997. Depois de ter tentado por duas vezes a inseminação artificial, por apresentar dificuldade de engravidar, a promotora viu em Maria Valéria a oportunidade de descobrir o verdadeiro sentido da maternidade. Tal atitude da promotora produz um efeito de particularização de sua perspectiva (discurso) defendida nos textos.
No excerto (7), a entrevistada identifica a mãe como protetora da família e dedicada ao lar, uma vez que os sentidos produzidos aqui são de um “ser mulher dona-de-casa”. Aqui se denota uma visão sobre o feminino na qual o casamento ainda assumia posição de destaque para a mulher, mesmo com a permanência da separação dos papéis no matrimônio e na sociedade. Nesse sentido, „deixar o emprego‟ em função dos cuidados com a casa e com a família pode significar a incorporação da imagem da mulher ideal que priorizava o lar e a sua missão pautada no tripé filha-esposa-mãe. Portanto, essa atitude da mãe da entrevistada interferiu em sua vida, o que justifica o seu ponto de vista sobre a questão da maternidade, atualizado em (9) Um dos momentos de maior felicidade da promotora de Justiça Marilea Campos foi a adoção de Maria Valéria Campos, de 6 anos, em 1997. Depois de ter tentado por duas vezes a inseminação artificial, por apresentar dificuldade de engravidar, a promotora viu em Maria Valéria a oportunidade de descobrir o verdadeiro sentido da maternidade.
Aqui a enunciadora/repórter constrói a imagem da entrevistada associada à adoção, ao ressaltar que esse foi o momento de maior emoção da vida da promotora. A feminilidade aqui está relacionada a características que implicam subordinação, atividades maternais. Logo, essa é uma representação negativa da promotora.
No excerto (10) Marilea sentia que, para completar a sua felicidade, só faltava ser mãe, a enunciadora/repórter reafirma o ponto de vista da promotora a respeito da maternidade, através de uma afirmação avaliativa ao associar a sua felicidade à realização de ser mãe. Dessa forma, a repórter representa a promotora dentro de uma identidade materna, vista como desejável. O mesmo acontece no excerto (11) “Responsável e dedicada ao lar, a promotora de Justiça aproveita as primeiras horas do dia e o início da noite para organizar a casa do jeito que gosta”. Para acompanhar o desenvolvimento
da filha, ela faz questão de acordar por volta das 5h30 e prepará-la para a escola, no qual a enunciadora/repórter faz uma asserção com juízo de valor, pela qual a promotora é julgada conforme o sistema de valores, crenças e conhecimentos historicamente constituído, no qual à mulher é atribuído o papel de cuidar da casa e dos filhos, mesmo trabalhando fora de casa. Sua “preparação” para realizar as tarefas do lar, além do trabalho do ministério público na função de promotora de justiça é representada como boa, desejável. Outro exemplo de afirmações com valor de demanda é o atualizado no excerto (12) “Independente da classe a que você pertence, o importante é você ser uma pessoa que realmente busca o que há de melhor para si”. Trata- se de uma demanda voltada para “você”, esse “você” dirige-se a(o) leitor(a) do perfil. Neste caso, refere-se à proposta de determinação por parte das pessoas para alcançarem os objetivos desejados como podemos notar em („ [...] o importante é você ser uma pessoa que realmente busca o que há de melhor para si‟). Embora a realização da demanda seja uma afirmação, a modalidade é deôntica, uma vez que explicita obrigatoriedade e necessidade, por meio de um pedido. A promotora esclarece o que, em seu modo de entender, “você” a(o) leitor(a) do perfil deveria fazer para superar os obstáculos na luta diária para alcançar o melhor para a sua vida.
4.3.3 Análise da reportagem-perfil(3) - (Rp3)
Nessa reportagem, a personagem focada é a desembargadora Maria dos Remédios Buna. O perfil em análise aponta uma alta densidade de modalidades categóricas, o que evidencia um alto grau de comprometimento da autora/entrevistada com suas proposições. As modalidades são predominantemente subjetivas, ou seja, na maior parte das vezes o grau de afinidade é claramente expresso pela entrevistada/autora, como podemos notar em (14) “Meu dia-a-dia era muito corrido, pois, além de estudar, tinha que trabalhar para ajudar em casa. Sempre que arranjava um namoradinho, terminávamos, porque não lhe dava a atenção necessária e ele acabava interessando-se por outra garota” e em (15) “Depois de ter passado por tantas dificuldades na vida e ter percorrido caminhos longos e árduos para conseguir
ser alguém, é muito gratificante fechar o círculo da profissão que escolhi. É majestoso. Hoje, me sinto uma rainha”.
No excerto (14) a modalidade é categórica com alta afinidade pela identificação da entrevistada por meio do pronome possessivo de primeira pessoa do singular („meu‟). Aqui, a desembargadora faz uma afirmação avaliativa sobre sua trajetória de vida como estando ligada aos estudos e ao trabalho, o que a leva a classificar o seu „dia-a-dia‟ como corrido, portanto, indesejável, ruim. Ao argumentar sobre o desempenho de várias funções: „Meu dia-a-dia era muito corrido [...]‟, a desembargadora identifica-se positivamente como mulher ”guerreira” que superou muitas dificuldades ate alcançar realização profissional como podemos notar também em (15) “Depois de ter passado por tantas dificuldades na vida e ter percorrido caminhos longos e árduos para conseguir ser alguém, é muito gratificante fechar o círculo da profissão que escolhi. É majestoso. Hoje, me sinto uma rainha”.
Aqui, a entrevistada é identificada (modalidade categórica) através do pronome oculto de primeira pessoa do singular (eu) em: „é muito gratificante fechar o círculo da profissão que escolhi‟ e em: ‟ Hoje, me sinto uma rainha‟, o que demonstra alto grau de afinidade com as preposições, que são tacitamente tomadas como verdadeiras. Em sua representação da posse ao cargo de desembargadora, a entrevistada utiliza verbos no presente do indicativo, o que caracteriza essas proposições como afirmações de fato, como podemos notar em „é muito gratificante fechar o círculo da profissão que escolhi. É majestoso. Hoje, me sinto uma rainha‟. Desse modo, o texto produz uma identificação da desembargadora como positiva, desejável, ao tempo em que aponta para sua realização profissional num contexto social em que as mulheres não são mais criadas para serem (somente) mães, elas são, desde cedo, incentivadas a terem uma profissão e, sobretudo, sucesso na profissão que escolheram.
4.3.4 Análise da reportagem-perfil (4) - (Rp4)
Essa reportagem compõe o perfil da professora e escritora Sônia Maria Pereira de Almeida. Apresenta predominantemente as seções com modalidades epistêmicas (trocas de conhecimento). As afirmações são
categóricas, o que explicita o alto grau de comprometimento da entrevista, o que pode ser exemplificado em:
(16) “Desde pequena, minha distração sempre foram os livros. Quando não estava na escola, sempre estava em casa, estudando.”
(20) “Ainda estou sob o impacto da eleição para a Academia Maranhense de Letras, e não sei dizer qual o sentido disso na minha vida. Só sei que é muito bom. É um presente que entrego a Deus e aos meus filhos”
(22) “Com o nascimento da minha neta, comecei a pensar no verdadeiro sentido da vida, o que é ser avó, o que é entrar para a AML e muitas outras coisas. Desejo que a minha neta seja uma mulher forte e quero ter a felicidade de estar viva para vê-la bonita, no sentido de ser mulher mesmo”.
Podemos notar a identificação da entrevistada pelo pronome possessivo de primeira pessoa de singular (minha), no excerto (16). Uma vida dedicada aos estudos pode significar a garantia de um futuro promissor, em uma época em que a mulher ocupa novos espaços sociais em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Nesse sentido, ter o hábito da leitura influiu na vida da escritora o que justifica a sua avaliação sobre a questão da dedicação aos livros representada como desejável, boa.
No excerto (20) “Ainda estou sob o impacto da eleição para a Academia Maranhense de Letras, e não sei dizer qual o sentido disso na minha vida. Só sei que é muito bom. É um presente que entrego a Deus e aos meus filhos”, a identificação da entrevistada é realizada pelo pronome oculto de primeira pessoa do singular (eu). Em sua representação do evento da eleição de imortal da Academia Maranhense de Letras, a entrevistada utiliza verbos no presente do indicativo („estou, sei, é, entrego‟), o que caracteriza a proposição como afirmação de fato. Com essa asserção, a escritora constrói uma representação desejável, boa de seu trabalho, uma vez que realiza uma afirmação com juízo de valor, por meio da qual expressa o impacto dessa atitude em si mesma. E, dessa forma, influi na constituição de sua identidade como a de uma mulher moderna, instruída e realizada profissionalmente.
Em (22) “Com o nascimento da minha neta, comecei a pensar no verdadeiro sentido da vida, o que é ser avó, o que é entrar para a AML e muitas outras coisas. Desejo que a minha neta seja uma mulher forte e quero
ter a felicidade de estar viva para vê-la bonita, no sentido de ser mulher mesmo”, a escritora faz uma afirmação com juízo de valor acerca do que é „o verdadeiro sentido da vida‟, a partir do nascimento de sua neta. Isso justifica sua percepção de identidade materna como a maior representação feminina.
4.3.5 Análise da reportagem-perfil (5) - (Rp5)
Nessa reportagem, a personagem é a enfermeira e empresária Rita Ivana Barbosa Gomes. Como nos demais perfis analisados, nesta reportagem as afirmações são categóricas, não havendo instância de outro tipo de modalidade. Isso indica alta afinidade da autora/entrevistada com as preposições que são tacitamente tomadas como verdadeiras, como podemos