O reconhecimento da publicidade como uma ferramenta que desperta conhecimentos e não apenas que atenda interesses comerciais torna-se uma afirmação unânime entre as professoras da escola Rodoval Borges Silva. Contudo, elas responderam não ter explorado este tipo de texto em todas as possibilidades ofertadas pelo gênero, mas acreditam que pode ser utilizado como fonte de mensagens ideológicas, sendo mais uma alternativa para fomentar e trabalhar a criatividade dos alunos, despertando-os à análise de seu próprio contexto.
As pedagogas, de forma consensual, enfatizaram que pelo fato da propaganda ser um poderoso e criativo recurso nas aulas de Língua Portuguesa, deve ser explorada em sua totalidade. Atribuem a isso, o consumismo cada vez mais acelerado em nossa sociedade, além das mensagens simbólicas que, diariamente, estão em nosso convívio. A diretora comentou que educar por meio de veículos de comunicação é questão de exercício e de prática dos direitos de cidadania. Pois são tantas formas de divulgação de propagandas “que nos sentimos impotentes e, ao mesmo tempo, com vontade de comprar cada vez mais.” Para reverter este lado negativo da propaganda, a diretora propôs que, ensinar os alunos a lerem criticamente a publicidade com uma reflexão desses hábitos consumistas, há grandes possibilidades de reverter essa situação. Mesmo que a propaganda não tenha sido explorada, em sua essência, pelas professoras, inferimos que, uma das formas adotadas foi iniciar identificando a mensagem de análise nos conteúdos, forma ou linguagem. Essas análises imperam mais na ordem dos conteúdos; as professoras pontuaram diversas vezes a importância de debater a ideia que está intrínseca na propaganda entender os objetivos da mensagem, desconstruir seu discurso e, dessa maneira, ir em busca de uma leitura crítica.
Uma das professoras citou que é necessário estudar também o contexto histórico da propaganda, retratando o ontem e o hoje, fatos de uma época relevantes e reinterpretando os dias de hoje.
5.2.4.2. G.P.C.
Explorar de forma “extremamente rica seus recursos linguísticos”, com essa frase a professora de Língua Portuguesa da Escola GPC iniciou sua entrevista no quesito publicidade na sala de aula. Para ela, as ambiguidades, metáforas, jogo de palavras, inclusive, desconstrução do discurso, são possibilidades construtivas de explorar a linguagem. Nesse aspecto, a professora disse-nos que sempre enfatizou mais os valores linguísticos e semânticos em sua prática, porém abordará com mais fruição, outros valores tão importantes quanto estes, que é a ideologia presente nos discursos publicitários e levar essa discussão à sala de aula, é também alertar sobre as verdades e mentiras que há por trás do discurso.
Esses aspectos foram abordados como temas possíveis a serem usados na prática docente.
Na visão do pedagogo, são relevantes os textos sobre publicidade em sala de aula, pois quando os efeitos negativos não são bem esclarecidos, surge apenas uma interpretação, “sem dar significado ao objeto.” Logo, esclarecer aos jovens as diversas maneiras de entendimento, é também alertá-los para o lado persuasivo e sedutor das propagandas.
A pedagoga sugeriu que a leitura e a produção de textos são essenciais para despertar às reflexões sobre este gênero, mas que seja “de maneira adequada e útil ao universo escolar e à realidade social do aluno.
Assim como a professora e pedagogos, as diretoras também elucidaram a importância de se trabalhar a publicidade em sala de aula, avaliando seus efeitos e as implicações que decorrem através de seus sentidos.
Uma delas enfatizou que alguns problemas decorrentes do consumismo, inclusive, citou a questão alimentar, também podem ser esclarecidos com base em aulas produtivas que contextualizem vários aspectos sociais e que promovam reflexões, pois só assim, o aluno terá uma formação adequada quanto à criticidade e transformação ao seu redor. A outra diretora iniciou dizendo que, primeiramente, a escola precisa ter
consciência desses efeitos do discurso publicitário e as implicações negativas da mídia sobre o desenvolvimento dos alunos. Mas que isso passe a ser um assunto obrigatório na escola e que os professores passem a utilizar mais este gênero em sala de aula, proporcionando debates, conversas, pesquisas e outros.
5.2.5. A publicidade como produção cultural
Nesse tópico, a análise proporciona uma visão geral dos entrevistados diante da produção publicitária. Dessa forma, entender o posicionamento dos mesmos frente ao possível uso da propaganda em sala de aula e a viabilidade de aproximá-la do ensino formal ou ter uma postura de utilizá-la, esporadicamente, sem objetivos críticos e construtivos.
5.2.5.1. Escola Rodoval Borges Silva
Nesse último quesito de nossa entrevista, a diretora da Escola Rodoval Borges Silva foi totalmente favorável à propaganda ser evidenciada como produção cultural e justifica afirmando que a produção publicitária, trabalhada nas aulas de Língua Portuguesa, deve estar vinculada aos métodos formais de ensino. Deve-se a isso os “novos educadores” presentes em nossa sociedade, que são: o cinema, televisão, teatro, literatura e outros. Logo, utilizar a linguagem da propaganda em sala de aula é ao mesmo tempo desvincular-se de um gênero apenas comercial, passando a ser também uma produção cultural.
As pedagogas também acreditam que a propaganda é carregada de uma grande diversidade e, já que influencia no comportamento de uma sucessão enorme de pessoas, a escola com seu papel social deve também explorar a realidade produzida pelas mídias. Neste sentindo, uma delas afirma: “é importante fazer dentro do contexto escolar a reflexão da sociedade que queremos”.
As duas professoras disseram que o aproveitamento da propaganda como uma produção cultural, só será realmente explorada em todos os seus aspectos quando os professores conscientizarem-se dessa importância. Ao mesmo tempo que se aprofundem nesse estudo, pois não se pode abordar esse gênero, sem que antes haja um “preparo, um enriquecimento cultural.”
5.2.5.2. G.P.C
A professora inicia suas palavras fazendo referência à propaganda como um gênero textual que faz parte do cotidiano das pessoas e que esse envolvimento nem sempre é sentido. Como a propaganda permeia a todos esses momentos, é necessário que esse gênero seja visto sim como uma produção cultural.
Depois dessas referências, a professora citou-nos que, em alguns momentos de suas aulas, trabalha a produção cultural das propagandas, porém quando esta vem inserida nos livros da rede positivo utilizada pela escola. As produções giram em torno dos comandos provenientes das atividades formuladas. Porém, ela admite que os alunos podem e devem fazer parte desse contexto e participar mais ativamente das aulas.
A coordenadora pedagógica reiterou sobre a importância de desenvolver trabalhos com a propaganda em sala de aula no sentido de identificar o propósito comunicativo. Já o coordenador disse que essa produção cultural propagandística só existirá no âmbito escolar se for bem planejada através de projetos. Depois fez um trocadilho sobre “a propaganda como a alma do negócio e jamais o segredo do negócio.” Inferimos que o pedagogo quis dizer que a única forma de se desvendar as várias formas de discurso, advém de um bom trabalho com textos e produções lidas e confecionadas pelos alunos.
A diretora pedagógica concordou com que a propaganda pode ser explorada com viés cultural sim, entretanto desde que seja uma fonte significativa com construções e reconstruções de textos, tanto na mídia impressa, como na eletrônica. Dessa forma, será uma forte aliada no desenvolvimento dos alunos.