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Başvuru Şekli ve Yapılacak İşlemler

2. TEKLİF ÇAĞRISINA İLİŞKİN KURALLAR

2.2. Başvuru Şekli ve Yapılacak İşlemler

Após analisarmos a evolução da igualdade em todas as nossas Constituições, é fundamental compreendermos como ele está estabelecido na Carta de 1988. Iremos, antes disso, ter uma noção mais concreta do que significa um princípio. Na precisa lição de Celso Antônio Bandeira de Melo:

Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a sua exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico positivo10.

Alguns conhecem o sentido de isonomia através da máxima: dar igualmente aos iguais e desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Pensamento esse derivado principalmente das considerações de Aristóteles, de que méritos iguais devem ser tratados igualmente, mas situações desiguais devem ser tratadas desigualmente11. Embora essa ideia de igualdade relativa e justiça distributiva tenha se difundido no meio jurídico nacional pelas lições de Ruy Barbosa, não parece ser o suficiente para solucionar os grandes entraves12

Pode parecer em primeiro plano que a escolha de um tratamento diferente seja um critério desarrazoado e injusto. Enfatizemos, todavia, que essa não é a preocupação crucial, haja vista que casos há em que essa diferenciação é necessária. Fundamental é que ressaltemos a importância dos critérios e das razões que fundamentam essa distinção. Como adverte Roberto Ferraz:

legislar respeitando o princípio da igualdade na lei consiste em ‘tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais’ é afirmar rigorosamente nada! O problema está

em saber quais os critérios legítimos de discriminação de grupos ‘iguais’ para os fins legais. Assim, também a aparente unanimidade em torno à idéia de igualdade no âmbito jurídico, e mesmo relativamente àquele conceito supostamente aristotélico, não passa de mera retórica, de afirmação sem qualquer significado útil, eis que sem a identificação dos legítimos critérios segundo os quais as pessoas serão discriminadas não pode haver efetiva aplicação do princípio da isonomia13.

10

BANDEIRA DE MELO, Celso Antônio. Conteúdo Jurídico do Princípio da Igualdade. 3. ed. São Paulo: Malheiros, 2003.

11 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 4. ed. São Paulo: Martin Claret, 2001, p. 108. 12

BARBOSA, Ruy. Oração aos moços. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1997, p. 26.

13 FERRAZ, Roberto. A igualdade na lei e o Supremo Tribunal Federal. Revista Dialética de Direito Tributário

O atual texto constitucional mudou a visão até então adotada quanto à isonomia, passando a interpretá-lo como uma forma de concretização da justiça social no nosso país. Percebemos que uma evolução nítida foi a mudança no paradigma de que o Princípio da Igualdade é tratar iguais igualmente; na verdade, a real face da equidade passa por tratar desiguais desigualmente, na medida da sua desigualdade, permitindo que, apesar de possuírem situações sociais e econômicas distintas, possam estar sob um mesmo patamar no ordenamento jurídico.

Esse redimensionamento da isonomia trouxe ao princípio uma posição mais ativa, sendo aplicado de forma a não só impedir que a desigualdade seja estabelecida, mas também que, uma vez instalada, seja oportunizada a correção sob o prisma dos direitos fundamentais. Essa faceta de tratar desiguais desigualmente foi um dos fundamentos utilizados pelos que defendem a existência do sistema de cotas. Segundo eles, negros, pardos e índios, pela sua condição racial, estariam colocados sob uma condição de desigualdade em relação aos brancos, justificando o tratamento privilegiado.

Apesar de desenvolvermos essa questão no tópico seguinte, de forma antecipada, entendemos que, na verdade, estaríamos consagrando o racismo, pois essa forma de pensar traduz a ideia preconceituosa de que tais indivíduos não estão em condições de concorrer em igualdade com as demais raças, necessitando de um privilegiado para que tenham a oportunidade de se destacar nos processos seletivos.

Dessa forma, é nítido o fortalecimento que a Constituição Federal de 1988 promoveu no sentido de que equidade é tratar desiguais desigualmente, na exata medida da desigualdade entre eles. Entretanto, para que não haja distorções capazes de fazer com a busca pela consagração da igualdade promova injustiças, devem ser observados os critérios para a definição dessa exata medida em que são desiguais, preceito que deve permear toda a atividade jurisdicional.

Voltando-nos especificamente para o texto constitucional, muitos entendem que o Princípio da Igualdade está regrado basicamente pelo artigo 5°, caput, que está redigido da seguinte forma: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, [...]”.

Entretanto, a isonomia é retratada não apenas nesse artigo, estando disposta em diversos dispositivos, cada um se voltando especificamente para algum aspecto seu. A partir

da conjugação de todos eles, teremos a dimensão exata acerca de como a atual Carta Magna procurou formatá-lo.

O legislador deu uma relevância tão grande à equidade que instituiu a isonomia com um objetivo fundamental da nossa República. Vejamos o disposto no artigo 3°, inciso IV:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: [...]

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Em relação ao racismo, procurando dimensionar a igualdade entre os diferentes tipos no âmbito de suas relações internacionais, temos o artigo 4°, inciso VIII:

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

[...]

VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo.

Outra dimensão da igualdade digna de ser mencionada é a equidade entre os gêneros, que vem exposta no artigo 5º da Constituição, inciso I. Esse dispositivo ressalta não apenas a igualdade em direitos, mas também entre deveres de homem e mulher:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

Esse mesmo artigo, em seu inciso VIII, destaca a igualdade religiosa. Apesar da redação um pouco mais rebuscada, podemos enxergar os aspectos da isonomia que ele busca estabelecer:

Art. 5º [...]

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

O artigo 5º também trata da igualdade jurisdicional, proibindo a existência de tribunais de exceção, garantindo a desigualdade como forma de efetivar a paridade das armas, dentre outros. Vejamos alguns dispositivos nesse sentido:

XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; [...]

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

Efetivando ainda mais o combate ao racismo, nossa Carta consagrou o caráter imprescritível e inafiançável desse crime:

Art. 5º [...]

XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.

Outra faceta da igualdade extremamente relevante, consagrada por nosso texto constitucional, é a isonomia política, colocando todos os cidadãos sob o mesmo patamar político, efetivando o sistema democrático e representativo em nosso país. Vejamos o disposto no artigo 14: “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante [...]”.

Para encerrarmos essa exemplificação dos dispositivos da atual Carta Magna que traçam diretrizes para a isonomia, queremos citar a igualdade tributária, que impede a instituição de gravames diferenciados para contribuintes que se encontrem em situação de equivalência. Assim dispõe o artigo 150, inciso II:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

[...]

II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;

Após esse estudo mais detalhado da Constituição, vimos que ela procurou consagrar o Princípio da Igualdade em diversos dispositivos, tratando pormenorizadamente de suas diversas facetas.

Percebamos que ela procurou assegurá-lo nos mais diversos ramos do Direito como o trabalhista, o tributário, entre outros, estabelecendo ditames que devem ser seguidos em todas as órbitas de atuação do Poder Público, consagrando um tratamento desigual para que a igualdade jurídica seja alcançada.

Aprofundando um pouco mais a visão do nosso ordenamento constitucional acerca da equidade, temos de ressaltar a distinção promovida entre igualdade pente a lei e na lei, duas facetas do princípio que procuraram ressaltar o dinamismo da atividade do Poder Público no tocante à sua aplicação.

A igualdade na lei se volta para o legislador, que não deve promover distinções arbitrárias, além das exceções constitucionalmente previstas, sob pena de macular de vício sua atividade, comprometendo toda a cadeia de edição e aplicação da norma irregularmente editada.

Por igualdade perante a lei, nossa Carta se voltou para o aplicador da norma, que deve obedecer aos critérios previamente estabelecidos, evitando distorções autoritárias que impeçam o fiel cumprimento do dispositivo.

Sobre o entrelaçamento entre essas duas faces da isonomia, olhemos a lapidar lição de José Afonso da Silva:

A igualdade perante o Juiz decorre, pois, da igualdade perante a lei, como garantia constitucional indissoluvelmente ligada à democracia. O princípio da igualdade jurisdicional ou perante o juiz apresenta-se, portanto, sob dois prismas: (1) como interdição ao juiz de fazer distinção entre situações iguais, ao aplicar a lei; (2) como interdição ao legislador de editar leis que possibilitem tratamento desigual a situações iguais ou tratamento igual a situações desiguais por parte da Justiça14.

Dessa forma, pudemos perceber a relevância que nossa Constituição Federal deu à temática da equidade, tratando-a de forma detalhada e disciplinando seu conteúdo através de diversos dispositivos, assegurando a isonomia nos mais diversos setores da sociedade.

Outro ponto a ser frisado é que o Texto Magno irradiou seus efeitos sobre todos os ramos do Direito, procurando sedimentar a igualdade nos segmentos material e processual, o que denota o quanto evoluímos no tocante à sua regulamentação legal.